sábado, julho 07, 2012

Criticar os Prelados


Com a tremenda crise que se abate sobre a Igreja hoje, há aqueles que acham que não podem criticar os Papas ou outros superiores, que acham que quem critica os superiores está “julgando”. Ora, criticar não é julgar. Apontar o erro não é emitir a sentença de “condenado” ou de “absolvido”.
 Vejamos o que diz o Doutor Comum da Igreja, Santo Tomás de Aquino:
Em muitas passagens de suas obras, São Tomás defende o princípio de os fiéis poderem questionar e admoestar Prelados. Por exemplo:
“Surgindo perigo iminente pára a Fé, os Prelados devem ser questionados, mesmo publicamente, pelos seus súbditos. Assim, São Paulo, que estava sujeito a São Pedro, questionou-o publicamente pelo iminente perigo de escândalo em matéria de Fé. E, tal como Santo Agostinho o interpreta na sua Glosa (Ad Galatas 2, 14), ‘São Pedro deu o exemplo a todos os que governam para que, ao desviarem-se do caminho recto, não rejeitem a correcção como inútil, ainda que venha de súbditos’” (Summa Theologiae, Turin/Rome: Marietti, 1948, II-II, q.33, a.4).
Referindo o mesmo episódio, no qual São Paulo resistiu a São Pedro frontalmente, São Tomás ensina:
“A repreensão foi justa e útil e a sua razão não era leve. Existia perigo para a verdade evangélica… O modo como se realizou foi adequado, dado que o perigo era público e manifesto. Por esta razão, São Paulo escreve: ‘Falei com Cefas’, isto é, Pedro, ‘antes de alguém’, dado que a simulação praticada por São Pedro estava repleta de perigo para todos. Em 1 Tim 5, 20, lê-se: ‘Admoesta, antes de ninguém, aquele que peca.’ Isto deve ser entendido como referindo-se a pecados manifestos, não aos escondidos, já que nestes últimos casos se deve proceder de acordo com as regras próprias da correcção fraterna’” (Super Epistulas S. Pauli, Ad Galatas, 2, 11-14, lec. III, Turim/Roma: Marietti, 1953, nn. 83-84).
O Doutor Angélico também mostra como esta passagem das Escrituras contém ensinamentos não só para os Jerarcas, como também para os fiéis:
“Foi dado aos Prelados um exemplo de humildade, para que eles não recusem aceitar correcções dos seus inferiores e súbditos; e, aos súbditos, um exemplo de zelo e liberdade, para que não temam corrigir os seus Prelados, sobretudo quando o crime é público e vincula perigo para muitos” (ibid. Nº 77).
Nos seus Comments on the Sentences of Peter Lombard, São Tomás ensina como, corrigir respeitosamente um Prelado que peca, é uma obra de misericórdia tão grande quanto a posição elevada do Jerarca:
“A correcção fraterna, sendo uma esmola espiritual, é uma obra de misericórdia. Mas a misericórdia é devida principalmente ao Prelado, dado que corre o perigo maior. Daí Santo Agostinho dizer em Regula (nº 11, PL 32, 1384): ‘Tende piedade não só de vós próprios, mas também deles’, isto é, dos Prelados, ‘entre vós, que correm um perigo tão grande como a posição que ocupam’. Portanto, a correcção fraterna estende-se também aos Prelados.
“Além disso, Ecclus. 17, 12, diz que Deus ‘deu a cada um mandamento a respeito do seu próximo’. Ora, um Prelado é nosso próximo. Assim, devemos corrigi-lo quando peca… Alguns dizem que a correcção fraterna não se estende aos Prelados, seja porque o homem não pode erguer a sua voz contra o Céu, seja porque os Prelados facilmente se escandalizam se corrigidos pelos seus súbditos. Contudo, tal não sucede, dado que, quando pecam, os Prelados não representam o Céu e, daí, devam ser corrigidos. E aqueles que os corrigem caridosamente não levantam a sua voz contra eles, mas em seu favor, dado que a admoestação é para seu próprio bem.
“Por esta razão, de acordo com outros [autores], o preceito da correcção fraterna também se estende aos Prelados, que podem ser corrigidos pelos seus súbditos” (IV Sententiarum, d. 19, q. 2, a. 2).

Citação extraída daqui. (recomendo vivamente a leitura de todo o artigo!).
Destaco os trechos:
“Ora, um Prelado é nosso próximo. Assim, devemos corrigi-lo quando peca (…) aqueles que os corrigem caridosamente não levantam a sua voz contra eles, mas em seu favor, dado que a admoestação é para seu próprio bem.”
Que cada um leia, aprenda e deixe de rotular o próximo injustamente quando este tem zelo pela Igreja e critica os Prelados por amor à Verdade, para o bem deles e das almas. Criticar não é julgar! Isso é ensino puramente Católico.