quarta-feira, março 07, 2007

A Vida Espiritual no Cotidiano






As preocupações, lutas e chateações do cotidiano podem ser vistas como provas para a purificação da alma: contas a pagar, doenças na família, gente chata que você tem que tolerar, enfim, são muitos os problemas, mas ninguém disse que essa vida seria um mar de rosas, não é mesmo?

“Se alguém quiser vir comigo, renuncie a si mesmo, tome sua cruz e siga-me”. (Mt 16,24)

Lendo esta frase alguns podem pensar que seria preciso deixar tudo de lado – família, emprego, estudos... - para seguir o Cristo. Pode ser isso também, para aqueles que são chamados, os que têm vocação para a vida contemplativa, monástica. Mas eu entendi de outra maneira:

“tome sua cruz” - no dia-a-dia todas essas perturbações devem ser vistas como a cruz que temos que carregar;

“renuncie-se a si mesmo” - a paciência, a tolerância e o respeito aos mandamentos significam para mim a renúncia a mim mesma;

“siga-me” - agindo assim estarei seguindo-O.

Eu renuncio a mim mesma quando faço o que Ele quer e não o que eu quero. Algumas vezes o que eu quero é gritar, discutir, defender a qualquer custo meu ponto de vista em determinado assunto. Mas sucumbir a esse tipo de comportamento é insuflar o orgulho. O orgulho me afasta Dele, é um mal, pois estar afastado do Criador é ruim. O que Ele quer é que O amemos e que amemos aos outros como a nós mesmos. Só consigo agir assim quando renuncio a mim mesma, quando renuncio às minhas paixões, à minha intolerância, à minha falta de paciência.

Se eu renuncio a mim mesma, renuncio ao orgulho. Então me aproximo Dele novamente. E assim consigo um pouquinho de paz. É uma paz diferente, fica lá no coração, não no exterior. Por que no lado externo as lutas continuam. O mundo não muda porque recebi consolo, mas meu modo de lidar com ele, meu jeito de ver as coisas se transforma e consigo seguir sem reclamar tanto.

Os problemas são geralmente inevitáveis, então é necessário saber lidar com eles. Todos têm uma “cruz” para carregar. A questão é aceitá-la ou não. E quando aceito por amor a Deus eis que algo maravilhoso acontece: o desespero não tem lugar para morar em meu coração e as coisas ficam menos pesadas, menos difíceis de lidar.

“Porque meu jugo é suave e meu fardo é leve”. (Mt 11,30)

Ter uma vida espiritual não é simplesmente virar vegetariano e fazer meditação. Ser cristão não é somente ir à missa ou rezar o terço. Ter uma vida espiritual, ser cristão é orar e vigiar incessantemente, todos os dias, até o último suspiro.