quinta-feira, maio 17, 2012

O Espetacular Carimatismo "Católico" - Parte II


Crescimento do Pentecostalismo 'Católico' no Jardim da Heresia*


Por  John Vennari
Traduzido por Andrea Patrícia



Nós aqui contamos uma breve história do Pentecostalismo e como ele fez o seu caminho na Igreja Católica.

Embora tenha sido uma intrusão na Igreja Católica há apenas 39 anos (a), o Pentecostalismo tem história mais longa. A maioria dos autores identifica o seu verdadeiro pai como sendo John Wesley, da Inglaterra, o fundador do Metodismo. Wesley pregou sobre o batismo do Espírito Santo (ou "segunda bênção"), que ele dizia ser uma experiência pessoal intensa confrontando o cristão com a presença de Deus.

Com o tempo, a seita Metodista de Wesley tornou-se mais mainstream (b), e o Pentecostalismo ramificou-se em diferentes áreas. Em seu livreto "Assembléias de Deus e outras Igrejas Pentecostais", o grande apologista da contra-reforma Rev. Dr. L. Rumble (da renomada Radio Replies), traça a expansão do Pentecostalismo através do Revivalismo do século XIX que gerou "Igrejas Santidade", o Movimento da Chuva Serôdia e da Assembleia da igrejas de Deus. Uma vez que este livro foi escrito antes de acontecer a confusão ecumênica, o padre Rumble claramente reconheceu o Pentecostalismo como uma outra seita herética que os Católicos devem evitar.

Em relação a "falar em línguas" e outras explosões emocionais, Padre Rumble escreveu:

"Foi uma espécie de nova descoberta de que tais manifestações emocionantes poderiam resultar de fortes sentimentos religiosos. Profeta após profeta surgiu a encetar um revivalismo visando deliberadamente a criação de tais exibições anormais. Cresceu a idéia de que eles eram a prova de uma especial efusão do Espírito Santo sobre almas eleitas, e tais experiências emocionais foram interpretadas como evidência do ‘Batismo no Espírito’, a 'segunda bênção', conferindo a santidade a todos os que receberam tais dons". [1]

Este ponto merece comentário. É lógico que dentro do Protestantismo, se desenvolveu uma necessidade para uma intensa experiência pessoal como prova da presença de Deus. Os protestantes acreditam erroneamente que Cristo não estabeleceu uma Igreja para "ensinar, governar e santificar em Seu Nome" até o fim dos tempos. O Protestantismo, enraizado na interpretação particular das Escrituras, é apenas uma confederação de crentes que aceitam a Bíblia como a única fonte de Revelação Divina. Falta-lhes a certeza da autoridade Divinamente instituída ensinando infalivelmente que os sacramentos da Igreja Católica dados por Deus sempre conferem graça (a fonte da verdadeira santidade) para a alma que está devidamente disposta.

Essa necessidade, então, de provar pela experiência a presença de Deus na vida de alguém é o resultado direto da rejeição da Igreja Católica pelo protestante, do seu magistério sagrado, e dos sacramentos que conferem a graça. Uma vez que essa necessidade se baseia em um pecado mortal objetivo contra a Fé, quaisquer manifestações emocionais (que supostamente surgem ao ser "batizado no espírito") só podem ser explicadas por causas naturais ou por influência demoníaca. Tais manifestações também confirmam o protestante em seu pecado de incredulidade. Desde que o pentecostal acredita que ele já tem o Espírito Santo (e pode demonstrá-lo na hora), por que teria necessidade da Igreja Católica?

Alinhados com a doutrina Católica e a tradição imutável, podemos dizer que é blasfêmia descrever essas exposições como sendo obras do Espírito Santo. Procurar e imitar tais fenômenos é arriscar-se irresponsavelmente da própria Fé Católica. Promover tais manifestações é desempenhar o papel de falso profeta.

Línguas de Topeka

Católicos Pentecostais acreditam que o grande derramamento do espírito dos tempos modernos começou realmente a partir de uma pequena seita Protestante em Topeka, Kansas, liderada por Charles F. Parham. Alguns "Católicos" carismáticos, como Peter Herbeck (dos Ministérios da Renovação Ralph Martin), tratam o movimento revivalista de Parham como uma manifestação Divina igual a importância e santidade das visitas de Nossa Senhora de Fátima. [2]

Em seu livro "As Religiões Minoritárias nos Estados Unidos", William J. Whalen sucintamente descreve o papel importante da seita no Pentecostalismo moderno:

"O reaparecimento da glossolalia (falar em línguas) foi relatado em 1901. Charles F. Parham, um pregador da Santidade, estava desanimado com a aridez de sua própria vida espiritual. Ele alugou uma mansão “elefante branco” (c) em Topeka, Kansas, e começou uma escola bíblica com cerca de quarenta alunos. Juntos, eles traçaram um estudo intensivo das Escrituras e chegaram à conclusão de que o falar em línguas era o sinal de que um cristão havia recebido o batismo do Espírito Santo. Às sete horas da noite, na véspera do Ano Novo em 1900, um dos estudantes, a Senhorita Agnes N. Ozmen, surpreendeu o grupo reunido, quando ela começou a orar em línguas. Dentro de alguns dias muitos outros fizeram o mesmo.

