terça-feira, julho 03, 2012

O padre e o pecado de escândalo



 
“Uma palavra ou ação, mais ou menos repreensível, e que é para o próximo ocasião de ruína espiritual”, dá escândalo. É assim que se define geralmente o escândalo, segundo Santo Tomás. (Sto. Afonso de Ligório)

Vemos a partir dessa citação o quanto é grave o pecado de escândalo. Temos que olhar com seriedade para dentro de nós mesmos e buscar saber se demos escândalo, e em caso de resposta afirmativa, buscar o arrependimento e a Santa Confissão.
Agora, imagino o quão terrível é o julgamento do padre que deu escândalo. E hoje, infelizmente, muitos são os exemplos, gritantes exemplos, tenebrosos exemplos.
Como diz o santo no texto mais abaixo, se para a pessoa comum esse pecado já é grave, o quanto não o será para o padre, o religioso? Ele que é chamado a algo tão sublime: guiar almas para Deus. Se em vez de fazer isso, ele dá mau exemplo, o quanto será cobrado?
Hoje muitos são os padres, e até mesmo os mais altos prelados, que dão escândalo, levando os simples fiéis ao pecado por que estes imitam os superiores. Há padres que rezam junto com hereges, há outros que elogiam hereges, há aqueles que dizem não haver nada demais nas falsas doutrinas. Eu mesma já ouvi de um padre (modernista, claro) que esse negócio de religião salvar não é bem assim... eu estava falando com ele do meu envolvimento no passado com o espiritismo, e ele me responde que não é religião que salva (SIC). Sim ele disse isso. Rezo pela alma desse padre e de tantos outros que fazem o mesmo, todos os dias.
Ao abraçar hereges e apóstatas e rezar com eles, esses religiosos dão escândalo. Porque eles são nossos superiores devemos ficar calados? Não podemos discordar? E se discordamos já somos sedevacantistas, falsos-tradicionalistas, hereges? Quanta calúnia, minha gente, quanto pecado! Rotulam o próximo, caluniam e pecam gravemente. Deus tenha misericórdia.
Agora fiquem com o trecho de Santo Afonso de Ligório sobre o pecado de escândalo:

“Não consiste o pecado de escândalo só em aconselhar diretamente o mal aos outros, mas em levar o próximo a pecar, dum modo indireto, pelo exemplo da própria conduta. “Uma palavra ou ação, mais ou menos repreensível, e que é para o próximo ocasião de ruína espiritual”, dá escândalo. É assim que se define geralmente o escândalo, segundo Santo Tomás. E, para se conhecer quanto é grande a malícia do escândalo, basta recordar o que dele diz S. Paulo: que o que ofende o seu irmão, fazendo-o cair em pecado, ofende o próprio Jesus Cristo. S. Bernardo dá esta razão: que o escandaloso faz perder a Jesus Cristo as almas, resgatadas a preço do seu sangue; e acrescenta que o Salvador sofre uma perseguição mais cruel da parte dos escandalosos, do que da parte dos algozes que o crucificaram.
Mas se o escândalo é tão abominável mesmo nos seculares, quanto mais o não será no padre, que Deus estabeleceu na terra para salvar as almas e conduzi-las o para o céu! O padre é chamado o sal da terra. É próprio do sal conservar as coisas: assim o padre é destinado a manter as almas na graça de Deus. Em que se tornarão os outros homens, pergunta Sto. Agostinho, se os padres não produzirem sobre eles o efeito do sal? Então, prossegue ele, esse sal só será bom para ser lançado fora da Igreja e calcado aos pés, por todos os transeuntes. E, se o sal em vez de conservar não fizesse senão corromper, quero dizer, se o padre, em vez de salvar as almas, só trabalha em as perder, que castigo não chama sobre si! Também o padre é luz do mundo.
Donde S. João Crisóstomo conclui que o padre deve ter uma vida tão radiante de virtudes, que possa alumiar os outros e servir-lhes de modelo. Mas se esta luz se muda em trevas, em que se tornará o mundo? Só servirá para precipitar na ruína o mesmo mundo, como diz S.Gregório. No mesmo sentido escreveu este grande papa aos bispos de França, exortando-os a castigar os padres escandalosos. É a palavra do profeta Oséias: Tal padre tal povo. E pela boca de Jeremias se exprime o Senhor assim: Hei de encher de favores a alma dos meus sacerdotes, e o meu povo será enriquecido dos meus benefícios. Por isso mesmo dizia S.Carlos Borromeu que, se os padres forem ricos e fecundos em virtudes, também ricos serão os povos; mas, se os sacerdotes forem pobres, bem miseráveis serão os povos”.
(Santo Afonso de Ligório, A Selva. Pg. 539. Disponível aqui)