quinta-feira, agosto 30, 2012

Nossa Senhora Como Mulher e Guerreira

Por Dr. Peter Chojnowski
Traduzido por Andrea Patrícia






Aqui está um do artigo, publicado no The Angelus cerca de 11 anos atrás, em que discuto os entendimentos diferentes do nome de "Senhora" como dado à Mãe de Deus. Eu o publico novamente, agora para apresentar o documento inteiro para que as pessoas possam ler por si mesmas o que eu disse e não serem vítimas de vários escritores na internet que insistem em distorcer tudo o que tenho a dizer sobre as mulheres e a Virgem Maria. Uma das passagens mais violentamente atacadas foi tirada da edição de 1913 da Enciclopédia Católica publicada sob São Pio X. Aqui está o artigo para definir o registro correto. Por favor, envie seus comentários através do meu e-mail encontrado no meu perfil (1).

Nossa Senhora Como Mulher e Guerreira

Ao pesquisar o assunto da Bem-Aventurada Virgem Maria, o que é mais óbvio é a riqueza de material com o qual se deve lidar e, por outro, o grau cada vez maior de definição doutrinal e dogmática com que a Igreja Católica apresentou aos fiéis a completa realidade da Mãe de Deus. Considerando que, no século VII, as questões doutrinais relativas à natureza e pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo haviam sido resolvidas pelos seis primeiros Concílios Ecumênicos da Igreja, a doutrina dogmática e os esclarecimentos sobre a Santíssima Virgem Maria continuaram nos séculos XIX e XX (por exemplo, a definições dogmáticas da Imaculada Conceição e da Assunção), e podemos mesmo afirmar que essa tentativa de esclarecimento continua em nossos próprios tempos (por exemplo, sobre Nossa Senhora como Co-Redentora e Medianeira de Todas as Graças. Newsweek , 27 de agosto de 1997).

Assim como os movimentos de Igreja Católica, talvez, para uma definição da última das grandes doutrinas Marianas, há outro aspecto de Nossa Senhora, que é distinto e, sem dúvida, pertinente, e até mesmo essencial, para os nossos tempos. Como a onda de Feminismo tem chegado, espero, ao seu ponto mais alto em nossos tempos, é imperativo para aqueles que desejam permanecer fiéis à Tradição olhar para o mais perfeito da mulher, a fim de fornecer tanto para nós mesmos um ideal e um modelo de virtude feminina quanto para nos ajudar a limpar-nos dos preconceitos feministas que somente aqueles na melhor das circunstâncias poderiam ter deixado de adquirir, mesmo "subconscientemente".

É por isso que tenho a intenção de considerar, neste artigo, a Virgem Maria como nossa "Senhora". Porque como "senhora"? Por conta do fato de que a "senhora", em todos os seus vários aspectos e funções, é comumente aceite para ser o modelo do que todas as mulheres, no nível natural, deveriam ser. Assim como o ideal masculino é ser um "mestre", quer da própria casa ou do próprio ofício, o nobre ideal feminino da "senhora" inclui tanto os aspectos de "mestra" (2) da casa de seu mestre e a inspiração e companheira daqueles que entram em batalha.

A) Maria como Senhora

Este tópico e foco sugere a si mesmo, por conta de duas "polêmicas" em relação à Mãe de Deus, uma etimológica e uma exegética. A questão diz respeito ao significado etimológico do Santo Nome "Maria" em si. É claro, "Maria" é a forma em Português (3) do Miryam hebraico ou Miriam, que era o nome da irmã de Moisés (que deu origem à especulação de que o nome é de origem egípcia), e de várias mulheres no Novo Testamento, bem como de Nossa Senhora. Este nome é análogo ao Maryam nome siríaco e aramaico. Este mesmo nome aparece em toda a Bíblia Vulgata, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, como Maria. A dificuldade em interpretar o nome está no fato de que existem 70 possíveis significados do nome Miryam. Embora todos estes existam como possibilidades, há alguns significados, que são mais prováveis do que outros. A interpretação do nome, que se pensa ter sido dada por São Jerônimo, stella maris ou "estrela do mar", não é a única favorecida pelos estudiosos de hoje. Em vez disso, seguindo o exemplo de São Pedro Crisólogo e São João Damasceno, juntamente com o significado do nome na língua siríaca, a tradução de "senhora" tem sido dada; "Senhora", significando aqui a contrapartida de um "mestre" ou "senhor". Além disso, essa interpretação particular parece ser mais provável quando consideramos algumas das outras interpretações dadas ao nome por vários estudiosos, todos parecem ser os aspectos do tipo de modelo feminino, o que nós referimos como a "senhora". Por exemplo, temos "mestra", "a mais forte" ou "a que governa", "a enaltecida", e "a graciosa" ou "a encantadora". Dessas representações, a mais amplamente aceita é a da "corpulenta" ou "bem nutrida". Como poderíamos imaginar, para os povos do Oriente Próximo ser "bem nutrida" era sinônimo de beleza e perfeição corporal. "Maria", então, implica a beleza e a perfeição da verdadeira "Senhora".

