quinta-feira, julho 19, 2012

Televisão: A Alma em Risco - parte V

Por Isabelle Doré
Traduzido por Andrea Patrícia


A Televisão e a Vontade
Informação, conhecimento do mundo, e instrução são muitas vezes apenas pretextos para justificar a compra de um aparelho de televisão, e mesmo que esse motivo seja genuíno por parte da maioria das famílias, o que deveria ser uma ferramenta de aprendizado e cultura, um objeto indispensável que permitirá que as crianças participar das discussões em sala de aula, muito rapidamente se torna outra coisa. Ela é usada, não para o auto-aperfeiçoamento, mas para o relaxamento, prazer, euforia. O uso da televisão é, geralmente, para o lazer, em vez de aprendizagem.
A Igreja nos ensina que o lazer é legítimo uma vez que precisamos de lazer, mas certas condições são necessárias para que nossa atividade de lazer seja moralmente boa: 1) O passatempo não deve ser pecado: algumas danças e alguns espetáculos são perigosos. 2) A devida medida deve ser observada para evitar muita dissipação, o que perturba o equilíbrio da alma, e gasta muito tempo e muito dinheiro (o que faz com que percamos nossos equilíbrio). 3) Devemos ter certeza de que as circunstâncias não transformam o lazer em pecado. Por exemplo, assistir a um jogo de futebol é em si um ato moralmente indiferente. Ele se torna um pecado, no entanto, se a pessoa escolhe assistir ao jogo em vez de assistir a Missa no domingo, o que vemos acontecendo mais e mais nas paróquias.
O entretenimento audiovisual, em particular a televisão, pode ser classificado entre os passatempos indiferentes e inofensivos, juntamente com jogo de cartas, golfe, ou jogos de tabuleiro? Devemos reconhecer que, se a atividade em si é moralmente indiferente, o risco de dependência e as circunstâncias concretas (a programação) ditam uma resposta negativa. Esta atividade de lazer rapidamente se torna uma droga, da qual não se pode prescindir e pela qual a pessoa prontamente sacrifica os deveres de estado, a atenção que se deve prestar ao próximo e a Deus, e se acaba por assistir tudo (e nada), desde que se encontre o prazer desejado.
Passatempos perigosos sempre existiram. Os jogos de circo eram perigosos, pois o espetáculo era indigno de uma alma cristã, e os jogos desencadeavam as paixões dos espectadores. Um tumulto terrível aconteceu em Tessalônica em 390 por causa de um gladiador adulado pelo público. O Imperador Teodósio ordenou ao exército que acabasse com o motim: houve 7.000 mortes, e Santo Ambrósio proibiu Teodósio de entrar numa igreja. A literatura secular (Dostoievski, Schnitzler) descreve jogadores apaixonados que perderam suas fortunas e arruinaram as suas famílias.
São Francisco de Sales distingue três tipos de atividades de lazer: passatempos lícitos e louváveis ​​e recreações (tênis, xadrez, dança, canto, caça), jogos proibidos (dados e cartas) (1), e jogos e passatempos que são lícitos, mas perigosos:
Para que o jogo de cartas ou a dança (2) sejam lícitos, devemos usá-los como recreação e ao mesmo tempo não ter qualquer afeto por eles. Podemos praticá-los por um tempo curto, mas não devemos continuar até que fiquemos cansados ou entorpecidos. Devemos praticá-los apenas em raras ocasiões, pois se fizermos uso delas constantemente isso deixa de ser recreação e passa a ser trabalho.
Com a televisão, a pessoa passa insensivelmente de uma recreação lícita para um passatempo perigoso, e de um passatempo lícito, mas perigoso para um passatempo que é perigoso para a alma (ou por causa do conteúdo ou por causa da sua afeição por ele). O que deveria ser uma recreação rapidamente se torna uma ocupação, e o que deveria ser raro torna-se algo regular.
Na época de São Francisco de Sales, os bons cristãos e as pessoas decentes se abstinham de passatempos impróprios sob pena de pecado. Elas podiam ultrapassar a medida em seu uso de passatempos indiferentes, mas esse excesso tinha limites naturais impostos por pessoas ou circunstâncias: o golfe não podia ser jogado dia e noite; no inverno é muito frio, os parceiros não estão sempre disponíveis, o jogo é caro, e você tem que sair. Cassinos são fechados pelo menos por algum tempo, e você não pode jogar bridge se estiver meio adormecido e seus parceiros ausentes.
