quinta-feira, novembro 08, 2012

Scott Hahn e Pentecostalismo

Por John Vennari
Traduzido por Andrea Patrícia


                                                                      Scott Hahn


O alimento mais teológico do 30º Aniversário da Conferência foi fornecido pelo convertido Scott Hahn. Infelizmente, essa palestra, intitulada Escritura e Tradição, foi uma decepção enorme de muitas maneiras. Embora Hahn tenha proferido muito do que é verdadeiro, era óbvio que surgiria um problema quando ele afirmasse que a Igreja tem agora uma nova compreensão da Tradição, graças a "luminares" como Maurice Blondel, Henri de Lubac e Yves Congar.

Esses "luminares" são a moda atual, desfrutando enorme popularidade e influência na Igreja de hoje. No entanto, essa moda não eclipsa os problemas substanciais contidos no seu novo pensamento. O grande anti-modernista Pe. Garrigou-Lagrange escreveu a Maurice Blondel em 1940 pedindo-lhe para "retratar a sua falsa definição de verdade antes de morrer ... se ele não quisesse passar muito tempo no purgatório" (1). 

No ensaio de 1946, "Para onde a Nova Teologia está nos levando?", o Pe. Garrigou-Lagrange também alertou para os perigos inerentes à "nova teologia" de Henri de Lubac. O eminente estudioso tomista concluiu: "Para onde a Nova Teologia está nos levando? Ela está nos levando em uma linha reta de volta ao modernismo por meio de caprichos, erros e heresias". A Teologia de Henri de Lubac borra a distinção entre as ordens natural e sobrenatural. Essa novidade foi condenada no nº 26 da Encíclica contra erros modernos, Humani Generis, do Papa Pio XII, em 1950. Da mesma forma, em 1980 o firme e ortodoxo Cardeal Siri dedicou 15 páginas de seu livro Getsêmani para examinar os erros de Lubac. Siri concluiu que a teologia de Lubac, tomada à sua conclusão lógica, significaria que "tanto Jesus é apenas um homem, quanto esse homem é Divino" (2). Além disso, aqueles a quem De Lubac considerou como heróis e inimigos são de grande preocupação. Não apenas De Lubac nutriu um desprezível desdém pelo anti-modernista Garrigou-Lagrange, mas foi também um defensor firme do arqui-apóstata Teilhard de Chardin (3). Sobre Yves Congar, o escritor francês Arnaud de Lassus comentou que "tendo contribuído para a ruptura conciliar com o Catolicismo Tradicional, Pe. Congar teve a honestidade de reconhecer a existência dessa ruptura" (4). Mons. William B. Smith do Seminário Dunwoodie lecionou Teologia da Libertação baseada fortemente em Karl Rahner e Yves Congar (5). Dessa forma, o elogio incondicional do Dr. Hahn a esses teólogos modernos causa arrepios na espinha. A "tradição viva" propagada por estes novos pensadores é a base para toda a revolução do Vaticano II - uma revolução que transformou a Igreja de hoje em algo diferente da Igreja de ontem. Como um teólogo progressista escreveu: "No Vaticano II, a Igreja redefiniu-se". Se em nome desta "tradição viva" a Igreja de hoje pode ser diferente da Igreja de ontem, então se segue que a Igreja de amanhã será diferente da Igreja de hoje, e a Igreja do futuro distante será diferente da Igreja de amanhã. Há que se concordar com a previsão perspicaz de Garrigou-Lagrange de que a "nova teologia" favorece um fluxo interminável de modernismo.

Perto do fim do discurso, o Dr. Hahn mudou de marcha e passou de uma discussão sobre a Tradição para um apoio ladeira abaixo aos Católicos Pentecostais. Essa defesa do pentecostalismo lembrou-me do lamento do Mons. Knox, de que a heresia do montanismo do século II "teria feito uma pequena ondulação na superfície da cristandade se o gênio rebelde de Tertuliano não tivesse emprestado sua energia para fazer propaganda dela" (6). "Vocês, como católicos carismáticos", Hahn simpatizava, “parecem estar entre os extremos hoje em dia: dos não-católicos e amigos que são ex-católicos carismáticos, cuja experiência pode tê-los levado para fora da Igreja, e dos católicos tradicionalistas que rebaixam vocês por emocionalismo". Apresentando-se como o homem razoável no meio, então ele refutou uma caricatura das objeções tradicionalistas. "Ouço certos católicos", afirmou, "que se chamam tradicionais dizerem 'Nós temos sacramentos poderosos, nós não temos qualquer necessidade de emoções". Hahn respondeu a essa objeção: "Ei, olhe, se temos sacramentos tão poderosos como a Igreja ensina, então, de todos os cristãos no mundo, temos justa causa para nos emocionar." (aplausos).

