quinta-feira, março 29, 2012

Multiculturalismo: "Diversidade" para os Culturalmente Sem-Noção

Por Dr. Peter Chojnowski
Traduzido por Andrea Patrícia



"Hey, hey, ho, ho, Western culture’s got to go! ["Hey, hey, ho, ho, a cultura Ocidental tem que acabar!"] O ano é 1988. O local é o campus da Universidade de Stanford. Os criadores deste slogan pouco inteligente? Pigmeus aborígenes vestidos em trajes tribais? Orientais com espadas samurai? Matronas indianas em saris? Não é bem assim.

Pelo contrário, são raivosos membros da classe média-alta, brancos, de ambos os sexos, uniformemente vestidos com as roupas padrão da academia americana: jeans azul, camisetas do Los Angeles Lakers, tênis Reeboks, bonés de beisebol, óculos de sol Vuarnet e relógios Rolex. O objeto que eles desprezam com veemência? Aristóteles, São Tomás de Aquino, e outros "homens brancos mortos" cujo pensamento continuou a dominar o "currículo" na Universidade de Stanford. (1)

Este protesto particular, que, por sinal, foi bem-sucedido, é apenas um exemplo de um fenômeno que, na última década, tem se espalhado e que transformou fundamentalmente o conteúdo do ensino superior nos EUA. O movimento, que é mais proeminente na academia, é referido como multiculturalismo.

O seu objetivo declarado é o de equalizar todas as culturas na estimativa do aluno. Um estudante alcança esse novo estado de consciência, quando ele já não vê uma cultura ou perspectiva cultural como superior à outra cultura ou visão cultural. O principal esforço dos multiculturalistas é induzir o aluno a ver tanto sua própria cultura (isto é, a Ocidental, a cultura Cristã) como uma cultura entre muitas culturas igualmente válidas e, conseqüentemente, assumir uma postura mental de "abertura" para "valores" presentes em outras culturas não-Ocidentais.

Como em todos os esforços igualitários, esse processo de "equalização" equivale a uma tentativa de "nivelar" o que tem sido tradicionalmente considerado como superior e exaltar aquilo que tem sido normalmente considerado inferior. Os multiculturalistas acreditam que podem obter este resultado através da introdução de cursos no currículo, que tanto façam menção a outras culturas quanto, mais importante, focalizem os caminhos sinistros tomados pelo Ocidental, homem Cristão em sua luta para suprimir a uma posição de inferioridade, as culturas não-Ocidentais que são de igual valor, se não superiores.

Você pode pensar que os multiculturalistas seriam frustrados em sua tentativa de familiarizar o aluno com as "suprimidas" culturas não-Ocidentais, por conta do fato de que o estudante comum sabe pouco ou nada sobre culturas estrangeiras e, normalmente, se preocupa menos ainda. Além disso, um realista teria que ver os seus esforços para diminuir a influência que grandes livros e idéias da civilização Ocidental estão fazendo sobre as mentes dos jovens como algo ridículo, uma vez que há décadas que as grandes obras e grandes idéias do Ocidente, do homem Cristão já não causam influência alguma sobre a mente do jovem americano. Passar o tempo tentando convencer um estudante que Aristóteles era "realmente" um "racista" é equivalente a tentar convencer uma criança de dez anos que a interpretação da escola de Copenhague da Mecânica Quântica é um exemplo de relativismo epistemológico. Ela/Ele estaria sem noção.

Este julgamento um pouco duro sobre a consciência cultural da graduação americana em média é, no entanto, apoiado por estatísticas sólidas. Segundo as estatísticas reunidas por Lynne Cheney, presidente do National Endowment for the Humanities, é possível se formar em 37% das faculdades americanas, sem ter um curso de história, em 45% sem fazer um curso de literatura americana ou Inglês, em 62%, sem prender qualquer filosofia, e em 77% sem estudar uma língua estrangeira (2). Cheney também relata que agora é "extremamente raro" encontrar os alunos expostos a um currículo básico sobre a civilização Ocidental, mesmo em grandes universidades estaduais e os colégios de elite do Ivy League (3). Não é apenas a média americana de estudantes sem graduação que é aparentemente inepta, e está, definitivamente, desinteressada de tal expansão da "consciência" cultural, mas os próprios fornecedores do multiculturalismo, as faculdades da universidade, são eles próprios obviamente desinteressados sobre qualquer estudo sério das idéias, hábitos e costumes que formam o conteúdo tanto da cultura Ocidental Cristã quanto das não-Ocidentais.

