quinta-feira, agosto 09, 2012

Um "Expert" Recomendável em Matéria de Satanismo? – Parte II

Por Si Si No No
Traduzido por Andrea Patrícia

Harry Potter: bruxaria e satanismo para as massas


Parte II (final)




D) O SOFISMA DE FUNDO
Referindo-se às campanhas que nasceram no meio protestante contra alguns programas de TV ou romances (como Harry Potter) que celebram a magia, o esoterismo e o satanismo, Introvigne enfatiza que essas campanhas são baseadas na imputação que se faz a tais produtos de que "divulgam uma ideologia contraposta ao cristianismo e preparam para a adesão a movimentos mágico-esotéricos ou a movimentos satanistas. Mas as estatísticas relativas àqueles que aderem a esses movimentos (que são uns quatro gatos pingados em comparação com os entusiastas dos produtos literários e televisivos citados) não confirmam os temores dos fundamentalistas."
Eis aqui enunciado enfim o grande teorema do sociólogo - "teólogo" - Introvigne (um teorema a ser utilizado em dezenas de artigos, discursos e conferências): é inútil atacar e condenar a propagação da magia e do satanismo (pelo menos implicitamente) dos produtos da cultura popular, porque este fenômeno não aumenta o número de pessoas que aderem aos grupos formalmente e oficialmente mágicos e satanistas.

Por muito que alguém se esforce, é impossível imaginar um pseudoraciocínio pior. Na verdade, Introvigne pretende inferir, ao que parece, a periculosidade de livros ou filmes que celebram a magia do fato de que as estatísticas nos dizem que não aumentou o número de pessoas que aderem aos círculos oficiais de magia (na verdade, de quais estatísticas ele fala, posso perguntar? E com que confiabilidade se pode examinar a participação de pessoas em grupos que fazem do material oculto sua matéria prima?). Mais ou menos como alguém dizer que não devemos condenar o aumento exponencial no consumo de pornografia infantil porque não aumentou o número de denúncias de episódios pedófilos! Evidencia aqui o nosso sociólogo, melhor do que qualquer outra passagem, que ele não olha para as coisas com um coração e uma mente iluminada pela fé; nos deparamos com uma forma de sentir que não é católica, pelo que reputamos como gravíssimo que uma revista como a Famiglia Cristiana, que é disseminada nas paróquias e nas famílias cristãs, concorde em dar crédito a tamanhas posições. Na verdade, o simples senso comum, a razão natural, o simples toque no nosso coração da lei natural, são suficientes para perceber o grave erro de Introvigne: o dano que infligem ao desenvolvimento harmonioso moral e espiritual de um adolescente (ou uma criança) certos produtos com fundo de magia e satanismo é, obviamente, um fenômeno que vai muito além dos dados estatísticos sobre a adesão aos círculos oficiais satanistas. Além disso, que sentido faz o uso de tais estatísticas, quando estamos falando de, por exemplo, livros como Harry Potter, que atraem uma população de leitores que consiste principalmente de crianças e pré-adolescentes, pessoas que, obviamente, não irão correr para se inscrever nos Filhos de Satanás, ou em alguma outra estranha seita esotérica, três dias após ter lido um romance da saga Potter, entre outras coisas, pela mera dificuldade de logística e organizativa do assunto? Além disso, já que estamos falando de livros ou filmes que têm dezenas ou centenas de milhões de leitores e admiradores, que sentido tem fazer notar que, quando comparado com figuras de tal magnitude, é irrelevante a "porcentagem" daqueles que aderem a movimentos satanistas? Será que devemos acreditar que precisamos ter igrejas satanistas oficiais com centenas de milhões de adeptos para começar a nos preocupar? Isso é absurdo!
Como é óbvio que é irrelevante saber os dados sobre a adesão de tais círculos, a fim de avaliar os conteúdos sobre o que se está discutindo, é nestes que iremos concentrar nossa atenção em breve, ou seja, precisamente nos conteúdos que Introvigne evita cuidadosamente encarar.

