quinta-feira, junho 28, 2012

Televisão: A Alma em Risco - parte II


Por Isabelle Doré
Traduzido por Andrea Patricia


Televisão e Intelecto
O intelecto é a faculdade pela qual apreendemos a verdade. A televisão nos permite apreender a verdade da mesma maneira que a leitura ou a ação da vida real? Primeiro devemos considerar como assistimos a televisão e o que vemos.

Televisão e Função Cerebral
A televisão trabalha majoritariamente o lado direito do cérebro e induz a um estado relaxado de vigilância. O espectador de televisão olha para a tela e para a fonte de luz; ele vê imagens se movendo e ouve sons.

I. A Tela e a Luz
O espectador “comum” de televisão olha para a tela iluminada de um modo particular que difere do modo normal de olhar para as coisas. Quando passamos por uma sala de espera ou um corredor de hospital, é fácil dizer quem está assistindo televisão mesmo se você não pode ver a tela. Os olhos do espectador de televisão ficam fixados. Na vida real, as pessoas geralmente não fixam o olhar; seus olhos estão em constante movimento, mudando para ver os detalhes, das coisas perto às coisas que estão à distância, e rompem [a fixação].
Ao focalizar os olhos na tela, não apenas sua visão periférica apagou a vantagem da visão da fóvea, com o foco na tela inteira (de fato, os espectadores parecem sempre abrir muito seus olhos), mas os olhos também se tornam levemente desfocados. Com efeito, [por causa da “atividade visual no contorno da imagem”1] é difícil para os olhos focalizarem nos detalhes, um estado que inclusive causa náusea, e então os olhos ficam numa fixação desfocada na tela. Os olhos cessam com o seu movimento normal e sua autonomia. A câmera pode mudar de perspectiva da distância do close-up ou mudar o campo de visão ou mostrar alguma outra coisa, mas não é o espectador que escolhe essas mudanças, sua frequência ou ritmo.
Além do mais, o espectador está assistindo uma fonte de luz vacilante; ele está olhando fixamente para a luz. Mas ficar olhando para a luz induz ao sono. Pesquisadores falam sobre o estado hipnótico dos espectadores de televisão.  Algumas vezes eles falam de um estado “semi-hipnótico” porque não há um sono real.
Nós devemos assinalar que o cinema não apresenta o mesmo tipo de problema: a fonte de luz não é a tela – está atrás do espectador; o perigo de cair num estado hipnótico ou quase hipnótico no cinema é talvez reduzido. E as telas de LCD, que começaram a substituir os tubos de raios catódicos, não projetam o mesmo tipo de emanações. Mesmo que a luz suave que elas irradiam reduza o efeito hipnótico, isso não suprime as outras anomalias perceptuais.
A fixação desfocada numa imagem constantemente em movimento e uma fonte de luz que apresenta dois aspectos audiovisuais explicam porque o cérebro do espectador de televisão emite ondas alfa (o padrão de ondas cerebrais típico de um estado intermediário entre a vigília e o sono: alguns telespectadores após os primeiros minutos caem no sono, enquanto outros são menos suscetíveis), enquanto que o cérebro de uma pessoa alerta emite ondas beta.
Claro, pode-se sempre tentar manter-se vigilante, tentar manter a lucidez, escapar da hipnose, fazer uma pausa de uma imagem (algo possível com aparelhos de videocassete e DVDs), tomar notas para rever o filme ou programa, refletir, memorizar, se desviar da tela para comentar ou criticar, mas essa não é a forma como a televisão é geralmente assistida, e certamente não é a maneira como as crianças a veem: elas entram diretamente no universo particular da televisão, que consiste em uma rápida sucessão de imagens. Mesmo depois de terem atingido a idade da razão, as crianças não têm uma relação racional com a tela. Mesmo a maioria dos adultos, assim, perdem sua racionalidade e vigilância durante a visualização da televisão, especialmente aqueles que assistem muito.

