quinta-feira, abril 19, 2012

Comunismo e a evolução dos "erros da Rússia" - Parte I

Por Solange Hertz
Traduzido por Andrea Patrícia*




Nossa Senhora advertiu sobre os erros da Rússia que se espalhariam pelo mundo



Uma geração completa antes do Vaticano II, as técnicas deste assim chamado Concílio "pastoral" recomendadas para atualizar a Igreja já haviam sido aperfeiçoadas por comunistas que trabalham na Igreja na China. Lá foi mostrado como o dialogante "clube de estudo" poderia ser gradualmente transformado no "conselho paroquial" [pastorais], que assumiria a direção da paróquia e, eventualmente, a diocese inteira.


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Nota do Editor: O seguinte artigo foi escrito pela Sra. Hertz alguns anos antes que a alegada "queda do Comunismo" fosse anunciada pelos heróis da Glasnost e da Perestroika. Como a Sra. Hertz, explica, a filosofia de Marx sempre dependeu da fomentação de constante mudança e evolução. Hoje, o Comunismo não está "morto", e sim desenvolvendo-se para sua próxima fase. A retrospectiva seguinte vê o Comunismo como ele se manifestou durante a Guerra Fria, portanto, é bastante revelador, já que a rápida espiral descendente do nosso mundo e nossa Igreja para o caos sem Deus é uma conseqüência direta do triunfo do ateísmo, a pedra fundamental do Comunismo. De fato, os "erros da Rússia" já se espalharam pelo mundo inteiro - o cisma ortodoxo não diminuiu nem um pouco e o Comunismo ateu vive a céu aberto no país mais povoado do mundo e, em qualquer outro lugar, se transformou "doutrinariamente" e "filosoficamente" na própria alma da Nova Ordem Mundial. O artigo da Sra. Hertz, então, é talvez hoje mais oportuno do que era quando foi escrito, há uns 25 anos atrás.

MJM
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Como você faz para que um gato coma pimenta? Essa questão, um clássico em manuais de formação Marxista, abre um exercício de técnica revolucionária. A resposta, para a qual o aluno é conduzido pela lógica e pela experiência comum, explica como o Comunismo foi capaz de tomar o comando de mais de um terço do mundo, sem oposição séria.

Como fazer um gato comer pimenta, um condimento desagradável para ele, como a doutrina Marxista é para a natureza humana saudável? A primeira resposta a apresentar-se, diz a cartilha, é óbvia: abrir à força a boca do gato e empurrar a pimenta dentro.

Errado, é dito ao aluno, porque falta a cooperação voluntária do gato. A segunda resposta - esconder a pimenta em um peixe saboroso - é igualmente inadequada, porque assim que o gato detecta a pimenta ele simplesmente a regurgita.

A resposta correta: salpique a pimenta em todo tapete do gato. Quando o animal deitar-se sobre ele, a pimenta vai se agarrar à sua pele e pinicar, fazendo com que ele em breve esteja lambendo-se para tirá-la. Esse método assegura a perfeita assimilação porque (1) o gato está realmente ingerindo, (2) inteiramente por sua própria iniciativa, (3) e uma iniciativa completamente condicionada, (4) a pimenta, que ele odeia.

Pio XI, com efeito, descreveu este estratagema do gato e da pimenta em sua encíclica Divini Redemptoris, promulgada na festa de São José, em 1937: "O comunista aproveita a presente crise mundial econômica", que ele fomenta "para atrair para a esfera de sua influência até mesmo aqueles setores da população que, por princípio, rejeitam todas as formas de materialismo e terrorismo... Os pregadores do Comunismo também são proficientes em explorar o antagonismo racial e as divisões políticas...”.

Ele exerce "uma propaganda tão verdadeiramente diabólica que o mundo talvez nunca tenha testemunhado isso antes. É emanada a partir de um centro comum. É astutamente adaptada às condições variadas de diversos povos. Tem à sua disposição enormes recursos financeiros, organizações gigantescas, congressos internacionais e inúmeros trabalhadores treinados. Ele faz uso de panfletos e comentários de cinema, teatro e rádio, de escolas e universidades" - uma lista à qual deve agora ser acrescentada televisão e até as nossas próprias igrejas. "Pouco a pouco penetra em todas as classes do povo e atinge até mesmo os melhores grupos da comunidade, e poucos se encontram cientes do veneno que permeia cada vez mais as suas mentes e corações".

