terça-feira, janeiro 31, 2012

A miséria que procede do orgulho




Uma vez uma pessoa ficou revoltada comigo porque viu em uma de minhas assinaturas de email a seguinte frase de Santa Teresa D´Ávila:

"Certa vez, estava eu considerando por que razão Nosso Senhor é tão amigo da virtude da humildade. Veio-me logo de improviso, sem trabalho de raciocínio, esta resposta: é porque Deus é a suma verdade, e ser humilde é andar na verdade. Grande verdade é que nada de bom procede de nós, a não ser a miséria de ser nada. Quem não entende isso, anda na mentira." (Santa Teresa de Jesus, Castelo interior ou moradas, c. X, 7).

Essa pessoa é espírita e não se conformou com a frase da grande santa. Disse para mim que era um absurdo dizer que nada de bom vem de nós. Questionou-me mais ou menos nesses termos: “como assim você não tem nada de bom? E seu marido, e o seu emprego???”. Para a mentalidade espírita (ou espiritualista ou New Age) a humildade em se reconhecer um nada perante O Criador é algo dificílimo de compreender. Essa gente acha que possui méritos devidos ao seu “carma”. Eles acham que constroem sozinhos (ou com ajuda dos “espíritos”) suas histórias de vida e que por isso são donos de sua saúde, beleza, riqueza... afinal tudo isso é resultado de suas escolhas do passado, é tudo “cármico”. No fundo acreditam que não devem nada a Deus, a não ser, talvez, a criação. O resto é fruto da “evolução” e dos “méritos cármicos” deles. Presunção pouca é bobagem!

É interessante que mesmo que eles digam que acreditam em Deus (o que não é verdade, pois eles crêem numa variação do deus do Deísmo), não conseguem perceber que tudo o que temos vem Daquele que nos criou, óbvio, pois nós não damos a vida a nós mesmos. Quando nós damos algo de bom a Deus apenas devolvemos aquilo que Ele nos deu desde o início. Fazendo uma comparação imperfeita: É como a criancinha que vai comprar um presente para o pai com o dinheiro que o próprio pai lhe deu. Nada de material é dela, tudo o que possui vem dos pais. Algo assim tão simples vai se tornando difícil de compreender por quem acredita que possui méritos próprios, que não deve nada a Deus. Bom, talvez ele creia que deve a Deus a criação, mas será? Há quem acredite que é Deus...

Essa pessoa ainda disse que a santa deve ter dito isso quando era jovenzinha, inexperiente. Ou seja, que ela não sabia o que estava dizendo! Veja o orgulho da criatura! Ela se acha mais que Santa Teresa, uma das maiores santas da Igreja! Misericórdia Senhor!

Eu nem me lembro o que respondi, mas nem adianta discutir com eles, pois sofrem de cegueira espiritual. Só posso mesmo rezar! Até que eu tento de alguma forma alertar as pessoas sobre as ilusões das pseudo-doutrinas com as quais estão envolvidas, e, fora isso, o que mais podemos fazer nessa época triste na qual as mentes andam fora dos trilhos? Rezar, rezar e rezar mais um pouco!

Nossa Senhora da Santa Esperança, convertei-nos!



quinta-feira, janeiro 26, 2012

Um Fim de Semana Carismático em Steubenville

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"Fusão Catolicismo"

Por John Vennari
Traduzido por Andrea Patrícia



A Capela, Campus da Universidade de Steubenville. Fotos de John Vennari.


Era sábado à noite na Universidade Franciscana de Steubenville e em todo o ginásio, os corpos foram caindo ao chão. Luis Entrialgo, um diácono casado de Cuba, tinha acabado de concluir um serviço de "cura" em estilo Protestante, e a sessão dos repousados-no-espírito imediatamente começou. Uma música alta pulsava no ritmo hipnótico rock'n'roll da "banda de louvor", leigos deram as mãos a outros leigos, os corpos caiam de bruços com a face no chão, participantes pisavam em corpos ao redor para abrir seu caminho pelos corredores laterais, um padre rezava em "línguas" ao microfone, "sha-na-la-sha-na-la-sha-na-la-sha-na-la, sha-na-la, obrigado, Jesus!". Foi o grand finale do dia.

Intitulada "Transformados de Glória em Glória", e realizada em junho de 2009, foi a 24a Conferência Anual Carismática Católica realizada na famosa Universidade Franciscana. Entre os oradores Ralph Martin, Bert Ghezzi, Al Mansfield, Mark Nehrbas, Dr. Joanne Storm, Diácono Luis Entrialgo, Padre John Gordon, Padre Michael Scanlan e outros.

Eu tinha assistido conferências Carismáticas no passado; mais notavelmente a conferência do 30º Aniversário Carismático em Pittsburgh, junho de 1997, e o Celebrate Jesus 2000, uma conferência "católica" peso-pesado com pastores Protestantes, em St. Louis em junho de 2000. Esses fins de semana foram desordenadas reuniões animadas, traquinagens rock'n'roll que incluíam pregação Protestante a uma audiência predominantemente católica, bispos, sacerdotes, religiosos e leigos dançando no palco um pop "cristão", e as sessões Holy Laughter ["Risada Santa"] com carismáticos latindo como cães, rolando no chão, gritando e rindo histericamente - todos sob a suposta operação do Espírito Santo. Na verdade, pastores Protestantes da seita "Risada Santa" foram oradores convidados da conferência de 2000.

De 1997 e 2000, ambos os eventos foram realizados em grandes estádios de esportes, e ambos organizados pela Universidade Franciscana de Steubenville. Eu escrevi minhas observações dessas conferências para o Catholic Family News, no momento, que foram publicadas como o livro Close-ups do Movimento Carismático. [1]

Embora houvesse muito para ver, aprender e chorar nas conferências de 1997 e 2000, eu sabia que nenhum estudo sobre o pentecostalismo católico estaria completo sem uma visita a Meca, a Igreja Matriz do Carismatismo Católico nos Estados Unidos: Universidade Franciscana de Steubenville. Quando eu soube do fim de semana Carismático previsto para junho de 2006, eu sabia que finalmente teria que mergulhar. Eu comprei o meu bilhete e cheguei ao campus Steubenville na tarde de sexta-feira. Domingo à tarde encontrei-me cansado e aliviado, o sofrimento tinha acabado.

Fusão Catolicismo

O Movimento Carismático Católico é uma imitação barata desajeitada e infantil do pentecostalismo Protestante. É um movimento para os católicos que desejam permanecer católicos enquanto agem como Protestantes tanto quanto possível. Enraizado em uma emoção instável e constrangedora, o Movimento Carismático exibe uma presunção sobre fenômenos extraordinários que desafia o ensino do Catolicismo de 2000 anos sobre o discernimento dos espíritos.

Um fim de semana de elementos Pentecostais e Católicos


Qualquer católico sóbrio que estivesse presente às conferências Carismáticas de 1997 e 2000 reconheceria isso imediatamente. Mas o fim de semana em Steubenville foi um pouco diferente. Essa conferência teve como tema em particular os santos católicos, e muito do que foi dito por vários oradores foi doutrinariamente legítimo e até mesmo edificante. Esses aspectos positivos, no entanto, estavam emparelhados com a travessura Pentecostal. Muitas vezes me senti puxado em duas direções opostas ao mesmo tempo.

Em suma, Steubenville aperfeiçoou uma nova síntese do Catolicismo conservador, por um lado, e do animado pentecostalismo Protestante de outro. É a Fusão Catolicismo - o Catolicismo misturado com elementos não-católicos. Como tal, desafia o comando do Credo de Atanásio para manter a Fé Católica "integral e inviolável". Isto se tornará claro à medida que prosseguimos através da conferência.

