quinta-feira, outubro 25, 2012

O que é o liberalismo?

Por Pe. Peter Scott
Traduzido por Andrea Patrícia



A dificuldade em definir o liberalismo encontra-se em suas idéias se desenvolvendo continuamente e sempre mudando, sempre se transformando em novas formas, mais ou menos radicais. Muitas vezes, é muito difícil se apoderar dele, penetrando como ele faz em diversos graus, mais ou menos bem camuflado, em todos os aspectos do pensamento e da atividade humana.

No entanto, os princípios do liberalismo são muito claros, e uma vez que são compreendidos a perversão intelectual e moral dessa maneira de pensar e de agir pode ser vista claramente.

Pe. Roussel, no seu excelente trabalho Liberalism & Catholicism [Liberalismo e Catolicismo]
, define o liberal desta forma: "O liberal é um fanático pela independência, e proclama isso em todos os domínios, até o absurdo" (p.6). Por conseguinte, não consiste em qualquer doutrina particular, mas em uma maneira de pensar. O liberalismo é uma doença da mente, uma orientação em vez de uma escola, uma perversão do sentimento baseado no orgulho, ou um estado de espírito ao invés de uma seita. O liberalismo aparece então como "uma afeição desordenada do homem por sua liberdade independente, que lhe faz abominar qualquer limite, obrigação, jugo ou disciplina da lei ou da autoridade" (Ibid. p.8).

O outro autor cuja excelente exposição do liberalismo é muito recomendado é o Padre Sarda y Salvany, em
What Is Liberalism? [O Que é Liberalismo?] Ele descreve desta forma os princípios radicais que são a base de sua propaganda:

1. A soberania absoluta do indivíduo em sua inteira independência de Deus e da autoridade de Deus.
2. A soberania absoluta da sociedade em toda a sua independência de tudo o que não procede de si mesma.
3. Soberania civil absoluta no direito implícito do povo de fazer suas próprias leis em toda a independência e desprezo de qualquer outro critério do que a vontade popular expressa nas urnas e em maiorias parlamentares.
4. A liberdade absoluta de pensamento na política, moral, ou na religião. A liberdade irrestrita da imprensa (pp.18, 19).

É, consequentemente, a colocação do indivíduo, da sociedade, das pessoas ou da liberdade como absolutos em si mesmos, acima e além de Deus Todo-Poderoso. Pode-se perguntar como é que os católicos, que de nossa natureza professam submissão a Deus através de nossa santa religião, poderiam cair em tal armadilha. A resposta é o nosso desejo natural de independência, por conta de que o liberalismo está de acordo com nossa natureza humana depravada decaída, e nossa tendência natural a seguir a recusa rebelde de Lúcifer para servir. Conseqüentemente, estamos sempre inventando maneiras de comprometer os absolutos da nossa Fé com o espírito do mundo, inteiramente penetrado pelo liberalismo. Assim, o desenvolvimento do liberalismo "católico" ao longo dos Séculos XIX e XX, que o Arcebispo Lefebvre não hesita em estigmatizar como "a grande traição". Para uma compreensão de como estes princípios liberais passaram a ser aceitos pelo Concílio Vaticano II, produzindo a novidade da liberdade religiosa, a revolucionária idéia de que todas as religiões devem ser igualmente livres contanto que elas não interfiram com a liberdade dos outros, que é nada menos do que a negação do Reinado Social de Cristo, remeto para a exposição magnífica do Arcebispo Lefebvre em
They Have Uncrowned Him [Eles Tiraram Sua Coroa].

Permitam-me resumir, citando a magnífica encíclica do Papa Leão XIII, de 1888, Libertas Praestantissimum, na qual ele descreve e condena os vários tipos e graus de liberalismo, a partir do liberalismo radical daqueles que recusam a fé católica e a Igreja Católica até o liberalismo moderado daqueles que promovem a separação entre Igreja e Estado, ou afirmam que a Igreja deve adaptar-se a modernos sistemas de governo:

Negar a existência dessa autoridade em Deus, ou a recusar entregar a ele, significa agir, não como um homem livre, mas como alguém que abusa de sua liberdade de modo traiçoeiro, o vício mortal e principal do liberalismo consiste essencialmente em tal disposição de espírito. A forma, no entanto, desse pecado é múltipla: das várias  maneiras que alguém possa se afastar da obediência que é devida a Deus ou àqueles que compartilham o poder divino (§ 36).


Original aqui.