quinta-feira, agosto 04, 2011

Aversão ao próximo: o perigo de ficar preso por um cabelo




Na vida espiritual deve-se buscar ascender sempre, pois se não buscarmos progredir terminaremos por retroceder até cair de vez. 

O que podemos não perceber é que a falta de progresso espiritual pode se dar por falta de perdão ao próximo, por guardar rancor contra outras pessoas. Ao agir assim ficamos acorrentados ao Inimigo e morrendo nesse estado iremos para o Inferno.

O texto abaixo é um trecho com ensinamento de Santo Afonso de Ligório sobre o perigo de se guardar rancor. 

Leia e ore pedindo a Deus para que Ele não o deixe cair na tentação de querer mal ao próximo e lembre-se de que só seremos perdoados se nós perdoarmos também.

"Perdoai as nossas dívidas assim como nós perdoamos aos nossos devedores"


"Alguns cristãos são zelosos em receber a miúdo a santa comunhão, em fazer suas orações costumadas, etc., mas procuram com isso unicamente satisfazer um certo sentimento piedoso, contentar uma certa sentimentalidade espiritual, pondo nisso todos os seus esforços. Assim permanecem, porém, sempre retidas na terra com suas inclinações, ficam impedidas de progredir na vida espiritual, retrocedendo até cada vez mais por esse motivo. Não raro acontece que essas almas caem miseravelmente na desgraça de Deus.

O demônio quando tenta os cristãos piedosos não os induz, a princípio, ao pecado mortal. No começo se dá por satisfeito se consegue prender as almas por um cabelo, pois se pretendesse acorrentá-las logo no princípio com uma cadeia, causar-lhes-ia temor e fugiriam; tendo-as, porém, por um cabelo, fácil se lhe torna amarrá-las com um fio, que substitui por uma corda, prendendo-as finalmente com fortes cadeias, fazendo-as escravas do inferno.

Suponhamos que certa pessoa, depois de pequena desavença com o próximo, guarde algum rancor em seu coração: eis o cabelo. Em conseqüência disso não fala mais com ele, nem o saúda: eis o fio. Aumentando-se a antipatia e rancor, começa a falar mal dele e ofende-lo, provocando-o: eis a corda. Ocorrendo qualquer outra desavença e suposta ofensa, apodera-se dela um ódio mortal: eis a cadeia que a torna escrava do demônio." 

(Santo Afonso de Ligório. Escola de Perfeição Cristã: Da necessidade de combater as paixões. 4 ed. Petrópolis: Editora Vozes. 1955. Pg. 72)