Assim funciona o mistério da iniqüidade do nosso tempo, polvilhar a sua pimenta em todos os lugares. Por sua própria admissão que emprega uma técnica simples de tentação que o diabo usou pela primeira vez com Eva no início da Revolução no Éden. Ele ensina a seus seguidores o mesmo tipo de judô espiritual, em que os adversários são levados a usar sua própria honestidade e força contra si mesmos, assim como o pobre gato é atraído para comer pimenta através de sua forte aversão por ela.

Irremediavelmente caído da graça, Satanás tem apenas meios naturais à sua disposição para efetuar a destruição sobrenatural, mas ele usa isso com estratagema transcendente. Embora, mesmo em casos de possessão, ele não possa agir diretamente sobre a vontade humana, ele pode solicitar de inúmeras maneiras, a partir do exterior, cortejar a sua cooperação através do seu desejo para o bem.

"Eu tenho ido ao redor da terra, e passeado por ela", diz ele no livro de Jó (2,2) expondo a fonte de seu conhecimento. Sua inteligência superior compreende a nossa natureza terrena muito melhor do que nós, e ele se vira contra nós com grande habilidade. Quanto mais rica a nossa natureza, mais ele tem que trabalhar. Apesar de todos os seus dons sobrenaturais, ele capturou o consentimento de Eva, apelando aos seus desejos naturais para o que é "bom para comer, e belo aos olhos e delicioso de se contemplar" (Gn 3,6), mais tarde tentou o Filho do Homem nas mesmas três maneiras no deserto, através do que a ascética chama a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba de vida. Pelo enfraquecimento da vontade e interrompendo o julgamento, o pecado original tornou o nosso bom apetite perigoso para nós.

Bem que São Paulo nos adverte que a nossa batalha aqui não é simplesmente contra carne e sangue, mas contra "os espíritos do mal, nos ares" (Efésios 6,12). Através das eras Satanás ensinou suas próprias técnicas para seus discípulos. Os Evangelhos revelam como, depois de seu fracasso com o Senhor no deserto, Satanás inspirou os judeus a continuar a subversão que ele tinha começado. Incitando nosso Senhor à revolução na forma de recusar os impostos de César, eles começaram habilmente a apelar para a sua integridade e amor pela justiça: "Mestre, sabemos que és um orador verdadeiro, e ensinas o caminho de Deus em verdade, não te preocupas tu com qualquer homem: porque tu não considera a aparência dos homens" (Mateus 22,16).

Mais tarde, nos Atos dos Apóstolos, vemos como judaizantes realizam a batalha na Igreja, por um tempo mesmo subvertem o nosso primeiro Papa. No século passado, descendentes desses judeus que rejeitaram Cristo - Marx, Engels, Heine, Lênin, Trotsky e seus incontáveis ajudantes desde então até hoje - forjaram um instrumento pelo qual todos os membros potenciais do reino de Cristo podem ser tentados como foi a sua Cabeça. Popularmente conhecido como o Comunismo, na verdade constitui uma tentação mundial em busca de engolir todo o mundo na revolução de Satanás contra Deus. Pelas avenidas das três concupiscências, toda a força da nossa natureza decaída pode agora ser canalizada e atirada contra toda a humanidade de uma só vez.

O Comunismo pode ser corretamente chamado de heresia judaica, por sua negação formal de uma vida além e da ordem sobrenatural, seu materialismo crasso e uma fé cega no messianismo temporal, que é essencialmente uma forma altamente desenvolvida de Saduceísmo. Os Evangelhos registram conversões ao Cristianismo entre os Fariseus, mas nunca entre os Saduceus. Sua heresia, agora lançada no atacado sobre o mundo, parece ser para a morte.

Ela excede em amplitude e violência qualquer coisa já experimentada nas perseguições anteriores lançadas contra a Igreja", disse Pio XI. "Povos inteiros se encontram em perigo de cair para trás em um barbarismo pior do que aquele que oprimiu a maior parte do mundo na vinda do Redentor."

"Como é possível", pergunta o Papa, "que tal sistema, há muito rejeitado e agora cientificamente provado errôneo pela experiência, pode se espalhar tão rapidamente em todas as partes do mundo?"

"A explicação", ele nos diz, "reside no fato de que muitos poucos de nós têm sido capazes de compreender a natureza do Comunismo".