Sexta à noite

A Universidade Franciscana de Steubenville é um belo campus de colinas, paisagismo de bom gosto, e, na maioria das vezes, bela arquitetura. A conferência foi realizada no campus da Fieldhouse Finnegan, um ginásio inteligentemente concebido que funciona como um centro de conferências. Do lado de fora, parece mais uma igreja do que uma capela com assinatura Steubenville, que se assemelha a um tipo de Hershey Kiss excêntrico. Eu tomei meu lugar na platéia enquanto a banda de louvor pop-rock detonou sua alegre "música de reunião". Carismáticos felizes já estavam de pé, balançando ao som da música, cantando junto, alguns se mexendo para cima e para baixo e batendo palmas.

A multidão de cerca de 1000 era predominantemente de idosos e de meia-idade. Estudantes polidos de Steubenville usando camisas amarelas ajudaram na execução do evento. Alguns deles também dançavam ao som da música.

Mark Nehrbas de Steubenville foi o Mestre da Alegria no fim de semana. Ele saudou a multidão que respondeu com aplausos entusiasmados. Ele, então, trouxe a "equipe" para o palco, os palestrantes para o fim de semana, e rapidamente os apresentou um por um. Ele então apresentou os membros da banda de culto, e fez alguns comentários sobre Steubenville ser uma instituição cheia de espírito. Concluídas estas formalidades, agora estávamos prontos para "adoração".

"Louvor e adoração"

Na chamada sessão "Louvor e Adoração" nesta reunião de Steubenville não havia nada que o Papa Pio X, Pio XI, Pio XII, Padre Pio, Santa Teresa de Lisieux, São Domingos Sávio ou qualquer outro santo canonizado iria reconhecer ou aceitar como Católico. É uma sessão de culto baseado não na doutrina e tradição Católica, mas em um modelo techno-pop Protestante. A configuração física da conferência em si foi modelada na construção contemporânea Protestante. O palco está no centro com um pódio ligeiramente fora do centro, à esquerda do público fica a obrigatória banda pop rock. Esta consistia de dois violões plugados, baixo elétrico, teclado elétrico, violino, bateria completa, e dois cantores extra. Em cada lado do palco, grandes telas de televisão penduradas no teto para projetar a letra das canções para o público.

Nas festas Carismáticas que eu já assisti, os músicos eram conhecidos pelo nome de "ministério da música". Este grupo evitou o título, chamando-se uma "banda de culto". Foi liderado por Bob Rice na guitarra, um jovem professor de Steubenville. O resto eram estudantes de Steubenville, exceto a filha de Ralph Martin no teclado elétrico.

Uma breve palavra sobre a música. Cada vez que eu assisti a um desses eventos Carismáticos, acho que na maioria das vezes, a música é uma coleção diferente do anterior. Na festa de 1997, havia uma variedade de músicas, especialmente uma música chamada Let the Fire Fall tocada uma e outra vez. No Celebrate Jesus 2000, houve ainda outra coleção, o grande número tocado repetidamente foi Days of Elijah.

Nesta última festa fui confrontado com outra variedade de uma batida sensual "cristã-pop". Talvez essa mudança constante seja devido ao fato de que "Rock Cristão" tem ido bastante pelo caminho da música pop. "Artistas" de Rock Cristão continuam a escrever canções e a lançar CDs. A Billboard publica suas vendas e relata seus shows. Os CDs ganham Grammys. Como o Rock Cristão agora é uma indústria em si mesma, a variedade é imensa e as melodias antigas serão substituídas pelas novas.

Dançando Rock com a Cruz

A banda de culto de Steubenville deu início oficialmente à sessão "Louvor e Adoração" - como é chamado no programa da conferência - com Now is the Time to Worship [Agora é o momento de Adoração], escrito por Brian Doerksen, um "líder de louvor" Protestante. Os que estavam na platéia levantaram-se e aderiram: alguns com as mãos levantadas de forma Pentecostal, alguns se mexendo no lugar, algumas mãos batendo palmas. A emoção da platéia se intensificou como a música rock se intensificou, e diminuiu à medida que a música diminuiu.

A "equipe" no palco: Pe. Michael Scanlon, o Pe. John Gordon, Dr. Joanne Storm, Irmã Sarah Burdick, a Irmã Katherine Caldwell, Ralph Martin, Bert Ghezzi, Al Mansfield e Mark Nehrbas, cantaram junto, levantaram as mãos do modo pentecostal, alguns cantaram com os olhos cerrados, como se estivessem nas garras de alguma emoção profunda. Fez-me lembrar mais do 700 Club* do que qualquer coisa reconhecidamente Católica.
A banda acelerando para um fim de semana de canções Protestantes


Na verdade, todas as músicas que a banda de louvor tocou sexta feira à noite foi uma série pop Protestante escrita por um compositor Protestante. Encontrei todas as músicas executadas naquela noite no site Protestante Rockin’ with the Cross, um site concebido para facilitar sessões contemporâneas de “Louvor e Adoração" Protestante.

A banda de louvor de Steubenville tocou o barulho Blessed Be Your Name dos Protestantes Beth Redman, Lord I Give You My Heart do "músico Pastor" Protestante Reuben Morgan, o turbinado Days of Elijah e Lion of Judah do Protestante Robin Mark; The Air I Breathe de Marie Barnett da seita "Holy Laughter" de Vineyard; Give us Clean Hearts do Protestante Charlie Hall; e outras canções Protestantes igualmente na moda. Todas as músicas tinham batidas poderosas, energéticas, que impulsionaram os pés dos carismáticos. As músicas mais lentas, sensuais, pulsantes como The Air I Breathe poderia ter vindo direto de Whitney Houston ou do Miami Sound Machine. Tudo era mundano, terreno, profano.

Para fechar várias apresentações, a banda criou um ruído de fundo estrondoso, como é feito por bandas pop em concertos de rock para conduzir o público à loucura. Quando isso foi feito em Steubenville, os membros da "equipe" gritavam um espontâneo "louvado seja o Senhor". Tudo foi executado de forma Protestante: "Louvado seja o Senhor", "Santo és Tu, Senhor", eles gritavam. A multidão entrou em seu próprio louvor espontâneo. Esse vai e vem da música e louvor espontâneo se arrastou por 40 minutos. A banda fechou com a otimista Blessed be the Name of the Lord, enquanto o público se mexia. Uma mulher de meia-idade dançava nos corredores laterais.

Mark Nehrbas fechou a sessão de maneira emocional, gritando, "Louvado seja Deus, louvado seja Deus". O público reconheceu a sugestão para juntar-se e gritou em estilo Protestante de louvor alegre. Então o leigo Nehrbas, com um braço levantado no ar como se transmitindo alguma bênção celestial, atado ao microfone: "Jesus não há nenhum nome na terra como o Seu, Seu nome está acima de todos os nomes, e é nosso privilégio e nossa alegria adorar Seu Nome Santo, e nós Te agradecemos e Te louvamos por nos permitir entrar na sala do seu Trono esta noite. Todo louvor, honra e glória a ti Senhor Jesus Cristo, e o POVO DE DEUS DIZ...", a platéia gritou de volta "AMÉM!".

"Aleluia! Louvado seja Deus!”, gritou Nehrbas.

Bob Rice, o chefe da banda de culto, em seguida, deu sua declaração ou “Testemunho" (como o programa da conferência chamou) de sua jornada de fé pessoal. Isto foi seguido pelo Carismático Ralph Martin cuja palestra foi intitulada "Transformação em Cristo: Sabedoria dos Santos", cujo conteúdo, em sua maior parte, foi muito bom. Ele falou da necessidade de renunciar ao pecado mortal e venial deliberado, a necessidade da oração, e continha citações edificantes dos santos. Isto é o que quero dizer quando digo que nesta conferência, houve a sensação de estar sendo puxado em duas direções opostas. É a própria natureza da fusão do Catolicismo. É também a natureza do Modernismo, como o Papa São Pio X explicou na Pascendi: em uma página do livro do modernista encontramos doutrina ortodoxa, na página seguinte encontramos os pensamentos de um agnóstico. Segue em direções opostas ao mesmo tempo.

