sexta-feira, outubro 23, 2009

Entrevistas concedidas por Paul Johnson




Trechos das entrevistas concedidas por Paul Johnson ao jornalista Geneton Moraes Neto e a Revista "Veja".

GMN – Qual foi o pecado capital do século XX?

Paul Johnson – É o que chamo de relativismo moral: a negação de que haja valores absolutos. Acontece que há coisas que são absolutamente certas e outras que são absolutamente erradas, sim! O relativismo moral afirma – pelo contrário - que todo bem ou todo mal é relativo. Todos os valores seriam relativos, portanto.

Vejo o relativismo moral sob toda maldade totalitária e todo tipo de pecado do século XX. Precisamos voltar - acho que já estamos voltando - a cultivar valores absolutos.

GMN – O senhor diz que já não há uma idéia absoluta sobre o que é errado e o que é certo. Pode dar um exemplo do que é certo e do que é errado, no mundo de hoje?

Paul Johnson – O exemplo mais comum é o da sexualidade humana. A maioria das pessoas da minha geração - que viveu a década de trinta - foi educada para acreditar que havia certos e errados absolutos na sexualidade humana. É um fato que o relativismo moral esconde e ofusca. Crianças de hoje não aprendem que há certos e errados! Aprendem que devem fazer o que os outros fazem. Isso é relativismo moral! É um grande mal. Devemos lutar contra ele.

GMN – O senhor se declara um combatente na guerra das idéias. Qual foi a pior e a melhor idéia política do século XX?

Paul Johnson – A pior idéia - que começou antes da Primeira Guerra, ainda por volta de 1910 - é a de que o Estado faz as coisas de uma maneira melhor do que os indivíduos. Mas há poucas coisas em que o Estado é melhor que o indivíduo. A verdade é que a idéia de que o Estado age bem é a pior de todas. Aprendemos agora esta lição. A melhor idéia é a seguinte: sempre que possível, os indivíduos devem ser deixados sós para fazerem o que puderem com os próprios recursos. Quanto maior a liberdade, maior a justiça, maior a eficiência e maior a felicidade humana.

O Brasil é um desses países que têm um futuro incrível. Chegará a esse futuro, dourado e glorioso, se acreditar mais em liberdade individual e menos no Estado.

GMN – Por que o senhor diz que a mentalidade politicamente correta é uma nova forma de totalitarismo?

Paul Johnson – Não gosto que venham me dizer como pensar,que palavras e expressões devo ou não usar. Para mim, esta é a origem do totalitarismo. Hoje, o totalitarismo vem começando de novo, no campus das universidades, nos Estados Unidos, sob o disfarce politicamente correto. Temos de lutar – muito! - contra este fenômeno, antes que o totalitarismo disfarçado de posições politicamente corretas se estabeleça de verdade.

GMN – Quanto o senhor pagaria por um quadro de Picasso? Por que o senhor é tão rigoroso na hora de julgar mestres da arte moderna, como Picasso e Cézanne?

Paul Johnson – A arte precisa ter um propósito moral. Acontece que nunca pude detectar qualquer propósito moral claro na obra de Picasso. Era um homem perverso e imoral. Não vejo, em nenhuma de suas obras, um esforço para mostrar a arte com um propósito moral. Tal esforço é a essência do grande artista. Então, desconsidero Picasso completamente.

GMN – A obra mais famosa de Picasso, "Guernica", é uma denúncia contra a violência do totalitarismo. Por que é,então, que o senhor diz que não havia nenhum sentido moral na obra de Picasso?

Paul Johnson – Porque Picasso não lutava contra o totalitarismo! Picasso não era comunista: era stalinista! Ficou do lado da União Soviética totalitária, durante quase toda a vida. É um escândalo! Não acreditava na liberdade, exceto para si próprio.

GMN – O senhor diz que a religião aprendeu a absorver todos os impactos da ciência. Agora que até seres humanos podem ser criados em laboratório, o senhor acredita que a fé religiosa vai sobreviver?

Paul Johnson – A rapidez no avanço da ciência, especialmente nas ciências da vida – aquelas que afetam os seres humanos – vem tornando a religião mais importante do que nunca. Porque, em cada estágio do avanço da ciência, devemos trazer Deus à discussão. Devemos dizer: "Isso é moral? É Justo? É algo que se encaixa no plano divino para a Humanidade? Ou é algo que vai contra ele?". O fator "Deus" na ciência é, hoje, mais importante do que nunca.