Em seguida, também, como o Padre François Dufay apontou em Etoile contre la Croix, julgamos o Comunismo demasiado brandamente pela simples razão de que os comunistas são muito melhores do que a sua doutrina. Reconhecendo neles qualidades e virtudes derivadas da lei natural, que permanecem em todos nós, apesar da queda, nós atribuímos essas ao Comunismo. O inverso é verdadeiro com os Cristãos, que sempre ficam mal quando julgados em comparação com o Cristianismo, uma doutrina tão sublime que nunca pode ser vivida completamente. Olhando para os Cristãos, pensamos que o Cristianismo tem defeitos; olhando para os comunistas, achamos que o Comunismo não é tão ruim.

"Irmãos", implora São Paulo, "não sejam crianças no pensamento, mas em malícia sejam crianças e no pensamento sejam maduros!" (I Coríntios. 14,20). Não há nada de Cristão em ser estúpido. "Sejam prudente como as serpentes", ordenou Nosso Senhor (Mt 10,16).

O Comunismo tem sido tragicamente subestimado por aqueles que não fazem esforço mental para entendê-lo. Para a maioria, um comunista é pouco mais do que um detestável organizador de greves irritantes. Até mesmo aqueles que aceitam as palavras de Pio XI de ele que é "intrinsecamente perverso", mesmo que frequentemente não o veja meramente como uma força que os priva de seus bens arduamente ganhos, lambem a sua propaganda apimentada.

Na verdade o Comunismo sóbrio fornece uma explicação detalhada de toda a realidade, voltada para satisfazer o intelecto mais penetrante. A prova é evidente, ele conquistou algumas das melhores mentes da Igreja. Não mera ideologia, e muito menos uma plataforma política, o Comunismo é toda uma filosofia, uma teologia, uma mística. Tem seus Tomás de Aquinos, S. Paulos, S. Joões da Cruz. Seu "Redentor" que propõe a própria humanidade! Como nosso Senhor previu, serão "muitos" que "virão em meu nome dizendo: Eu sou o Cristo... e eles enganarão a muitos" (Mateus 24,5).

Seu desenvolvimento histórico, além disso, revela especificamente um caráter anti-trinitário apocalíptico que até agora vem chegando ao termo. Tentando o homem totalmente através das três concupiscências para alimentos, glória e poder, como Satanás fez com nosso Senhor, ele assalta por sua vez as três faculdades humanas que constituem a imagem da Trindade divina na alma humana: o intelecto, a mente ou "memória", e a vontade. Esta trindade interior, por cujo intercâmbio o homem vive como um ser humano, é análoga à do Pai, do Filho e do Espírito Santo na divindade.

O Comunismo nos confronta, portanto, com uma "trindade" própria: Marx, Lênin e Mao.

I. Marx

Aceito em geral como o Pai do Comunismo, Karl Marx desempenha o papel de criador e fonte da qual todo o movimento flui. Um teórico que pouco tomou parte ativa em eventos revolucionários, ele lançou as linhas principais de uma tentação direta e mortal direcionada principalmente ao intelecto. A esta faculdade, que reflete especificamente Deus, o Pai no homem, e é projetada para se alimentar da verdade, Marx iria oferecer pedras como alimento. Ele propôs o erro satânico chamado materialismo dialético, cujas inexoráveis leis existem para regular toda a filosofia, sociologia e economia.

Ler Marx é o mesmo que ouvir Satanás se gabar em Isaías: "Eu subirei ao céu, vou exaltar o meu trono acima das estrelas de Deus, vou sentar-me no monte da aliança, nos lados do norte. Subirei acima da altura das nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo "(Is. 14,13-14). Ele vai explicar tudo.

Como uma tentação oferecida especificamente para o intelecto, o materialismo dialético, necessariamente se opõe à virtude teologal da fé - sem a qual ninguém pode agradar a Deus (Hebreus 11,6). Fingindo iluminar o pensamento do homem, ele irá mergulhá-lo nas trevas. Aceitar seus princípios é negar diretamente a Deus, na medida em que eles afirmam que a história humana é produzida por forças cegas existentes na matéria, e não pela direção da Divina Providência. Em outras palavras, a matéria criou-se, eventualmente, evoluiu para o ponto onde ela começou a pensar, e se fez homem. A definição Marxista do homem - emprestada, aliás, de Benjamin Franklin, a quem Marx admirava - é um animal que pensa.