II. Imagens e Sons
O que vemos na televisão? Vemos imagens e ouvimos os sons que acompanham.
Imagens
Na televisão ou no cinema, as imagens se movem em um ritmo rápido; essa é a natureza do audiovisual: eles só mostram as coisas que se movem, e quando elas não se movem o bastante, clipes muito curtos são mostrados. Num verão, meus filhos encontraram uma grande coruja ferida em um celeiro: eles gastaram uma boa meia hora assistindo. Durante esses trinta minutos, o animal piscou os olhos três ou quatro vezes; virou-se umas quatro ou cinco vezes, e estendeu suas asas cinco ou seis vezes. O espetáculo era claramente fascinante e bastante impressionante. A mesma meia hora assistindo a transmissão de uma coruja na televisão seria algo mortalmente chato; para um programa, uma reportagem ou um documentário, eles teriam mantido uns dois minutos de bater as asas, de piscar de olhos, e de seu movimento.
Todos nós temos lembranças de nosso prazer na contemplação de um cenário comum da vida cotidiana: crianças brincando em um parque, animais domésticos brincando em um jardim, um ensaio de música ou de dança, um fogo na lareira, um jogo de futebol de mesa, xadrez ou outros jogos de tabuleiro. As mesmas cenas mostradas em tempo real na tela da televisão rapidamente tornam-se chatas. Existem várias razões para isso: na vida real, os olhos se movem, os outros sentidos estão envolvidos (para o fogo na lareira, há o cheiro, a visão das chamas, a sensação de calor, que nos atraem), a mente e a função de memória.
Não muito tempo atrás havia um programa educativo de televisão previsto no canal público, e eu me lembro de assistir um episódio sobre a criação e ordenha de cabras. Este tipo de programação foi tão mal sucedido entre alunos e professores que este tipo de programa educativo desapareceu.
Um monte de esportes é transmitido na televisão, mas não apenas qualquer esporte: se vê um pouquinho de golfe ou badminton, um pouco de esgrima ou pingue-pongue; e quando eles são transmitidos, eles não mostram torneios longos. Eles só transmitem os esportes espetaculares: tênis, futebol, rúgbi.
A música tem lugar na televisão, mas não qualquer tipo de música. Eles transmitem shows de variedades, shows de rap, todos os tipos de eventos musicais que eu não mal consigo identificar, mas raramente mostram, tanto quanto eu sei, concertos de música clássica. A música clássica não é espetacular, com exceção de balés e óperas. Ocasionalmente, você pode se deparar com um medley de peças selecionadas. Raramente é todo um trabalho clássico oferecido: o telespectador que assiste a música na televisão precisa de excitação, barulho, movimento, ritmo acelerado, sequências ou cenas de histeria do público. A música clássica só aparece através de trechos, servindo como pano de fundo para um filme ou anúncio.
Sons
As imagens em movimento na tela são acompanhadas por sons: música, ruído ou palavras. As palavras naturalmente seguem o ritmo das imagens, ou seja, as frases são curtas e rápidas.
O verdadeiro estilo discursivo raramente aparece na televisão (o discurso anual do Presidente feito para a União). Mesmo em emissões culturais ou políticas, que normalmente são destinadas a pessoas inteligentes, os discursos não duram muito tempo. Em propagandas ou programação infantil, tudo se move muito e a música é rápida e rítmica.
Quanto aos anúncios, seu objetivo é impedir o espectador de pensar. Os criadores de clipes publicitários colocam seus conhecimentos de psicologia humana a serviço da "persuasão oculta" (Vance Packard2). Por meio da descontinuidade das imagens e do ritmo rápido, eles dispõem o espectador a um estado análogo ao sonhar acordado.