"Aceitar Jesus como Senhor e Salvador"

Após palestra de Martin, Mark Nehrbas se dirigiu à multidão: "Eu acho que essa não foi uma conversa de leite espiritual, mas de carne. Amém?". Depois, com a banda de louvor tocando uma música ambiente em segundo plano, ele convidou os que estavam no meio da multidão que nunca tinham feito isso antes de se levantar e aceitar publicamente Jesus Cristo como Senhor e Salvador. Foi muito semelhante ao estilo Oral Robert de "apelo” ** e ao "apelo" encenado em Celebrate Jesus 2000 pelo pregador da "Holy Laughter" Stephen Hill.

O bastão foi passado, em seguida, para o Padre John Gordon, de Steubenville, que assumiu os negócios com prazer. Ele iniciou uma exortação sem interrupção de comprometer-se a Jesus, fazendo isso, enquanto se empinava para frente e para trás no palco com um microfone sem fio, às vezes caía em oração em "línguas": Sha-na-la-sha-na-la-sha-na-la.

Finalmente chegou a hora de "fazer o compromisso", ou como Protestantes chamam esse procedimento, "ser salvo". Padre Gordon lançou em uma fórmula semi-improvisada “repita depois de mim”: "Jesus, eu Te peço para ser meu Salvador". O público respondeu: "Jesus, eu Te peço para ser meu Salvador", o Padre Gordon continuou, "eu sou um pecador", o público repetiu: "eu sou um pecador".


Padre Gordon, de Steubenville, liderou a Sessão Compromisso


Padre Gordon: "Arrependo-me de todos os meus pecados".
Audiência: "Arrependo-me de todos os meus pecados."
"Eu preciso de você para ser meu Salvador", o público repete;
"Porque eu sou um pecador", o público repete,
"Eu renuncio todas as coisas erradas”, o público repete.

Isso continuou com a platéia repetindo cada uma das seguintes frases curtas,
"Como sou grato a Você;
"Como eu preciso de Ti totalmente;
"Jesus, meu Salvador;
"Eu peço para ser o meu Senhor;
"Eu preciso de Você para ser meu Senhor;
"Jesus Cristo Senhor e Salvador."

Padre Gordon e o público desafiaram continuamente desta maneira até que, finalmente, a sessão "compromisso" concluiu com uma erupção de aplausos. Enquanto as palmas e os aplausos persistiam, Padre Gordon gritou em tom de celebração, "RECORDEM ESTE DIA! OUÇAM A IGREJA APOIANDO VOCÊS! OUÇAM A IGREJA ATRÁS DE VOCÊS! LOUVADO SEJA DEUS! LOUVADO SEJA DEUS! LOUVADO SEJA DEUS! "(Aplausos prolongados com os recém- comprometidos retornando aos seus lugares.)

Padre Gordon então convidou aqueles que tinham anteriormente se comprometido com Jesus como Senhor e Salvador para se levantar e fazer isso de novo, e um ritual semelhante começou, embora os comprometidos ficassem no lugar ao invés de andar para a frente. Padre Gordon continuou sua tagarelice e em um ponto disse ao povo a gritar: "JESUS, MEU SALVADOR", o público reverberou "JESUS, MEU SALVADOR", gritou Padre Gordon, "COMO EU PRECISO DE TI. COMO EU QUERO A TI". O público seguiu o exemplo.

Padre Gordon continuou, "OBRIGADO JESUS POR SER MEU SALVADOR, SALVE-ME JESUS, EU PRECISO DE VOCÊ JESUS, EU NÃO POSSO FAZÊ-LO SEM VOCÊ JESUS. VOCÊ É O MEU SALVADOR, LOUVADO SEJA JESUS, JESUS, LOUVADO SEJA, LOUVADO SEJA JESUS, LOUVADO SEJA JESUS". Enquanto isso acontecia, a melosa música de fundo aumentou e transformou-se no latejante, Lord I Give You My Heart. Padre Gordon, ainda cheio de combustível, tagarelava sobre a música, "Bendito é o Senhor nosso Deus, Aleluia, Senhor. Bendito é o nome do Senhor". A "equipe" no palco cantou junto. Tudo estava trovejando muita emoção.

A banda de louvor finalmente terminou sua apresentação, o público aplaudiu, havia mais: "Obrigado Senhor, louvado seja Deus" de Mark Nehrbas sobre os aplausos. Cada palestrante, em seguida, fez um resumo do workshop de sábado, que ele ou ela realizou, e finalmente o dia chegou ao fim.

Catolicismo Corrompido

Enquanto eu via a ruidosa sessão "comprometer sua vida com Jesus", eu ficava me perguntando: qual é o ponto? Os católicos nunca estiveram envolvidos em tal espetáculo degradante antes. Por que estavam afinal de contas? É fácil entender por que os Protestantes participam deste exercício, uma vez que para muitos deles, é o único meio de tornar-se "salvo".

A maioria dos Protestantes e Pentecostais não acreditam que um cristão "nasce de novo", quando batizado. Em vez disso, um homem ou mulher não é "salvo", não se torna um "cristão", até que ele se envolve num compromisso pessoal com Jesus Cristo. É o padrão "ser salvo" que se vê no meio Protestante. Eu reconheço que sou um pecador, reconheço a minha necessidade de Jesus, e eu comprometo-me com Jesus, aceitando-O como meu Senhor e Salvador pessoal. Assim, segundo este sistema, mesmo se você é um batizado católico romano, você ainda não é um "cristão" até que você faça este compromisso pessoal com Jesus.

Lembro do meu desgosto quando um amigo de berço católico me disse que ele era agora um "cristão". Ele estava radiante, entusiasmado, tão feliz de perceber que ele nunca tinha sido um cristão antes, e agora ele era. Aqui estava um homem que, devido a esta recém-descoberta "salvação", afastou-se da verdadeira fé, abandonou a Santa Missa e os sacramentos, e abraçou um credo herético. Ele estava vivendo objetivamente em pecado mortal contra o Primeiro Mandamento. No entanto, ele exibia um tipo similar de júbilo afetado, o sorriso pasta de dentes efervescente, aquele mesmo maneirismo chamado "vivo em Jesus" que eu vi em muitos nesta última conferência carismática - o que prova que as aparências de se estar supostamente "cheio do espírito" não significam nada.

Este amigo meu tinha sido batizado e criado como católico, então na verdade, ele tinha sido um cristão desde o dia de seu batismo. Mas em um ponto em sua vida, ele participou de um desses perniciosos encontros empresariais Protestantes onde lhe foi dito que o seu batismo realmente não importava. Seu Catolicismo não importava. Não, se ele queria ser um "cristão", não havia outra maneira de fazer isso, a não ser aceitar Jesus como Senhor e Salvador. E como ele era um produto da educação Católica pós-Vaticano II, ele caiu nessa rapidinho.

Cerimônias de testemunho Católico cada vez mais parecidas com os movimentos de espírito Protestante.


A fórmula Protestante de ser "salvo" ao aceitar Jesus como seu salvador pessoal é baseada na rejeição do sacramento do Batismo, como o meio estabelecido por Cristo para limpar o pecado original e encher a alma com a graça santificante. É só por este meio que nós recebemos a vida divina da Santíssima Trindade em nossas almas. Este é o ponto central da doutrina negada pelo Protestante que está ficando "salvo" por apenas aceitar a Jesus como Senhor e Salvador.

Assim, se a imitação é a forma mais sincera de lisonja, por que a Igreja Católica em Steubenville imita uma prática Protestante baseada na rejeição de princípios básicos da fé Católica? Que bem faz aceitar publicamente "Jesus como Senhor e Salvador", quando já se está em estado de graça? É um emotivo espetáculo superficial que não existe em nenhuma parte de nossa herança sagrada. Só podemos tentar imaginar os Católicos nobres como G.K.Chesterton, Hilaire Belloc ou imperador Carlos da Áustria submetendo-se a este emotiva paródia "comprometer sua vida com Jesus".

