quinta-feira, julho 31, 2008

Pensamentos de São João da Cruz

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Para chegares a saborear tudo,
não queiras ter gosto em coisa alguma.
Para chegares a possuir tudo,
não queiras possuir coisa alguma.
Para chegares a ser tudo,
não queiras ser coisa alguma.
Para chegares a saber tudo,
não queiras saber coisa alguma.
Para chegares ao que não gostas,
hás de ir por onde não gostas.
Para chegares ao que não sabes,
hás de ir por onde não sabes.
Para vires ao que não possuis,
hás de ir por onde não possuis.
Para chegares ao que não és,
hás de ir por onde não és.

Modo de não impedir o tudo:
Quando reparas em alguma coisa,
deixas de arrojar-te ao tudo.
Porque para vir de todo ao tudo,
hás de negar-te de todo em tudo.
E quando vieres a tudo ter,
hás de tê-lo sem nada querer.
Porque se queres ter alguma coisa em tudo,
não tens puramente em Deus teu tesouro.


Extraídos do livro “O Amor não cansa nem se cansa”, seleção de textos feita por Frei Patrício Scidiani, ocd, Editora Paulus, 2a. ed.

quarta-feira, julho 30, 2008

Hildegard de Bingen antecipa Leonardo da Vinci


Trecho extraído do artigo "Olhando para as estrelas, a fronteira imaginária final", de Ricardo Costa.

“Certamente o homem medieval possuía todas essas capacidades sensitivas e talvez mais, pois tinha em si um sentimento profundo de pertencer ao universo, de fazer parte de algo transcendente, de integrar e estar unido a todo o espaço imaginado, visível e invisível. A teia de reciprocidades tão característica da sociedade dita feudal ultrapassava e muito o mundo material, mundo considerado das aparências.

Ao contrário dos homens de hoje e do homem do tempo de Bilac – que considera tresloucado aquele que ouve e entende as estrelas porque ama – o homem medieval tinha esse amor em si quando contemplava o cosmo, quando dirigia seus olhos para as estrelas. Pois ele não era mesmo um microcosmo do universo? Para a visionária Hildegard de Bingen (c.1098-1179) sim: antecipando Leonardo da Vinci em quatro séculos, para a monja, o homem ocupava – e legitimamente – o centro do mundo, no centro de uma série de círculos maravilhosos:

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Hildegard descreve a visão desta figura:

"No centro do peito da figura que eu havia contemplado no seio dos espaços aéreos do Sul, eis que surgiu um roda de maravilhosa aparência. Continha os signos que a reaproximavam dessa visão em forma de ovo, que eu tive há dezoito anos e que descrevi na terceira visão do meu livro Scivias (...) na parte superior aparecia um círculo de fogo claro que dominava outro, de fogo negro (...) em seguida vinha um círculo que era como que de ar carregado de umidade (...) sob este círculo de ar úmido aparecia um de ar branco, denso (...) esses dois círculos estavam igualmente ligados entre si (...) Enfim, sob esse ar branco e firme apresentava-se uma segunda camada aérea, tênue, que parecia estender-se sobre todo o círculo, provocando nuvens, ora claras, ora baixas e sombrias. Esses seis círculos estavam ligados entre si, sem espaço intermediário (...) A figura do homem ocupava o centro dessa roda-gigante..." (HILDEGARD DE BINGEN. O Livro das Obras Divinas. Citado em PERNOUD, 1996: 72-73)

terça-feira, julho 22, 2008

Sol e Cristo

“O símbolo ao qual fazíamos alusão é exatamente o que a liturgia católica atribui a Cristo quando lhe aplica o título de Sol Justitiae; o Verbo é efetivamente o «Sol espiritual», quer dizer, o verdadeiro «Centro do Mundo»; e ademais, esta expressão de Sol Justitiae se refere diretamente aos atributos de Melki-Tsedeq. Há que se observar também que o leão, animal solar, é, na Antiguidade e na Idade Média, um emblema da justiça ao mesmo tempo que do poder; o signo de Leão é, no Zodíaco, o domicílio próprio do Sol.

Se o Sol figura Cristo, os doze raios são os doze apóstolos (a palavra apostolos significa «enviado», e os doze raios são também «enviados» pelo Sol). Além disso pode-se ver no número dos doze Apóstolos uma marca, entre muitas outras, da perfeita conformidade do Cristianismo com a tradição primordial”.

Extraído de “El Rey del Mundo”, de René Guenón.

domingo, julho 20, 2008

A Igreja enxotou os costumes depravados e criminosos

bela dama caridosa

Os padrões de moralidade foram modelados pela Igreja Católica.

Platão ensinava que um doente, ou um incapacitado de trabalhar, devia ser morto. Na Roma antiga havia 30% mais de homens do que de mulheres. As meninas e os varões deformados eram simplesmente abandonados. Os estóicos favoreceram o suicídio para fugir da dor ou de frustrações emocionais. Os romanos afundaram tanto na sensualidade, que até perderam o culto da deusa Castidade. Ovídio, Catulo, Marcial e Suetônio contam que as práticas sexuais do seu tempo eram perversas e até sádicas. Segundo Tácito, no século II uma mulher casta era fenômeno raro. Enfim, reinavam os torpes vícios em que hoje vai recaindo o mundo neopagão que apostatou da Cristandade.

A Igreja restaurou a dignidade do matrimônio e gerou um fato desconhecido pelos pagãos: suscitou mulheres capazes de tocar suas próprias escolas, conventos, colégios, hospitais e orfanatos.