A Nova Eva

Não só o próprio nome de Maria indica as maneiras pelas quais ela é verdadeiramente abençoada entre as mulheres, mas o papel da Mãe de Deus como a Nova Eva, a mulher de obediência e santa submissão em oposição à rebelião e autonomia de Eva, indica o modo pelo qual Nossa Senhora, como mulher, esmagou a cabeça da serpente pela sua posse exemplar de virtudes especificamente femininas. Assim como Eva foi enganada por Satanás por causa de sua inconstância, mutabilidade, e preocupação exagerada com o sensivelmente imediato (ou seja, a atratividade do fruto da Árvore do Bem e do Mal), a Santíssima Virgem Maria conquistou o antigo tentador de Eva por simplesmente aceitar tudo o que Deus quis derramar sobre ela e conseguir através dela. A humanidade começa a sua ascensão para a santificação através da passividade voluntária de uma mulher, enquanto ela caiu desse estado de santificação por conta da tentativa agressiva de Eva para dominar a vontade do homem através da manipulação sutil.
Que uma mulher deve ser uma vencedora através da aceitação passiva da vontade de outro, e não através da afirmação de sua própria vontade, é testemunhado pelos Padres e Doutores da Igreja quando falam de Nossa Senhora como a Nova Eva. O ensino de Nossa Senhora como a Eva "revertida", aparece no Ave Maris Stella: "Oh, pelo Ave de Gabriel, pronunciado há muito tempo atrás, o nome de Eva reverte, estabelece a paz em baixo!". Este ensinamento de Nossa Senhora como sendo uma Eva "revertida", aparece na bula do Venerável Papa Pio IX Ineffabilis Deus, definindo a doutrina da Imaculada Conceição. Santo Irineu (c. 180) expressa o entendimento comum dos Padres, quando afirma: "Eva foi levada pela palavra de um anjo para fugir de Deus depois de transgredir Sua palavra. Maria tem boas novas trazidas por um anjo que ela deve trazer Deus dentro de si depois de obedecer à Sua palavra." Por isso, é pelo próprio ser de Nossa Senhora e da sua aceitação da vontade de Deus que ela vence o sedutor de Eva.
Quando se fala de Nossa Senhora como a vencedora "passiva" do adversário antigo da humanidade, se refere necessariamente à passagem no Livro de Gênesis em que Deus amaldiçoa a serpente dizendo o seguinte: "Porei inimizade entre ti e a mulher, e a tua descendência e a descendência dela: ela deve esmagar tua cabeça e tu a ferirás no calcanhar" (Gn III, 15). É sobre essa passagem que encontramos a segunda das "controvérsias" mencionadas anteriormente. Esta é exegética. Assumindo que essa "ela" mencionada é uma referência profética a Nossa Senhora, é ela quem vai esmagar a cabeça da cabeça do Maligno ou será a sua "semente" que esmagará.

A "dificuldade" está no fato de que no texto da Vulgata, o pronome (ipsa) refere-se à mulher, enquanto no texto hebraico e, também, na tradução grega do texto hebraico, o mesmo pronome refere-se à semente da mulher. De acordo com a Vulgata Latina, a própria mulher vai obter a vitória, de acordo com o texto hebraico, ela vai ser vitoriosa através de sua semente. Ao invés de ver alguma corrupção intencional do texto original de São Jerônimo, que estava completamente familiarizado com o hebraico, devemos ver a tradução da Vulgata como uma versão explicativa expressando explicitamente o fato da parte de Nossa Senhora na vitória sobre a serpente, que está contida implicitamente no original hebraico. Portanto, se Nossa Senhora esmaga a cabeça do Maligno e, por conta disso, estabelece a inimizade eterna entre sua prole e a serpente, ela tanto faz isso por conta de sua própria essência (isto é, sua Imaculada Conceição) ou ela faz isso através de sua aquiescência ao plano redentor de Deus, o seu Fiat. Qualquer que seja a leitura que devemos dar a esta passagem, Nossa Senhora vence através de uma instância exemplar da virtude feminina da passividade voluntária.