E) UMA MINÚSCULA E INSUFICIENTE CONCESSÃO AOS "PAPAIS" QUE, APESAR DE TUDO, CONTINUAM RECEANDO O CONTEÚDO DE HARRY POTTER
Como tinha que conceder algo, no entanto, aos muitos que desconfiam com razão de tais produtos, o nosso sociólogo conclui seu artigo: "Isso não quer dizer que, guiado por sua fé, o crente não possa criticar este ou aquele aspecto de Harry Potter ou Charmed, ajudando as crianças a fazer uma leitura crítica. Mas é errado argumentar que esses produtos culturais levam ao ocultismo ou ao satanismo."
Começamos por observar que Introvigne escreve em Famiglia Cristiana, uma revista católica (pelo menos em teoria), então provavelmente você está falando para católicos e apresentando-se por sua vez como "teólogo" católico: não teria sido termo mais apropriado "guiado pela fé" do que o que ele usa "guiado por sua fé"? Ou Introvigne acha que pode haver mais de uma fé (verdadeira)? Tudo bem, isso é apenas um pequeno lapsus calami, mas que denota uma forma de ver e sentir as coisas, uma certa visão relativista, talvez inconsciente, da fé.
Assim, o sociólogo concede – quanta bondade ded sua parte! - Que um pai católico pode ajudar seus filhos a fazer uma "leitura crítica" de textos e filmes imbuídos de magia e de referências satânicas. Mas nos perguntamos, por que não dar mais um passo adiante e admitir que, frente a determinados produtos, seria lícito e obrigatório também proibir certas leituras? Com efeito, são os pais que têm a suprema responsabilidade de educar seus filhos, e a obrigação mais grave é precisamente a de educá-los na fé cristã e favorecer o seu caminho de santificação, pois, segundo a doutrina católica, a prole se procria para o bem da Igreja e para encher o céu dos santos. Nesta perspectiva, alguns pais conscientes do abismo de degeneração no qual se debate hoje o mundo, onde fortes poderes anti-cristãos buscam derrubar, com todos os instrumentos e enormes recursos financeiros, os valores morais católicos e religiosos que tem regido o Ocidente por dois mil anos, os pais, repito, que tenham fé verdadeira, terão, com toda razão, uma visão militante da sua relação com a "cultura profana", e assim deverão extremar os cuidados e sinceramente criticar os produtos de magia ou de satanismo cuja falta de perigo Introvigne visa nos convencer (mas não se limitam apenas a isso). Fazer o contrário significa que é possível uma síntese pacífica e serena entre o cristianismo e a cultura profana anti-cristã, e forjar a ilusão de que esta última não é uma armadilha para a vida de fé.
F) O VERDADEIRO PROBLEMA: RUMO A UMA INICIAÇÃO EM MASSA AO SATANISMO