"Parham passou os próximos cinco anos como um pregador itinerante antes de abrir outra escola bíblica, desta vez em Houston. Um de seus alunos, um ministro negro chamado W.J. Seymore, levou a mensagem ‘full-gospel' (d) para Los Angeles. O revivalismo nessa cidade da Califórnia já com três anos de duração   atraiu pessoas de todo o país, e essas pessoas estabeleceram o Pentecostalismo na maioria das grandes cidades os EUA, assim como em muitos países europeus. As Igrejas Santidade antigas se recusaram a dar ênfase ao falar em línguas, mas dezenas de igrejas Pentecostais independentes foram logo organizadas". [3]

O Monsenhor carismático Vincent Walsh, um promotor entusiasta das aberrações da "Bênção de Toronto", escreveu com aprovação: "Devido aos ministérios da Parham e Seymore, o Pentecostalismo mundial moderno foi lançado" [4]. Como um fenômeno entre os conjuntos de protestantes, ele teve um crescimento espetacular. E em 1967, um grupo de Católicos em Pittsburgh, com suas defesas destruídas pelo rolo compressor do aggiornamento Conciliar, e encantado com a história de um ministro protestante de sucesso entre os jovens arruaceiros de Nova York, iriam adotar uma "nova maneira de pensar," estudando as Escrituras de acordo com esta nova mentalidade, e mergulharam de cabeça nessa prática heterodoxa.

"Agitações em Pittsburgh"

No livro
Catholic Pentecostals, Kevin e Dorothy Ranaghan (fundadores do movimento pentecostal Católico) descrevem os primórdios do movimento. Os Ranaghans e seus colegas na Universidade de Duquesne estavam envolvidos com várias atividades populares na época (direitos civis, etc.). Em meio a essas empresas, eles foram atormentados com aridez espiritual. Para combater isso, eles afirmam, o grupo saiu em busca de uma maior influência de Deus em suas vidas.
A data era 1966, um período de turbulência eclesiástica sem precedentes. Thomas Merton logo estaria fora no Tibete orando com o Dalai Lama e chamando para uma unidade que se assemelhava a "Unificação" Hindu. O escritor New Age Teilhard de Chardin era praticamente reverenciado por muitos intelectuais Católicos como o quinto evangelista. Foi um período tumultuado da história da Igreja, com ventos violentos de mudança com desenraizamento e destruição de inúmeros marcos Católicos. Com tantos sinais familiares varridos do mapa, era muito fácil para os Católicos passearem fora dos limites buscando a Deus em lugares errados.

Em um Congresso Cursilho, este grupo reuniu-se a Ralph Martin e Steve Clarke que os apresentou ao livro "A Cruz e o Punhal", a história de sucesso do ministro protestante David Wilkerson entre gangues adolescentes em Nova York. Por causa do que Ranaghan e amigos consideraram "aspectos positivos" do Pentecostalismo encontrados neste livro, e por causa das "vidas transformadas" de dois de seus amigos envolvidos com tais atividades, eles buscavam uma experiência semelhante.

Ranaghan relata que seu grupo solicitou o conselho de um ministro episcopal, ignorando assim a sabedoria Católica milenar que proíbe a camaradagem religiosa prática com as seitas heréticas. Este clérigo os introduz numa reunião Protestante, Pentecostal. O grupo Católico compareceu ao encontro e participou do estudo da Bíblia.

Um dos presentes, Ralph Keifer, escreveu que no final desta reunião de oração, "Pat [Bourgeois] e eu pedimos para sermos rezados com o batismo do Espírito Santo. Eles se separaram em vários grupos, porque eles estavam orando por várias pessoas. Eles simplesmente me pediram para fazer um ato de fé pelo poder do Espírito para trabalhar em mim. Orei em línguas muito rapidamente" [5].

Mais tarde, o mesmo Ralph Keifer impôs as mãos sobre os outros dois (não identificados no livro) e eles também "receberam o batismo no espírito".

O Sr. Ranaghan e seus amigos parecem ter esquecido o aviso de Mons. Ronald Knox que "falar em línguas que nunca se tinha aprendido era, e é, um sintoma reconhecido em casos de alegada possessão diabólica" [6].  Expor-se livremente a tais perigos beira a loucura.

