quinta-feira, maio 03, 2012

Ecumenismo Moderno Condenado Pela Sagrada Escritura

Por Bispo George Hay
Traduzido por Andrea Patrícia



 


Nota do editor: o Bispo George Hay (1729-1811) da Escócia foi um dos maiores professores católicos e apologistas do início do século XIX. Seus três livros famosos são The Sincere Christian, The Devout Christian, e The Pious Christian (todos fora de catálogo). O Bispo Hay foi um adversário formidável do liberalismo, e suas obras receberam elogios de inúmeros bispos católicos do século XIX. O Cardeal Paul Cullen disse: "os sábios escritos do Bispo exibem um grande poder de raciocínio e perspicácia crítica, ao mesmo tempo que fornecem uma mina inesgotável de erudição e conhecimento das Escrituras". O que se segue é tirado das páginas 548-556 de seu magnífico livro The Sincere Christian. Depois de uma explicação magistral da Bíblia Sagrada de que não há salvação fora da Igreja Católica1, o Bispo Hay demonstra que a Sagrada Escritura de forma absoluta e infalível proíbe toda mistura religiosa entre católicos e os adeptos de falsas religiões. Na verdade o Bispo Hay aqui dobra o sino de finados para o ecumenismo moderno, uma vez que o ecumenismo, assim como o Movimento Carismático, são enquadrados com base nos princípios da fé entre crenças solenemente condenadas pela Sagrada Escritura - condenação que nenhuma autoridade na Igreja pode ignorar.

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Leis Gerais de Deus, Proibindo Toda a Comunicação da Religião com Aqueles de uma Falsa Religião.

P. Quais são as leis que proíbem isso em geral?

R. Elas são principalmente as seguintes: 

(1) A primeira é baseada na luz em que todas as falsas religiões são consideradas na Sagrada Escritura, pois lá nós temos a certeza de que elas surgem a partir de falsos mestres, que são chamados sedutores do povo, lobos vorazes, os falsos profetas, que falam coisas perversas: que eles são anticristos e inimigos da cruz de Cristo, que partindo da verdadeira fé de Cristo, eles dão ouvidos a espíritos de erro, que as suas doutrinas são doutrinas de demônios, falando mentiras; que seus caminhos são perniciosos, as suas heresias de perdição, e assim por diante. Em consequência do que, este comando geral de evitar toda a comunicação com eles na religião é dado pelo apóstolo: "Não ateis o vosso jugo com os infiéis, pois que participação tem a justiça com a injustiça ou que comunhão tem a luz com as trevas? e que concórdia há entre Cristo e Belial? Ou que parte tem o fiel com os incrédulos? ou que consenso tem o templo de Deus com os ídolos? Pois vós sois o templo do Deus vivo" (II Coríntios 6,14).

Agora é a verdadeira religião de Jesus Cristo, a verdadeira doutrina do Seu evangelho, que é justiça e luz; todas as falsas doutrinas são injustiça e trevas, e é por nossa santa fé que pertencemos a Cristo, e que somos templos do Deus vivo; todas as falsas religiões procedem do pai da mentira, e torna incrédulos aqueles que as abraçam, portanto toda a participação, todo o companheirismo, toda a comunicação com as falsas religiões é aqui expressamente proibido pela Palavra de Deus. Vimos acima2 que somos obrigados a amar as pessoas que estão envolvidas com falsas religiões, desejar-lhes bem, e lhes fazer bem, mas aqui estamos expressamente proibidos de toda a comunicação em sua religião - isto é, em suas doutrinas falsas e em seus cultos. Daí que teólogos eruditos e piedosos ingleses que publicaram em Rheims sua tradução do Novo Testamento, em sua nota sobre esta passagem, dizem: "Geralmente, aqui é proibido conversar e lidar com os infiéis em orações, ou reuniões em seu serviço cismático, ou outros ofícios divinos que seja; o que o apóstolo aqui profere em termos mais particulares, para que o povo cristão possa ter total atenção a isso".

(2) O próximo comando geral para evitar toda a comunicação religiosa com aqueles que são hereges, ou que tem uma religião falsa, é esse: "Um homem que é um herege, depois da primeira e segunda admoestação, EVITAI-O, pois esse tal está pervertido, e peca, sendo condenado pelo seu próprio julgamento" (Tito 3,10).

