quarta-feira, junho 20, 2007

O Temor e A Graça

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“Não é qualquer presunção que é considerada pecado contra o Espírito Santo, mas a que nos leva a desprezar a justiça de Deus por confiarmos indevidamente em Sua misericórdia. E tal presunção, em razão da sua matéria, isto é, por nos levar a desprezar um bem divino (que é a justiça), por isso mesmo se opõe à caridade, ou antes, ao dom do temor, que nos manda reverenciar a Deus”. (São Tomás de Aquino - Suma Teológica II-II, q.130, a.2, ad 1).


Outro dia desses estava eu a pensar na palavra “temor”. Percebi que muita gente pensa que este termo quando aplicado ao que devemos sentir em relação ao Criador, quer dizer medo. Até um tempo atrás eu também assim pensava, não entendia isso. Até que – oh, quanta inteligência – consultei o dicionário e descobri que tal palavra quer dizer também “respeito profundo”, reverência.

Ter temor a Deus é ter respeito profundo, é reverenciá-Lo. E como diz o mestre aquinate, tal sentimento é um dom. Bom, eu ainda não sei como funciona essa estória de dom, mas vejo realmente que há um mistério nisso, pois há pessoas para as quais parece “natural” temer a Deus. E a outras isso simplesmente não acontece. Seguindo o que diz Santo Tomás é porque as que reverenciam a Deus, as que O temem, receberam este dom e as outras não.

Mas como fica a questão do mérito nisso tudo? Bom, pensando cá com meus botões, cheguei à conclusão de que Deus não gosta da soberba e sendo assim só os humildes recebem tais dons. É preciso ser simples, ter um coração aberto para receber certas graças. É claro que não sei se é assim mesmo que funciona, estou apenas a fazer conjecturas a respeito.

Mas também me parece que ter o coração pronto para receber graças é já uma graça. Cheguei então à conclusão que Ele nos agraciou desde o princípio e que nós é que desprezamos Sua bondade. Claro, podemos fazer isso, pois temos o livre arbítrio dado a nós por Ele mesmo. E isso é outra graça, não é?

Percebem como Ele nos dá tantas coisas de graça? Sim, porque não fizemos por merecer tanta bondade. Fazemos bobagens, erramos tanto, mesmo tendo lá no fundo do coração escrito que não devemos fazer aos outros o que não gostaríamos que fizessem a nós mesmos, mesmo tendo recebido revelações divinas das quais nascem as instruções religiosas, morais.

Agora mesmo enquanto escrevo este post, relendo a passagem do livro de Santo Tomás percebo que cometi um erro e que confiei demais na misericórdia Dele (pedi perdão e vou buscar não fazer isso novamente). Mas vejam que percebi o erro justamente quando reli este trecho do aquinate. Explico: eu tinha errado, sabia disso, mas não sabia bem a gravidade do meu erro até que abri esta página com as palavras de Santo Tomás e ao escrever o post fui “iluminada” e notei onde estava a gravidade de minha falta.

Não posso desprezar Sua justiça. Não posso fazer de conta que estou fazendo algo pelo bem dos outros quando estou apenas agindo em consonância com meus caprichos. Isso é falta de caridade mesmo, falta de temor a Deus.

Gente, estou maravilhada em como consegui compreender estas palavras do Santo enquanto escrevo isso aqui! Que coisa! Como Ele é bom!

Leiam e releiam esta passagem da Suma Teológica, contemplem, meditem a respeito. Pode ser que haja uma lição para vocês também.
verdade