Na verdade, a Igreja Católica já tem uma cerimônia pública para "se re-comprometer com Jesus", se você quiser, que é a "renovação das promessas batismais" promulgada no Sábado Santo. Esta cerimônia digna e nobre é rica em tradição católica e simbolismo. Não é como as palhaçadas que aconteceram em Steubenville, uma imitação barata do emocionalismo de Jim e Tammy Baker. E se uma alma batizada sai do estado de graça, então ela deve procurar o Sacramento da Confissão, um ponto de doutrina que as espécies de Steubenville não parecem negar (houve confissões acontecendo durante todo o fim de semana de conferências e os participantes foram incentivados a ir).

Novamente, o que vemos em tudo isso é a fusão Catolicismo: Catolicismo misturado com elementos Protestantes que denigrem a fé católica, e servem para enobrecer uma prática Protestante que nega as próprias palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo em Sua instituição dos Sacramentos [2]

O Beato Papa Pio IX, como todos os Papas até ao Concílio Vaticano II, reconheceu justamente o Protestantismo em todas as suas formas como "uma revolta contra Deus" [3]. Pio IX também, em seu magnífico Syllabus de Erros, solenemente condenou o erro que diz que "O Protestantismo nada mais é que uma outra forma da verdadeira religião cristã" [4], um erro no qual o "Pentecostalismo Católico" é baseado [5]. O que aconteceu neste fim de semana em Steubenville - que foi mergulhado no espírito Protestante - não foi uma forma explosiva de uma efusão do Espírito Santo. Pelo contrário, todas as indicações apontam para o espírito de trabalho do submundo.

Sábado

Em 1974, em uma crítica mordaz do Movimento Carismático, o ortodoxo e firme Arcebispo Dwyer dos Estados Unidos disse: "Nós consideramos pura e simplesmente como uma das tendências mais perigosas da Igreja em nosso tempo, estreitamente ligada em espírito com outros perturbadores movimentos de divisão; ameaçando grave dano à unidade e danos a inúmeras almas "[6]

Joseph Fitcher, em seu livro de 1974  The Catholic Cult of the Paraclete  [O Culto Católico do Paráclito], mencionou que alguns prelados católicos ficaram "preocupados com a influência Protestante em seu povo", devido ao Pentecostalismo. Fitcher citou o Bispo Joseph McKinney preocupado sobre os católicos sendo "enganados e não serem firmemente enraizados na teologia". [7]

Meu fim de semana em Steubenville provou como são corretas as preocupações destes bons bispos. Isto foi particularmente evidente durante os eventos de sábado. O dia começou com uma curta sessão de "Adoração e Louvor", com a mesma música pop rock, a mesma emoção da platéia, o mesmo estilo Protestante de "Louvado seja Deus", "Aleluia", "Louvado seja o Senhor” gritado do pódio. Isto foi seguido por duas palestras. Al Mansfield falou em "Nós Andamos Pela Fé e Não Pela Visão", contando a história comovente de sua casa de Nova Orleans sendo destruída no furacão Katrina. No processo, ele pediu a todos, "não saiam daqui sem serem batizados no Espírito Santo."

Então veio Bert Ghezzi, "O Poder Transformador do Sinal da Cruz", que foi em grande parte uma bela apresentação. Ele explicou a prática católica de fazer o Sinal da Cruz, a história dessa prática e sobre o santo e poderoso sacramental que é.

Este foi seguido pela "Liturgia Eucarística" às 10:30h, uma celebração Novus Ordo cheia de música pop rock. Alguns dos detalhes desta liturgia serão contados em uma edição futura.

Então nós chegamos à duas sessões de workshop desta tarde: a primeira às 2:00h, a segunda às 3:30h. Cada uma das sessões teve cinco workshops realizados simultaneamente por vários oradores. Por enquanto, vou apenas mencionar um dos workshops que participei. Foi intitulado "Formar o seu caráter com o Santos", realizado por Joanne Storm, Ph.D., uma jovem senhora patricinha entusiasmada que ensina Psicologia em Steubenville. Embora sua forma de se vestir possa não ser para todos, o conteúdo de seu discurso foi, em sua maior parte, muito bom. Ela fez um "Top 10 de Características" dos Santos, que incluiu: o uso freqüente da confissão; viver uma vida contra-cultural; humildade; devoção à Eucaristia e outros pontos. Não mencionado no Top 10, no entanto, foi a devoção a Nossa Mãe Santíssima. Eu achei que esta foi uma grave omissão, embora eu não questione de qualquer maneira o amor da Dra. Storm por Nossa Senhora.

Durante sua apresentação, ocorreu-me que havia outro ponto que os santos tinham em comum. Todos eles se tornaram santos sem um "batismo do Espírito Santo" Pentecostal. Todos eles subiram para a santidade heróica sem participar de Missas rock'n'roll, sem "aceitar Jesus como Senhor e Salvador" ao modo Protestante, sem adotar terminologia e maneirismos Protestantes. Sua palestra, inadvertidamente, demonstrou que a última coisa que alguém precisa para tornar-se um santo é qualquer participação nesta nova onda do Pentecostalismo que agora infecta a Igreja Católica.

Na verdade, cada santo que a Dra. Storm mencionou: São João Vianney, Santa Teresa de Ávila; Santa Joana D’Arc, Santa Isabel da Hungria, São João Bosco, teria corrido dessa conferência em Steubenville gritando de horror pelo que foi apresentado como "católico" para os participantes ingênuos. Pior, Santa Katherine Drexel da Filadélfia, que morreu em 1928, teria reconhecido imediatamente o que era o fim de semana em Steubenville: a reencarnação de altos decibéis dos revivalistas, fachada do pentecostalismo Protestante galopante no início do século 20.

"Hora Santa" Profana

As pessoas muitas vezes perguntam como eu posso assistir a estes eventos turbulentos. Eu respondo que eu fui um músico profissional estudando jazz e guitarra clássica, e toquei música pop em casas noturnas por cinco anos. Todos esses anos me dessensibilizaram, então eu não me sinto obrigado a fugir da sala quando a música alta inflama. Eu nem toco, nem ouço mais o rock, mas eu ainda reconheço um show de rock quando vejo um, e eu reconheço esses fins de semana Carismáticos (assim como a Jornada Mundial da Juventude) como festas rock com um fino verniz "cristão".

Isto não significa que eu ache esses eventos fáceis de suportar. Eles são extremamente desgastantes. No sábado à noite, eu estava cansado e procurando algum tipo de alívio. Então, quando eu vi a "Hora Santa" prevista para as 08:00h da noite eu tive esperança de que talvez, depois do ruído contínuo do dia - o rock'n'roll explosivo, as bombásticas sessões "louvar o Senhor", contínuos aplausos da platéia, o zumbido Hindu da orquestrada "oração em línguas" - talvez, apenas talvez, nós pudéssemos realmente ter uma hora de calma.

Eu não poderia estar mais errado.



A "Hora Santa" carismática em Steubenville


A "Hora Santa" foi precedida pela enérgica "música de encontro" da banda de culto. Quando entrei no ginásio, naquela noite, a banda e o público estavam em plena traquinagem, fazendo um número ritmado de "I Saw the Light". Os que estavam no meio da multidão se mexiam e batiam palmas, um grupo de mulheres de meia idade dançava nos corredores até perto do palco. Isso foi seguido por outra canção otimista para agradar ao público "The House of the Lord."

Padre Scanlon, em seguida, falou sobre as necessidades da Universidade Franciscana de Steubenville; um estudante prestou depoimento no pódio sobre que lugar maravilhoso ele pensou que Steubenville era. Padre Scanlon retornou para fazer uma coleta para quem não pode se dar ao luxo de mandar seus jovens para Steubenville. Depois disso,  "A Hora do Louvor e Adoração Santa" começou.

Tudo começou com ainda mais música pop rock, a repetição de “The Days of Elijah”. Depois, houve um breve período em que os da "equipe" liam uma passagem da Escritura ou faziam uma oração. A banda então começou com “Prepare the Way”, uma canção pop Protestante encontrada no site Rockin’ with the Cross. Foi com esta música pop rock que o Padre John Gordon fez a sua entrada dramática no salão com o Santíssimo Sacramento em um ostensório. A "Hora Santa" estava agora em andamento.

