quinta-feira, junho 14, 2012

Um professor, um aluno, uma Igreja

A Conversão do Dr. David A. White
Professor de Literatura da Academia Naval dos EUA
Traduzido por Andrea Patrícia


Dr. White converteu-se à fé Católica em 1979. Ele converteu 35 pessoas para a fé Católica na Academia Naval dos EUA. Aqui está a sua história:
Como eu sou um professor de Literatura, eu vou contar uma história.
Eu fui convertido à Igreja Católica na idade de trinta e um anos, alguns anos atrás. Fui criado como protestante liberal. Esse adjetivo é extremamente importante porque há protestantes que conhecem a Bíblia, que sabem alguma coisa da doutrina cristã. Eles são os conservadores fundamentalistas “da pesada”.
Fui criado protestante liberal o que significa que tive uma educação em termos de frequentar a igreja, de jantares da igreja, e lá havia algumas pessoas adoráveis. Tive a sorte de ser criado em um lar muito bom, com bons pais, mas eu nunca recebi qualquer formação religiosa real. Decorei alguns poucos versos da Escritura. De vez em quando eu ia assistir a uma cerimônia de adoração na manhã de domingo na igreja desnuda, não prestava atenção ao sermão, cantava alguns hinos e depois ia para casa. Era isso. Isso significa que quando eu tinha dezessete anos e estava livre e fui para a universidade, eu apenas deixei de lado essa coisa toda.
Eu digo com tristeza, a propósito, que isso é o que agora vejo acontecer com meus alunos Católicos. Muitas vezes, quando os jovens saem de casa, assim que saem, eles deixam de ir à igreja. Eu sei disso. Foi isso que eu fiz. É uma marca do protestantismo, porque não há nada lá para segurar e eles sabem disso. Como resultado, eles deixam.
Então eu fui para a universidade, uma universidade moderna, onde eles me ensinaram as três coisas que eu acho que você aprende em uma universidade moderna: odeie sua família, odeie seu país, odeie Deus (que "não existe", mas odeie de qualquer maneira). Minha cabeça estava cheia disso. De modo que quando eu me formei e fui para a pós-graduação, minha cabeça estava cheia de bobagem absoluta. Eu ainda não sabia nada sobre religião, embora eu falasse sobre isso durante um tempo, principalmente para tentar derrubá-la. Até onde eu me interessava, havia somente a natureza. A natureza era tudo o que precisávamos. Tudo era material. Havia realmente apenas um "mandamento", que era, "Nós devemos ser gentis uns com os outros, embora a vida não tenha sentido" - que é um pensamento muito peculiar.
Quando eu comecei a ensinar, esse era o tipo de bobagem que eu estava ensinando. Disparate absoluto, porque eu não sabia nada. Eu não tinha que estar na frente de uma classe de ensino porque eu não sabia de nada. Mas eu era um professor moderno, com uma cabeça cheia de penas e serragem que eu expelia ao redor da sala. Então, um dia, quando eu estava ensinando na Universidade de Temple, na Filadélfia, um aluno no fundo da classe levantou a mão e me desafiou. Ele começou a debater comigo na sala de aula. De uma hora para outra eu tomei conhecimento de uma situação com a qual maioria dos professores vive aterrorizada: Eu tinha um aluno da minha turma que sabia cem vezes mais do que aquilo que eu sabia. Eu era um ignorante absoluto e este aluno era realmente inteligente.
Agora, a única coisa que posso dizer a meu favor é que eu passei a ir à aula - eu não estou inventando isso, não estou exagerando – eu entrava na classe com um caderno, ficava no pódio, fazia ao jovem uma pergunta e, em seguida, anotava as respostas que dele.
Esta é uma das muitas ilustrações que demonstram que o mundo moderno, em cada detalhe, é um lugar de inversão. O símbolo do diabo é um homem de cabeça para baixo. Se você olhar para qualquer coisa no mundo moderno, está invertida. Minha sala de aula estava invertida. Eu estava sendo pago para ensinar e eu estava de pé no pódio tomando notas de um aluno que sabia alguma coisa. Agora, felizmente, eu tive sorte o suficiente para obter uma educação rápida. O resto dos estudantes realmente não se importava. A maioria deles dormia com isso, que é o que eles estavam fazendo durante a maior parte das minhas aulas de qualquer maneira. Bem, resumindo, nós debatemos, nós conversamos por horas, dias, semanas. E ele ganhou todos os debates, cada debate. Deus seja louvado porque eu tinha uma cabeça lógica para que eu pudesse seguir um argumento e sabia quando eu tinha perdido um. Eu perdi todos os debates que tivemos.