GMN – O senhor consegue irritar as feministas e os esquerdistas com suas opiniões. Os dois são seus inimigos prediletos?

Paul Johnson – Não sou, certamente, um inimigo das feministas. Sou pró-mulher: acredito que o século XXI será o século das mulheres. Dei palestras em Londres para milhares de senhoras japonesas : disse que elas têm o dever de tomar o poder que hoje parece disponível para elas no Japão – que era uma sociedade muito machista. Sou muito a favor das mulheres. Quanto à esquerda, não gosto de dividir pessoas em setores rígidos - esquerda e direita. Posso até dizer que sou radical - especialmente nas questões femininas, por exemplo. O meu ponto de vista é o de que todos os assuntos devem estar abertos à discussão. Não estou do lado da esquerda ou da direita: estou do lado da razão e da justiça.

Veja – O senhor escreveu que o desenvolvimento social e tecnológico humano não avançou tanto quanto poderia por causa da eterna batalha entre duas forças antagônicas do homem: sua criatividade e sua capacidade de crítica e destruição. Como assim?

Paul Johnson – Os seres humanos são naturalmente criativos. Amam criar. Também são apaixonados pela destruição e pela crítica. Acredito que todas as artes – sendo que considero formas de arte a política, o desenvolvimento tecnológico, econômico e social, assim como a pintura e a literatura – necessitam dessas duas forças antagônicas. É a tese, a antítese e a síntese. Mas é vital que a criatividade, a tese, supere seu adversário e vença, pois só ela pode garantir o progresso. Não tenho dúvida de que, se houvesse apenas a criatividade, a humanidade teria avançado muito mais rapidamente.

Veja – O senhor poderia citar exemplos de forças destrutivas que impediram um avanço maior da nossa civilização?

Paul Johnson – O exemplo mais primário disso é o marxismo. Marx compreendeu mal o capitalismo, foi desonesto com as evidências e sua contribuição para o mundo foi totalmente negativa. Graças a ele e a outros pensadores, por mais de um século muitos países perderam a chance de crescer economicamente. Seus povos deixaram de ter acesso à informação e à liberdade, fundamentais para o processo criativo, milhares de pessoas foram mortas injustamente e muito dinheiro foi jogado fora em vez de ser usado para a melhoria da qualidade de vida. Não há absolutamente nada a dizer em favor do marxismo.


Fonte: Allor Mi Dolsi

6 comentários:

  1. Sou contra a todo radicalismo. A meu ver todo ser humano traz em si a bondade como essência, ou seja, todo ser é essencialmente bom. Ponto. Não sei nada sobre Pablo Picasso, mas penso que se sua arte conseguiu atrair a muitos e por muitos anos, impossível que nele não tenha algo a ver conosco e por isso a atração, e que não seja algo bom. Quem sabe Picasso só tivesse isto em si de bom, sua arte? Sei lá, só sei que dividiu isto conosco. Assim penso eu... Abraço materno. Lourdes Dias.

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  2. Lourdes, é verdade que todo ser humano traz em si a bondade em essência, mas não quer dizer qu todos eles a manifestem. Picasso era um homem devasso, mas ainda assim sua arte poderia ser bela, se ele tivesse se "conectado" a essa parte mais bela do ser? Pode ser. Mas a realidade é que isso não aconteceu e ele mostrou em suas obras (as da fase mais moderna, aquelas distorcidas) muita feiura e desprezo pelo Belo. As pessoas se conectaram a isso porque a grande mídia colocou essas obras como sendo verdadeiras maravilhas da arte e também porque vivemos um tempo em que muitos estão desconectados da essência do Real, e não conseguem ver mais com clareza a beleza das coisas. Não entendem que a arte deve representar o Belo.

    A arte deve elevar a alma. Assim eu penso. A arte dele obscurece a alma. Faz mal. Sem falar que ele foi desonesto quando pintou Guernica e ficou ao lado dos Stalinistas. Era um homem confuso e demonstrou sua confusão através de suas obras.

    Recomendo a leitura do livro do Paul Johnson "Os Intelectuais", para ler sobre a biografia de Picasso e de outros intelectuais mdoernos.

    Bom, é o que eu penso e é sempre bom poder conversar e trocar idéias sobre esses assuntos mais elevados (arte, espiritualidade).

