sexta-feira, março 12, 2010

Só os puros vêem Deus

Nossa Senhora, modelo de pureza, e os pequenos
pastores de Fátima, seus discípulos aplicados.


Ultimamente tenho pensado e me deparado muito com a questão da pureza. Precisamos ser puros, pois só os puros vêem Deus.

Todos os nossos atos devem ser realizados com vistas ao fim último da existência: Deus. Sendo assim, temos que pensar seriamente sobre o que estamos fazendo ou deixando de fazer em nossas vidas. Agora, na Quaresma, encontramos um momento muito propício para fazer tal exame.

Precisamos ser puros. Mas volta e meia me pego pensando que muito do que hoje nós vemos e ouvimos é contrário ao que precisamos para nos purificar ou para não nos manchar ainda mais. Por toda parte estão espalhadas imagens e palavras impuras, ofensivas e até mesmo blasfemas. Realmente é dificílimo evitar às vezes as impurezas que estão expostas nas ruas, as fotos obscenas e sensuais, as músicas (músicas?) com letras imorais, as piadas de mau gosto contadas por terceiros. Concordo que na rua, que fora de casa, é mais complicado mesmo evitar totalmente a impureza. Mas e em nosso lar? Como estamos lidando com isso?

Eu tenho buscado cada vez mais me afastar da audiência de certos programas e tenho feito o possível para ver filmes que não atentem contra a fé e a moral. Antes eu não conseguia entender o porquê de alguns católicos se afastarem de certos lugares, deixarem de ver certos programas e filmes. Eu pensava que eles estavam exagerando, que viam maldade onde não existia, ou que não havia nada de mais em ver ou ouvir coisas sensuais, não obscenas, mas aquelas imagens feitas para seduzir de forma baixa, mesmo que feitas com muita arte, requinte, mesmo que sem exageros, nada de pornográfico, não mesmo, apenas um tanto sexy. Hoje eu já começo a ver isso tudo de outra forma. Começo a perceber que há uma dignidade no ser humano que não permite que este seja visto como objeto, e o que estas imagens fazem é justamente isso: expõem o ser humano como objeto de consumo, e fácil.

Ao olhar para os nossos modelos maiores de perfeição – Jesus Cristo e a Virgem Maria – percebo não só o quanto estamos distantes de tal perfeição, mas também o quanto nos acomodamos ao que é puramente sensual pensando que somos humanos comuns e por isso não há problema algum em lidar com tais coisas. Mas vejo que quem quer se purificar realmente não pode continuar a compactuar com essa objetificação do ser humano que é promovida no mundo atual. Através de novelas, filmes, séries, publicidade, música, revistas, internet, por toda parte as pessoas estão se exibindo como mercadoria. Noto até mesmo nos nomes de certos estabelecimentos comerciais uma ode ao impudor, um gosto em se deleitar na lama da impureza como se isso nada mais fosse que valorizar a beleza num autêntico espírito Carpe Diem, bem ao gosto pagão. Diz-se que mostrar as formas de uma mulher (ou de um homem) é valorizar o belo. A Igreja diz que é profanar o que é sagrado, pois o corpo é templo do Espírito Santo e não deve ser tratado dessa forma impura como vemos hoje.

Mas você pode se perguntar: “e o que eu tenho a ver com isso? Que culpa eu tenho que essas modelos, atrizes e wannabes participantes de Reality Shows da vida querem se expor? Que culpa eu tenho se empresários dão nomes indecentes aos seus produtos e estabelecimentos?” Ora, se você não pode mudar a mentalidade deles, se está longe demais para convertê-los, o mínimo que deveria fazer é não compactuar com suas loucuras e nunca deixar seus olhos serem preenchidos com a devassidão e a desgraça que se projeta dessas imagens, desses produtos e desses lugares. Como querer se purificar chafurdando na lama? Como querer ficar frente a frente com o Pai Celestial e ao mesmo tempo ficar frente a frente com criaturas - se deleitando com suas baixezas - pelas quais deveríamos estar orando e gemendo para que a misericórdia divina caia sobre elas e não compactuando com sua exposição doentia? Porque perder tempo tão precioso maculando a alma ao se deixar envolver por artifícios baixos, por histórias torpes, por ofensas e mais ofensas a Deus? Por que compactuar com isso? Por quê?

O mundo chama e vai chamar o tempo todo. As pessoas vão falar, vão dizer que você é bitolado, extremista, fanático e até mesmo puritano apenas porque se recusa a se rebaixar entrando em lugares que ofendem a Deus, ou porque se recusa a ver certos programas e filmes ou porque já não sente mais prazer em dançar certas músicas ou usar certas roupas. Deixe que falem. O que importa o que os impuros dizem? Você deveria mesmo se importar com o que Deus pensa de você. O resto é resto.

Os liberais de plantão sempre vão apontar o dedo chamando-nos de bobos, de obtusos, etcétera e bota etcétera nisso! Vão dizer que as coisas mudam, que os tempos são outros, que não tem nada de mais, e por aí vai. Mas a verdade é que a moral católica não mudou e que a cabeça do ser humano também não. Continuamos feridos pelo pecado, continuamos fracos e dependentes da misericórdia divina. Mas temos que fazer a nossa parte. E se queremos ver Deus temos que nos purificar. Mas fica muito difícil fazer isso se continuarmos a compactuar com as impurezas várias que se apresentam no mundo.

Deus nos chama à santidade e ser santo é algo diametralmente oposto a compactuar com a imundície, por menor que seja. Está mais do que na hora de pensar seriamente nisso.

Nota: Quando menciono aqui o termo "sensual", estou falando de uma sensualidade forçada, não da sensualidade natural do ser humano, própria para a perpetualção da espécie. Estou falando do uso que se faz da sensualidade para vender os seres humanos como objetos sexuais.vida