Agora, se você perseguir questões de verdade; isto é, existe a verdade, como podemos saber isso? Se há verdade, o que vamos fazer sobre isso? Onde é que vamos encontrá-la? Você vai acabar em Cristo. Vai acontecer. Então, naquele momento, percebi que Cristo e sua mensagem não só é algo importante e sério, mas é verdade. Tendo percebido isso, ficou claro que eu tinha que me envolver com alguma igreja. (1)
Havia duas opções: os protestantes fundamentalistas, porque eles parecem saber a sua Bíblia, e eles acreditam em algo, ou a Igreja Católica.
Como um estudante de literatura e como professor de literatura, eu sabia algo sobre o passado. Agora, o grande escritor Evelyn Waugh, que se converteu ao catolicismo, disse sobre a Igreja Católica: "ao considerar isso, qualquer homem tem que saber que é verdadeira, pois apresenta um sistema filosófico coerente que faz intransigentes as reivindicações históricas." Se você olhar para a filosofia da Igreja Católica, é coesa, é razoável e completa. Se você olhar para a história da Igreja ao longo de dois mil anos, ela nos deu tudo o que é bom. Assim, como não poderia ser verdadeira? Portanto, quando chegou a hora eu escolhi a Igreja Católica.
E meu aluno que me desafiou em sala de aula tinha se convertido cerca de seis meses antes de mim. Ele também não era Católico, ele era simplesmente uma mente honesta em busca da verdade. Ele entrou em uma Igreja Católica e disse ao padre: "Quero me tornar um Católico". Não demorou muito para que este jovem estivesse lutando com o padre que deveria instruí-lo, porque o padre estava apresentando uma série de novas ideias de uma maneira nova. Este jovem brilhante foi justamente desafiar essas novas ideias, dizendo para o padre: "Não, Padre, a Igreja ensina isso...".
Então agora você tem um convertido instruindo o sacerdote na Fé. Meu amigo não queria que eu passasse por essa experiência. Ele andou toda a área da Filadélfia até que encontrou um idoso monsenhor irlandês, em um dos subúrbios, que tinha a Fé. Assim, uma vez por semana, eu pegava o trem para ir lá e receber instrução real de um padre que tinha a Fé Católica. Foi uma grande bênção. Eu também ia a sua Missa, o Novus Ordo, que ele rezava de modo muito reverente.
Assim, no início da minha conversão, eu não estava muito consciente do que tinha acontecido com relação à liturgia. Mas depois que fui recebido na Igreja, eu decidi assistir à Missa no centro de Filadélfia, onde eu estava vivendo no momento. De repente, entrei em algo que se parecia com o serviço protestante vazio que eu tinha deixado quando eu tinha dezessete anos. Eu estive lá, eu tinha visto isso, eu conhecia disso. Eu pensei: o que é isso? Isso não pode ser aquilo ao que eu me juntei, não pode ser isso do que se trata. Dois mil anos não podem ter chegado a isso! Eu já tinha rejeitado isso. No entanto, eu ainda fui a esta nova Missa por um tempo. Então eu comecei a fazer a mesma coisa novamente; eu iria dormir na nas manhãs de domingo, porque não parecia haver um motivo para ir.
Então, num verão, eu estava visitando o Wisconsin, de onde eu sou originalmente. Eu decidi cumprir meu dever e ir à Missa. Eu entrei no carro para dirigir a Igreja "A". Era minha intenção conduzir até a Igreja "A", de São Patrício. Eu sabia onde ela estava. Saí da garagem, eu fui para São Patrício e de alguma forma, cheguei à Igreja "B", do outro lado da cidade. Era uma daquelas esquisitices. Eu estava pensando em outras coisas, eu não estava prestando atenção. Acabei não apenas indo até a igreja errada, mas a alguns quilômetros de distância da igreja que eu pretendia ir. Eu estava na Paróquia do Sagrado Coração e eu não sei como cheguei lá.