As luzes da sala foram esmaecidas, e um foco de luz amarelo-dourado no cimo de um pequeno sótão na parte de trás do salão, foi colocado no ostensório erguido pelo Padre Gordon. Três jovens de vestes brancas: dois segurando velas e um andando para trás incensando o ostensório liderando a procissão. Todo o tempo, o salão latejava com o ritmo da banda de culto. Fusão Catolicismo novamente. A banda então deu início a uma lenta canção rock, pulsante escrita pelo Protestante Michael W. Smith chamada Agnus Dei e encontrada no site Rockin’ with the Cross.


Todas as músicas de adoração são do site Protestante Rockin’ with the Cross


A batida pesada, o canto prolongado e a dinâmica poderosa enviou uma sensação a toda a multidão que se intensificou quando o Padre Gordon finalmente colocou o Ostensório sobre a mesa do altar Novus Ordo. Padre Gordon incensou a parte de trás do ostensório, então ficou atrás do ostensório, um braço levantado e o outro segurando o microfone nos lábios, e começou "Santo És, Senhor. Bendito seja o nosso Senhor Deus, Digno, digno é o Senhor", por cima da ardente canção de rock. A banda começou com volume e energia, cantores improvisavam por cima da música. Padre Gordon continuou a gritar "digno, digno, digno é o Senhor". Padre Gordon também caiu orando em línguas por cima dos pratos da música batendo e batendo; "Shamana Shamana Shamana Shamana Shamana". Foi um dos espetáculos mais grotescos que eu já presenciei.

A música parou, um barulho de oração "em línguas", continuou. Mais música pop foi detonada, desta vez We Fall Down, do Protestante Chris Tomlin,  encontrada, adivinhe, no site Rockin’ with the Cross.

Na verdade, com a exceção de cerca de dois hinos, todas as canções executadas na "Hora Santa" eram melodias pop escritas por um Protestante e encontradas no site Protestante "Rockin’ with the Cross". Só podemos imaginar como o Papa São Pio X teria reagido a esta profanação.

Desafio ao antigo Magistério

O Papa São Pio X, em conformidade com todos os papas antes dele, reiterou a verdade milenar de que só a Música Sacra é lícita na Igreja e no culto Católico. Ele, obviamente, considerou isso de suma importância, pois ele tinha apenas três meses no cargo, quando ele emitiu a Instrução magnífica sobre Música Sacra, Tra le Sollecitudini. Pio decretou:

"Nada deve ter lugar, portanto, no templo que perturbe ou, sequer, diminua a piedade e a devoção dos fiéis, nada que dê motivo de desgosto ou de escândalo, nada, acima de tudo, que diretamente ofenda o decoro e a santidade das funções sagradas e seja, portanto, indigno da Casa de Oração e da majestade de Deus".

São Pio X insistia que a música sacra deve ser composta de três elementos: ela deve ser santa, deve ser verdadeira arte, e deve ser universal.

São Pio colocou o canto gregoriano como a música ideal para igreja


Quanto ao elemento de santidade, São Pio X explica que Música Sacra "tem de ser santa, e deve, portanto, excluir todo o profano não só em si, mas nas maneiras de quem a executa." (Falando "daqueles que executam", os membros da banda de adoração vestiam-se de forma “moda de rua”: traje casual, as meninas de calça de tecido grosseiro, tanto para Missa de sábado quanto para as "Horas Santas"[8]. A culpa aqui deve ser colocada em primeiro lugar sobre o clero “cheio do espírito” de Steubenville por seu abandono do dever, por não ensinar os jovens a seu cargo sobre o traje adequado para as funções da igreja. O público também foi desleixadamente vestido para esses eventos do sábado).

O Papa São Pio X protestou contra música mundana na igreja: "... a Igreja não pode conter nada de profano [e deve] ser livre de reminiscências de motivos aprovados em teatros, e não devem seguir a moda em suas formas externas à maneira das peças profanas". Quaisquer novas composições devem ser de "Sobriedade e gravidade, que não sejam de forma alguma indignas das funções litúrgicas".

São Pio X colocou o canto gregoriano como a régua de medição infalível pela qual todas as músicas da igreja devem ser avaliadas:

"... O canto gregoriano foi sempre considerado como o modelo supremo de Música Sacra, de modo que é totalmente legítimo estabelecer a seguinte regra: quanto mais uma composição para a igreja se aproximar em seu movimento, inspiração e sabor, da forma gregoriana, mais sagrada e litúrgica torna-se: e quanto mais fora de harmonia estiver com esse modelo supremo, menos digna do templo "[9].

Poucas formas de música poderiam estar mais longe do modelo de canto gregoriano do que o "rock cristão" escrito por compositores Protestantes modernos para os serviços Protestantes. Isso não diz muito do "rock cristão" tocado em Steubenville quando eu observei que as únicas formas "menos dignas do templo" seriam o punk, o rap e o heavy metal.

Na verdade, até mesmo o Papa atual, Bento XVI, que é progressista em outras áreas, manifestou recentemente seu descontentamento com a música pop em funções da igreja. Em 27 de junho num concerto conduzido por Domenico Bartolucci, o diretor de música na Capela Sistina, Bento XVI disse que a única música apropriada para o culto católico era o tipo tradicional. "É possível modernizar a música santa", disse Bento XVI, "mas isso não deve acontecer fora do caminho tradicional do canto gregoriano ou da música polifônica coral". [10]

A música rock é desordenada por sua própria natureza, não importa o que digam as letras colocadas em cima dela. A estrutura beat do rock é feita para inflamar emoções, inflama as paixões inferiores. Até mesmo Keith Richards dos Rolling Stones admitiu: "O rock é a música do pescoço para baixo". [11]

A música rock é um elemento definidor da moderna cultura pop antitética ao Catolicismo. Curiosamente, apesar da Dra. Storm provavelmente não ter considerado isso, se os carismáticos levassem a sério todas as implicações da proposta da Dr. Storm em ser "contra-cultural", a primeira coisa que teriam que abandonar seria o "rock cristão" no qual eles são viciados. "Rock cristão" é um compromisso ilegítimo com uma forma de música intrinsecamente desordenada. De acordo com as normas perenes reiteradas pelo Papa São Pio X (e de acordo com o senso comum), "rock cristão" é um palavrão que não merece lugar em qualquer função que seja católica.

A adoção em Steubenville desta música profana e terrena é uma das muitas demonstrações de que seu pentecostalismo levado pela emoção não está operando sob o Espírito Santo, mas sob um espírito estranho ao Catolicismo, alheio ao Santos, alheio ao Papa São Pio X e a todos seus antecessores.

Hora Santa ou hora sacolejante?


Voltemos para a Hora Santa rock'n'roll em Steubenville.

Após a sessão já mencionada, Padre Gordon deu uma breve homilia que foi, na forma carismática, intercalada com aplausos da platéia pelo menos cinco vezes. Em seguida, a Procissão começou.

A banda de louvor iniciou um dos seus números de palpitante música protestante, Padre Gordon desceu do palco com o ostensório e começou a processionar lentamente ao longo do corredor. Novamente, os três jovens de vestes brancas, dois acólitos e um incensador, foram antes dele. As luzes estavam baixas, o foco amarelo-dourado iluminou o ostensório que o Padre Gordon mantinha no ar, ele movia-se num ritmo de lesma, lentamente abençoando a multidão com o ostensório enquanto passava. Os movimentos do Padre Gordon até aqui eram lentos e até mesmo régios, em nítido contraste com música pop rock envolvente do corredor.



Pe. Gordon com o ostensório deixa o palco e processiona com música rock tocando e braços se agitando.




Agora a banda estava explodindo com "Better One Day in Your Court" do protestante Mark Redman. Alguns na multidão começaram a parar e rezar com os braços levantados. A procissão inteira durou cerca de 50 minutos. A banda de adoração passou de uma melodia Rock With the Cross para outra: “The Air I Breathe” dos protestantes Marie Barnett, “Enough” dos protestantes Chris Tomlin e Louie Giglio; “Dwell” dos protestantes Casey Corum e distribuída pela seita de Vineyard, "Holy Laughter".

