quinta-feira, dezembro 06, 2007

Deus e a matança dos inocentes

Pe. David Francisquini (*)


Com zelo de pastor, venho acompanhando os debates de vários projetos de deputados e senadores visando a introdução de leis atentatórias à moral católica em nosso Pais. Agora mesmo, o Projeto de Lei 1135/91, de descriminalizaçã o do aborto, de autoria da deputada Sandra Starling (PT/SP), está para ser posto em votação.

Sob o pretexto de livrar do vexame a mulher vítima de estupro, ou de afirmar que evitar mortes por abortos clandestinos é questão de saúde pública, o Poder Executivo, através do ministro da Saúde, José Gomes Temporão, alia-se ao Legislativo nessa manobra viperina. Ao fugir do debate moral e religioso, querem eles encurtar o caminho e instituir draconianamente a pena de morte contra crianças indefesas ainda no ventre materno.Se a tais projetos somarmos a pseudo-liberdade sexual (leia-se amor livre) promovida por muitos órgãos da mídia falada, escrita e televisiva, além de uma pressão insolente e agressiva de lobbies internacionais pró-aborto, não fica difícil perceber a existência de uma verdadeira trama maquiavélica com o objetivo definido de erradicar o que ainda existe de cristão na Terra de Santa Cruz.

Ademais, já existem sintomas claros. Mónica Roa, colombiana, advogada e ativista pró-aborto, expôs uma estratégia utilizada com êxito para introduzir o aborto em seu país: "Constatamos que o debate em torno do tema sempre era de ordem moral e religiosa. Decidimos mudar radicalmente o rumo do debate. Começamos a tratar do aborto sempre como um problema de saúde pública, de direitos humanos e de eqüidade de gênero."Relembro aos leitores a doutrina do pecado coletivo de uma nação. Este é tipificado no momento em que se aprova uma lei que fere o Decálogo. E Santo Agostinho ensina que nem no Céu nem no inferno há prêmios e castigos para nações, visto serem elas premiadas ou castigadas neste mundo. O que nos leva a concluir que os protagonistas do aborto estejam a atrair a ira de Deus sobre o Brasil.

Para a moral católica, o aborto "brada aos céus e clama a Deus por vingança", e quem o provoca incorre em excomunhão latae sententiae, isto é, automática, a qual atinge os que o praticam, quer por efeito de estupro, quer por deformidade do feto ou risco de morte da mãe. Sua Santidade Bento XVI afirmou: "A vida é obra de Deus" e "não pode ser negada a ninguém, nem ao pequeno e indefeso feto nem a quem apresenta graves incapacidades" .

No México, ainda há pouco, o Cardeal Rivera formulou a "mais firme condenação" do aborto, qualificando- o de "ato abominável" e de "execrável assassinato". Ademais, admoestou os legisladores, que votaram favoravelmente ao aborto, pelo grave pecado cometido, proibindo-lhes a comunhão, pena extensiva aos médicos e enfermeiros que participarem de ato abortivo.Uma responsabilidade moral difusa, mas não menos grave, pesa sobre todos os que favorecem a difusão da permissividade sexual e o menosprezo pela maternidade. Ela pesa também sobre os que deveriam assegurar políticas familiares e sociais de apoio às famílias, especialmente as mais numerosas, ou aquelas com particular dificuldade financeira para propiciar o desenvolvimento físico e educacional dos filhos.

O aborto e a violência sexual - a qual já é prerrogativa da rua, mas infelizmente se verifica no recinto dos próprios lares, onde crianças são agredidas por pessoas da própria família - são os frutos perniciosos da decadência moral em que está imersa nossa sociedade. Decadência largamente fomentada pela difusão sistemática da imoralidade refletida nas modas, nos programas de TV, na publicidade, nas músicas, etc.Como guardião da ordem, o Estado tem o dever de zelar pela moralidade pública, não permitindo que em nome de uma falsa liberdade se faça em nosso País uma "revolução cultural", que tripudia e aniquila os princípios perenes consubstanciados no Evangelho; e não - como vem infelizmente acontecendo - se tornar um possante propulsor da mesma revolução pela disseminação da imoralidade, da desordem e do caos.


(*) Sacerdote da igreja Imaculado Coração de Maria -- Cardoso Moreira (RJ)
Agência Boa Imprensa - ABIM AGÊNCIA BOA IMPRENSA
Notícias e comentários destinados a órgãos do Brasil e do exteriorNº 972 - Novembro/2007

aborto não!