Cinemas, vídeos e DVDs também têm alguns limites. Para o teatro, você tem que sair e pagar por um bilhete, e o eles não estão abertos 24 horas por dia. Para DVDs e vídeos, as pessoas normalmente fazem compras razoáveis: hesitamos em comprar o mais recente filme trashy. Seria a vergonha exibir uma coleção de DVDs ou vídeos idiotas. A pessoa fica relutante em baixar qualquer coisa que não vale a pena. Nós tendemos a construir a nossa coleção de DVDs ou de vídeos com tanto cuidado quanto a nossa biblioteca.
Todo mundo pode manter maus livros, revistas ruins ou DVDs ruins, e muitos sacerdotes católicos lamentam com razão que as nossas famílias católicas não são suficientemente vigilantes sobre o conteúdo de sua coleção de vídeos. No entanto, quando se tem um conjunto de DVDs sobre a arte de arranjos florais, não se vai abusar de seu uso. Não se vai assistir repetidamente os clássicos que sabe de cor, ou um documentário sobre a história da aviação. Só se assiste quando se decidiu pensar nisso ou estudar sobre isso.
Com a televisão, as coisas são diferentes. Não há limite natural: pode-se vê-la durante todo o dia e ver todos os tipos de espetáculos ou reportagens sem sair de casa, sem fazer qualquer esforço, mesmo quando se está cansado, sem escolher ou escolhendo algo fácil de digerir. Na maioria das famílias, a partir dos programas disponíveis, a pessoa escolhe assistir séries, novelas, esportes que ninguém pratica, ou um filme B ao invés de um programa cultural (que não vai ganhar uma quota de audiência muito grande na classificação).
Uma vez que se começou a assistir, é difícil limitar a visualização. Mesmo as pessoas bem equilibradas admitem: "Se eu tivesse uma televisão, gostaria de vê-la o tempo todo, e eu gostaria de assistir aos programas estúpidos", um pesquisador de uma empresa de pesquisa nuclear confidenciou. Um professor disse: "À noite, quando eu chego em casa do trabalho, eu me sento hipnotizado na frente da televisão".
Assistir televisão pode continuar a ser um simples passatempo ou uma ferramenta cultural, sem se tornar uma ocupação ou, ainda pior, uma droga? É preciso uma vontade de ferro para usá-la apenas como um passatempo lícito, vigilância constante, se você não mora sozinho, e regras rígidas e resoluções, que, infelizmente, são facilmente quebradas.
Muitas vezes, o uso da televisão se assemelha a uso de drogas. Quais são os ingredientes deste medicamento? E quais são os sintomas de um estado de dependência?
A televisão como droga
Muitos telespectadores reconhecem: eles assistem à televisão porque eles experimentam uma necessidade irresistível de assistir a algo. Eles sofrem de sintomas de abstinência se não ligam seu aparelho.
Os ingredientes da droga
Um documentário sobre a criação e ordenha de cabras ou sobre como os tratores funcionam tem pouca chance de seduzir os telespectadores: para grudá-los ao aparelho, uma injeção de ação e, especialmente, de violência, é necessária. Mas a violência não deve ser constante: um pouco de alívio é necessário. Mel Gibson disse a um entrevistador que ele inseriu flashbacks em A Paixão de Cristo para dar aos espectadores um pouco de descanso das cenas impressionantes: é um truque de cineasta, ele explicou.
Se acontecer de você pegar a programação da tarde, enquanto visita um hospital, por exemplo, você pode observar a alternância de violência (telejornais invariavelmente dramáticos: guerra, incêndios, catástrofes naturais; filmes de ação ou policiais) e vacuidade: os filmes B, jogos bobos, corridas de carros, piadas estúpidas, novelas, e seriados.
Claro, nem sempre é a mesma corrida de carro, o mesmo jogo, ou mesmo episódio, mas a sequencia é bastante padrão: vai de espetáculos violentos e angustiantes para cenas de enchimento (3) sem muito interesse. Suspeita-se que por trás de tudo isto se encontra um cálculo, uma manipulação: para quê? "Eu passo os meus dias imaginando como ligar as famílias à TV e eu passo minhas noites pensando em maneiras para desligar os meus filhos", revelou Nicolas de Tavernost, o primeiro assistente do Grupo Bertelmann em M6 (Paris-Match, 2007).