Tornei-me intensamente consciente deste fato, enquanto ensinava na cidade de Nova York. Durante estes anos, a única manifestação visual da idéia multiculturalista penetrando as salas de aula foi a colocação por alguns alunos negros de um "vestuário Africano", que de certa forma lembrava um "terno Nehru". Que Jawaharlal Nehru tenha sido um líder nacionalista indiano, não parecia ser do conhecimento desses devotos do neo-romantismo Africano.

Os professores que estavam mais comprometidos com a "idéia multiculturalista" não mostraram qualquer interesse em descobrir a realidade filosófica, teológica e social de outras culturas. Na verdade, a partir de minha própria experiência, posso dizer que, em geral, os "multiculturalistas", tanto professores quanto alunos de pós-graduação, eram os acadêmicos mais detestados por aqueles alunos que eram de origem não-européia. Claro que, como a maioria das pessoas já sabe, em escolas americanas de pós-graduação isso significa Orientais. Normalmente, os Orientais mantinham amizade íntima com os universitários e professores conservadores, brancos, que ainda existiam como uma minoria sitiada no campus. Se, portanto, a tarefa básica dos multiculturalistas não é "iluminar" os seus alunos sobre o verdadeiro conteúdo de culturas não Cristãs, qual é a natureza de suas atividades? É atacar e denegrir o patrimônio cultural da cristandade e vilipendiar tudo que seja associado a ele. Esta difamação irá se estender até o racismo evidente, enquanto que o racismo é dirigido contra os povos de origem européia. Eu penso aqui sobre a visita bem divulgada no meu campus universitário em New York do Dr. Leonard Jeffries. O Dr. Jeffries, presidente do Departamento de Estudos Afro-americanos no City College de Nova York, é conhecido por sua afirmação de que os brancos são biologicamente inferiores aos negros. Dinesh D'Souza em seu livro Illiberal Education: the Politics of Race and Sex on Campus cita o jornal da faculdade The Campus que afirmou:

O estudioso Afro-americano Leonard Jeffries diz que brancos são biologicamente inferiores aos negros .... Adotando uma perspectiva evolucionária, Jeffries disse em sua aula que os brancos sofrem de uma oferta insuficiente de melanina, tornando-os incapazes de funcionar de forma tão eficaz como outros grupos. Uma das razões que os brancos têm perpetuado tantos crimes e atrocidades, Jeffries argumenta, é que a Idade do Gelo causou a deformação de genes brancos, enquanto os negros foram reforçados pelo "sistema de valores do sol." (4)

Não houve protestos sobre a visita do Dr. Jeffries. Além disso, você não pode deixar de pensar que os protestos contra sua visita seriam tratados como "racistas". A popularidade do Dr. Jeffries nessa época, 1991, é mostrada pelo fato de que ele foi convidado para ser co-autor do esboço de um currículo multicultural para todas as escolas públicas de Nova York.

Há muitas conseqüências práticas da visão multiculturalista ideológica anti-européia. Em seu esforço para implementar a abstração matemática de igualdade na vida de sua universidade, os administradores universitários realizaram um programa de "ação afirmativa", no qual professores são contratados e os alunos admitidos, não porque eles são os candidatos mais qualificados, mas sim, porque são do sexo feminino, negros, hispânicos, ou "nativos americanos". Curiosamente, os Orientais raramente se "beneficiam" de programas de "ação afirmativa". Provavelmente porque eles não são clientes da esquerda americana.

Essa desconsideração sistemática de qualificações acadêmicas, juntamente com a proliferação de cursos de "ataque" anti-Ocidentais (por exemplo, "As mulheres na literatura Africana em francês", "Harlem Renaissance", "Ibo I e II", " Políticas de Autobiografia Negra"), resultou em um declínio íngreme dos padrões acadêmicos e realizações. Nada mais pode ser esperado se alunos e professores não são escolhidos por conta da qualidade de suas mentes. Em uma pesquisa de 1989 de 5.000 membros do corpo docente da universidade pela Carnegie Foundation for the Advancement of Teaching apontou uma concordância geral sobre o “declínio generalizado dos padrões acadêmicos em suas instituições". Esse declínio foi apenas parcialmente mascarado por uma "inflação de notas generalizada". (5) Além disso, uma revisão de 25.000 transcrições de alunos pelo professor Zemsky da Universidade da Pensilvânia mostrou grande negligência em matemática e cursos de ciências, especialmente no nível avançado, e uma "falta de profundidade e estrutura" geral no que os universitários estudam. (6)

