sexta-feira, maio 25, 2012

Ainda sobre o Facebook


Hoje o Facebook tornou-se muito popular, mas será que nós, católicos, pensamos sobre os problemas que podem surgir por causa de redes sociais como essa? Creio que cada um deve buscar com sinceridade refletir sobre o tema (e pensando nisso resolvi terminar minhas páginas de blogs por lá), e por isso indico a leitura desse breve post do Professor Carlos Nougué, publicado no blog do SPES. Veja:


Publico abaixo, a pedidos, minha intervenção numa discussão na lista Index Bonorvm sobre o Facebook e similares. Publico-a em sua redação original, sem nenhuma alteração e com todos os defeitos de uma escrita rápida.

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Caros,

Minha (acho) última palavra sobre o assunto.

1) Para saber se algo é intrinsecamente mau, não se trata de saber quem é seu autor (embora isto tenha importância por muitos outros ângulos).
2) O Facebook é intrinsecamente mau porque:
a) Estimula um tipo de “amizade” virtual que não é o amor de amizade cristão nem o amor de amizade político. O primeiro requer contato pessoal; o segundo, um governo ordenado ao bem. Na verdade, trata-se de falsas amizades, que não raro implicam pecados de concupiscência.
b) Estimula o fim do recato, hoje mal chamado privacidade. Este é um mal da modernidade mesmo entre tradicionalistas. Por exemplo, confessam-se publicamente pecados passados ou atuais que podem mexer com a própria concupiscência alheia, além de terem de reservar-se para o confessionário e seus sussurros. O Facebook vai na mesma linha: nele cada um se mostra de forma não recatada, com fotos, com conversas indevidas, e mais: nele, a mulher expõe-se em pé de igualdade com o homem, o que é contra a modéstia feminina. Dizia Santo Tomás que devemos tratar a todos cordialmente, mas não devemos ter familiaridade com ninguém ou só a devemos ter com muito poucos.
c) Estimula a ocupação do tempo com essas coisas em lugar da meditação e do estudo cristãos, em lugar da oração, e em lugar da vida familiar cristã, que deveria rechaçar tudo quanto venha ocupar os momentos da dedicação dos pais aos filhos e dos pais entre si. É o caso da televisão e do Facebook.
2) Recomendo que cada um faça um exame de consciência pensando em duas coisas:
a) Se realmente não incorre nos problemas acima;
b) Que são francamente contrários aos Facebooks da vida os principais sacerdotes da Tradição, alguns com argumentos tão sólidos como os encontrados no artigo italiano já citado nesta lista.
3) Em verdade, o Facebook e similares são instrumentos os mais apropriados para o governo mundial que antecederá o Anticristo. Recomendo, aliás, a leitura atenta do magnífico e profético1984, de George Orwell; nele se entenderá que tais instrumentos são instrumentos de ”diversão” das massas, em prol, digo, do fim total da influência do verdadeiro Cristianismo.
4) Que alguém tenha conseguido, per accidens, fazer algo bom via Facebook não admira: nada pode ser totalmente mau; algo de bom há de ter. Logo, algo de bom poderá propiciar. Não tira Deus um bem até do demônio e dos que mandam nossos mártires ao cadafalso? Mas cuidado: não somos Deus, e lembremo-nos de que não é lícito praticar um mal para conseguir um bem.
5) Por fim: sinceramente não vejo como o Facebook possa ser tão útil quanto uma lista católica para reunir-nos e aos amigos, nem quanto um blog ou um site para divulgar a doutrina. Acho que muito pelo contrário.

Em comunhão de orações,

Carlos Nougué

P.S.1: Não sei se já se deram conta, mas, excluído o blog da música (que é de minha inteira responsabilidade), nada do que escrevo é senão repetição do que dizem Santo Tomás, D. Lefebvre, o Padre Calderón, etc., se se trata de doutrina; e, se se trata do combate da Tradição, não escrevo nada senão depois de ordenado por D. Tomás ou depois de consultá-lo. Incluído o que digo do Facebook e similares. Há um grave risco nas fileiras laicas da Tradição: como, em defesa da Fé, não podemos hoje seguir a hierarquia da Igreja, acabamos por tender a fazer coisas e a julgar coisas por nossa própria conta. A tendência ao erro é enorme; e digo-o porque sei que errei eu mesmo sempre que não segui a D. Tomás. Por isso, devemos a todo o transe buscar, para nossas ações e julgamentos, aestrita direção de um sacerdote (naturalmente, firme na Fé como uma rocha).
P.S.2: De modo algum quero eu ser diretor de almas. Aliás, logo me retirarei da vida pública (por razões alheias à minha vontade). Mas “que cada um faça o que quer” cheira-me a liberalismo. Que cada um faça o que ditar a doutrina católica e seu diretor particular, isto sim.