Eu olhei para dentro. Eles deram início a Missa. Eu estava perplexo. O que estou fazendo aqui? Mas eu pensei, eu não tenho tempo para voltar a São Patrício. Vou à Missa aqui. Eu caminhei para dentro e ouvi "Introibo ad altare Dei", e meu Deus, lá estava. Eu ouvi essa língua estranha. Lá estava o padre de costas para nós. Eu não tinha ideia do que estava acontecendo. Então eu percebi que esta era a "Missa Antiga" da qual eu tinha ouvido falar. No meu pensamento eu disse a mim mesmo: isso é Católico! E eu estava em casa em um lugar que eu nunca tinha conhecido antes.
A Missa antiga, para mim, naquele momento, era inteiramente nova. Não era "velha". Era estar em casa! Naquele instante eu soube que isso é que é Fé Católica. Eu sabia que assim é como eu iria adorar a Deus no futuro. Eu mencionei anteriormente que todas as coisas boas têm de sair dessa Antiga Missa Latina, a Missa de todos os tempos. Vou te dar exemplos.
Eu ensino literatura, eu tenho um amor especial pela música e pela arte. Foi a Missa que nos deu a música ocidental. A mais antiga música ocidental que nós escrevemos é o Canto Gregoriano. Se você fizer um curso de história da música, você vai começar com Canto, continue através da música da Igreja, e você não vai encontrar música secularizada até muito mais tarde. Mas mesmo quando a música se secularizou, você ainda vai ver Mozart escrever Missas e Haydn escrever Missas. Você vai mesmo ter alguém como Beethoven, que lutou com Deus toda a sua vida, ainda escrevendo a grande "Missa Solemnis" e vendo o padre em seu leito de morte. Essa é a música tradicional.
Se você observar a arte ocidental, é Católica. Ela cresce para fora da Igreja. É daí de onde vem. A arte ocidental como a conhecemos vem da Igreja. Vá para uma galeria de arte. Volte para o início da arte e, (com exceção de Grécia e Roma - ainda no início da arte como nós a conhecemos) as grandes obras Renascentistas - o tema é Católico.
Vá para a literatura, e você tem Dante, você tem Shakespeare. Os escritores eram Católicos. Tudo isso saiu da Missa
A Missa Novus Ordo, nos trinta anos que está por aí, deu-nos música ruim, péssima literatura, dança litúrgica pútrida. Na verdade, ela só tem nos dado uma coisa que realmente pegou e se tornou culturalmente significativa. E quando eu ouvi isso, eu quase caí da cadeira, mas é verdade. A Missa Nova nos deu uma coisa que a cultura conhece, e que é Beavis e Butthead - aquela medonha, medonha série de desenhos animados que todos os seus filhos conhecem da MTV. Eu ouvi o criador [da série] falando na televisão. Ele foi questionado sobre como ele teve a ideia. Ele respondeu: "Bem, eu estava sentado na Missa no meu colégio Católico, e eu não estava prestando muita atenção, e o padre disse: 'este é o corpo de Cristo' e um cara atrás de mim fez ‘heh heh heh heh heh heh heh', e de repente eu tinha a coisa toda em minha mente e comecei a desenhar Beavis e Butthead".
Aí está um fruto cultural da Missa Novus Ordo Se você esperar qualquer outra coisa senão esse tipo de coisa vindo daquela cerimônia, eu digo que você não vai conseguir. O melhor que você pode esperar é o tipo de esterilidade que o culto protestante deu ao mundo. O culto protestante não produziu grande arte, grande música. Deu-nos alguns hinos bons, mas produziu muito pouco e agora está desaparecendo. Não há mais nada para produzir. O mesmo será verdade com a Missa Nova.
É hora daqueles que estão na Igreja de voltar para casa para a Missa verdadeira. A Missa é a nossa herança, mesmo para aqueles de nós que não nasceram nela. É a nossa herança. Agradeço a Deus todos os dias por eu tê-la encontrado. Quando me levanto nas manhãs de domingo e levo uma hora de carro para chegar a Missa Tridentina, não é nada comparado com a grande glória e beleza do Sacrifício majestoso que me espera lá no altar quando eu chego.

Original aqui.
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Notas da tradutora:

Já publiquei um artigo do professor David White aqui.
(1)   Foi um processo parecido com o meu, pois eu comecei a buscar a verdade, rezava pedindo a Deus para me mostrar a verdade, e percebi que a verdade é Cristo. Sendo assim eu precisava de uma religião. Investiguei, buscando algo tradicional - com ritos, história, beleza, mistério, profundidade - e vi que a Igreja de Cristo é a Católica. Daí começou minha conversão, em meados de 2006.