terça-feira, março 20, 2007

O Simbolismo da Lua e a Virgem Maria



É muito bom estudar os símbolos. Vejam que interessante essa análise de
Jean Hani sobre Nossa Senhora e o simbolismo da lua.
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A lua simboliza tradicionalmente os ritmos da vida: cresce, decresce, desaparece, reaparece, sua vida está submetida à lei universal do devir, que inclui a morte, mas também a ressurreição, a ressurreição que precisamente representa a lua crescente. A lua controla todos os planos cósmicos regidos pelo devir cíclico: as águas, a vegetação, a fertilidade, as marés e a fecundidade das mulheres; daí sua relação com o signo de Touro, que é o segundo signo da primavera e, detalhe importante, o «lugar de exaltação» da lua.

No pensamento cristão pode se aplicar a lua ao mistério de Cristo e sua mãe. Assim, Cristo é o sol, mas a luz do Cristo-Soles é levada a sombria terra pela maternal mediação de Maria (e da Igreja, que é o corpo místico de Cristo): porque a lua é o símbolo desse ser que acolheu maternalmente a luz e a recebeu com humildade; a concepção e a prosperidade na terra seguem o ritmo desta maternal lua.

Sobre este tema se desenvolveu uma espécie de mito das «bodas do sol e da lua»: Lua recebe a luz do Sol, se converte em mãe e engendra tudo o que vive. No silêncio e na obscuridade, a «lua nova» dialoga com seu amado; são os diálogos místicos da «harmonia das esferas» dos pitagóricos, como evocava Plutarco em seu tratado Sobre a face que há na lua: «Selene descreve em todos os tempos círculos de amor ao redor de Hélios, e dele recebe, mediante sua união, o poder de fazer nascer». Assim, a lua é a intermediaria entre o sol e a terra, a mediadora: tem por função atenuar a força da luz ampliando o «fogo» do sol a «água» de seu ser, a «água celestial da lua», o «rocio celestial» nele que se mesclam o «quente» e o «úmido» para engendrar o principio criador de vida na terra.

A partir daí, a reflexão cristã se centrou na lua e o sol de Natal: Maria deu à luz o «Sol de justiça», se converteu em seu «espelho», «Speculum justitiae», «Espelho da justiça», como a chamam as litanias de Loreto; conduz durante a noite o carro do sol da manhã, é a Lua com a que o Sol se uniu na aniquilação de sua encarnação noturna, e assim é mãe de tudo o quanto vive.

E isto nos remete ao tema da lua e da imagem lunar de Maria. Para compreender-la, há que se situar a expressão Janua coeli no sistema de representação antigo do Cosmos, construído no escalonamento das sete esferas planetárias, sendo a primeira a da lua que separa o mundo que há por baixo, denominado mundo sublunar, submetido ao ciclo do devir, das esferas superiores, entre elas a do sol, que participam da vida permanente y divina do «céu» em sentido religioso. Desta perspectiva, a lua é denominada Janua coeli; é o lugar de passagem do mundo inferior ao mundo divino. Na ascensão celestial da Divina Comédia, Dante situa precisamente na esfera da lua o Purgatório, que para os pecadores arrependidos abre o caminho até o sol, a Via Láctea e o «Círculo supremo»; ali, diz Plutarco que se purificavam os justos para encontrar-se em estado de ascender até a morada dos Deuses (Paraíso). Fazendo de Maria a Janua coeli, se quer dar a entender o papel imenso que desempenha no caminho da salvação, não só porque traz ao mundo o Cristo, autor da salvação, mas também porque segue ajudando ao ser humano em seu caminho; na figura da Mulher do Apocalipse, a Virgem, posto que dela se trata, está sobre a lua e está vestida com o sol, faz nascer os homens e os faz passar do mundo terreno e mortal ao mundo eterno.