E quanto a minha hora de calma? Bem, o leitor vê o quanto era vão esse desejo. Tivemos ruído constante na hora inteira. Até o final da procissão, foram muitos carismáticos colocando-se de pé, rezando com os braços estendidos no ar.

O Padre Gordon voltou ao palco e colocou o ostensório sobre o altar-mesa. Então, como se alguém de repente mudasse uma estação de rádio, o Tantum Ergo em Latim começou a emanar do palco. Este hino Católico foi uma colisão de frente com tudo o que havia sido realizado anteriormente. "Tu nos destes o pão do céu", cantou Padre Gordon, seguido pela resposta em Inglês. Ele abençoou o público, a multidão cantou Holy God We Praise Thy Name (apoiado pelo piano elétrico), Padre Gordon processionou com o ostensório para fora do salão. Então começou um rock balança-paredes final, um título que eu não pude encontrar. A banda de culto trouxe a música a um fim dramático enquanto o público aplaudia. A grotesca "Hora Santa" estava completa.


As sessões de jovens são ainda piores


Há mais para observar neste fim de semana Carismático que vai ter que esperar até o próximo mês. Deve-se notar que reuniões de jovens em Steubenville, que recebem dezenas de milhares de adolescentes Católicos de escolas secundárias de todo o país, são realizadas de acordo com a mesma abordagem tecno-protestante ao Catolicismo, onde os adolescentes são bombardeados por música de louvor pop rock, onde pede-se a eles que "entreguem suas vidas a Jesus" à maneira protestante, e encorajados a ser "batizados no Espírito Santo"[12]. Pior, esses eventos incluem, por vezes, o supremamente ridículo sacerdote rapper Padre Stan Fortuna.

Um garoto de 15 anos, conhecido meu, disse que ele participou de um fim de semana do ensino médio para adolescentes na Universidade de Steubenville onde estavam caindo ao chão "repousando no espírito" na batida da música rock. "Nós estávamos empacotados no salão tão apertados que mal podíamos nos mover", disse ele. "Havia jovens em colapso em volta de mim. Eu não via a hora de sair de lá. Eu estava morrendo de medo".

No entanto, devido à confusão grave na Igreja trazida pelo Concílio Vaticano II, uma confusão que, de repente abençoa o que a Igreja sempre condenou, a Universidade Franciscana de Steubenville goza da reputação de ser um dos principais bastiões da ortodoxia católica da América do Norte.

Essa confusão estende-se às almas queridas que participaram no fim de semana Carismático. A maioria dos carismáticos nesta conferência, eu acho, são pessoas generosas, boas, bem-intencionadas que foram enganadas, devido ao que a Irmã Lúcia de Fátima chamou a desorientação diabólica daqueles que ocupam lugares de responsabilidade na Igreja.

Uma última parada

No domingo, pouco antes de deixar a conferência de junho, parei na livraria da Universidade, um lugar onde a fusão Catolicismo floresceu. A coleção de materiais era tanto Católica quanto "carismática", tanto pré-conciliar quanto pós-conciliar.

Mais uma vez, o elemento mais notável foi o ruído. Um "rock cristão", ainda mais pesado do que aquele que tocou durante todo o fim de semana, explodia nos alto-falantes da loja. Foi uma amostra dos muitos CDs de "Christian Rock" à venda na universidade cheia do Espírito.

Notas:
1. Close-ups of the Charismatic Movement [Close-ups do Movimento Carismático], J. Vennari [Los Angeles: Tradition in Action, 2002]. O livro inclui também uma seção sobre o revolucionário Cardeal Leon Joseph Suenens, um dos prelados mais radicais do século XX que foi o defensor zeloso do movimento carismático e Cardeal-Protetor. Cardeal Suenens também é famoso por se opor publicamente a Humanae Vitae e destruir ("modernizar") a vida de Convento através de seu livro espantoso, The Nun in the World [A Freira no Mundo]. (www.cfnews.org / CharBk.htm)
2. Por exemplo, sobre a instituição do Sacramento do Batismo, da Eucaristia e Confissão, por Nosso Senhor, ver João 3,5, Mateus 28,19, Mateus 26,27-28, Marcos 14,22-24, Lucas 22,19 - 20; 1 Cor. 11,23-26, João 6,54-59, João 20,21-23. Veja também Concílio de Trento, sobre os sacramentos, Canon I (encontrado na página 2 desta edição).
3. O Beato Papa Pio IX identificava o protestantismo em todas as suas formas como "uma revolta contra Deus, sendo uma tentativa de substituir a autoridade divina pela humana, uma declaração de independência da criatura de Deus." Citação de Padre Michael Müller, C.SS. R., The Catholic Dogma [New York: Benzinger Brothers, 1888], p. 43-4.
4. Syllabus de Erros, proposição condenada no. 18.
5. Veja “'Catholic’ Pentecostalism: Grown in the Garden of Heresy”, J. Vennari, página 3 da edição de agosto de 2006 do Catholic Family News.
6. A crítica de Dwyer apareceu em uma entrevista publicada no National Catholic Register, 21 de julho de 1974 e é citada de The Catholic Cult of the Paraclete, de Joseph Fitcher, Sheed and Ward, Inc. New York, 1974, p. 40
7. Op. cit. página 40. Citação original do Bispo Joseph McKinney apareceu em uma entrevista publicada na New Covenant, Setembro, 1971, pg 10-16.
8. Cheguei depois da Missa Dominical no dia seguinte, e a multidão não parecia estar vestida de forma diferente do que estava no sábado.
9. Papa São Pio X, Motu Proprio Tra le Sollecitudini: Instrução sobre Música Sacra, 22 de novembro de 1902. (Grifo nosso em todas as aspas). Para mais informações, consulte "Pope St. Pius X’s Motu Proprio: Tra le Sollecitudini,” Eight Part Series por Patrick Brill, Ph.D.
10. "The Pope Wants Pop Music Banned from Churches", Hindustan Times, 27 de junho de 2006. No próximo mês, vamos contrastar isso com a atitude supostamente positiva do Papa Bento XVI com relação ao Movimento Carismático, e perguntar como os dois podem, possivelmente, andar juntos.
11. "Elefant: The Black Magic Show", Stylus Magazine. www.stylusmagaz ine.com / review.php? ID = 3972 (website de rock).
12. Eu vi um fiasco jovem semelhante em Celebrate Jesus 2000 organizado pela Universidade Steubenville.

Original aqui.


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Notas da tradutora:

*700 Club é um bar dos EUA.
**No original “altar call” que é uma prática Protestante onde as pessoas são chamadas a se manifestar publicamente e "assumir um compromisso com Jesus Cristo". É chamado assim porque as pessoas devem subir ao altar para fazer tal declaração.


terça-feira, janeiro 24, 2012

Tempos funestos

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Diz a Profecia de Nossa Senhora de Bom Sucesso:

Tempos funestos sobrevirão, nos quais, cegando na própria claridade, aqueles que queriam defender em justiça os direitos da Igreja, sem temor servil nem respeito humano, darão a mão aos inimigos da Igreja, para fazer o que estes quiserem. Mas ai do erro do sábio — o que governa a Igreja —, do Pastor do redil que meu Filho Santíssimo confiou a seus cuidados. Mas quando aparecerem triunfantes e quando a autoridade abusar de seu poder, cometendo injustiças e oprimindo os débeis, próxima está sua ruína. Cairão por terra estatelados. E, alegre e triunfante, qual terna menina, ressurgirá a Igreja..."


Irmãos, mesmo que sacerdotes e príncipes da Igreja traiam Nosso Senhor, não percamos as esperanças, não vacilemos na Fé. Paciência, pois os enganos são tantos que há até mesmo pastores que abandonam suas ovelhas em busca de quimeras. 

Tenhamos Fé em Deus! Lembrem-se que tudo passa, só Deus permanece o mesmo. Busquemos crescer na Caridade,  busquemos viver do modo que mais agrada ao Senhor. O resto é resto, passa rápido. 