Ao leitor é implorado que suporte pacientemente os próximos parágrafos, que podem não ser uma leitura fácil, mas eles são essenciais para explicar o Comunismo como o produto final de uma longa cadeia de falsas filosofias:

1. A noção de Marx do materialismo como "dinâmico" era na verdade uma adaptação do materialismo "metafísico" do filósofo alemão Feuerbach, onde Marx substituiu Deus pela ciência como reveladora do universo. Com Marx, o homem deixou de receber diretrizes morais de uma força fora do mundo, e passou a receber da ciência, que surge a partir do próprio mundo, e cuja origem, natureza e direção ela gradualmente explica.

Isto significa que não pode haver moralidade fora da matéria, e na medida em que a matéria está, obviamente, em fluxo constante, os atos humanos só podem variar junto com ela. O homem não precisa mais entrar em sintonia com um Deus arbitrário e Seus mandamentos, mas deve alinhar suas ações à matéria em desenvolvimento, de aggiornamento [atualização] perpétuo ou "ética de situação".

2. A dialética de Marx foi derivada de Hegel, para quem a "alma do mundo" engendrou a matéria. É simplesmente a inversão do processo, Marx postulou que a matéria de fato engendrou o espírito - aliás também gerando a "Noosfera" do Pe. Teilhard de Chardin e outros absurdos relacionados, então leitura básica em Moscou. É verdade que Hegel identificou razão e "idéia", pensamento e ser, mas com ele o princípio universal ainda era espiritual. Não é assim com Marx, para quem a matéria gera o pensamento.

Hegel ensinou que, além disso, a "idéia" se move em três (agora bem divulgadas) sequências: tese, antítese e síntese, que Marx adotou em seu sistema, mas para ele a "idéia" é sempre apenas matéria.

3. A matéria em movimento através desses três grupos é o materialismo dialético, a matéria através de esforços produz o espírito - e a história. Materialismo e dialética são os dois pólos da heresia global, com a qual o mundo está agora tão bem apimentado que o Papa Paulo VI, Bispo de Roma, falou até mesmo da Igreja como em "evolução".

Na dialética pende mudança, a constante mudança das relações das coisas em si e com os outros. Por exemplo, uma maçã pode ser uma semente, uma flor, uma maçã verde, uma maçã madura, ou podre e distribuindo suas sementes para fazer mais maçãs. A maçã está constantemente "vindo a ser". Quando este princípio que ocorre na matéria é aplicado a toda a natureza e seres, temos constante transição e movimento, aparecimentos e desaparecimentos, em todas as ordens da realidade. Nada pode ser definitivo ou absoluto, o que significa, em última análise, que nada pode ser sagrado porque não vai ficar parado o tempo suficiente!

Para o Marxista, este fluxo universal é governado por quatro chamadas "leis":

1. Autodinamismo, ou constante mudança auto-gerada, seja em homens ou maçãs.

2. Interdependência, em que essas mudanças atuam umas sobre as outras, mas sem ciclos fechados, porque o movimento está em aberto, como na maçã que liberta as suas sementes. Isso produz a espiral ascendente pela qual a matéria prossegue no tempo, constituindo o "progresso" (para o Marxista qualquer mudança é sempre para cima e para melhor).

3. Contradição. Tudo em si mesmo contém o seu contrário, um princípio de afirmação, bem como a negação: a vida gera a morte, a morte, vida. A maçã apodrece para que as maçãs novas possam vir. Essa batalha dos contrários garante desenvolvimento.

4. Finalmente, ocorre no processo um "salto" explosivo, em que mudanças quantitativas tornam-se qualitativas, da mesma forma que o oxigênio e hidrogênio juntos produzem água, que é qualitativamente diferente dos dois componentes. A mudança é brusca, mas longa na preparação. Essencialmente, essa é a analogia que Darwin e Lysenko aplicaram falsamente à biologia.

Um exemplo clássico oferecido é o da água que está sendo transformada em vapor, ou gelo, dependendo da quantidade de calor presente. A tendência da água para permanecer como está - tese. Sua tendência a evaporar (ou congelar) antítese. Estas duas forças internas contraditórias tornam seu equilíbrio precário, e torna-se mais precário por mudanças de temperatura. Chegou ao ponto de ruptura, onde a água ferve (ou congela), um "salto" súbito ocorre, vapor (ou gelo) - síntese.