É necessário fazer uma outra observação: os produtos da indústria cultural de fundo mágico, satanista ou esoterista em sentido lato aumentaram desmesuradamente nos últimos cinco a dez anos e já invadiram tudo: desde a história em quadrinhos para crianças (recentemente, Il Giornalino , da editora Católica San Pablo, introduziu contos de fadas e bruxas mais ou menos boas) a desenhos animados, filmes e programas de TV mais difundidos; desde coleções de bonecos para a música rock, e desde os romances ás figurinhas, passando pelas revistas para crianças e adolescentes - que já no título traz o sugestivo termo "Winx" - e pela expansão implacável da absurda festa do Halloween, que coincide precisamente com uma das maiores festas católicas.
Estamos diante de uma verdadeira estratégia cultural (dado, entre outras coisas, o controle quase monopólico do mundo editorial e da televisão), que visa a realização de uma "mudança de paradigma" decisiva nos países de tradição cristã. O problema não é, como acaso pense ingenuamente Introvigne, que se aumente ou não o número de pessoas que aderem a seitas satânicas, mas sim que se está criando um ambiente cultural de psicose étnica, uma autêntica patologia espiritual coletiva na qual o conteúdo e uma forma de sentir mágica e esotérica são assumidas de forma lenta e cada vez mais, como algo "normal" e não estranho ou repugnante, como coerente com uma vida burguesa comum, ou pior ainda, como algo que seria errado deixar de lado ou ignorar. Em outras palavras, estamos diante de um processo em grande escala de iniciação de massas a uma sensibilidade cultural do tipo mágico e, portanto, satanista, (pelo menos implicitamente). Atrevo-me a pensar, infelizmente, que quando este processo foi consumado, os membros de grupos satanistas dos quais Introvigne fala serão reduzidos a zero, precisamente porque não faria sentido que houvesse uma seita satanista quando toda a sociedade, com poucas exceções, tornou-se um enorme seita de indivíduos desprovidos de toda a fé e caridade, convencidos da render culto a Satanás como um verdadeiro deus.
Darei apenas dois exemplos de como a inervação moral de nossa sociedade está aumentando rapidamente graças, entre outras coisas (se não principalmente), da terrível propagação de usos e conhecimentos do tipo esotérico e mágico:
No mostrador de uma livraria Feltrinelli de uma cidade capital da província da região central da Itália, que estava localizado próximo a caixa registradora (isto é, no lugar mais visível e de maior venda), eu encontrei um livro-agenda para mulheres que dava recursos mágicos para todos os dias e para todos os problemas: Poções, ensopados, feitiços, formas de ganhar uma pessoa, para a sexualidade, para ganhar dinheiro, etc. Faço notar que, até alguns anos atrás, as livrarias Feltrinelli tinham um ar sério e comprometido, se bem que de esquerda: impressiona muito vê-los vender material deste gênero.
O segundo exemplo é fornecido por uma pesquisa mostrando que a categoria de empresários e funcionários do Tesouro é uma das que mais frequentemente recorre a feiticeiras e magos de vários tipos para lidar com problemas relacionados às suas carreiras e trabalho: algo que há trinta anos somente teria sido inimaginável.
O não ver, ou fingir que não vê, esta deriva em coletiva para uma subcultura mágica e esotérica, o não denunciar essa degeneração que se espalha cada vez mais entre as massas (que parece outro triste prelúdio da era do Anticristo), é a falha mais grave de Introvigne, que parece colocar todas as suas energias para tranquilizar aos que, pelo contrário, deveria colocar em guarda: os pais em primeiro lugar e, em seguida os sacerdotes, professores, políticos e homens de boa vontade.
G) INTERLÚDIO: RECUSAR O ECUMENISMO SIGNIFICA SER FUNDAMENTALISTA
Façamos um intervalo neste momento: uma caixa intitulada "Dicionário mínimo" figura como um suplemento do artigo que comentamos. Ela explica algumas palavras-chave, incluindo a palavra "fundamentalismo". Leiamos sua instrutiva definição: "Atitude presente em várias religiões que tende a interpretar os textos sagrados ao pé da letra, negando qualquer mediação cultural e qualquer diálogo ecumênico, e que se estende até a intolerância para com outras religiões." Concentre-se em um ponto dessa definição (que, obviamente, poderia ser contestada em cada parte): o fundamentalista assim se caracteriza, entre outras coisas, pelo redator da definição (que é provavelmente o próprio Introvigne), como o que nega "qualquer diálogo ecumênico."
Este é um ponto de grande interesse, porque, seja se você tomar a palavra "ecumenismo" no seu sentido estrito e próprio de um diálogo entre a Igreja Católica e outras denominações não-Católicas, seja se você tomar no sentido amplo do diálogo inter-religioso, você está lidando com um princípio em desacordo com toda a tradição da Igreja (o de um diálogo de igual para igual entre a Igreja Católica e outras confissões ou religiões, que postulam por sua vez a indiferença dos Estados em matéria de crença religiosa e o direito à "liberdade de religião"). Limitando-nos apenas, por razões de brevidade, a um papa do século XX, a Pio XI em especial (por não arrancar o julgamento peremptório da Escritura: "Todos os deuses dos pagãos são demônios"), que na encíclica Mortalium Animos formalmente vetou aos católicos participar de encontros ecumênicos ou não-católicos, parece que até mesmo o papa era fundamentalista, se quisermos acreditar que a breve definição de fundamentalismo que Introvigne fornece (não podemos esquecer que o ecumenismo é inventado e lançado apenas em círculos protestantes, entre final do século XIX e início do século XX).
H) BREVE NOTA SOBRE O CONTEÚDO DE HARRY POTTER
Têm-se escrito centenas de artigos e ensaios sobre os livros de Harry Potter, por isso não vamos parar para analisar muitos detalhes e conteúdos que provam ad abundantiam não apenas a presença muito forte de elementos mágicos neles (coisa óbvia em si mesma), mas também a presença de referências específicas à magia negra em sentido estrito (ou seja, a magia dedicada a infligir o mal em coisas ou pessoas, incluindo a morte) e as alusões mais ou menos veladas ao satanismo. Aconselhamos a quem tenha dúvidas, que tente empreender buscas com o Google, ou qualquer outro mecanismo de busca e digite a ordem de pesquisa "Harry Potter e Magia”*, ou melhor ainda, "Harry Potter e Satanismo"*, e você vai encontrar dezenas de investigações, algumas de qualidade muito boa, demonstrando tais ligações com clareza. Recomendamos esta busca ao nosso Introvigne principalmente, porque é uma investigação que permitirá até mesmo ao católico mais cético, liberal e aberto para a cultura profana dar-se conta imediatamente de que deve fugir desses livros como da peste, e excluir, portanto, essas leituras de seus próprios filhos. Agora resumimos algumas observações dos itens mais valiosos sobre o assunto em consideração, também disponível na Internet (entre os quais assinalamos o de Don Lorenzo Biselx, publicado no número 49 da revista La Tradizione Cattolica):