Para São Bernardo, não há dúvidas quanto às implicações ou a intenção da passagem do terceiro capítulo do Gênesis. Ele, da mesma forma, entende o triunfo de Nossa Senhora como sendo uma reversão da sedução de Eva. Além disso, São Bernardo entende ser importante que não foi apenas uma "pessoa" que foi escolhida para esmagar a cabeça da antiga serpente pela sua existência e seus atos de submissão voluntária à vontade divina, mas, sim, uma mulher. Aqui vemos a conexão essencial entre feminilidade e maternidade, tanto na vida natural quanto nas ordens sobrenaturais, enquanto Eva foi a mãe de todos na ordem da natureza, Maria é a mãe de todos na ordem da graça.

São Bernardo fala de Nossa Senhora como mulher, mãe e valente vencedora do Maligno, quando afirma em um de seus sermões: "De quem, então, se não da Virgem, que o Senhor parece ter falado quando Ele disse à serpente: "Porei inimizade entre ti e a mulher"? Mas se você ainda não está convencido de que Ele estava se referindo a Maria, preste atenção ao que segue: "Ela deve esmagar a tua cabeça". A quem, senão a Maria foi aquela vitória reservada? Ela, sem dúvida, esmagou a cabeça venenosa da serpente, levando a nada todas as tentativas do maligno para seduzi-la com suas sugestões de prazer e orgulho. Novamente, quem mais, senão Maria estava Salomão buscando quando ele perguntou: “Quem encontrará a mulher forte”?

No exemplo acima, São Bernardo reconhece que, à luz da maneira em que Deus iria redimir a humanidade, através da Encarnação e do sacrifício propiciatório da Cruz, seria uma mulher, uma mulher que iria combinar as duas formas moralmente lícitas da vida feminina, por cujo imaculado ser e por cujo fiat todos os que devem ser salvos serão salvos. Na passagem seguinte, ele voltou a sublinhar Nossa Senhora como a escolhida por Deus para preencher o papel de "mulher forte": "Mas ele conhecia também das Escrituras a promessa feita por Deus - e pareceu-lhe natural [grifo meu] - que aquele que havia vencido uma mulher deveria ser vencido por uma mulher e, portanto, ele [o Rei Salomão] gritou em um excesso de admiração: "Quem encontrará a mulher forte?". Isso quer dizer: 'Se a salvação de todos nós, e a recuperação da nossa inocência e nossa vitória sobre Satanás, portanto, dependem de uma mulher, é absolutamente essencial  encontrar uma mulher forte, que será capaz de realizar uma tarefa tão difícil. Mas quem deve encontrar uma mulher tão valente? '.... "Alto e distante dos limites extremos é o preço dela." "Com a Virgem, temos uma mulher que é forte, porque ela é inabalável. É a Nova Eva que sempre refuta os escritos de Virgílio na Eneida: Varium et Semper mutabile femina.

C) Nossa Senhora das Dores: Paixão e Paciência

A vitória de Nossa Senhora sobre o Maligno de que fala Gênesis envolve um combate, que tem três aspectos distintos. O primeiro é o mais puramente passivo. O termo "passivo" aqui, não se refere a um estado de inatividade ou qualquer Estado que carece de atualidade, particularmente, eu uso o termo no sentido que Aristóteles usou para descrever um atributo de um ser pelo qual ele recebe alguma forma de realidade ou perfeição de outro ser. É na sua Imaculada Conceição, em que ela, desde o primeiro instante da sua existência, existe livre de toda mancha do pecado original que ela inflige a primeira derrota a Satanás. Desde que sua alma que estava livre do pecado original, e uma vez que a alma é o "primeiro ato" de um ser vivo, na mesma atualidade primordial de seu ser ela derrotou o desejo de Satanás para fazer a totalidade da humanidade passar por um período durante o qual eles não trariam em si a própria imagem e semelhança de Deus. É por conta da impecabilidade do seu ser que o Pequeno Capítulo do Pequeno Ofício da Santíssima Virgem diz: "Quem é esta que sai como a aurora, formosa como a lua, brilhante como o sol, terrível como um exército em ordem?”.

