quinta-feira, abril 10, 2008

Iluminados que me fazem chorar




Hoje em dia os homens vivem praticamente ajoelhados perante a “Deusa Ciência”. Mas ciência não é conquista da modernidade, já se fazia ciência muito antes disso. Apenas era uma ciência diferente, baseada no conhecimento Tradicional. A diferença é que os homens medievais, por exemplo, não tinham a prepotência de se acharem superiores a Deus ou mesmo de achar que Ele não existe. Por essa razão o que se fazia antes do advento do modernismo era uma Ciência com “C” maiúsculo e não uma ciência que tem entre seus representantes uma pessoa como R. Dawkins. Mas discorrer sobre conhecimento tradicional aqui não é possível. Até porque tenho pouco ou quase nenhum entendimento sobre o assunto. Recomendo a leitura de um pensador metafísico chamado Martin Lings, com seu livro “Sabedoria Tradicional e Superstições Modernas”, para entender melhor essa questão (tenho algumas ressalvas quanto a este livro, mas no que tange à questão da Ciência Tradicional, é bem interessante mesmo).


Não quero com esta crítica dizer que não gosto de ciência ou que não concordo com a pesquisa científica ou algo assim. Apenas não idolatro a classe científica transformando-os em deuses.

Há um trechinho de um belo artigo de Chesterton, no qual ele discorre sobre a ignorância do homem moderno sobre as coisas de antigamente (anteriores ao Renascimento):

“(...) imagine o homem moderno (o pobre homem moderno) que tivesse levado um volume de teologia medieval para a cama. Ele esperaria encontrar ali um pessimismo que não há, um fatalismo que não há, um amor à barbárie que não há, um desprezo pela razão que não há. Aliás, seria na verdade muito bom que fizesse a experiência. Far-lhe-á bem de uma forma ou de outra: ou o fará dormir – ou o fará acordar”.


Foi o pensamento iluminista com sua “ode a razão” (razão à maneira deles, não razão verdadeiramente) que quis tirar Deus do centro da vida do homem e colocar no centro...o homem mesmo!

Uma figura como Dawkins é fruto desse iluminismo que no fim das contas quer riscar a transcendência do mapa e colocar unicamente a razão humana (do ser humano decaído) como medida das coisas, como único meio de conhecer o universo. Daí surgem conceitos como o de “fé raciocinada”. Como se quem tem fé não tivesse razão! Ora ter fé é confiar, é ser fiel, é ter fidelidade. Você confia porque tem alguma razão para confiar. Como então a fé pode ser contrária a razão? Advirto logo que não estou falando aqui de crença, e sim de fé, de fides. Acredita-se em qualquer coisa ou pessoa, mas confiar, já é diferente. Às vezes você até quer confiar, mas não consegue. O homem tem sim que buscar usar a razão, só que a fé não se interpõe a isso. A fé em Deus é algo que até pode ter explicação racional (não sei se com a razão dos homens ou a de Deus), mas na verdade supera qualquer explicação.

As filosofias, ideologias e coisas do tipo podem ter aspectos positivos e negativos. Mas há sempre algo que se sobressai, para o bem ou para o mal. O que se sobressai no Iluminismo? Deus? O transcendente? Não. Sobrou o homem, com todas as suas mazelas...E agora, crescer como? Qual o referencial de Perfeição? Se o homem é a medida de tudo, então o ser humano torna-se o referencial. Aí está então uma das razões de nossa decadência.

Revolução francesa, cientificismo, racionalismo...estes os frutos do iluminismo! É de chorar!

6 comentários:

  1. Quisera eu ter mais base pra entender. E discutir.
    Beijao!!

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  2. Eduardo Araújo4/11/2008

    Olá, minha cara!

    Hoje em dia, usa-se muito a ciência, como uma espécie de entidade personificada a que se recorre como argumento de autoridade. Quem for contrário ao que se alegar sob a sua égide é "laureado" com a tentativa de desqualificação ao máximo do opositor, ora rotulado de obscurantista, retrógrado e medieval (insinuando o velho preconceito de "idade das trevas").

    O que eu já percebi é que muitas dessas presumidas "vozes da ciência" costumam até ignorar aspectos científicos elementares dos assuntos que imaginam conhecer; ou, ainda, carecem de um comportamento condizente com o que se poderia classificar minimamente de espírito científico.

    É o caso da questão envolvendo as células tronco. O problema ético existe no caso específico das células embrionárias, não se verificando quanto às células adultas. Além do mais, estas últimas são as que têm apresentado resultados positivos em todos estes anos de pesquisa, bem ao contrário das embrionárias, com os seus teratomas potencialmente malignos, seu problema ainda intransponível da impossibilidade de controlar o enorme ímpeto de divisão celular, desorganizada quando fora da estrutura de desenvolvimento embrionário, para a qual existem, essencialmente.

    A nossa Igreja, na sua sabedoria e firmeza de princípios, desaprova a pesquisa com as células embrionárias, porém não tem restrições quanto à pesquisa com as adultas. No seu posicionamento, de fulcro religioso, coincide com a autêntica ciência (a que mostra resultados positivos), mas não é o que a mídia deixa entrever. Raramente é feita a distinção - indispensável, aqui - entre os dois tipos de células tronco, de sorte que os detratores da Igreja, ávidos por achincalhá-la, manifestam seu despareço com os rótulos mencionados acima e presumindo-se estar na defesa da ciência contra a ignorância medieval (sic) da religião.

    Vê, Andrea, como ironicamente esses anticatólicos abrem a bocarra para berrar um conhecimento científico que na verdade não possuem? E o espírito científico, que ensejaria isenção e pesquisa para embasar uma opinião dessa espécie?

    Não resta dúvida que a "ciência" (assim mesmo, entre aspas) é nada mais que a autoridade de quem está preocupado em desqualificar a Igreja e seus seguidores, driblando nossos pontos de vista, princípios e principalmente nossos argumentos que, eles bem sabem, são fortes o suficiente para vencer um debate honesto sobre tais assuntos.

    Que Jesus continue espargindo Sua Luz em você, Andrea. Essa, sim, a verdadeira luz, não a tosca dos moderninhos iluminados.

    Eduardo

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  3. Eduardo Araújo4/11/2008

    Andrea, ainda sobre esse assunto, iniciei a leitura do livro O Saber dos Antigos, de Giovanni Reale, no qual o autor remete a origem dessa mentalidade relativista pós-moderna ao niilismo. Dele decorreriam os outros "ismos" (marxismo, positivismo, existencialismo, ...). Até onde já apreendi, pode-se resumir tudo em um imenso esvaziamento da vida humana, resultando na falta de sentido que assola o homem contemporâneo.

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  4. Olá Eduardo! Estava sentindo sua falta por aqui.

    Você disse tudo, é isso aí mesmo.

    E eu bem que gostaria de ler esse livro do Reale, já me recomendaram.

    É bem esse esvaziamento mesmo o que vejo hoje em dia. É triste.

    Obrigada pelas palavras!

    Que Deus abençoe a todos nós! ;)

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  5. Paulinha4/26/2008

    Arrasouuu!!
    Vou repassar por email com os devidos créditos. Posso?

    Muita luz pra gente, Deia!!

    Beijinhoss

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  6. Pode sim, Paulinha.

    Muita Luz pra gente mesmo! :)

    Beijos!

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