1) Harry é um rapazinho, órfão de pai e mãe, que vive com dois tios que o desprezam. Seus pais eram um bruxo e uma bruxa.
2) Harry descobre que ele é um mago e se muda para a escola Hogwarts para estudar magia (que poderíamos também chamar de "feitiçaria"), onde os professores (todos bruxos e bruxas) ensinam todos os tipos de magias e técnicas mágicas. A questão de fundo reside no retorno de Voldemort (ou Tusai-chi), o verdadeiro Senhor das trevas e em um duelo que mais cedo ou mais tarde, Harry deverá travar com ele (o qual, aliás, matou seus pais). No entanto, não estamos frente ao argumento habitual da luta do "bem contra o mal" (embora os livros de Harry Potter procurem ocultar habilmente esse fato por trás dessa máscara), porque os meio utilizados por Harry contra Voldemort são exatamente os mesmos que os de seu adversário: magia negra contra a magia negra.
3) Nos textos em questão não se fala senão de magia: cada página está embebida dela e a escorre. Este que vos escreve leu apenas um volume da série, e que o impressionou acima de tudo foi a seguinte: é um texto quase monomaníaco (e, neste sentido, também é chatíssimo no fundo). Enquanto que em todas as fábulas aparece pelo menos um elemento, ou episódio, ou um personagem de caráter mágico, embora esteja inserido num contexto que não é somente de magia, aqui, no entanto, tudo se concentra em práticas mágicas, das mais leves às decididamente aberrantes.
4) A religião cristã é completamente ausente dos romances de Harry Potter, ou neles contida apenas para ser parodiada e ridicularizada. É por demais evidente nos escritos de Harry Potter que os jovens leitores são introduzidos, volume após volume, a um autêntico culto mágico absolutamente anticristão. Fora isso, há entrevistas com a autora da série que comprovam a intenção explicitamente anticristã com a qual ela escreve seus romances (pode-se encontrar material muito bom no Google digitando o nome da autora somente ou em conjunto com uma palavra-chave como "magia" "satanismo", "cristianismo"...).
5) A monodimensionalidade mágica dos livros agrava o fato de que esses textos são um hino ao princípio de que "o fim justifica os meios" no sentido de que Harry e seus amigos recorrem às mesmas armas e às mesmas técnicas de magia negra que os seus adversários, o que é mais deseducativo e anticristão do que se pode imaginar, uma vez que é um ponto essencial da moral católica a proibição firmíssima de recorrer a meios que são intrinsecamente maus, isto é, que envolvam a violação de um absoluto moral, por mais bom e santo que seja o fim que se pretenda alcançar com eles.

Além disso, não se pode esquecer que a Igreja sempre condenou do modo mais duro qualquer prática mágica como diametralmente oposta ao primeiro mandamento. Para citar um texto entre muitos, o Catecismo de Trento diz que peca contra o Primeiro Mandamento ("terás outros deuses diante de mim") "... que presta fé aos sonhos, presságios e todas as outras fantasias...": fórmula extremamente sintética, que os intérpretes explicam muito bem como relativa a tudo o que se entende por magia e adivinhação em geral, atividades perversas que a teologia sagrada sempre equiparou, no plano moral, à idolatria. Na verdade, a superstição (que pode ser dividida em dois tipos teologicamente: a adivinhação, buscando adquirir conhecimento das coisas ocultas ou no futuro, e a observância vã, que tem como objetivo a obtenção de efeitos práticos de vários tipos), a superstição, como dissemos, envolve sempre uma invocação ao diabo (explícita ou implícita, consciente ou em parte inconsciente) pelo simples fato de que os efeitos que se quer alcançar excedem as forças naturais do homem e não podem vir de Deus ou dos anjos bons (veja o artigo citado de Dom Lorenzo Biselx). Inumeráveis ​​são também as passagens do Antigo e do Novo Testamento condenam com dureza absoluta qualquer prática mágica, toda a feitiçaria.