Tudo isso pode ser verdade o suficiente no plano puramente material, mas quando aplicamos essas leis para as formas superiores, o erro é monstruoso. Se a matéria é de fato a primeira na ordem da realidade, então o pensamento humano torna-se simplesmente o resultado de mudanças qualitativas na matéria. Assim que o cérebro material evoluiu, a matéria começou a pensar, pois de acordo com Engels, o cérebro é "o órgão que produz o pensamento." Ele não negaria que o espírito existe, mas isso é apenas uma questão de se ver. A evolução sobre a qual ouvimos tanto, portanto, seria só a história que a matéria dialogante vem realizando ao longo dos tempos, lentamente, passando de uma fase para outra por meio de resoluções repentinas de seus conflitos. A inteligência humana é meramente um limite, o cosmos como o conhecemos apenas o estágio que a matéria alcançou no presente.

A aplicação das quatro "leis" para a sociedade humana significa desastre. O autodinamismo explica o progresso da humanidade da escravidão para a servidão, do feudalismo para a burguesia, para o capitalismo, e então para o socialismo através do qual o "proletariado" antitético agora está sendo produzido (esse ponto de vista da história é poderosamente retratado em mosaicos da Universidade do México e nas obras do artista mexicano comunista Diego Rivera).

Os fenômenos sociais são também interdependentes, condições econômicas agindo sobre as condições sociais e produzindo certos tipos de política, religião, arte, música, etc., cada fator sendo simultaneamente causa e efeito. A contradição entra em jogo porque, de acordo com Marx, estruturas sociais repousam sobre a situação econômica. Acreditando que a economia depende inteiramente dos meios de produção, sendo sempre aperfeiçoada pela tecnologia, Marx previa a "luta de classes" como um desequilíbrio inevitável entre esses novos meios e as estruturas sociais que restaram da fase anterior. O capitalismo está condenado, não por seus pecados, mas porque os seus crescentes meios de produção colocam uma enorme força de trabalho coletiva contra a propriedade privada. Aqueles que possuem os meios de produção são, portanto, "exploradores" dos trabalhadores "explorados".

Devemos notar aqui que no Comunismo o trabalho ocupa o lugar do amor no reino de Cristo. O Cristianismo ensina que o ato próprio do homem é a união com Deus, mas para os comunistas é o trabalho - não trabalho pessoal, mas o trabalho coletivo, que é a própria essência da humanidade gerando a si mesma (Marx nunca fala de pessoas, mas apenas dos indivíduos nas "massas"). É o trabalho, além disso, que confere valor final sobre as coisas, enquanto que para o Cristão o valor é estimado de acordo com sua utilidade em ajudá-lo a chegar a Deus. O Marxismo não se preocupa absolutamente com a utilidade na fixação de valores.

Sociologicamente falando, o "salto" qualitativo é: revolução, gerada pelas tensões inatas que produzem o próximo estágio da sociedade. Embora os Marxistas defendam "reformas" por razões táticas, eles sustentam que a sociedade como tal não pode ser reformada. Ela só pode irromper em sua próxima fase.

Infelizmente, nem todo o raciocínio é falso. Na "dialética", por exemplo, o filósofo clássico reconhece facilmente os conceitos sagrados de "ato" e "potência". O que torna o Marxismo herético é a sua rejeição por atacado de todos e quaisquer fatores transcendentais, com a sua aplicação mecânica de analogias materiais, bastante verdadeiras em seu lugar, a planos mais elevados do ser. A Dialética, que descreve com precisão as tensões dolorosas de um ser humano buscando o seu fim próprio, é apenas uma palavra nova para uma idéia muito velha que agora está sendo mal aplicada.

Como Marx o vê, a identidade e o princípio de contradição no sentido clássico são totalmente eliminados. Onde tudo está em fluxo, qualquer número de postulados pode ser "verdadeiro". Existe apenas uma verdade absoluta no Marxismo, e isso é que tudo é relativo. Alguém poderia dizer que uma coisa não pode ser e não ser, mas o Marxismo diz que sim: em que ser é sempre resolver suas próprias contradições que estão por vir. Isso nunca "é" alguma coisa.

Dada uma tal doutrina, que leis podem permanecer? Quais votos podem obrigar? Estudá-la seriamente é deformar a inteligência criada para a verdade. Para colocá-la em prática, temos que chegar às obras de Lênin.

(continua)



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*Essa é a primeira parte de um artigo dividido em dois. A segunda parte está aqui.

Original aqui.