Aqui vemos outro comando geral para evitar todos esses - ou seja, fugir deles, não ter comunicação com eles. Mas em que somos ordenados a fugir deles? Não da sua pessoa, ou das comunicações necessárias da sociedade, pois então, como o mesmo santo apóstolo diz em uma ocasião semelhante, "seria necessário que você saísse do mundo" (I Coríntios 5,10). Não como aos serviços da caridade cristã, pois a esses somos ordenados pelo próprio Cristo, na pessoa do bom samaritano, para dar a toda a humanidade, independentemente de qual seja sua religião: portanto, no mais restrito e limitado sentido que as palavras podem ter, a única coisa em que somos ordenados a evitá-los é em todos os assuntos de religião; nisso eles próprios estão pervertidos e pecam, em coisas relacionadas a Deus e ao Seu serviço. Nisso erram, nisso que são pervertidos, nisso que são condenados, por isso nisso devemos evitá-los.

Daí que os piedosos tradutores do Novo Testamento de Rheims, em sua nota sobre este texto, digam: "Hereges, portanto, não deve admirar-se se nós alertamos a todos os católicos, pelas palavras do apóstolo, para tomar cuidado com eles, e evitar suas pregações, livros e reuniões".

(3) Um terceiro comando geral sobre este assunto é manifestamente incluído nessa exigência zelosa do apóstolo: "Cobramos-vos, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que vos aparteis de todo irmão que anda desordenadamente, e não de acordo a tradição que receberam de nós" (II Ts. 3,6).

Nesta passagem, todas as seitas diferentes ou falsas religiões são particularmente apontadas, pois por mais que elas possam diferir em outros aspectos elas geralmente concordam em rejeitar as tradições apostólicas que nos foram transmitidas pela Igreja de Cristo; a todas essas o apóstolo aqui nos encarrega, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, de evitar - de retirar-nos delas. Agora é evidente que o sentido mais limitado dessa ordem, tão calorosamente estendida sobre nós pelo apóstolo, é o de afastarmo-nos delas em tudo relacionado à religião: de seus sacramentos, orações, pregações, reuniões religiosas, e assim por diante. É nestas coisas que eles "não andam segundo a tradição recebida dos apóstolos". Nestas coisas, então, estamos aqui ordenados, em nome do Próprio Cristo, "a afastarmo-nos deles".

Vendo, portanto, que o Espírito Santo, pela boca do santo apóstolo, tantas vezes, e em termos tão fortes, proibiu todo tipo de comunhão na religião com aqueles que estão fora de Sua Santa Igreja, não vamos ser iludidos pelo sofisma enganoso, mas vão, de homens astutos que ficam à espreita para iludir, não vamos ofender o nosso Deus, transgredindo Seus comandos expressos, juntando-se nas orações ou indo a reuniões dos que estão separados de Sua santa Igreja, para que Ele não retire Sua graça santa de nós, e como nós nos expomos ao perigo, nos deixe perecer nele.

Vamos ouvir e seguir o conselho e comando do mesmo santo apóstolo: "Pois assim como tendes recebido Jesus Cristo, o Senhor, andai Nele; arraigados e edificados Nele, e confirmados na Fé que fostes ensinados, em abundante ação de graças a Ele. Cuidado para que ninguém vos imponha vãs filosofias e sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo". (Col. 2,6) Portanto, a todos aqueles argumentos que podem ser trazidos por motivos humanos, mundanos, ou interesseiros, para induzir-nos a juntar-nos ou a participar de qualquer dever religioso com os adeptos de uma religião falsa, embora só na aparência, devemos opor isso: "Deus proibiu expressamente, portanto nenhum poder humano pode torná-lo legal".


Leis Particulares de Deus Proibindo Toda a Comunicação com as Falsas Religiões, e Atribuindo Razões Para Isso.

P. Quais são as leis particulares sobre este assunto?

R. Nos três comandos gerais acima mencionados, Deus Todo-Poderoso fala, pela boca de Seu santo apóstolo, como Senhor e Mestre, e estabelece suas ordens sobre nós com certeza. No que se segue, Ele une o Salvador misericordioso com o Soberano, e enquanto Ele não menos estritamente nos manda evitar toda a comunicação religiosa com aqueles que são separados de sua santa Fé e Igreja, Ele ao mesmo tempo, condescende em engajar nossa obediência, ao mostrar-nos as mais fortes razões para isso.