É interessante notar a este respeito que a mensagem revelada pela Virgem Maria em La Salette a dois videntes, Maximinio e Melania, a 19 de setembro de 1846, inclui numa passagem crucial nada mais nada menos do que uma referência aos livros ruins a serem divulgados nos últimos tempos, tempos de ruína e apostasia da Igreja; eis aqui a passagem em questão: "os livros maus serão abundantes na Terra, e os espíritos das trevas espalharão por toda parte um relaxamento universal em relação a todos os assuntos relacionados ao serviço divino; esses espíritos têm grande poder sobre a natureza, e haverá igrejas para servi-los". Além disso, já os grandes pontífices do século XIX e São Pio X, no século passado, iluminados pela fé, não deixaram nem um instante de alertar o povo católico contra os perigos que encerravam as publicações laicistas e anticristãs, que com todo tipo de artifícios procurou arrancar a fé do coração dos fiéis. E São João Bosco dedicou muitas páginas em muitos volumes que ele escreveu de próprio punho para orientar seus jovens no caminho da santificação, para avisá-los precisamente contra as más publicações: não os convidava a fazer uma leitura crítica delas!
CONCLUSÃO
Sabemos que nos vinte anos de atividade publicista de Introvigne ele ganhou fama como um sociólogo informado, mas a verdade é que, ao longo do tempo, parece ter adotado uma estranha visão laicista, típica de um católico "hiperliberal", da cultura e das relações entre a Igreja Católica e o mundo moderno, enquanto que seus escritos levam o leitor a acreditar que é possível uma coexistência não problemática ou verdadeiramente pacífica entre a doutrina e a moral católica, e a maioria dos produtos da cultura profana, até mesmo as de inspiração esotérica, ou pior, satanista.
Por outro lado, é evidente que um zelo sincero por Nosso Senhor e um não menos sincero amor ao próximo não pode deixar de ser acompanhado por um ódio absoluto ao mal, ao pecado em todas as suas formas, mesmo o mais sutil e mascarado, ou melhor, escondido, e também a tudo o que, embora não seja um pecado em si mesmo, pode se tornar uma ocasião de pecado; um católico não pode ser apenas um cientista, mas tem que ser um cientista católico, isto é, ele deve passar tudo pelo crivo da verdade revelada e dos ensinamentos da Igreja, esclarecendo com a luz sobrenatural da fé inclusive o que ele descobre no decurso das suas investigações, analisando severamente, criticando e condenando sem cincurlóquios o que de mal emerge delas, mostrando pelo menos o contraste que existe entre certos fenômenos e a moral católica ou a fé cristã. Em nossa opinião, Introvigne não pode se limitar a descrever apenas o satanismo ou a missa negra, mas deve também, em particular, quando se dirige aos católicos, dar o alarme, convidar à prudência, lembrar como a Igreja já viu determinados fenômenos, e que o juízo formulou sobre eles. Caso contrário, a apresentação fria e neutra de tais realidades pode fazer mais mal do que bem, criar uma curiosidade mórbida, empurrar para o que deve ser evitado e combatido ao invés de se afastar dele.
Começamos nos perguntando se era certo ou errado dar crédito a Introvigne como um especialista em satanismo e assuntos relacionados. Após este breve caminho exploratório devemos concluir que, infelizmente, seria mais prudente para os bispos e fiéis católicos que assumissem uma linha de desconfiança a respeito da análise tranquilizadora que ele faz sobre esses trágicos fenômenos; com efeito, todo o enfoque desenvolvido por ele se revela fraco e suspeito, de sabor não-católico, com pouco ou nenhum respeito pela doutrina católica, perigoso para as famílias e para as pessoas menos preparadas, capaz de abrir a porta para consumos e práticas perigosas com toda certeza para a fé, que a moral cristã condena sem qualquer dúvida. Além disso, os argumentos de Introvigne não são convincentes [e levam a] ruína e apostasia da Igreja; como temos nos esforçado para mostrar, mesmo que apenas em uma forma esquemática levam à ruína e apostasia da Igreja; não só no plano lógico, filosófico, teológico, histórico e moral, mas também no puro senso comum e da razão natural, e [tais argumentos] não podem deixar de repugnar até mesmo o mais simples dos crentes.
Suavemente, mas firmemente, os bispos, padres, editores de revistas e simples fiéis devem começar a valorar muito severamente o "teorema de Introvigne", que resumimos na seguinte fórmula (absurda ao extremo, como nós provamos): “não está crescente o número de satanistas públicos e formais, e, portanto, o povo cristão não deve se preocupar com o aumento de produtos satanistas, nem vedá-los ou combatê-los".
(final)
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Publicado na revista Si Si No No em fevereiro de 2007.
Original aqui.

Nota da tradutora: Esta é a segunda parte de um artigo dividido em dois. Veja aqui a parte I.

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