terça-feira, janeiro 13, 2009

Os sabichões ignorantes

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Lendo o livro de Santa Catarina de Sena, O Diálogo, me deparei com uma expressão interessante: “sabichões ignorantes”. Esta aparece em uma parte do diálogo sobre a Sagrada Escritura, onde é dito que “a luz sobrenatural da graça é algo superior à luz da razão, que é concedida a quem o deseja. Toda claridade proveniente das Sagradas Escrituras sempre procedeu e ainda procede dessa luz. Em sua presença cegam-se os sabichões ignorantes, pois o orgulho e o egoísmo constituem uma nuvem de fumaça que esconde e afasta o saber infuso. Esses tais compreendem a escrituras literalmente e não em seu sentido profundo. Apreciam-lhe a letra após longos estudos, mas não penetram seu espírito. O motivo é este: eles desprezam a luz com a qual a Bíblia foi escrita e explicada.” (pg. 174, 2 ed. São Paulo: Paulus, 2007)

Hoje em dia há aqueles que nem mesmo estudam as Escrituras e que a partir da leitura de certos livros – fictícios, críticos, religiosos, pseudo-filosóficos – passam a crer que têm o discernimento necessário para dizer o que é verdade ou não na Bíblia. Eu fico assustada com tal presunção!

Nas minhas andanças pela internet tenho me deparado com discussões levantadas por pessoas que não conhecem nada sobre o assunto e que saem opinando, baseadas em estudos de gente desonesta, mal-intencionada, confusa e até mesmo psicótica. Vocês não tem noção de quanta gente desse tipo eu encontro por aí (ou talvez tenham, sabe-se lá). Gente que adora abrir a boca – ou apertar o teclado - para falar do que não sabe e para acusar de boçal quem busca o conhecimento. São pessoas cheias de si, que se julgam iluminadas ou mais próximas disso do que qualquer pobre cristão (se for católico então...) que encontrem pelo caminho. O copo dessas pessoas está por demais cheio e as gotas de sabedoria não podem entrar nele.

Eu me pergunto como que elas não páram nem um pouquinho para pensar que pode ser que o que defendem não esteja tão certo assim. Algumas possuem uma certeza tão grande sobre suas crenças e sobre uma fatal e "intrínseca maldade da Igreja e dos cristãos" (sic), que não podem perceber mesmo que viver nessa certeza é coisa de psicótico. Parece que elas nunca páram para duvidar de si mesmas, só duvidam do outro e relativizam tudo. Para elas a verdade é relativa e não existe certo e errado. Por mais louco que isso possa parecer, a única coisa que não é relativa na vida dessas pessoas é a certeza de que a Igreja é má e que os católicos em geral são uns trouxas. Julgam-se melhores e mais sábias que Santo Agostinho, São Francisco de Assis ou Santo Tomás de Aquino.

Será que estes e outros grandes homens - alguns deles foram as maiores inteligências que o mundo já conheceu - que viveram o cristianismo e defenderam a Igreja eram imbecis? Eram trouxas que se deixaram enganar? Como podem pensar que homens e mulheres que dedicaram suas vidas servindo a Deus dentro da Igreja tenham se tornado grandes não por causa dos ensinamentos guardados e repassados pela Igreja, mas sim por razões sentimentais outras?

O interessante é que se essas pessoas forem inquiridas sobre o que acham do Dalai Lama ou de outro grande nome que represente uma religião ou filosofia, vão responder que este religioso ou filósofo é assim porque vive de acordo com sua religião ou filosofia. E viver de acordo com a doutrina que se professa não é somente seguir os ensinamentos religiosos, ou a moralidade, mas sim as regras, ditados, mandamentos, conselhos dos mestres, etc. Agora, se essas mesmas pessoas forem indagadas sobre o que acham de uma Santa Teresa ou de um Santo Antônio, vão responder que eles foram grandes pessoas porque seguiram seus corações ou seguiram a mensagem cristã. Mas ora, e quem guarda durante dois milênios a mensagem de Cristo?! Ah, sobre isso eles não querem saber. Parece mesmo que o esporte preferido deles é jogar pedras na Igreja... Mas ai do católico que ousar tecer a menor crítica à religião deles ou de outros! Este não tem perdão. Vai ser sempre chamado de fanático, hipócrita, iludido ou mente-fechada. Só eles, os sabichões, podem criticar. A nós, cristãos católicos, cabe calar e dizer amém a cada estultice que sai de suas bocas.

Da ignorância sabichona, libera nos, Domine!