terça-feira, março 03, 2009

"Compadecido de ti, te atraí a Mim"






Quaresma é o momento de buscar com mais força a conversão. “Mas por que conversão?” perguntam alguns, “não tenho pecados” dizem outros. Mas quem é que pode mesmo dizer que não peca e que nunca pecou? Não será bem melhor buscar encarar a realidade e reconhecer sua pequenez?

Reconhecer sua própria miséria e que para ela existe solução quando se busca com toda clareza e propósito de mudança de vida, Deus que Se revelou no amor e na misericórdia, é o início da vida plena que o Senhor oferece para nós pecadores e que culmina com Sua visão beatífica, caso nos mantenhamos fiéis até o fim. E para que ningúem abuse da misericórdia divina, o seu amor e perdão nos convida ao arrependimento sempre, consciente de nossa fragilidade que nos alicia e corrompe.”
(Ana Maria Bueno Cunha,Confissão)


Proponho então um desafio meditativo. Leia com atenção cada passagem mais abaixo e busque refletir, meditar sobre cada uma delas, com sinceridade. Deixe de lado o orgulho. Faça-se pequenino, tente ser humilde, nem que seja só um pouquinho. Quanto mais você esvaziar sua alma de preconceitos e falhas, mais capacidade vai adquirir para receber as graças.

Leia os trechos com cuidado. Até onde o que está escrito aí tem a ver com você? Você pode perguntar: “e por que devo acreditar que palavras podem me ajudar?”

Será que palavras podem preencher o vazio no qual muitas pessoas se encontram hoje? Qual o sentido da existência humana? Para quê você está aqui, na Terra? Sua vida tem sentido? Você busca ou já buscou o sentido das coisas?

Palavras vazias não acrescentam nada de bom, mas a palavra certa comunica vida.

Escolhi citações que levam a refletir sobre a vida, o pecado, a salvação, tudo com sincero desejo de suscitar a conversão, ou seja, a transformação espiritual – da aridez da vida sem fé à fonte de água que vivifica o ser.

Espero que cada um dos trechos abaixo possa comunicar vida à sua alma.


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"Costuma acontecer e acontece com frequência, que o irmão se entristece de momento quando o repreendem, e resiste e discute. Mas logo reflete em silêncio, sem outra testemunha que não seja Deus e a sua consciência, e não teme desgostar os homens por ter sido corrigido, mas teme desagradar a Deus por não emendar. E então, já não volta a fazer aquilo pelo que o corrigiram, e quando mais odeia o seu pecado, mais ama o irmão, por ter sido inimigo do seu pecado". (Epístola .210,2 – Bíblia de Navarra – II Cor 7, 5-15 – p. 1021)

Quando começas a detestar o que fizeste, é então que começam as tuas boas obras, porque acusas as tuas obras más. O princípio das obras boas é a confissão das más. Praticaste a verdade e vens à luz". (AGOSTINHO, Santo: In Iohannis evangelium tractatus, 12, 13: CCL 36, 128 (PL 35, 1491).



"Se dissermos que não temos pecados, enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós. Se confessarmos nossos pecados, Deus é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda culpa". (1 Jo 1,8-9).

"Aquele que esconde as suas maldades não será bem sucedido; aquele, porém, que as confessar e se retirar delas alcançará misericórdia". (Prov. 28, 13)

E por fim O Senhor diz:



"Com amor eterno Eu te amei; por isso, compadecido de ti, te atraí a Mim"(Jr 30).

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Para aprofundamento na caminhada espiritual recomendo a leitura dos salmos 50 (Miserere) e 129 (De Profundis).