(1) "Guardai-vos dos falsos profetas", diz o nosso abençoado Mestre, “que vêm até vós vestidos de cordeiros, mas, interiormente, são lobos devoradores" (Mat. 07,05). Aqui Jesus Cristo ordena a Seus seguidores a se precaver de "falsos profetas" - isto é, fugir deles, estar em guarda contra eles, e Ele acrescenta este motivo poderoso “para que não sejais seduzidos e arruinado por eles", pois, qualquer que seja a aparência de piedade que eles podem fingir ter, eles vêm até vós vestidos de cordeiros, mas por dentro são lobos devoradores, e procuram apenas matar e destruir.

Para a mesma finalidade Ele diz em outro lugar, "Vede que ninguém os seduza; Muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo, e eles vão seduzir muitos" (Mt 24,4). "E muitos falsos profetas irão se levantar e seduzirão muitos" (Ver. 2). Aqui Ele prediz a astúcia dos falsos mestres, e o perigo de ser seduzido por eles, e nos ordena a cuidar de nós mesmos, para que esse não seja o nosso destino.

Mas como devemos fugir deles? Ele depois diz-nos como: não acredite neles, não tenha nada a ver com eles, não tenham comunicação com eles. "Então", Ele diz: "se alguém disser para vocês, o Cristo está aqui, ou ali, não acredite nele. Porque hão de surgir falsos cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios, de modo a enganar até os eleitos. Eis que eu tenho dito de antemão. Se, portanto, eles vos disserem: Eis que ele está no deserto, não vá lá; eis que ele está em casa, não acrediteis" (Mat. 24,23)

Pode haver uma razão mais forte para impor a observância do seu comando, ou um motivo mais forte para induzir seus seguidores a não ter comunicação religiosa com tais falsos mestres? Muitos serão certamente seduzidos por eles, e assim você também se se expuser ao perigo.

(2) São Pedro, considerando a grande misericórdia, derramada sobre nós pela graça de nossa vocação à verdadeira fé de Cristo, diz que é nosso dever "declarar os louvores e as virtudes daquele que nos chamou das trevas para a Sua luz admirável" (I Ped. 2,9). São Paulo também nos exorta a "dar graças a Deus o Pai, que nos fez dignos de participar da herança dos santos na luz, que Ele nos libertou do poder das trevas, e nos transportou para o reino do Seu Filho amado" (Col. 1,12). Quando for manifesto que a verdadeira fé de Jesus Cristo é a única luz que conduz à salvação, e que é só no Seu Reino - isto é, na Sua Igreja - onde a luz celestial encontra-se, por isso todas as religiões falsas são trevas, e que, ser separado do Reino de Cristo é estar em trevas quanto ao grande assunto da eternidade. E de fato em que escuridão maior ou mais miserável pode estar uma alma do que ser levada por espíritos enganadores, e "afastando-se da fé de Cristo, dar atenção à doutrina de demônios" (I Tm 4,1). São Paulo, lamentando o estado de tais almas, diz que elas "têm o seu entendimento escurecido, alheios à vida de Deus, através da ignorância: que existe nelas por causa da cegueira dos seus corações" (Ef. 4,18).

Por conta disso o mesmo santo apóstolo exorta-nos da maneira mais premente a tomar cuidado para não sermos seduzidos a afastar-nos da luz da nossa santa fé pelas palavras vãs e discursos enganadores dos falsos mestres, por que nós certamente incorreremos na ira de Deus; e, para evitar tão grande miséria, Ele não só nos exorta a andar como filhos da luz na prática de todas as virtudes santas, mas expressamente nos manda evitar toda a comunicação na religião com aqueles que andam nas trevas do erro. "Ninguém vos engane com palavras vãs, porque por estas coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da incredulidade, portanto não andem com eles. Porque éreis trevas até então, mas agora sois luz no Senhor; andem como os filhos da luz, ... e não tenham camaradagem com as obras infrutuosas das trevas" (Ef 5,6).