Tenhamos sede de Deus, sede do Céu, sede de santidade!


Nossa Senhora, rogai por nós!

quinta-feira, janeiro 19, 2012

Harry Potter e o problema do Bem e do Mal

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Por Marian T. Horvat
Traduzido por Andrea Patrícia



Um dos maiores problemas da mania de Harry Potter, a meu ver, é a confusão tremenda entre o bem e o mal evidente que é gerada entre os jovens, especialmente no ambiente já relativizado dos nossos dias. As crianças não só precisam dos absolutos, mas procuram-nos.

Quando eu era jovem, eu tinha uma imagem vívida do diabo em minha mente, tomada a partir das ilustrações da história de Wupsey na revista Catholic Treasure Box.  Wupsey era o anjo da guarda da pequena Sunny na missão de Mantuga.

O diabo era claramente mau com as suas manchas vermelhas, cauda bifurcada, cabelo de línguas de fogo e nuvem de fumaça sulfúrica que se arrastava com ele como uma sombra. O demônio astuto estava sempre tramando alguma maldade contra Sunny ou tentando-o para provar algum fruto proibido, mas o poder do anjo bom sempre triunfava.

Esse tipo de imagem tornava o demônio muito real para mim - e até mesmo assustador às vezes. Além disso, ele incutiu um medo saudável de qualquer coisa associada a Satanás ou a sua obra - incluindo bruxas, feiticeiros, magias, encantos e sessões espíritas. Ao mesmo tempo, tinha a firme confiança de que meu anjo da guarda era muito mais poderoso e que, se eu tivesse que recorrer a ele em meus medos na noite escura, ele sempre derrotaria as artimanhas de Satanás. Uma visão simplista, talvez, mas muito saudável.

É esta visão inocente e sadia do mundo que foi ameaçada com a entrada das fictícias bruxas "boas"  e da magia "boa" - primeiro Samantha, depois as populares Sabrina a Bruxa Adolescente e Buffy a Caça Vampiros. Parecia possível - pelo menos na mente de muitos dos jovens impressionáveis, mesmo os católicos - ser alguém bom e ao mesmo tempo ser uma bruxa.

E agora, antes que a magia branca seja acusada de favorecer o sexo mais fraco, temos Harry Potter, o herói da série best-seller da autora inglesa Joanne Rowling. Harry Potter, um órfão de 11 anos de idade, criado por parentes abusivos, de repente se descobre um bruxo. Um bruxo bom, lembre-se disso. Ele é gentil, generoso, compartilha e defende o que é certo, proclama seu site oficial. Há alguns problemas como a linguagem chula e desrespeito juvenil, mas nada muito forte para as nossas crianças modernas e espertinhas, com certeza. 

Surpreendentemente, até mesmo uma revista católica "conservadora", como a Crisis, editada pelo Sr. Deal Hudson, deu um selo de aprovação para a "revolução da leitura" que a série Harry Potter gerou entre os jovens. Um vigário na Igreja da Inglaterra realizou um especial "serviço da família Harry Potter", completo, com bruxos, chapéus pontudos e vassouras. Aparentemente, as crianças de hoje são demasiado sofisticadas para ficarem confusas com o uso de símbolos associados ao mal. Podem distinguir bruxos bons dos maus.


Wupsey, o anjo da guarda, protegida o pequeno Sunny dos maus desígnios do diabo


No entanto, de acordo com a doutrina católica, bruxos bons não existem. Não há bons espíritos além dos anjos, não há maus espíritos, exceto demônios. A reivindicação popular hoje é a prática de "magia branca". Na terminologia atual, "magia branca" significa desfazer feitiços e usar os "poderes das trevas" para o bem (um oxímoro, se alguma vez houve um), enquanto "magia negra" é fazer feitiços para o mal. Esta noção é bastante difundida. No entanto, na realidade "magia branca" é todo tipo de encantamento feito sem um apelo direto ao diabo, e "magia negra" é quando a dependência de Satanás é explícita. Não é difícil de ver. Como o padre Gabriele Amorth diz claramente em seu livro best-seller "Um exorcista conta-nos", não há diferença essencial entre magia "branca" e "negra". Toda forma de feitiçaria é praticada com recurso direto ou indireto a Satanás.

É uma máxima bem conhecida que onde a religião regride, a superstição progride. Hoje estamos vendo uma proliferação do ocultismo, espiritismo e bruxaria, uma onda de interesse entre os jovens em ligações ocultas perigosas e o lado escuro do "poder-bruxo". A associação da música rock com o ocultismo e satanismo é bem documentada (ver o novo livro de Michael Matt, Gods of Wasteland). Nós somos testemunhas de crimes hediondos com tonalidades satânicas cometidos por adolescentes e até mesmo por crianças de 11 anos de idade. Ao mesmo tempo, há muitas pessoas - incluindo padres e teólogos católicos - que descartam não só a extensão da influência de Satanás sobre os assuntos humanos, mas o próprio Satanás. Se não houver Satanás, então, certamente, não há mal nenhum em um pouco de magia ou feitiçaria.

"Os teólogos modernos que identificam Satanás com a idéia abstrata do mal estão completamente equivocados", diz o Padre. Amorth, um dos  exorcistas mais conhecidos do mundo, que sabe por experiência que o diabo realmente existe. "Isso é uma heresia verdadeira, ou seja, está abertamente em contraste com a Bíblia, os Padres e o Magistério da Igreja". E, acrescenta, é óbvio que esta crença facilita o trabalho dos anjos rebeldes.

Esta atitude - que faz luz sobre bruxaria, encantos e feitiços - permeia os romances de Harry Potter. O padre Amorth, contudo, deixa bem claro que neste reino até mesmo as coisas aparentemente mais indiferentes são ruins. Há um fascínio universal pelo poder oculto sobre as coisas e as pessoas - seja a capacidade de travar a língua de um professor de Inglês ou inventar uma poção do amor. No entanto, o que começa como diversão e piadas pode acabar em uma realidade terrível. Padre Amorth seriamente observa que a forma mais comum que uma pessoa pode sofrer sem culpa os poderes do mal é através da feitiçaria. Feitiçaria também é a causa mais freqüente naqueles que são atingidos por possessão ou outras más influências. No entanto, a feitiçaria é apresentada nos livros de Harry Potter de uma maneira alegre e ingênua. Os pais que acreditam que seus filhos nunca serão tentados a mexer com as artes negras que fazem com que Harry tenha tanto sucesso e seja tão popular parecem tão ingênuos quanto os clérigos que se recusam a acreditar em feitiçaria.

Maldições são outra realidade apresentada sem as necessárias distinções que os Católicos sempre aprenderam. Na verdade, existem maldições que são santas. Estas vêm de Deus, por exemplo, a maldição de Deus sobre a serpente no Jardim do Éden. Mas é bastante claro que as maldições nos livros de Harry Potter não são deste tipo. No site de Harry Potter é possível encontrar uma lista de feitiços usados na série, alguns que parecem bem indiferentes: o Alohomora - o feitiço de abertura de portas, ou o Tarantallegra - o feitiço da dança. Mas depois há o Avada Kedavra - A maldição da morte (uma Maldição Imperdoável), e o Crucio! - Uma maldição dolorosa. Ou a do Imperio - uma maldição de controle total. Esses tipos de maldições tem uma definição muito simples para os Católicos: prejudicar os outros através da intervenção demoníaca. A Escritura proíbe essas práticas, porque são uma rejeição de Deus e um voltar-se para Satanás: "Não se achará entre ti quem queima seu filho ou sua filha como uma oferenda, qualquer pessoa que pratique adivinhação, um leitor de sorte ou um adivinho, ou um feiticeiro, nem encantador, ou um médium, ou feiticeiro ou um necromante. Quem faz estas coisas é abominável ao Senhor" (Dt. 18, 10-12). Eu poderia citar muitos outros versículos.