Não foi de estranhar então que Kevin Ranaghan foi o primeiro orador na noite de abertura na 30º aniversário da Conferência em 1997. Depois de se vangloriar que Deus havia lhe enchido até o transbordamento com o Espírito, Ranaghan contou que nos primeiros dias, a fim de estar no “espírito", ele e seu amigo procuraram o conselho espiritual de um grupo de oração protestante:

"No início, o contato com pentecostais da nossa área nos ajudou a crescer em entendimento e experiência dos carismas. Nós nos encontramos na casa do representante dos Homens de  Negócio do Evangelho Completo. E quando soube que um grupo de Católicos estava chegando, ele reuniu as tropas, e trouxe vários ministros pentecostais e uma sala cheia de guerreiros de oração para participar do que eles tinham certeza que seria uma dura batalha. O que eles encontraram foi o mais chocantemente fácil momento de oração que já haviam visto. Nós alegamos que já havíamos sido batizados no Espírito Santo, e eles acharam difícil de acreditar, porque, afinal, éramos Católicos". (A platéia caiu em grande gargalhada, em zombaria alegre da doutrina da "salvação exclusiva"  da Igreja Católica.)

Ele continuou: "Nós dissemos que nós só queríamos a sua ajuda e conselhos sobre nos submeter e usar os dons. Eles impunham as mãos sobre nós, e um por um da sala cheia de nós começou a orar e cantar em línguas. Nenhuma batalha, apenas a celebração de uma vitória” (Aplausos calorosos).

Ao fazer esta declaração, este "pregador ungido" (como eles se referem uns aos outros) parece ter esquecido que uma vitória Protestante sobre o Catolicismo não pode ser considerada como uma vitória para o Espírito Santo.

Então Ranaghan, doutrinando ainda mais a multidão em indiferentismo religioso, cantou o louvor e as bênçãos das seitas heréticas. Ele disse: "Louvado seja Deus pelos pentecostais dos velhos tempos e pelos carismáticos independentes que Deus enviou ao nosso caminho naqueles dias ... Sim, desde o início, foi uma celebração ecumênica" [7].

Assim foi como a "Renovação Carismática Católica" começou - Católicos recebendo uma zombaria Protestante do sacramento  com o "batismo no espírito", não através dos canais da graça sacramental estabelecidos por Cristo, mas através da colaboração com grupos heréticos.
De Pittsburgh o movimento se espalhou para Notre Dame e depois para Newman Centers no estado de Michigan e na Universidade de Michigan. Dentro de quatro anos desde o seu início, o "Pentecostalismo Católico" se espalhou para dezenas de áreas nos EUA e no Canadá.

Agora é um movimento [8] em todo o mundo considerado como um filtrado "sinal de esperança" na "Nova Evangelização". Sua função parece ser a de mover milhares de Católicos para a nova religião ecumênica do Vaticano II.


(continua)



________________________________

Adaptado do livro
Close-ups of the Charismatic Movement [Close-ups do Movimento Carismático].

*Segunda parte do artigo O Espetacular Carimatismo "Católico". Veja as outras partes I, II, III.
 

___________________________________
Notas:

1. Rev. Dr. L. Rumble, M.S.C., “Assemblies of God” and other “Pentecostal Churches” [St. Paul: Radio Replies], p. 18.
2. Peter Herbeck, “The Titanic Battle”, Renewal Ministries Newsletter, Ann Arbor, MI, Maio, 1997.
3. Whalen, op. cit. pp. 179-180.
4. Msgr. Vincent M. Walsh, What is Going On?, [Wynnewood, PA: Key of David Publications, 1995], p. 31.
5. Kevin e Dorothy Ranaghan, Catholic Pentecostals, [Nova York: Paulist Press, 1969], p 15.
6. Msgr. Ronald Knox, Enthusiasm, [Oxford: Oxford University Press, 1950], p. 551.
7. Kevin Ranaghan também falou no Celebrate Jesus 2000, em Saint Louis, de junho de 2000. Veja Close-ups of the Charismatic Movement.
8. A bênção "eventual" do Papa Paulo VI ao Movimento Carismático em 1976 foi devido à pressão do Cardeal Leon Joseph Suenens, um dos prelados mais modernistas do século XX, que exerceu grande influência sobre Paulo VI. Para mais detalhes, consulte " The Charismatic Cardinal Suenens", Seção III do livro Close-ups of the Charismatic Movement.



__________________________________________________
Notas da tradutora:
(a)    O artigo é de 2002.
(b)   Mainstream: dominante, aquilo que é estabelecido e aceito por um número maior de pessoas.
(c)    Elefante branco: diz-se daquele investimento muito caro e do qual não se faz uso, mas também do qual não se consegue livrar.
(d)   ‘Full-gospel’: ‘toda evangélica’, ‘Evangelho completo’.