"Alegra-te, ó Virgem Maria, só tu tens destruído todas as heresias em todo o mundo." Esta antífona das Matinas do Pequeno Ofício, afirma claramente o entendimento da Igreja, que defende que Nossa Senhora, por ser a Mãe de Deus, vence todas as heresias que de qualquer forma ponham em causa a união hipostática (ou seja, a união de uma natureza humana e de uma natureza divina na Pessoa Divina de Nosso Senhor Jesus Cristo). O dogma da Maternidade Divina foi afirmado no mesmo Concílio Ecumênico (Éfeso 431) no qual a unidade das duas naturezas em uma Pessoa Divina foi afirmada. Se Maria é a Mãe de Deus, então ela é a mãe do Cristo "todo", a Mãe de Cristo, que não pode ser dividido. Desde o momento do Fiat de Nossa Senhora, o Logos Divino seria Homem e Deus, Alma e Corpo para a Eternidade. No seu Fiat voluntário, ao contrário de sua Imaculada Conceição, Nossa Senhora não foi puramente passiva. Sua única afirmação da vontade do Pai para ela foi o que fez dela o instrumento pelo qual a religião verdadeira foi introduzida na sociedade dos homens (4). São Bernardo enfatiza a refutação da heresia como sendo uma conseqüência do Fiat de Nossa Senhora, quando ele afirma: "Porque Maria é a mulher, prometida no passado por Deus, que deve esmagar a cabeça da serpente com o pé de sua virtude, e cujo calcanhar ele tem ficado à espera com muitos ardis, mas todos sem nenhum propósito. É por meio de Maria só que cada heresia ímpia foi vencida. Um heresiarca afirmava que Cristo, embora trazido por ela, não foi formado a partir de sua carne... enquanto [outro], incapaz de suportar que ela deve ser chamada Mãe de Deus [isto é, Nestório, condenado pelo Concílio de Éfeso], impiedosamente procurou privá-la do título de coroação. Mas as serpentes à espreita foram esmagadas, os erradicáveis foram pisados, os caluniadores de Maria tem sido objeto de confusão [pela verdadeira doutrina], e eis que agora todas as gerações a chamarão bem-aventurada". Encontramos uma perfeita representação artística deste ensinamento que por ser a Mãe de Deus Nossa Senhora coloca para dormir a fermentação intelectual dos incrédulos, na capela de São Januário, em Nápoles. Lá encontramos um afresco de Il Domenichino mostrando o triunfo da Virgem Mãe sobre a revolta protestante. Aqui encontramos um jovem herói que pisoteava Lutero e Calvino, que são identificados pelo nome nas inscrições. Ele carrega uma bandeira branca em que nós lemos três respostas aos ataques protestantes: Semper Virgo – Dei Genitrix – Immaculata. Em O Livro Masculino de Arte Religiosa Depois do Concílio de Trento, de Emile, lemos a seguinte descrição deste trabalho abertamente apologético da arte: "Contra os inovadores, o jovem campeão da Virgem afirma que ela era virgem antes e depois do nascimento de Jesus, que ela é a Mãe de Deus e não apenas Mãe de Cristo e, finalmente, que ela está livre do pecado original. Perto dele uma mulher jovem, Oradora, carrega o rosário que os luteranos denunciaram como uma invenção de Satanás. A Ave Maria eleva-se à Virgem, que está de joelhos diante do seu Filho. Ela oferece a ele as orações da humanidade, que moveram seu coração à piedade, e dois anjos colocando na bainha a espada da ira divina”.

Foi, é claro, em seu sofrimento interno, exemplificado em suas Sete Dores, que Nossa Senhora mostrou-se completamente tanto mulher quanto guerreira, isto é, uma verdadeira dama. No século XIV, ouvimos Santa Catarina de Sena, exclamando: "Ó Maria, você nos traz o fogo da misericórdia de Deus! Tu és a libertadora da raça humana, uma vez que Cristo adquiriu-a com sua paixão, e você, Mãe, a comprou com a dor de seu corpo e as angústias de sua alma". Quando meditamos sobre a maneira mais "ativa", em que Nossa Senhora participou na conquista de Nosso Senhor Jesus Cristo de Satanás, descobrimos que este papel ativo foi, igualmente, um tipo de "passividade", uma verdadeira paixão. Como pode alguém que está continuamente sendo submissa ser considerada uma mulher "forte", uma mulher útil e acostumada à batalha? Deixar de ver a natureza valente da vida de Nossa Senhora e sua paixão é fundamentalmente não compreender a verdadeira natureza da virtude que sempre caracterizou os fortes, a virtude da fortaleza ou coragem.

