sexta-feira, maio 09, 2008

O Silêncio e o medo de nós mesmos


Estava conversando com uma amiga no trabalho quando ela disse que tirou os relógios do quarto. Explico: ela tinha muitos (não sei quantos) relógios no quarto dela, pois gostava de dormir ouvindo o tique-taque. Ela então resolveu tirar todos e me perguntou onde encontrar um “mensageiro dos ventos”, pois quer “mudar de barulho”, quer um “barulho” mais agradável.

Na verdade ela terminou confessando que não suporta o silêncio, pois é aí que começa a ouvir os pensamentos dela. E ela não quer pensar no que ela é não quer lembrar dos problemas, tem medo de descobrir o que está guardado em sua mente e seu coração.

Outra colega que estava próxima disse que sente o mesmo. O quarto dela é bastante silencioso, com isolamento acústico e tudo. Mas ela não gosta quando demora a dormir, pois os pensamentos começam a aflorar e ela não quer pensar nela mesma.

O silêncio é muito importante por isso mesmo: porque cada um pára para pensar em si mesmo. É um momento valioso que pode ser aproveitado para o exame de consciência que vai mostrar onde se está errando.

Os dias atuais são de imensa correria e barulho justamente porque as pessoas fogem de si mesmas o tempo todo, como se isso por si só resolvesse os problemas. Ligam a tevê, o aparelho de som, o computador, agitam-se, querem fazer coisas o tempo todo, não querem parar e pensar no que estão fazendo com suas vidas. E justamente essa auto-avaliação é que poderá trazer soluções para seus conflitos e consequentemente alguma paz para seus espíritos.

Não dá pra fugir da realidade. É pior. Esconder-se feito criança dos problemas e das dores não ajuda. O exame de consciência pode suscitar o arrependimento sincero, o que leva a pessoa de volta para O Caminho.


“Silence is golden!”