Qualquer católico que se preze vai ressentir-se desta resposta irreverente. Devido a sua recente entrada na Igreja, talvez o Dr. Hahn ainda não tenha testemunhado o esplendor da emoção Católica genuína que é sempre acompanhada por uma profunda reverência e piedade sóbria. Mesmo que a Fé Católica não repouse sobre as emoções, os católicos já sabem há séculos que a "aventura da ortodoxia" pode emocionar o coração como nada mais pode. Tenho visto coros Uniatas ucranianos crescendo seu majestoso Slavonic Chant, homens e mulheres cantando com força e lágrimas escorrendo pelo rosto. Fui encantado pela visão de meninas adolescentes, modestamente vestidas com as cabeças cobertas, discretamente ofegantes para recuperar o fôlego, submetendo-se à majestade, à beleza e ao poder de uma total pontifical Alta Missa Tridentina. Sei sobre tradicionais retiros católicos inacianos produzindo lágrimas genuínas de compunção dos pecadores que ficaram longe da Confissão por décadas. Sugerir que uma exposição de alta tensão, vertigem Protestante, é igual ou superior às emoções íntimas religiosas que emanam piedade Católica é um tremendo insulto aos Santos e à nossa herança Católica de dois milênios. Exaltando mais o pentecostalismo, Dr. Hahn proclamou: "Lembre-se, nosso primeiro Papa, Pedro, foi provavelmente o primeiro homem a falar em línguas, e, presumivelmente, a Santíssima Virgem Maria também". Essa é uma  dissimulação verbal digna de Rembert Weakland. Não há registro de que Nossa Senhora tenha falado em línguas ou conduzido qualquer tipo de ministério externo (que é o PROPÓSITO [do dom] das línguas). Mesmo que Hahn tenha feito esta declaração com uma reserva mental, o público ao qual ele está se dirigindo vai entender que ele quer dizer que a Nossa Mãe Santíssima, Rainha do Céu e da Terra, praticou a tagarelice indistinguível dos velhos pentecostais.

Ninguém gostaria de ser responsável diante de Deus por evocar tal imagem na mente das pessoas. O milagre das línguas exercido por Pedro e os Apóstolos, e tal como definido por São Tomás de Aquino, não tem qualquer semelhança com a prática carismática. Além disso, de acordo com a Enciclopédia Bíblica Católica, o carisma de línguas na antiga Corinto tem pouco em comum com a glossolalia dos pentecostais de hoje. A defesa (7) de Scott Hahn desse novo movimento desafia a compreensão. O Pentecostalismo é uma inovação protestante que nunca foi tolerada na história da Igreja. Dr. Hahn faria bem em lembrar o conselho do Papa São Pio X, que nos assegura: "De fato, os verdadeiros amigos do povo não são nem os revolucionários, nem os inovadores, mas sim os tradicionalistas" (8).

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Artigo publicado em Catholic Family News, agosto de 1997.

Original aqui.


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Notas:

1) "Quelle Che Pensano Di Aver Vinto," Si Si, No No, Roma, 31 de janeiro de 1993, pg. 2-3;
2) Siri, Getsêmani, p.70;
3) Ver " Ratzinger Bemoans Novus Ordo Liturgical Collapse, Catholic Family News, junho de 1997;
4) Ver Catholic Family News, Nov. 1996, pgs. 3,7;
5.) Palestra sobre Teologia da Libertação pelo Mons Smith, Keep the Faith, Inc.;
6) Enthusiasm , pg. 25;
7) Ver artigo na página 3;
8) Papa São Pio X, Our Apostolic Mandate, 25 de agosto de 1910, n. º 44 [JV].