De acordo com Michel Lemieux, um autor canadense, a relação entre as cenas violentas e de enchimento foi cuidadosamente calculada, reduzida a uma fórmula, pelos diretores de emissoras de TV, sendo o objetivo alargar os segmentos de publicidade para satisfazer os anunciantes. Mas os telespectadores se cansam da publicidade, então tem de ser oferecida a eles uma programação suficientemente interessante para que eles não se afastem, uma mistura cientificamente dosada ​​de violência, ação e enchimento. A análise deste autor é certamente verdade até certo ponto, é óbvio que a programação é calculada e dosada por especialistas. Quanto às razões pelas quais eles fazem isso, pode-se ousar pensar que não é simplesmente por causa da publicidade do produto. Pode-se razoavelmente pensar que por trás desses cálculos, dessas manipulações, encontram-se motivos políticos e até religiosos.
Quando assistimos televisão, estamos sendo manipulados por pessoas que querem obrigar-nos a ficar parados. O perigo é menor com DVDs e videocassetes, mas ainda se pode ser pego na mistura, preferindo assistir a filmes de ação ou filmes banais e comédias, por sempre tentar encontrar prazer e relaxamento.
Os sintomas
Os próprios viciados em drogas fazem comparações entre drogas e televisão: as drogas revivem o estado de pura percepção que haviam experimentado assistindo televisão. O estado de pura percepção é descrito por um especialista no uso de drogas:
“... A pessoa está completamente e vividamente consciente de sua experiência, mas não existem processos de pensamento, manipulando, ou interpretando o que está acontecendo. As sensações preenchem a atenção da pessoa, que está passiva, mas absorvida no que está ocorrendo, que é geralmente experimentado como intenso e imediato. A pura percepção é experimentar sem associações com o que está lá.”6
Não é exagero dizer que a maioria dos telespectadores assiste televisão em um estado análogo ao de pura percepção. A mente não funciona, não pensa, e não interpreta. Além disso: os programas escolhidos e assistidos, na maioria dos casos, não se prestam para o pensamento.
Urgência
A experiência com drogas é intensa e imediata, como a da televisão, especialmente quando se assiste a programas como os descritos acima: basta pressionar um botão no controle remoto. Pode parecer paradoxal falar de uma experiência intensa e imediata quando vimos que a relação com o real tem sido midiatizada, e devemos ver que a relação com os outros é igualmente midiatizada. Pois, com a televisão, não se está mais conectado à realidade: as percepções próprias não são da vida real, que é bastante uniforme e que deixa muito espaço para reflexão e nos obriga a prestar atenção ao nosso próximo. Na vida real, os choques sensoriais são raros. Assim, a experiência que os telespectadores recebem da televisão é de um tipo diferente do que a prevista pela vida real. É uma experiência semelhante à obtida pelo uso de drogas e que introduz os telespectadores, especialmente crianças, na lógica de uma sociedade de consumo: ter tudo, e tê-lo agora, enquanto uma relação com o mundo ou as outras pessoas não é imediata. O que é imediata é a experiência emocional e prazer.
Dependência
Outra analogia com o uso de drogas é a dependência. Todos nós conhecemos pessoas (adultos ou crianças) que não podem suportar ir a qualquer lugar, sair de férias ou ficar em algum lugar, a menos que elas estejam seguras de ter um aparelho de televisão à sua disposição, ou pessoas que não conseguem suportar quando seu aparelho de televisão não está funcionando.
Conhecemos, também, pessoas cuja conversa gira em torno principalmente do programa de televisão que assistiu na noite anterior, não realmente para discutir, analisar ou criticar, mas para tentar reviver as cenas e as emoções: "Você o viu cair?" - "Foi incrível". "Você viu quando X socou Y na cabeça?" -"Foi chato". “Foi incrível” - “ Você viu as torres explodindo?”.
Para muitas crianças, adolescentes ou idosos, a preocupação principal e a única questão importante do dia são "O que vamos assistir hoje?". E a única leitura que encontra aceitação a seus olhos é o guia de televisão.
Nós todos já experimentamos estar em um quarto de hospital e ter pessoas que, sem uma palavra, infligiram seus programas favoritos a nós, logo que chegaram ao ambiente. Muitos adultos reconhecem o fato: "Precisamos ligar e assistir alguma coisa”.