Aqui, então, temos uma ordem expressa, não só de não participar das obras infrutuosas das trevas - ou seja, não participar de qualquer religião falsa, ou participar de seus ritos e sacramentos -, mas também, não ter qualquer comunhão com seus professores, não estar presente nas suas reuniões ou sermões, ou qualquer outro de seus ofícios religiosos, para que não sejamos enganados por eles, e para que não incorramos na ira do Todo-Poderoso, provocando-O assim a retirar Sua assistência de nós, e deixar-nos sozinhos, em punição por nossa desobediência.

(3) São Paulo, cheio de zelo pelo bem das almas, e solícito para preservar-nos de todo perigo de perder nossa santa fé, a base da nossa salvação, renova o mesmo comando em sua Epístola aos Romanos, por meio de súplica, rogando-nos a evitar toda a comunicação com os adeptos de uma religião falsa. Ele também nos mostra por qual sinal devemos descobri-los, e aponta a fonte do perigo de estar com eles: "Rogo-vos, irmãos, para não confiem nos que provocam dissensões e escândalos contra a doutrina que vocês aprenderam, evitai-os, pois eles não servem a Cristo Nosso Senhor, mas ao seu ventre, e por discursos agradáveis ​​e boas palavras seduzem os corações dos inocentes" (Rom. 16,17).

Veja aqui quem devemos evitar: "aqueles que causam dissensões contra a doutrina antiga"; todos aqueles que, odiando, deixaram a verdadeira fé e doutrina que tinham aprendido, e que tem sido transmitida até nós desde o início pela Igreja de Cristo, sigam doutrinas estranhas, e façam divisões e dissensões no mundo cristão. E por que devemos evitá-los? Porque eles não são servos de Cristo, mas escravos de seu próprio ventre, cujos corações estão colocados sobre os prazeres deste mundo, e que, por "discursos agradáveis ​​e boas palavras, seduzem os corações dos inocentes" - isto é, não trazem boas razões ou argumentos sólidos para seduzir as pessoas a seus maus caminhos, de modo a convencer o entendimento, pois isso é impossível, mas praticam em seus corações e paixões a flexibilização das leis do evangelho, a concessão de liberdades para as inclinações da carne e do sangue, deixando de lado as regras sagradas de mortificação das paixões e de abnegação, prometendo riquezas do mundo, e facilidade, e honras, e, por discursos agradáveis ​​deste tipo, seduzindo o coração, e envolvendo as pessoas em seus caminhos.

(4) O mesmo argumento e comando o apóstolo repete em sua epístola ao seu amado discípulo Timóteo, onde ele dá uma imagem triste, na verdade, de todos os falsos mestres, nos dizendo que eles fingiram uma demonstração exterior de piedade para melhor enganar: "tendo uma aparência, na verdade, de piedade, mas negando a eficácia dela"; então ele imediatamente dá o comando: "Agora, evitai esses: pois deste tipo são os que se introduzem pelas casas, e levam cativas mulheres néscias carregadas de pecados, que são levadas por muitas paixões", e acrescenta este sinal pelo qual eles podem ser conhecidos, que, não tendo a verdadeira fé de Cristo, e estando fora de Sua santa Igreja - a única regra certa para conhecer a verdade - eles nunca encontram a solução, mas estão sempre alterando e mudando suas opiniões, "sempre aprendendo, e nunca atingindo o conhecimento da verdade", porque, como acrescenta, "eles resistem à verdade, sendo corrompidos em sua mente, e sendo réprobos quanto à fé" (II Tm 3,05).

Aqui deve ser observado que, embora o apóstolo diga que as pessoas tolas, fracas, e especialmente as mulheres, são mais suscetíveis de serem enganadas por esses falsos mestres, ele dá o comando de evitar toda a comunicação com eles em seus maus caminhos, a todos sem exceção, até mesmo para o próprio Timóteo, pois a epístola é dirigida especialmente a ele, e para ele diz, bem como a todos os outros: "Agora a esses evitai", embora ele fosse um pastor da igreja, e totalmente instruído pelo próprio apóstolo em todas as verdades da religião, porque, além do perigo da sedução que ninguém que se exponha voluntariamente a ela pode escapar, toda a comunicação é má em si mesma e, portanto deve ser evitada por todos, e especialmente pelos pastores, cujo exemplo seria mais prejudicial para os outros.