5 comentários:

  1. O que mais me impressiona é que esses servidores do demônio (desculpe o desabafo) não dexistem!! O projeto já foi rejeitado na Conferência Nacional de Saúde, o povo brasileiro já se demonstrou claramente contrário a esse absurdo em diversas oportunidades - através de muitas pesquisas promovidas por órgãos de comunicação e vários sensos realizados no país. E mesmo assim eles continuam insistindo! Isso é simplesmente assustador!

    Se fosse qualquer outro assunto, a história já estaria encerrada. Em nosso país há tantos assuntos de extrema urgência esperando para serem apreciados, projetos realmente importantes, e ninguém dá a mínima. Mas para se garantir o direito de assassinar inocentes que não têm nenhuma chance de se defender há um empenho enorme, uma determinação nunca antes vista por parte de tantos(as) deputados(as).

    O pior de tudo é que o projeto que querem aprovar prevê a descriminação total e irrestrita do aborto, até o nono mês de gravidez! Ou seja, liberdade total de assassinato a bebês!!

    Querida, esse assunto realmente me tira do sério, e só pra encerrar queria deixar aqui um texto que eu publiquei no meu blog há algum tempo:

    Perguntas e respostas simples sobre o aborto:


    #1 Você acredita que a vida de um indivíduo humano começa com a concepção?

    - Não, eu não acredito nisso, porque isso não é objeto de crença. É uma verdade que eu colho das Ciências Naturais. Da mesma forma, eu não "acredito" que a Terra é redonda, nem que a água é composta de hidrogênio e oxigênio. Não é necessária uma revelação sobrenatural para saber que um indivíduo humano começa quando é concebido. Os que defendem o aborto negam um dado biológico.

    #2 Uma menina foi violentada e está grávida. Você acha que uma criança pode ser mãe de outra criança?

    - Mãe ela já é. Na verdade você não está perguntando se ela pode ou não ser mãe de outra criança. Você pergunta se podemos matar a criança pequena em benefício da criança grande. Respondo que não. Ambas as vidas são igualmente invioláveis.

    #3 É justo compelir uma mulher a levar adiante a gestação de um feto que não tem cérebro ou com alguma outra deficiência grave?

    - O que você pergunta é se é justo dar à mãe de uma criança deficiente o direito de matá-la. É claro que a mãe não tem esse direito.

    #4 Nos países que legalizaram o aborto, houve uma queda do número de abortos. Não seria conveniente que os defensores da vida lutassem para legalizar o aborto?

    - Não é verdade. Em diversos países em que o aborto foi legalizado, o número de abortos aumentou. Mas o que realmente importa não é o “total geral” de abortos, e sim a vida de cada criança em particular. Ainda que, por absurdo, a legalização desse crime levasse à diminuição de sua prática, não poderíamos legalizá-lo. O que importa é a proteção legal dessa criança que está no ventre dessa mãe. Cada bebê é precioso. Não é um simples número em uma estatística.

    #5 Você não acha que cada mulher deve ter direito ao seu próprio corpo?

    - Pelo que entendi, para você o corpo humano se compõe de quatro partes: cabeça, tronco, membros e criança. Como a mulher corta as unhas e os cabelos, ela deveria, segundo seu pensamento, poder cortar a criança que carrega em seu útero. É isso?

    #6 Atualmente só as mulheres ricas têm acesso a um aborto seguro. As mulheres pobres acabam morrendo em mãos inábeis. Não seria melhor legalizar o aborto para dar fim a essa hipocrisia?

    - Para o bebê o aborto nunca é seguro, é sempre 100% letal - e isto é homicídio. A única diferença entre se assassinar uma pessoa na rua e um bebê dentro do ventre da mãe, é que o bebê não tem nenhuma chance de se defender. Ninguém, seja rico ou pobre, tem o direito de exigir segurança para si ao matar um inocente. Assim como os ladrões não têm direito a um “roubo seguro” e os seqüestradores não têm direito a um “seqüestro seguro”, o que seria um completo absurdo, os homicidas também não têm direito a um “homicídio seguro”.

    #7 Centenas de milhares de mulheres morrem, a cada ano, por causa de abortos mal feitos. Legalizar o aborto não seria uma exigência da saúde pública?

