quarta-feira, fevereiro 04, 2009

Pais da Igreja refutam exegese espírita com mais de um milênio de antecedência

Por Adversus Haeresis






"Mas eu vos digo que Elias já veio, mas não o conheceram; antes, fizeram com ele quanto quiseram. Do mesmo modo farão sofrer o Filho do Homem". (Mt 17,12) "Os discípulos compreenderam, então, que ele lhes falava de João Batista". (Mt 17,13)


Os sequazes do espiritismo em seus 150 anos de existência, forçando a interpretação da Escritura, insistem em ver em S. João Batista a reencarnação do profeta Elias. Com mais de 1500 anos de antecedência os Padres da Igreja refutavam as mesmas fábulas:


São Jerônimo

“A João, pois, se lhe chama Elias, não como o entendem os filósofos néscios e alguns hereges, que sustentam a volta das almas, mas sim que veio, segundo outra passagem do Evangelho, no espírito e no poder de Elias (Lc1) e teve a mesma graça e a mesma medida do Espírito Santo. Também são iguais a austeridade de vida e severidade de espírito de Elias e João, um e outro cingiam um cinto no deserto. Aquele se viu obrigado a fugir por haver repreendido o rei Acab e a Jezebel por suas impiedades (1Re 19): e este é decapitado por haver repreendido a Herodes e a Herodíades, por suas bodas ilícitas(Mc 6).” (AQUINO, S. Tomás de. Catena Áurea)

Original disponível aqui.


Orígenes, homilia 3 in Matthaeum

“Quando diz o Senhor, referindo-se a João, 'Elias já veio' não deve entender-se que veio na alma de Elias, porque isto seria cair no erro da reencarnação, tão contrário à verdade da Igreja, senão que veio, como profetizou o anjo (Lc 1,17), no espírito e na virtude de Elias.

Original disponível aqui.


Orígenes

“Não diz na alma de Elias, mas sim no espírito e na virtude de Elias. O espírito, que havia estado em Elias, veio a pousar sobre São Jõao, e do mesmo modo sua virtude.”

Original disponível aqui.


Orígenes, ut sup

“Responde, pois, aos levitas e aos sacerdotes: "Não sou", conhecendo o fim a que se propõem nesta pergunta. Pois a referida pergunta não tendia a averiguar se ambos estavam animados de um mesmo espírito, mas sim se João era o mesmo Elias, que foi arrebatado e que agora aparecia sem novo nascimento, como os judeus esperavam. Mas alguém dirá, crendo na transmigração dos corpos, que é contrário à razão admitir que o filho de Zacarias, nascido na velhice de tão grande sacerdote, contra o que se podia esperar humanamente falando, fosse desconhecido pelos sacerdotes e os levitas, ignorando seu nascimento, e mais quando, especialmente São Lucas, disse que se havia suscitado um grande temor entre os que habitavam nas cercanias (Lc 1,65). Mas acaso lhes parece que devem perguntar em sentido tropológico, porque esperavam que Elias viria antes do fim e à frente de Cristo. Como se perguntassem: és tu, acaso, o que anuncias que o Cristo haverá de vir no fim do mundo? Mas lhes responde com precaução: "Não sou". Mas não deve chamar a atenção que assim como a respeito do Salvador havia muitos que sabiam que havia nascido de Maria, e sem embargo alguns deles se enganavam (crendo que Ele era João Batista, Elias, ou algum dos profetas), assim também a respeito de São João; ainda que não se ocultasse a muitos que era filho de São Zacarias, duvidavam alguns se acaso seria Elias o que havia aparecido a São João. E como havia existido muitos profetas em Israel, se esperava um de quem Moisés havia vaticinado, especialmente por aquelas palavras: "O Senhor suscitará um profeta dentre vossos irmãos, a ele obedecereis como a mim" ( Dt 18,18). Perguntam-no pela terceira vez, não já simplesmente se é um profeta, mas sim se é o profeta, isto é, com a singularidade que expressa o artigo grego. Por isto segue: "És tu o profeta?" O povo de Israel havia compreendido em todos os profetas que nenhum deles era aquele de quem havia vaticinado Moisés. O qual (como havia sucedido a Moisés) estaria entre Deus e os homens, e transmitiria aos discípulos o testamento recebido de Deus. E atribuíam eles este nome não a Jesus Cristo, mas sim que criam que seria distinto de Cristo. São João sabia da verdade que Cristo era o verdadeiro profeta, por isso acrescenta: "E respondeu não".

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Orígenes

“Dirá alguém que São João ignorava se ele era Elias, e sem dúvida usarão desta razão os que consintam na opinião trilhada e o testemunho da transmigração, como se as almas se revestissem de novos corpos. Mas perguntam os judeus, por meio dos levitas e os sacerdotes, se era Elias, dando fé à crença tradicional deles e não estranha à doutrina cabalística de seus padres, de que as almas podem de novo formar outros corpos. E por isso disse São João: "eu não sou Elias", porque na realidade desconhecia sua vida primitiva. Mas é lógico supor que sendo iluminado pelo Espírito como profeta, e havendo referido tantas coisas de Deus e de seu Unigênito, ignorava de si mesmo se alguma vez sua alma havia estado em Elias?

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São João Crisóstomo, homilia in Matthaeum, hom., 58.

“Chama Elias a João, não porque fôra Elias em pessoa, mas sim porque desempenhava o ministério dele, e porque foi o precursor da primera vinda como Elias o será da segunda.”
Citações traduzidas por mim.

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E ainda há aqueles que ousam utilizar os nomes dos primeiros padres - chamados "Pais da Igreja" - para defender doutrinas que são contrárias ao que eles pregavam. São muitos os espíritas que repetem que Orígenes defendeu a reencarnação ou a transmigração, quando a partir de uma simples leitura de seus textos pode-se constatar que ele nunca defendeu tais idéias, pelo contrário, rejeitava-as.
Muitos reencarnacionistas defendem a idéia de que no cristianismo primitivo acreditava-se em reencarnação. Nada mais errado, como pode-se averiguar através dos escritos dos primeiros cristãos.
"Quem tem ouvidos, ouça". (São Mateus 11,15)