A Igreja definiu e delimitou a guerra justa. Nem Platão nem Aristóteles fizeram qualquer coisa de comparável. Em sentido contrário, o espírito moderno antimedieval teve um mestre em Nicolò Machiavello. Ele postulou que a política é um jogo cínico, onde "a remoção de um peão político, embora envolva cinqüenta mil homens, não é mais perturbadora que a remoção de uma peça de xadrez do tabuleiro" (p. 211).


Extraído do artigo: “Sem a Igreja não haveria Civilização Ocidental”, de Luis Dufaur, baseado na obra de Thomas E. Woods, Jr. Ph. D., How the Catholic Church built Western Civilization, Regnery Publishing Inc., Washington D. C., 2005, 280 pp. Disponível em Revista Catolicismo.

quinta-feira, julho 17, 2008

O Que é Coragem?



Para acordar cedo todas as manhãs é preciso coragem. Para enfrentar o trânsito também. Para procurar emprego, fazer a prova final na faculdade, prestar exame para tirar a habilitação como motorista, fazer uma declaração de amor, ter um filho, para tudo isso é preciso coragem. Mas o interessante é que eu nunca tinha pensado em como a coragem é um atributo valioso e quantos outros atributos ela engloba. Neste mundo todos nós precisamos mesmo ser corajosos, pois os desafios são muitos.

Coragem para mudar. Coragem para crescer. Coragem para deixar para trás hábitos, idéias e pensamentos daninhos.

Coragem para fazer o exame de consciência. Coragem para ver os erros cometidos. Coragem para admitir os erros.

Coragem para pedir perdão. Coragem para buscar a reparação. Coragem para buscar não pecar mais.

Outro dia li que Deus não gosta dos covardes.

segunda-feira, julho 14, 2008

As Bem-aventuranças evangélicas





Do Catecismo de São Pio X:



922) Quantas e quais são as Bem-aventuranças evangélicas?
As Bem-aventuranças evangélicas são oito:
1a Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino do Céu;
2a Bem-aventurados os mansos, porque eles possuirão a terra;
3a Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados;
4a Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados;
5a Bem-aventurados os que usam de misericórdia, porque alcançarão misericórdia;
6ª Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus;
7ª Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus;
8ª Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor da justiça, porque deles é o reino do Céu.

923) Por que Jesus Cristo nos propôs as Bem-aventuranças?
Jesus Cristo propôs-nos as Bem-aventuranças para os fazer detestar as máximas do mundo, e para nos convidar a amar e praticar as máximas do seu Evangelho.

924) Quem são aqueles que o mundo chama bem-aventurados?
O inundo chama bem-aventurados aqueles que desfrutam abundância de riquezas e de honras, que vivem em delícias e que não têm nada que os faça sofrer.

925) Quem são os pobres de espírito, que Jesus Cristo chama bem-aventurados?
Os pobres de espírito, segundo o Evangelho, são aqueles que têm o coração desapegado das riquezas; fazem bom uso delas, se as possuem; não as procuram com solicitude, se não as têm; e sofrem com resignação a perda delas se lhes são tiradas.

926) Quem são os mansos?
Os mansos são aqueles que tratam o próximo com brandura, e lhe sofrem com paciência os defeitos e as ofensas que dele recebem, sem alteração, ressentimentos ou vingança.

927) Quem são os que choram, e todavia são chamados bem-aventurados?
Os que choram, e todavia são chamados bem-aventurados, são aqueles que sofrem com resignação as tribulações, e que se afligem pelos pecados cometidos, pelos males e pelos escândalos que se vêem no mundo, pela ausência do céu, e pelo perigo de o perder.

928) Quem são os que têm fome e sede de justiça?
Os que têm fome e sede de justiça são aqueles, que desejam ardentemente crescer cada vez mais na graça de Deus e na prática das obras boas e virtuosas.

929) Quem são os que usam de misericórdia?
Os que usam de misericórdia são aqueles que amam, em Deus e por amor de Deus, o seu próximo, se compadecem das suas misérias, assim corporais como espirituais, e procuram socorrê-lo conforme as suas forças e o seu estado.

930) Quem são os puros de coração?
Os puros de coração são aqueles que não têm nenhum afeto ao pecado, sempre se afastam dele, e evitam sobretudo toda a espécie de impureza.

931) Quem são os pacíficos?
Os pacíficos são aqueles que vivem em paz com o próximo e consigo mesmos, e procuram estabelecer a paz entre aqueles que estão em discórdia.

932) Quem são os que sofrem perseguição por amor da justiça?
Os que sofrem perseguição por amor da justiça são aqueles que suportam com paciência os escárnios, as censuras, as perseguições por causa da Fé e da Lei de Jesus Cristo.

933) Que significam os diversos prêmios prometidos por Jesus Cristo nas Bem-aventuranças?
Os diversos prêmios prometidos por Jesus Cristo nas Bem-aventuranças significam todos, sob diversos nomes, a glória eterna do Céu.

934) Alcançam-nos as Bem-aventuranças só a glória eterna do Paraíso?
As Bem-aventuranças não nos alcançam só a glória eterna do Paraíso; são também meios de tornar nossa vida feliz, tanto quanto é possivel, neste mundo.

935) Recebem já alguma recompensa nesta vida os que seguem as Bem-aventuranças?
Sim, certamente, os que seguem as Bem-aventuranças recebem já alguma recompensa nesta vida, porque já gozam de uma paz e de um contentamento íntimos que são princípio, embora imperfeito, da felicidade eterna.

936) Poderão dizer-se felizes os que seguem as máximas do mundo?
Não. Os que seguem as máximas do mundo não são felizes, porque não têm a verdadeira paz da alma e estão em risco de se condenar.