A televisão tem sido muitas vezes apresentada como uma abertura para o mundo, mas os viciados quase sempre veem a mesma coisa: esportes, espetáculos de variedades, novelas, melodramas feitos para a TV, reality shows e seriados. Eles não assistem a filmes clássicos, documentários sérios, ou transmissões culturais, porque eles não encontram as sensações que eles estão procurando, e especialmente não querem ter que pensar.
Um viciado em TV precisa aumentar a dose em quantidade e intensidade para obter os mesmos efeitos; para um adolescente de hoje, um grande consumidor de filmes e séries de TV, "é chato" quando não há violência suficiente ou efeitos especiais.
Curiosamente, as refilmagens de clássicos sempre incluem uma maior dose de violência e emoções fortes. Les Choristes, uma espécie de plágio do filme de 1945 La Cage aux Rossignols, fornece uma boa ilustração dessa progressão para a violência: os produtores introduziram alguma linguagem crua, um breve sugestão verbal de impropriedade sexual, algumas cenas violentas, um menino mau e perigoso: as crianças e todos os outros personagens são duros e cruéis, o fogo no final é proposital e não um acidente, o final não é muito feliz (não há mais o casamento na igreja). O remake terrivelmente não tem sentido de humor.
Desligamento
Nós também observamos em amantes da TV, como em usuários de drogas, um desinteresse na vida real (muito simples) e em trabalho voluntário (demasiado restritivo, não agradável o suficiente): diretores de escolas se queixam do absenteísmo dos pais dos programas escolares. Todo mundo lamenta o quão difícil é estimular a participação em diferentes grupos e coros por falta de voluntários, pessoas disponíveis e eficientes, mesmo se trabalhando com diminuição de horas.
A vida da paróquia é reduzida ao mínimo em quase toda parte: mesmo os paroquianos que vivem perto da igreja não se preocupam em ir a eventos mensais à noite se entra em conflito com a hora de um filme ou programa de televisão à noite.
Um diretor de acampamento de verão confidenciou: "É difícil manter os jovens ocupados atualmente, jogos de trilha não os interessa da forma como interessava há 20 anos. O que eles querem são emoções fortes: rafting e passeios a clubes noturnos à noite”.
"Uma vez que começam com a televisão, é o fim do movimento, da luta... Eles cochilam, eles pensam que são felizes", um padre de esquerda queixa-se num romance de Michael Saint-Pierre.
O apresentador de TV e celebridade Jacques Martin declarou em 1992: "Sou um homem de TV, eu faço televisão. E eu sei que a melhor maneira de extinguir a leitura, de matar a curiosidade genuína, de desistir de seus planos de viagem, ou se recusar a sair à noite, é para ligar esse lixo "(citado pelo jornal Présent).
Desumanização
Quais são os efeitos da televisão sobre a sensibilidade? Os estudos são formais: a televisão embota a sensibilidade das pessoas a eventos reais. O veredicto pode ser mais complexo do que parece: por um lado, os investigadores observam que as crianças assassinas são anormalmente insensíveis. Em nossa sociedade, o aborto e a eutanásia são palavras cogitadas como se estas coisas fossem banais, naturais; por outro lado, muitas pessoas têm uma reação excessivamente sentimental, emocional, em circunstâncias em que devem ser especialmente prudentes e lúcidas. Tudo depende, sem dúvida, do que elas veem: para alguns os filmes de terror, para outros os romances: os efeitos não são o mesmo na sensibilidade, mas eles são reais. Esta mistura de indiferença, egoísmo, crueldade, sentimentalismo e emocionalismo tão típica da nossa sociedade se assemelha ao comportamento típico dos alcoólatras, viciados em drogas, e mesmo dos iogues.
Depressão
Outro efeito semelhante ao do uso de drogas ou alcoolismo é o estado depressivo que afeta os usuários habituais da televisão, que exibem comportamento viciante: como o alcoólatra que bebe primeiro para esquecer suas preocupações e, em seguida, bebe para esquecer que ele é alcoólatra, os viciados em TV ["telephages" [4]] por sua vez, primeiro veem televisão para aliviar um sofrimento real: o tédio, a solidão, ou fadiga, e acabam assistindo para esquecer-se da sua inatividade. Os viciados em TV, além disso, nunca se gabam de gastar seu tempo na frente do tubo: é sim algo vergonhoso que eles escondem. Eles nunca vão dizer: "Tive uma semana excelente: eu assisti televisão oito horas por dia". Aqueles que dizem "Eu realmente me diverti muito assistindo a este programa, eu tive um bom momento na noite passada assistindo a um filme" não são os telespectadores com um comportamento viciante, mas sim os espectadores inabituais.