    Que bom que você comentou e colocou o que pensa a respeito.

    Fique com Deus!

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  3. O pior é que ainda tem gente que crê no marxismo. Mesmo depois de tudo de errado que produziu.
    Beijos!

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  4. Eduardo Araújo10/26/2009

    Caríssima Andrea,

    Li, além de Os Intelectuais, um livro de Paul Johnson chamado Os Criadores, no qual faz um paralelo entre Walt Disney e Picasso.

    Concordo com simplesmente tudo que o historiador afirma, inclusive no tocante à interpretação analítica da arte, coisa que - parece - escapou à entrevista concedida á Veja.

    Para começo de converso, Johnson lembra a conhecida falta de delicadez e agressividade de Picasso com as suas mulheres, CHEGANDO AO PONTO DE BATER NELAS. Isso mesmo que você leu: Picasso, o pintor em que Lourdes vê algo bom seria, no Brasil de hoje, perfeitamente enquadrável nos dispositivos da Lei Maria da Penha, com juros e correção monetária.

    Aqui entra a interpretação analítica a que Johnson se refere. Ele mostra como Disney antropomorfizando os animais enaltecia o ser humano, ele que era conservador, tradicionalista e tinha como mais alto valor a família, que considera a célula fundamental da civilização. Exatamente por isso era e ainda é detestado pelos esquerdistas que ainda dominam o cenário cinematográfico americano. Johnson cita, até, o episódio em que o sindicato dos trabalhadores no cinema fizeram uma greve somente para obrigá-lo a produzir desenhos pró-comunismo. Disney não cedeu e ainda não permitiu que se implementassem medidas coletivistas em sua empresa.

    Ao contrário do animador americano, Picasso, via cubismo, fazia o caminho oposto, deformando as mulheres. Johnson mostra acertadamente como telas a exemplo da famosa As Senhoritas de Avignon ou os posteriores "retratos" de Dora Maar refletiam a estupidez do pintor espanhol em relação ao seu harém. Picasso deveria ser, por coerência, um grande desafeto de todas as mulheres, feministas ou não, ao invés de suscitar o tal "lado bom", que só tinha um fio de bondade para os seus companheiros de ideologia (ou imbecilidade) política.

    Mas aí chegamos ao ponto. O pintor espanhol era comunista de carteirinha (minha única discordância de Johnson é a distinção com o que ele chama de 'stalinista', para mim sem sentido e distorção da realidade). E, como todo "bom" comunista tinha idéias caras a regimes totalitários, como cercearmento da liberdade de expressão dos considerados seus inimigos.

    Daí porque Picasso foi entronizado no trono supremo da arte do século XX, inicialmente por críticos esquerdistas, na época da Guerra Fria. Depois, por aceitação sem questionar, de quem veio depois, fazendo que muitos pensem que ele foi um homem valoroso, afinal sua "arte" consegue atrair muitos (?) ... Ha! Duvido que esses "muitos" sequer conheçam um mínimo de arte do século XX, numa visão integrada de todas as correntes - dadaísmo, cubismo, expressionismo, fauvismo, surrealismo, para terem um juízo crítico dessas criações supostamente "elevadas". Será que um "retrato" de Dora Maar atrai mesmo, ou o sujeito se sente "atraído" apenas porque é de Picasso e lhe disseram que se é de Picasso é arte suprema?

    Picasso, o que batia nas suas mulheres. Estúpido. Agressivo. Canalha de marca maior.

    Tirando uma outra obra da Fase Azul, o resto eu dispenso. Até o Mural de Guernica. Aliás, este retrata o bombardeio alemão sobre a cidade espanhola. Mas é muito estranho o pintor passar toda a ocupação nazista na França sem uma mínima admoestação. Há quem sustente que foi protegido pelos nazistas, com os quais, inclusive, conviveu muito bem. Por que será que ele foi o ÚNICO artista que saiu ileso, famoso, e até rico ao término da Segunda Guerra?

    Beijos

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  5. Perfeito, Eduardo! É isso aí mesmo que você colocou.

    Ah, sim. O livro que eu queria citar era "Os Criadores". Eu confundi com "Os Intelectuais". Tenho os dois e tenho também "Os Heróis".

    Beijos!

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  6. Sim DO! realmente! Você tem toda razão.

    Beijos!

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