terça-feira, agosto 30, 2011

Violar as Leis da Indiferença




Quantas vezes por semana nós nos irritamos por causa de erros ou de bobagens ditas pelos outros? Essa irritação é uma quebra das Leis da Indiferença, segundo São Francisco de Sales. Se alguém sofre com sua própria irritação é bom que lembre que nessa vida nós sempre temos chance de nos reerguer. Portanto, nada de desespero ou desânimo. O importante é ter sempre em mente que Deus perdoa quem se arrepende e se volta para Ele com humildade.

Buscar a indiferença, segundo o santo, nesses casos em que nos irritamos dá certo mesmo. Se pensarmos que nesse mundo tudo passa e que Deus permite que as coisas aconteçam sempre por um bem maior, então temos mais motivos para não deixar que as paixões nos derrubem, mas caso caiamos, poderemos sempre nos levantar e seguir em frente. Veja o que diz o grande santo:

"Quando por um movimento repentino do amor-próprio ou das paixões, violarmos as leis da indiferença*, inclinemos quanto antes o nosso coração diante de Deus e digamos-lhe com espírito de confiança e humildade: Misericórdia, Senhor, porque estou doente (Sl 6,3). Levantemo-nos com paz e tranquilidade, reatemos o fio da nossa indiferença e continuemos a nossa obra. Não é necessário quebrar as cordas nem abandonar o alaúde quando se nota que está desafinado: o que é preciso é aplicar o ouvido para saber donde vem a desafinação e lentamente retesar a corda ou afrouxá-la, conforme o caso." (1)

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(*) O termo indiferença ou santa indiferença não tem, na pena de São Francisco de Sales, o matiz negativo de "desinteresse" ou "apatia". Significa simplesmente que, para os que amam a Deus, todas as coisas, tanto as boas quanto as que parecem más, são recebidas com igual reconhecimento e gratidão, pois todas vêm de Deus e cooperam para a nossa salvação. "Violar as leis da indiferença", corresponde, portanto, a perder a paz diante de uma contrariedade, irritar-se com os erros dos outros, ou então entusiasmar-se desmedidamente, sem referência a Deus quando as coisas correm ao nosso gosto (N. do T.).

(1) Tissot, Joseph. A Arte de Aproveitar as Próprias Faltas. 3 ed. São Paulo: Quadrante, 2003.