Este consumo bulímico de imagens não impede o consumo de calmantes, e muito provavelmente agrava o estado depressivo: assistir à televisão não traz qualquer tipo de ajuda.
Infelicidade
Tal como acontece com as drogas e o álcool, os consumidores de televisão sabem que assistir televisão não traz a felicidade deles. Claro, é necessário distinguir entre os consumidores habituais com um comportamento viciante do usuário ocasional (mas existem os consumidores realmente ocasionais?), assim como é necessário distinguir entre o alcoólatra e o consumidor moderado e fã de um bom vinho. Os consumidores de televisão sabem que a televisão não os faz felizes, assim como alcoólatras ou viciados em drogas sabe que seu vício não os faz felizes. Em questionários com foco em momentos de felicidade, a televisão está sempre em último lugar por pessoas que usam muito a televisão.

Os efeitos da TV sobre a vida quotidiana
É muito difícil estabelecer cientificamente os efeitos negativos da televisão sobre a vida diária e o comportamento: sempre se pode argumentar que o comportamento anômalo não tem nada a ver com a televisão. Para verificar os efeitos da televisão sobre a vida cotidiana, o melhor procedimento é fazer um estudo comparativo da vida com e sem televisão.
Nos Estados Unidos e na Alemanha, voluntários são regularmente solicitados para participar de experimentos para estudar a vida sem televisão por um tempo determinado. Os experimentos são sempre animadores: os voluntários estão muito satisfeitos com a vida sem televisão. Eles têm mais tempo para conversar, ficar juntos como uma família, para brincar. Eles gastam mais do seu tempo trabalhando ou praticando um hobby. Os membros da família ajudam uns aos outros, leem e ouvem música.
No trabalho de Marie Winn já referido, as famílias que haviam participado do experimento Denver, em 1974, ficaram todos muito felizes com os efeitos positivos da vida sem televisão. No entanto, uma vez que o experimento terminou, todos voltaram aos seus antigos hábitos de consumo frenético. Eles lamentaram perder os benefícios de uma vida livre da televisão, mas mesmo assim preferiram voltar ao seu antigo estado de dependência, passividade e regressão adquiridos pela tela de prata.
"É como com os cigarros", explicou um dos voluntários que participaram na experiência, "uma vez que o hábito é adquirido, é difícil de quebrar".

(continua)

Traduzido de La Télévision, ou le péril de l’esprit (copyright Clovis, 2009)

Notas:
1 Quando, é claro, se joga por dinheiro. Cf. São Francisco de Sales, Introdução a Vida Devota, Parte 3, 31–34.
2 Introdução a Vida Devota, traduzido por John K. Ryan (Nova York: Image Books), Parte 3, 34, p. 212.
3 Nota do Editor: Haveria muito a dizer sobre o filme Monsieur Vincent, que, apesar de sua inegável qualidade cinematográfica, dá uma falsa impressão de São Vicente de Paula. O homem que fundou a congregação das mulheres e congregação de homens, dando a estes últimos três fins principais (santificação dos seus membros, evangelizar os pobres rurais, e santidade sacerdotal), e que era um apóstolo incansável e um homem de oração, se torna, na imagem que o filme cria, quase exclusivamente um benfeitor temporal dos necessitados.
4 Michel Lemieux, L’Affreuse Télévision (Guérin, 1990), p. 31.
5 Afinal, as “soap” ou “soap operas” [novelas], as populares séries de televisão melodramáticas povoadas com personagens estereotipadas, estiveram na origem das obras produzidas a ser interrompidas por propagandas de produtos de sabão [soap], daí sua denominação.
6 Marie Winn, The Plug-in Drug: Television, Children, and the Family (Nova York: Viking Press, 1977), p. 99, citado de “The Effects of Marijuana on Consciousness” em Altered States of Consciousness, de Charles Tart (1969).

Original aqui.
Veja todas as partes:
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Notas da tradutora:
(1)    Para saber sobre a licitude das danças, leia esse artigo aqui.
(2)    Cenas de enchimento são cenas feitas para preencher espaço ou como se diz popularmente aqui no Brasil: “para encher linguiça”. Cenas que não servem para nada, pura embromação.
(3)    Telepahges: termo da língua francesa para o qual não encontrei tradução. Creio que vem de tele + phago, que seria um devorador de televisão.