    - Esses dados são altamente contestáveis, mas ainda que fosse verdade que houvesse uma multidão de mulheres mortas a cada ano por causa de “abortos mal feitos”, a solução óbvia para evitar essa mortandade é não abortar. Ao invés de legalizar a morte dos inocentes, é preciso valorizar a maternidade e a vida intra-uterina, e dar assistência às gestantes. Esta sim é uma exigência da saúde pública! E nem tão difícil de se resolver.


    Do site Pró Vida.


    Por que todos ficam chocados quando surge a notícia de alguma mãe que jogou seu bebê recém-nascido numa latrina ou o abandonou numa lata de lixo para morrer, mas quando o assunto é aborto alguns consideram como algo "normal" ou um "direito da mulher"? Só existe uma diferença entre os dois casos: no segundo, o bebê ainda estava dentro da barriga da mãe.

    Acho que o primeiro grande passo para se combater esta monstruosidade é retirar o assunto do âmbito "católico". Eu vejo todos os defensores do aborto dizendo que a única que está criando problemas é a Igreja Católica. Isso não é verdade! Qualquer pessoa que acredita em Deus ou que tem um pingo de humanidade é radicalmente contra!

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  2. É isso aí, amigo Merton! Concordo contigo e também me revolto quando vejo o grau de satanismo - inconsciente ou não - que impera nas mentes de certas pessoas detentoras do poder temporal. É triste demais! Dói ver o descaso, a falta de respeito e de amor.

    Que Deus tenha piedade de nós!

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  3. "excomunhão latae sententiae, isto é, automática, a qual atinge os que o praticam, quer por efeito de estupro, quer por deformidade do feto ou risco de morte da mãe."

    Quer dizer que nós como cristãos devemos deixar uma mãe em risco de vida morrer só para seguir a moral? Isso não seria amar mais a moral dita cristã, do que a vida de uma pessoa?

    Acho que a mãe deve ser salva. Ou então ela deve ter a oportunidade de escolher se morre pelo seu bebe ou não. Discordo dessa opinião do padre, assim como discordo quando ele diz:

    "O aborto e a violência sexual são os frutos perniciosos da decadência moral em que está imersa nossa sociedade. Decadência largamente fomentada pela difusão sistemática da imoralidade refletida nas modas, nos programas de TV, na publicidade, nas músicas, etc."

    Ele mesmo explicita que a imoralidade é refletida nesses setores da sociedade. Portanto, não são eles os causadores da imoralidade. Eles são reflexos de uma imoralidade presente na sociedade. O que devemos fazer é combater a imoralidade pela raiz, e não pelos seus reflexos. Desse modo, nós cristãos também somos culpados pela degradada condição da nossa sociedade. Somos agentes de transformação, e não estamos transformando. Precisamos derrubar o aborto, não condenando ele, mas mostrando como ele não condiz com a verdadeira moral cristã. Não adianta criticar, sem deixar claro o porquê. Por isso gostei do seu texto H K Merton, você mostra bem a incoerência que existe entre Deus e o aborto. Entretanto, na minha opinião, existem casos em que o aborto deve ser praticado. Quando a vida da mãe está em risco por exemplo.

    Gosto muito desse blog, parabéns Andrea.
    Até a próxima.

    Flávio.

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  4. Meu caro Flávio, é importante a gente ter em mente que os casos de aborto realizados porque a vida da mãe estava em risco representam algo em torno de 0,00001% do número total de abortos feitos no mundo! Concordo plenamente que nos casos em que há risco de vida da mãe são especiais; mas esses casos têm uma representatividade ínfima no quadro geral, e de jeito nenhum justificam a proposta que é de se liberar irrestritamente o aborto em nosso país. Um projeto que, como eu disse, já foi amplamente rejeitado pela imensa maioria do povo brasileiro.

    Mais uma observação: o padre disse que a "Decadência (é) largamente fomentada pela difusão sistemática da imoralidade" através da mídia. Ou seja, a mídia é um reflexo, sim, mas é também a causadora da imoralidade, e isso é um fato incontestável. Ela ajuda (e muito) a fomentar a imoralidade, eu concordo 100% com ele. O problema é que quando se fala em "moralidade" (ainda mais um padre) as pessoas logo pensam naquela coisa falsa, careta, ultrapassada, valores que estão “fora de moda”. Mas moralidade quer dizer reconhecer o certo e o errado, e escolher o certo.

    Grande abraço pra você!

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  5. Flavio, seja muito bem vindo!

    Bom, concordo com o Merton nisso. Ele escreveu o que eu gostaria de ter escrito.

    Deus os abençoe!

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