De acordo com Aristóteles, e antes dele a tradição grega clássica ética como um todo, a fortaleza era considerada a virtude que regulamentava e canalizava corretamente nosso medo natural do horrível, para que o objeto que estivesse provocando o medo não interferisse com a nossa realização do bem difícil e maior. O possuidor desta virtude por excelência era o guerreiro, o homem que enfrentava, como parte de sua vida normal, a coisa mais horrível, naturalmente, a morte. Ser corajoso no campo de batalha significa assim controlar o nosso medo da morte, que não iria interferir com a nossa conquista do bem difícil da vitória na batalha, portanto, segurança para o bem comum de seus inimigos. Observe aqui, que não é o homem que não teme que é corajoso, ele é simplesmente irresponsável, é o homem que teme, mas não deixa que o medo o domine, que é o homem de coragem verdadeira.

Sobre esta virtude possuída pelo valente soldado em batalha, Santo Tomás de Aquino faz um comentário muito interessante e penetrante. Dos dois principais atos de resistência, força e ataque, a resistência é mais da essência da virtude. Tendo em mente que a fortaleza tem a ver com dissipar o medo da morte, Santo Tomás dá três razões pelas quais a resistência é mais difícil do que um ataque agressivo. Primeiro, porque se deduz que resistência é normalmente ser atacado por algo mais forte do que si mesmo, enquanto a agressão conota que se está atacando como se fosse a parte mais forte. Segundo, porque ele ou ela que resiste já sente a presença de perigo, enquanto o agressor olha para o perigo como algo por vir. Finalmente, a resistência implica período de tempo, é mais difícil permanecer impassível por um longo tempo, do que ser movido de repente pela chamada para o ataque. É por isso que Santo Tomás fala dos mártires, que foram "fortes na batalha", como os que manifestam a virtude da fortaleza no grau mais heróico. Eles resistiram firmes para o bem da Fé e para o bem da Graça entre as feras rugindo.

É a Nossa Senhora, passando por um sofrimento interno, ao pé da Cruz, que nós atribuiríamos a resistência no mais alto grau. Sua resistência, no entanto, pela qual é dada a ela o título de Co-Redentora, é uma resistência diferente da dos mártires. Sua resistência exemplar, para a qual pode também ser dado a ela o título de "valente em batalha", espelha a de seu Divino Filho. Assim como os Santos Mártires, Nosso Senhor e Nossa Senhora não atacam os injustos como um soldado faria em uma guerra justa. Eles suportaram um grande mal, a imposição da morte, a fim de atingir um grande bem. Nosso Senhor Jesus Cristo, no entanto, não tem que "apegar-se" ao bem, pois Ele é o Bem, a fonte de toda graça, e a expressão intelectual do próprio ser do Deus Pai. Nem tampouco Ele enfrentou uma força superior e circunstancialmente invencível; Ele é o Senhor Onipotente de tudo. Ele deu a Sua própria vida, não lhe foi tirada. No entanto Ele teve que suportar os sofrimentos reais, tanto psicológicos como físicos. Foi precisamente por aguentar aqueles sofrimentos e aguentar a morte que foi consequência dos sofrimentos, que o mal, o pecado, morte e Satanás foram derrotados. Pela resistência que eles foram reduzidos a nada. Aqui somos confrontados com uma passividade conquistadora; uma que não será movida.

Nossa Senhora da Compaixão, aquela que fica ao pé da Cruz de Seu Filho moribundo, não sofre as dores físicas que afligem seu Redentor. Nem é ela, por ser uma pessoa humana, mais forte do que aqueles que a oprimem por dilacerarem seu Filho unigênito. Ao contrário, seus sofrimentos próprios, que foram sua resistência simpática à Paixão de seu Filho, não foram um resistir a, mas sim, um resistir com. Suportando com seu Filho até o fim, a Sua morte, por estar com Ele, ela participou da redenção de toda a humanidade; a ela pertence o espólio do Salvador. "Machucada, ridicularizada, amaldiçoada, marcada, ela contemplou Seu filho amado; Tudo com o sangue derramado dos flagelos. Por causa dos pecados de Sua própria nação, O viu cair em desolação, até que o Seu espírito diante Ele enviou". É com as lágrimas, que só uma mãe poderia derramar, que Nossa Senhora mostrou-se ser a perfeita mulher, guerreira, e dama. A verdadeira Senhora da casa do Senhor.

Original aqui.

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Notas da tradutora:
(1)    O e-mail do autor: justicepc@yahoo.com
(2)    No original “Mistress” que significa senhora, mestra, dona da casa, esposa do mestre, esposa do senhor da casa.
(3)    No original “Mary”.
(4)    Eu fiquei emocionada ao ler isso!