A programação para as crianças também apresenta sequencias rapidamente ritmadas. Parece que para manter as crianças na frente da tela, um ritmo rápido é necessário, com muita ação e movimento e conteúdo dramático que provoca emoções fortes. Ao assistir programas infantis em que as imagens mudam rapidamente, a criança tem dificuldade em coordenar visão e audição. Ela olha para a tela, contente em assistir as imagens sem realmente prestar atenção às palavras, retendo apenas trechos. A imagem supera o som.
Ao crescer, as crianças conseguem combinar melhor os dois sentidos, mas será que elas realmente têm o tempo e o hábito de apreender e memorizar as palavras?
Na vida real, uma criança pode facilmente gerenciar visão e a audição simultaneamente. As imagens não estão constantemente desfilando diante de seus olhos; ela vive em um universo bastante estático; ela pode facilmente prestar atenção às palavras ditas a ela; ela ainda ouve com muita atenção quando são dirigidas a ela pessoalmente. Ela pode ter tempo para repeti-las, memorizá-las, e refletir.
Minha experiência me ensinou que é muito difícil reter a atenção de uma criança acostumada a ver as imagens da televisão; não somente ela só escuta de forma intermitente, mas ela tem dificuldade em repetir e reter expressões simples.
Outro exemplo do lugar secundário do som em relação à visão: as crianças que vivem no exterior ou assistem a um filme na língua original não se incomodam com a língua estrangeira. Uma família que viveu por vários anos no Japão relata que o filho mais novo passou muito tempo assistindo desenhos animados japoneses na língua original, embora ele não fale a língua de forma alguma. O que importava para ele era ver as imagens, não entender as palavras!
Eu confirmei isso com outras crianças: se a trilha sonora é inaudível ou o filme é em uma língua estrangeira ou não podem ler as legendas, elas ainda querem assistir.
Se o estilo discursivo é raro e se a fala é secundária com relação à imagem, não será surpreendente que a televisão estimule especialmente o lado direito do cérebro, o hemisfério que rege o pensamento não verbal, a analogia, e o reconhecimento de formas.
O dano é, sem dúvida, menor para uma criança que é acostumada a conversar em casa, falar, ouvir, fazer perguntas, raciocinar, refletir e analisar. Mas esse não é o caso para todos. Nem o método global [de ensino da leitura], com seu sistema de aprendizado pelo reconhecimento de formas, ajuda a criança a desenvolver o lado esquerdo do cérebro, a sede da lógica, análise e raciocínio.
Será que é possível ver televisão e estar alerta, fazer um esforço para entender as palavras, para retê-las, critica-las, pensar sobre o que foi visto? É certamente mais fácil para um adulto culto manter essa vigilância: ele pode integrar o que ele ouve e vê em suas reflexões e sua gama de conhecimentos. Mas essa não é a maneira usual que a televisão é vista. Espectadores esporádicos mantém a capacidade de memorizar, criticar e analisar. Mas quanto mais as pessoas assistem, menos esforço elas fazem para adquirir cultura ou pensar sobre o que viram. Deixaram-se "inundar" com as imagens e a música de fundo. A vigilância só é mantida nos casos hipotéticos em que a instrução é o objetivo, o que não acontece com frequência.
Com relação às crianças, elas assistem pelo gosto de assistir: uma professora explicou que às vezes ela assistia a filmes com seus alunos do ensino médio. Ela preparava a seleção antes explicando o que eles estavam indo ver e fornecendo uma planilha para eles. Sem este trabalho preliminar, os alunos não aprendiam nada do filme. Essa professora acabou por desistir dos slides: "eles são muito lentos" e os alunos reclamam.