Harry Potter - não tão inocente ou inofensivo


O que eu temo que o jovem leitor de romances de Harry Potter não consiga perceber é que tais maldições invocam o mal - e a origem de todo mal é demoníaca. Além disso, Pe. Amorth nos lembra: "Quando maldições são faladas com verdadeira perfídia, especialmente se houver uma relação de sangue entre aquele que as lança e os amaldiçoados, o resultado pode ser terrível". Ele dá muitos exemplos assustadores.

Malefício (também conhecido como malefice ou hex) vem do latim male factus - fazer o mal. Feitiços podem ser lançados, por exemplo, através da mistura de algo na comida ou bebida da vítima. Eles são reais, Pe. Amorth insiste, ele fez muitos exorcismos para libertar as pessoas que foram afetadas com esses tipos de magias. Sua eficácia maligna não está tanto no material utilizado como na vontade de prejudicar através da intervenção demoníaca. No entanto, é esta intervenção demoníaca que os romances de Harry Potter ignoram nefastamente.

A Magia é apresentada como uma coisa engraçada, um jogo. Feitiços são "legais". Livros estão sendo publicados sobre o assunto, como Spells of Teenage Witches, descrito pelo seu autor como "um livro de auto-ajuda para os jovens". Uma bruxa e diretora da Federação Pagã escreveu The Young Witches Handbook, que inclui feitiços para passar em exames escolares ou atrair um parceiro. Aparentemente não há nenhuma razão para preocupação. Ninguém fala sobre o fato de que o que começa como feitiços bobos pode levar a danos espirituais e psicológicos, e até mesmo a obsessão demoníaca ou possessão.

O que é mais perigoso sobre os romances de Harry Potter? É precisamente isso: eles não parecem perigosos. Harry Potter e seus amigos lançam feitiços, lêem bolas de cristal, e está tudo bem. A autora introduz questões muito sérias que a Igreja Católica sempre condenou e alertou seus filhos para ficar longe - magia, encantos, feitiços, feitiçaria, leitura de mão, tábuas Ouija, etc. - e trata-os de um modo trivial, e mesmo como uma moda sem importância. No clima de hoje, carregado de convites para experimentar o ocultismo, é demais abrir uma polegada que seja da porta para o Príncipe das Trevas "que ronda sobre o mundo procurando a ruína das almas". Livros que fazem magia e feitiços e encantos parecer tão divertidos e inofensivos são enganosos. Na melhor das hipóteses, eles certamente incentivam as crianças a ter uma visão New Age tolerante e sorridente da bruxaria. Em minha opinião, já é demais.

Non liceat Christianis [Não é lícito aos Cristãos] nem mesmo ter o mínimo interesse em magia ou feitiçaria, diz São Tomás de Aquino:

"Ao homem não foi confiado poder sobre os demônios para empregá-los para qualquer propósito que ele queira. Pelo contrário, é determinado que ele deve travar uma guerra contra os demônios. Por isso, de modo algum é lícito ao homem fazer uso da ajuda dos demônios por pactos - sejam expressos ou tácitos"(II-II, q. 96, a. 3).

Acho lamentável que o exorcismo tenha sido tirado do ritual batismal, e quase criminoso que a oração a São Miguel Arcanjo, que costumava ser recitada depois de cada missa, tenha sido eliminada após missas Novus Ordo. E eu acho que haverá muitas mea culpas a serem feitas por aqueles pais sofisticados que acham críticas como esta da série Harry Potter "realmente sérias demais", mesmo quando a própria autora está advertindo-lhes que suas obras se tornarão cada vez mais obscuras e potencialmente perturbadoras*.

É necessário considerar que mesmo as almas inocentes das crianças, sob a influência deste tipo de escuridão, sem recurso habitual da Fé e a ajuda da graça, podem ser levadas no futuro próximo ou distante a distúrbios graves e crimes horrendos. Enquanto eu levo em conta a série de aventuras de Harry Potter, que apresenta feitiçaria e todos os tipos de magias e adivinhações como algo normal, lembro-me da condenação feita pelo profeta Isaías: "Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem de mal, que colocam trevas como luz e a luz como trevas."(5,20)

Original aqui. 

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Nota da tradutora:

*Na época que foi escrito esse artigo a série ainda não havia terminado. E realmente os livros foram se tornando ainda mais obscuros e perturbadores.

Outros artigos que traduzi sobre Harry Potter:

terça-feira, janeiro 17, 2012

Orgulho Prometéico

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Hoje em dia o pensamento gnóstico toma conta das mentes, em qualquer parte do mundo. É sempre aquela historinha de “vamos pensar positivo, vamos mentalizar um mundo melhor”, “vamos acreditar num mundo de paz”, e coisas do tipo. Buscam uma autonomia suicida. É bem como disse o professor Angueth em um post que recomendo a leitura:

 
A “Árvore da ciência do bem e do mal”, diz os comentários da minha Bíblia,[1] é um símbolo “da faculdade de determinar o que é bem e o que é mal, privilégio reservado a Deus, única norma suprema à qual todas as leis e a consciência dos homens devem submeter-se. Os progenitores tentaram usurpar, com o pecado, esse privilégio de Deus. Visaram a ter a faculdade de decidirem por si mesmos o que é bom e o que é mau, sem ter que depender de Deus e assim a se tornarem autônomos moralmente. Com essa autonomia o homem negava o seu estado de criatura e subvertia a ordem estabelecida por Deus.”


Eu já vi esse tipo de coisa por aí. Já ouvi gente dizendo algo como “você não pode deixar os hormônios tomarem conta de você assim, não fique para baixo, lute, alegria!”, como se fosse possível mudar os hormônios no corpo somente com “pensamento positivo”. Sim, a intenção dela era essa, a de fazer a pessoa “mentalizar de forma positiva” para não ser atingida pelas mudanças hormonais (coisa que acontece bastante com a mulher!).

Esse tipo de atitude esconde mesmo um orgulho grande. É uma atitude de que está se rebelando contra as leis de Deus, embora possa passar aos outros a idéia de ser alguém religioso ou “místico”. É pura enganação. Essas pessoas se iludem e caminham cegas tentando guiar outros cegos. É horrível de se ver. Elas querem decidir o que é bem e o que é mal. Por isso admiram os Prometeus da vida, correm da Igreja como o Diabo foge da cruz.

Também já ouvi de um parente - espírita - isso: “eu sempre tive medo de [ao rezar o Pai-Nosso] dizer a parte ‘seja feita a Vossa vontade’”. Disse isso porque tem medo da vontade de Deus. Ele não se dobra aos juízos divinos e pensa poder controlar a própria vida “construindo seu carma”. 

Essas pessoas, muito orgulhosas, não querem se submeter às Leis de Deus. Por isso defendem falsas doutrinas, iludindo-se e iludindo outros incautos.

Pensam que o “pensar positivo” os torna livres e esquecem que isso só consegue quem encontrar A Verdade.

“Eu Sou O Caminho, A Verdade e A Vida”, disse Nosso Senhor Jesus Cristo. Mas esses gnósticos ainda ousam dizerem-se cristãos, mesmo que não sigam nada do que o Cristo ensinou. Cadê que eles seguem Pedro, instituído por Ele como pedra de Sua Igreja? Cadê que eles seguem os Apóstolos? Correm todos da Igreja, inventam para si novidades, vivem infelizes com um tremendo peso nos ombros achando que podem mudar suas vidas se mentalizarem mais sobre coisas boas. E quando não conseguem o que querem pensam “é meu carma”. Que tristeza! Apegam-se ao absurdo de achar que podem mover suas vidas de acordo com suas idéias corrompidas, e que nós cristãos, somos seres “atrasados”, “negativos”, que seremos todos tragados por algum planeta X onde purgaremos nossas faltas e esse mundo aqui será deles, os “evoluídos”. E ficam fazendo “mentalizações”, “pensando positivo”, à espera de alguma mudança neste ano de 2012. 

Essa atitude rebelde é um verdadeiro “orgulho prometéico”. 

Nossa Senhora convertei os gnósticos modernos!