sexta-feira, julho 30, 2010

A modernidade dos casais das séries de comédia



Já há algum tempo eu não assisto mais as séries de comédia. Tenho cada vez mais achado que muitas piadas são sem-graça, forçadas e algumas (ou muitas) vezes impróprias e grosseiras.

As únicas que ainda vejo são algumas de drama e suspense ou investigação. Estas dificilmente contêm apelações de qualquer tipo e costumam ser inteligentes.

Uma vez eu ouvi um diálogo em uma série de comédia que eu costumava assistir anos atrás e qual não foi a minha surpresa quando finalmente percebi o quanto de imoralidade havia naquela cena: a série é sobre um jovem casal e no episódio eles estavam presos no banheiro. A esposa estava com uma revista pornográfica nas mãos. Era do marido dela. Ela folheava a revista na frente dele enquanto ia perguntando se ele gostava de mulheres daquele jeito mesmo (o tipo físico da atriz é bem diferente dessas mulheres que se exibem em revistas masculinas), e fazia isso na maior naturalidade, como se fosse algo muito normal, como se fosse aceitável e até bom, um homem manter revistas pornográficas!

Eu lembro que há anos atrás quando eu vi este episódio, mesmo sem ter o costume ou a vontade de folhear tais revistas, eu pensei algo como: “que legal ter essa abertura com o marido, poder conversar assim, sobre tudo, de maneira clara, sem ciúme...saber tudo o que ele pensa”. Eu na época não percebia o quão perverso é esse tipo de coisa. A pornografia não é coisa para brincadeira, é algo grave, imundo e deprimente que acaba com a vida de milhares de pessoas ao redor do mundo, e faz com que percam não só o controle de seus corpos, mas também suas almas. Nunca se deveria levar um assunto desses como se fosse algo normal, algo que se pode fazer porque “todo mundo faz”. Mas vejam que é isso o que aparece para nós na televisão hoje em dia (e no cinema, no teatro, na literatura...por toda parte!): vale tudo, o que importa é “ser feliz”. E nessa brincadeira temerária vai-se embora qualquer resquício de inocência, qualquer resquício de modéstia, põe-se em risco a perda do respeito pelo outro e abalam-se os valores imperecíveis: os do espírito. Troca-se a pureza pela impureza e fica tudo por isso mesmo, parece que não há problema algum; problema tem quem ainda liga para coisas deste tipo, como esses cristãos bobos (sic!) que ainda gostam de ler sobre a vida dos santos para tomá-los como exemplos de conduta...ou seja, nós que buscamos nos purificar na esperança de ver Deus face-a-face - pois sabemos que somente os puros de coração verão o Senhor - somos tachados de fanáticos, chamados de bobos e antiquados, pois não vemos graça em piadas sobre coisas santas, sobre coisas que Ele criou para dar Glória a Ele e não para serem usadas como objetos descartáveis.

É cada vez mais difícil para mim, ver a quantidade de piadas de mau gosto que são feitas sobre a sexualidade, sobre a família, sobre o casamento, veiculadas nas séries e outras produções da televisão ou cinema. O que muita gente não percebe é que com o passar do tempo o conteúdo dessas piadas vai sendo interiorizado nos espectadores como se fosse algo verdadeiro, aceitável, bom, tolerável, ou seja, como algo que pode ser feito, pois todo mundo faz. No expectador não há uma visão crítica, há somente a vontade de relaxar a qualquer custo depois de um dia de trabalho, não importa se as mensagens daquilo que está sendo visto fazem bem ou mal a alma.

Alma? E quem se preocupa com isso hoje em dia?