segunda-feira, maio 24, 2010

O necessário treino da mortificação

vida
“Há preceitos graves que não se podem observar em certos momentos senão por meio de atos heróicos. Ora, em conformidade com as leis psicológicas, ninguém é geralmente capaz de praticar atos heróicos, se não se foi antecipadamente preparando para isso com alguns sacrifícios, ou, por outros termos, com atos de mortificação.” (A. Tanquerey)

No mundo no qual vivemos, principalmente nos dias de hoje que são fortemente marcados pelo hedonismo, falar em mortificação, em jejum, em penitência é coisa de maluco. Basta tocar de leve em qualquer um desses pontos que logo se é olhado como um extraterrestre ou um pobre medieval largado numa máquina do tempo e caído direto no século XXI.

Diz o Catecismo de São Pio X:


“Mortificar-se quer dizer privar-se, por amor de Deus, daquilo que agrada, e aceitar o que desagrada aos sentidos ou ao amor próprio.”

Hoje não se admite que alguém abra mão de certas coisas - de prazeres e até mesmo de caprichos - por espírito religioso, pelo menos nunca se esta religião for o cristianismo professado pela Igreja Católica. Podem-se fazer sacrifícios para emagrecer, para ficar mais bela, para estar na moda e parecer mais atraente: dietas malucas, técnicas dolorosas de embelezamento, andar em um salto fino de onze centímetros em ruas esburacadas e escorregadias... Tudo isso pode, todos estes pequenos sacrifícios são válidos, pois são feitos para a vaidade e o capricho de cada um. Mas ai de quem fizer um jejum, de quem se abster de ver, comer, usar certas coisas por amor a Deus, por mandamento da Igreja. Ai dele! Vai ser olhado com estranhamento e pode até mesmo ser julgado e condenado como fanático. Até mesmo entre católicos já vi este tipo de condenação, de forma velada, ainda não tão abertamente, mas já vi.

Ora, em um ambiente como este, onde todos fazem o que querem e somente se privam de algo por vaidade ou avareza, como entender o heroísmo? Como compreender a busca pela pureza, pela castidade, pela perfeição? Como estar preparado para momentos graves? Impossível.

Hoje, talvez mais do que nunca, é necessário pensar seriamente no necessário treino da mortificação. Ao menos para os que querem vencer a si mesmos e viver de acordo com o plano divino.