III. Uma poderosa ferramenta de aprendizagem?
Mesmo que raramente seja o objetivo e mesmo pensando que seria difícil, é possível tornar-se uma pessoa educada assistindo televisão?
Se você pedir a um telespectador para avaliar o que aprendeu durante seus anos de consumo de televisão, haverá poucas respostas precisas. Ele sabe os nomes e os rostos dos atores, das celebridades, e jogadores de futebol. Ele sabe que há guerras, no Oriente Médio, por exemplo, mas sem saber por quê. Ele sabe o nome do presidente e do secretário de Estado e seu representante. Ele tem uma vaga lembrança de alguns assassinatos ou de crises graves em domínios que afetam a ele pessoalmente: saúde, segurança, economia.
Bombeiros assistem a filmes durante a sua formação, mas é assim que aprendem a ser bombeiros? Não, o filme é uma auxílio que, quando comentado e com pausas em imagens diferentes, pode ajudá-los a refletir e antecipar situações que não necessariamente tenham sofrido. Mas não é por ver Backdraft que você aprende a ser um bombeiro, não é assistindo Emergency que você aprende a ser um médico ou um enfermeiro, não mais do que você pode se tornar um bom jogador, assistindo a um jogo de futebol. Cenas filmadas podem ser usadas para completar a formação, mas apenas na medida em que se é capaz de assistir com espírito crítico.
A criança, que não tem nem experiência nem formação, nem maturidade, precisa viver no mundo real, não só para tornar-se educada, mas simplesmente para aprender a viver, viver de acordo com a realidade. A televisão só envolve os sentidos de longo alcance: visão e audição, e mesmo assim, a imagem domina a fala. Mas a criança precisa tocar, sentir (o calor do fogo, o frio). Ela precisa ter todas estas experiências da vida real que a televisão não pode dar: ela precisa sentir a vertigem do perigo, a angústia de estar errada, a dor da espera, clemência, perdão, misericórdia, tristeza, fadiga, a angústia da responsabilidade; ela precisa superar as dificuldades e os fracassos, e resolver problemas.
O diretor de Science City, entrevistado na rádio, justificou sua recusa em apresentar animações audiovisuais no pavilhão das crianças: "Não devemos nos contentar com o que é fácil, o que é importante para uma criança pequena é moldar-se pela interação com a realidade".
Um evento recente, mas que se repete muitas vezes de formas diferentes, aconteceu: dois jovens motoristas imprudentes fugiram do local após terem atropelado seis pedestres, matando três deles. Esse é um comportamento típico do espectador de televisão que nunca foi realmente confrontado com a vida real: a condução a uma velocidade irresponsável em uma pequena cidade e a fuga de uma dificuldade. Mesmo o segundo motorista, que estava seguindo e não tomou parte no acidente, preferiu se poupar ao invés de ajudar os feridos ou comunicar o acidente. Esses jovens, típicos de sua geração, tinham que ter visto acidentes de carro. Mas na televisão, nada é exigido deles. Tudo é feito sem eles. Alguém cuida dos feridos, ou então a ação continua e as vítimas são deixadas à sua sorte.
Nos centros médicos psico-pedagógicos, os psicólogos têm de reeducar as crianças com dificuldades de ajuste à realidade e com dificuldades de aprendizagem. As crianças têm que ser ensinadas a utilizar os seus sentidos, a falar, a agir sobre as coisas, a interagir com as pessoas. "A prática leva à perfeição", e os pais são muito ingênuos ao pensar que assistir a algo na televisão pode substituir as experiências da vida real.
Um acidente nas montanhas induziu a seguinte observação por parte dos habitantes: "Os jovens vivem em um mundo virtual e não percebem que a natureza é perigosa”.
Uma jovem recentemente confidenciou como estava feliz de estar trabalhando: "Eu preciso provar a mim mesma". Este é um sinal de maturidade, mas as crianças desta geração muitas vezes não têm a chance de se provar. Elas vivem em um universo diminuído, artificial: escola, jogos de computador, televisão. Não há muito espaço para a vida real.
Será que os jovens que adotam comportamentos loucos e destrutivos (velocidade, drogas, álcool) não estão tentando provar algo para si mesmos? Será que eles não estão tentando experimentar algumas das sensações da vida real das quais eles sempre foram excluídos? Eles estão tentando sentir angústia, medo, superação de obstáculos, e excitação dos sentidos, mas de acordo com a lógica de uma sociedade de consumo: "tudo – agora mesmo".
Mas, para voltar à questão, pode-se adquirir conhecimento valioso e útil graças à televisão? O exemplo do professor citado acima mostra que apenas assistir a um programa não é suficiente para se beneficiar dele. Outra professora perdeu a paciência com seus alunos um dia. Ela tinha aconselhado os alunos mais velhos a assistir notícias na televisão, a fim de manter-se a par do que está acontecendo no mundo. Enquanto estudava as batalhas da Segunda Guerra Mundial no norte da África, ela observou que os alunos não sabiam nada sobre a Líbia, a sua situação geográfica ou a sua capital, embora o noticiário da TV não tivesse falado de mais nada senão Kaddafi por várias semanas.
