segunda-feira, maio 05, 2008

O valor absoluto

Um monge hindu dizia com muito acerto: “Deus é a unidade sem a qual só existem zeros”. Com efeito, Deus é, por definição, o Ser Absoluto – o que significa: o Valor Absoluto. Deus é, sim, o Valor que torna valiosa toda e qualquer criatura, e sem o qual esta é vazia e enganadora. Imaginemos uma série de três zeros, outra de seis, outra de nove zeros:

000 000.000 000.000.000

Os zeros que se acrescentam aos zeros nada alteram; tudo fica sendo zero... Mas coloquemos o número Um, uma só unidade, coisa simplicíssima, na série... Se pusermos o “Um” em último lugar, o conjunto, por mais longo que seja, ficará valendo muito pouco, será uma ninharia... Se o colocarmos em penúltimo lugar, já o conjunto valerá dez, o que ainda é muito pouco... Caso ponhamos a unidade em terceiro, em quarto, em quinto lugar, a série irá aumentando de valor (cem, mil, dez mil...). Finalmente, se se coloca o número Um à frente de cada série, ter-se-á:

1.000 = mil
1.000.000 = um milhão
1.000.000.000 = um bilhão

Coisa estupenda! Os zeros tomam imenso valor desde que o “Um” lhes seja anteposto e os ilumine. Pois bem; Deus é esse “Um” sem o qual as criaturas nada são.

Se Deus ficar em último lugar na vida do homem, esta se apresentará sempre como insípida bagatela, ninharia vazia... Uma vez, porém, que se ponha Deus incondicionalmente em lugar capital, cada bagatela, cada zero da vida toma valor imprevistamente grande.

O homem pode acumular mil bens criados no seu tesouro; se chegarem a fazer empalidecer ou a remover a face de Deus no horizonte do indivíduo, esses bens, por mais numerosos que sejam, equivalerão a uma longa série de zeros; deixarão o seu possuidor sempre frustrado e insatisfeito...

Mas se o cristão puser Deus à frente de cada criatura e procurar ver tudo sob a perspectiva dEle, então e somente então esse homem começará a compreender o valor das criaturas; começará a compreender também que seguir Cristo é o maior de todos os bens e que a vida, vivida em fidelidade absoluta ao Senhor, vale, apesar de tudo, a pena de ser vivida!


Fonte: “Páginas dfíceis do Evangelho”, 2ª ed., Quadrante, São Paulo, 1993.