segunda-feira, dezembro 13, 2010

Amanhã talvez já não terás tempo



Desceu a vós o demônio com grande ira, sabendo que lhe resta pouco tempo” (Ap 12,12). De sorte que o inimigo não perde nem um instante para desgraçar-nos e nós não aproveitamos, o tempo para nos salvar! Outro dirá: Qual é o mal que faço?... Ó meu Deus! E já não é um mal perder o tempo em jogos e conversações inúteis, que de nada servem à nossa alma? Acaso nos dá Deus esse tempo para que assim o percamos? Não, diz o Espírito Santo: Particula boni doni non te prae-tereat (Ecl 14,14). Aqueles operários de que fala São Mateus não faziam nenhum mal; somente perdiam o tempo, e é por isso que o dono da vinha os repreendeu: “Que estais aqui todo o dia ociosos?” (Mt 20). No dia do juízo, Jesus Cristo nos pedirá conta de toda palavra ociosa. Todo o tempo que não é empregado para Deus, é tempo perdido. E o Senhor nos diz: “Qualquer coisa que possa fazer tua mão, fá-la com instância; porque nem obra, nem razão de sabedoria, nem ciência haverá no sepulcro, para onde caminhas célere” (Ecl 9,10). A venerável irmã Joana da Santíssima Trindade, filha de Santa Teresa, dizia que na vida dos Santos não há dia de amanhã; só o há na vida dos pecadores, que dizem sempre “mais tarde, mais tarde” e é assim que chegam à morte. “É agora o tempo favorável” (2Cor 6,2). “Se hoje ouvirdes a sua voz, não queirais endurecer vossos corações” (Sl 94,8). Hoje Deus te chama a fazer o bem; faze-o hoje mesmo, porque amanhã talvez já não terás tempo, ou Deus não te chamará.

(Santo Afonso de Ligório. Preparação para a morte. Edição PDF. Página 118)

Nos dias atuais é pedir para ser tachado de louco ou “extremista” aquele que prefere passar seu tempo longe de conversas fúteis, de festas intermináveis, de programas televisivos de baixo nível (difícil é encontrar programa de alto nível, mas isso é outra história).

Quando eu penso que Ele irá pedir conta de cada palavra, de cada gesto meu...

É difícil mesmo ficar longe das conversas fúteis (a maioria das conversas são realmente superficiais). É difícil ser tachada de chata, estranha ou fanática religiosa. Por isso terminamos tantas vezes sucumbindo. Queremos agradar as pessoas à nossa volta e nessa ânsia de aceitação terminamos por desagradar justamente Aquele a quem devemos agradar em primeiro lugar! Não é louco isso?

Quando penso que é a Ele em primeiro lugar que eu devo satisfação sobre minha vida, então fica menos difícil declinar certos convites, deixar de participar de certas conversas. A vida não é fácil mesmo, ninguém disse que seria. Temos que pedir a Deus forças para não cair, forças para fazer o que precisa ser feito e não deixar nada para amanhã. Porque o amanhã neste mundo pode ser que não venha.