A razão é que um adulto educado é capaz de vincular as informações sobre a Líbia ao conhecimento que ele já possui e à sua visão de mundo, enquanto uma criança ou adolescente só se lembra de alguns poucos trechos que não têm nenhum significado para ele e aos quais ele nunca vai atribuir qualquer significado. No melhor dos casos, ele terá uma reação espontânea à informação: Kaddafi é um cara mau; ele jogou bombas em algum lugar. O adolescente está, então, pronto para ser manipulado: ele absorve informações sem pensar, sem análise, sem compreensão. Na vida real, a pessoa também absorve informação, mas compreende-se os prós e contras de uma situação; a realidade domina. Um simples turista residente na Líbia teria uma melhor compreensão do evento.
Um professor visitando uma fazenda rapidamente compreende que um touro é um animal perigoso, que uma tempestade pode causar danos irreparáveis, que um único pneu do trator custa uma fortuna, que o trabalho é cansativo, que a vida real em uma fazenda não tem nada a ver com as considerações irreais que podem ser encontradas nos livros didáticos sobre a necessidade de os agricultores reestruturarem suas operações, para se adaptar ao mercado, investir em técnicas mais rentáveis...
Um dia eu assisti a um documentário sobre o Cáucaso produzido pelo Knowledge of the World em um cinema. Eu estava muito interessada no assunto e tinha ido lá com a intenção de aprender. Durante o filme, eu tomava notas, e alguns meses mais tarde, quando reli fiquei surpresa ao ver que eu tinha esquecido completamente algumas cenas surpreendentes. Eu tinha esquecido nomeadamente uma cena em que um padre da Igreja Ortodoxa Armênia estava sacrificando aves: ele decapitou os pássaros trazidos a ele pelo fiel e colocou numa pilha ao lado dele. A partir disso, eu concluí que um espectador de televisão, apesar das melhores intenções, só podia entender e reter informações com dificuldade. Com um DVD ou vídeo, ele pode fazer uma pausa durante uma imagem, ir para trás, rever o filme ou programa e notar e lembrar o que tinha escapado a ele na primeira vez. A televisão e o cinema não permitem esse tipo de revisão.
O que devemos pensar dos pais que dizem que seu filho aprendeu a ler com a televisão? Eu fui capaz de verificar que a alegação era falsa nos casos anunciados em meu círculo. Ou os pais mentem, ou então eles estão enganados.
Durante os anos sessenta, o programa Vila Sésamo teve muito sucesso nos Estados Unidos. Era tanto um programa educativo quanto divertido cujo objetivo era ajudar as crianças menos favorecidas financeiramente a preencher suas lacunas antes de ir para a escola.
Apesar do sucesso de Vila Sésamo com as crianças, os professores não discerniram qualquer progresso notável entre os seus alunos. Enquanto pode ter acontecido que as crianças tenham pegado alguns elementos de conhecimento, os professores notaram que em todas as classes houve dificuldades crescentes na expressão, memorização, concentração e atenção voluntária.
No entanto, os estudos parecem mostrar o progresso entre as crianças que assistiram Vila Sésamo. Uma revisão do estudo mostrou que as crianças envolvidas haviam sido ajudadas pelos adultos responsáveis ​​por elas, que as tinham preparado, tinham visto o programa com elas, e tinham verificado a sua aprendizagem antes da vinda dos pesquisadores. Foi a intervenção do adulto e não o próprio programa que permitiu que essas crianças aprendessem alguma coisa.
Um estudo realizado pelo Professor Marcel Rufo estabeleceu uma ligação entre a hiperatividade das crianças e a televisão: quando os resultados foram representados graficamente, uma correlação quase perfeita foi encontrada entre um aumento de hiperatividade e tempo gasto assistindo televisão. O professor Rufo ensina Psicologia Infantil na Universidade de Marselha, e seu teste envolveu centenas de crianças, avaliando sua capacidade de memorizar e associar imagens, ideias e palavras (o teste Ruz). Este estudo mostrou uma diminuição das faculdades intelectuais das crianças e dos adolescentes questionados, ligado ao tempo gasto em frente à telinha.
Um estudo americano nos informa que quinze milhões de crianças norte-americanas estão tomando altas doses de medicamentos prescritos para doenças neuropsiquiátricas: estimulantes para combater a dificuldade de concentração ("déficit de atenção") e antidepressivos para combater a desordem maníaco-depressiva [bipolar]. O estudo não incidiu sobre as causas desses distúrbios, mas sobre os direitos dos pais de recusar os medicamentos; é altamente provável que estas doenças têm uma ligação direta com a televisão como causa direta ou como um fator agravante.

Traduzido de La Télévision, ou le péril de l’esprit (copyright Clovis, 2009)

Notas:
1 A explicação mais completa das causas físicas para esta "fixação desfocada" é encontrada em um dos livros referenciados pelo autor: Marie Winn’s The Plug-in Drug (1977; Penguin Books, 2002), p.27.-Tr.
2 Crítico social norte-americano, palestrante e autor, que escreveu vários best-sellers de não ficção, incluindo The Hidden Persuaders (1957). - Tr.

Original aqui.
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