(5) Por último, o amado discípulo de São João renova o mesmo comando nos termos mais fortes, e acrescenta outra razão, que diz respeito a todos, sem exceção, e especialmente àqueles que estão melhor instruídos sobre o seu dever: "Olhai por vós mesmos", diz ele , "que não percam as coisas que tendes feito, mas que possam receber plena recompensa. Quem se rebela, e não permanece na doutrina de Cristo, não tem a Deus. Aquele que persevera na doutrina tem tanto o Pai quanto o Filho. Se alguém vier a vós e não trouxer esta doutrina, não o recebais em vossa casa, nem lhe diga “Deus abençoe”, pois aquele o saúda participa de suas obras iníquas" (2 João, ver. 8).

Aqui, então, é manifesto, que toda camaradagem com aqueles que não têm a doutrina de Jesus Cristo, é "uma comunicação em suas obras más" - isto é, em suas doutrinas falsas, ou culto, ou em qualquer ato de religião - é estritamente proibido, sob pena de perder as "coisas que temos feito, a recompensa do nosso trabalho, a salvação de nossas almas". E se este santo apóstolo declara que dizer “Deus abençoe” a tais pessoas, é uma participação nas suas más obras, o que ele disse teria dito sobre ir aos seus lugares de culto, ouvir os seus sermões, juntar-se em suas orações, ou algo parecido?

A partir dessa passagem, os sábios tradutores do Novo Testamento de Rheims, em sua nota, justamente observam: "Isso, em matéria de religião, rezar, ouvir seus sermões, a presença em seus cultos, participar de seus sacramentos, e todas as outras comunicações com eles nas coisas espirituais, é um grande pecado e perdição lidar com eles". E se isso é para todos em geral, imagine então para aqueles que estão bem instruídos e melhor versados em sua religião do que os outros? Para eles fazer qualquer uma dessas coisas é um crime muito maior do que para pessoas ignorantes, porque eles sabem melhor sobre o seu dever.

P. Essas leis são muito claras e fortes, mas a Igreja Cristã tem sempre respeitado e o cumprido a observância delas?

R. O espírito de Cristo, que ditou as Sagradas Escrituras, e o espírito que anima e guia a Igreja de Cristo, e ensina-lhe toda a verdade, é o mesmo, e, portanto, em todas as idades sua conduta quanto a este ponto tem sido uniformemente a mesma como o que a Sagrada Escritura ensina. Ela tem constantemente proibido seus filhos de realizar qualquer comunicação, em matéria religiosa, com aqueles que são separados de sua comunhão, e isso ela tem feito às vezes sob as penas mais severas. Nos cânones apostólicos, que são de permanência muito antiga, e na maioria das vezes transmitidos a partir da era apostólica, é assim decretado: "Se algum bispo, ou padre, ou diácono, juntar-se em orações com os hereges, que ele seja suspenso da Comunhão" (Can. 44).

Além disso, "Se algum clérigo ou leigo for à sinagoga dos judeus, ou às reuniões dos hereges, para se juntar em oração com eles, que seja deposto, e privado da comunhão" (Can. 63).

Assim também, em um de seus concílios mais respeitados, realizados no ano de 398, em que o grande Santo Agostinho estava presente, Ela fala assim: "Ninguém deve ou rezar ou cantar salmos com os hereges, e todo aquele que se comunicar com aqueles que estão fora da comunhão da Igreja, seja clérigo ou leigo, seja excomungado" (Coun. Carth. Iv. 72 e 73).

A sua linguagem é a mesma em todas as idades, e nisso, Ela mostra que é mãe verdadeira, que não tolera seus filhos sendo divididos. Ela sabe que seu esposo celestial declarou que "ninguém pode servir a dois senhores, não podemos servir a Deus e a Mamon", e por isso Ela deve fazer com que eles sejam totalmente Dela, ou Ela não poderá reconhecê-los como tal. Ela sabe que seu santo apóstolo protestou que não pode haver "colaboração, nem companheirismo, nem concórdia, nenhum pacto, não há acordo entre o fiel e o infiel", e por isso Ela nunca pode permitir que qualquer um de seus filhos fiéis tenha qualquer comunicação religiosa com os adeptos de uma falsa religião e fé corrompida.

Original aqui.


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 Notas:

1. The Sincere Christian p. 474 -533, James Duffey and Son, Dublin.
2. Ibid.