Há algo, no entanto, que os multiculturalistas podem construir e explorar para seus próprios fins. É o relativismo arraigado e o igualitarismo instintivo que caracterizam a perspectiva moral de quase todos os estudantes universitários americanos. Aqui eu não acredito que minha atribuição do relativismo e do igualitarismo a "todos os estudantes universitários norte-americanos" é extrema ou exagerada. Este mesmo julgamento foi gravado na psique contemporânea da academia americana pelo livro do professor Allan Bloom The Closing of the American Mind. Infelizmente, eu descobri que até mesmo quando você encontra um aluno com algum tipo de fé religiosa, nunca ela ou ele tenta defender ou apoiar a veracidade intrínseca e a validade universal das doutrinas que abraça, mas sim, se contenta em dizer que "isto é o que eu acredito" e "outras pessoas acreditam outras coisas", portanto, nunca podemos saber quem está certo ou errado. Conseqüentemente, a virtude fundamental passa a ser a "tolerância". "Tolerância", quer dizer, para todos, menos para o "intolerante" (i.e., os crentes Cristãos que se recusam a aderir à premissa básica de que todas as idéias são igualmente válidas como "crenças pessoais").

Relativismo e Igualdade

É, no entanto, a idéia onipresente de "igualdade", que abre as portas mentais da mente jovem americana para os multiculturalistas. Eu poderia até afirmar que o pressuposto subjacente relativista pode em última análise ser rastreado até a crença na igualdade. Essas pessoas aprendem desde os seus primeiros anos de vida que a meta de toda a história humana é a aplicação da abstração matemática da "igualdade" ao reino concreto dos homens e das sociedades humanas. O objetivo final é a completa conformidade entre a realidade e a abstração. Por que, então, parece estranho que os jovens, e pessoas não tão jovens, tão prontamente possam aceitar a idéia de que todas as culturas são igualmente válidas, e que se houver uma cultura que predomina deve ser "nivelada", enquanto outras são exaltadas?

Quando procuramos as raízes filosóficas do multiculturalismo, nós achamos que ele tem sua origem entre os que misturam os conceitos de "igualdade" e a "relatividade da verdade." O Professor Allan Bloom se refere a eles como a esquerda nietzschiana. Nos EUA, podemos chamá-los de Nova Esquerda dos anos 1960. Friedrich Nietzsche foi um filósofo alemão do século passado que descobriu a idéia de "valor" ou werte. De acordo com Nietzsche, todos os "valores" - isto é, o que é considerado importante - variam de nação para nação, século a século, e cultura a cultura. Além disso, os "valores" são simplesmente a projeção da "vontade de poder" de um povo. O que aumenta sua força e poder é "valioso" e "bom". O que enfraquece o seu poder é "ruim".

É com Nietzsche em 1880 que vemos o surgimento do relativismo histórico e cultural (ou seja, a posição filosófica que sustenta que a verdade e o valor são dependentes do período de tempo em que vivemos e da cultura que temos). Se este for o caso, a cultura Ocidental Cristã é nada mais do que homens europeus brancos solidificando seu próprio poder, formando uma cultura que retrata seus valores particulares como ideais. "Valores", aqui não têm qualquer validade universal ou valor intrínseco. É interessante notar, que Nietzsche, famoso por sua frase "Deus está morto", insistiu que todos os valores são relativos porque não há Deus. Se Deus existisse, Ele seria o único que daria a todas as verdades e valores o seu valor intrínseco e universal validade.

Se os ideais e idéias que guiaram o homem Ocidental desde a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo são meramente "jogos de poder" sub-reptícios de uma elite dominante, as forças da Revolução, pegando seu exemplo (como de costume) da Revolução Francesa, vão tentar implodir esta cidadela de opressão em nome do anteriormente explorado. Todos os multiculturalistas que encontrei, ouvi falar, ou li, são de esquerda (ou seja, defensores ideológicos da revolução igualitária iniciada em Paris em 1789). Seu esquerdismo é normalmente expresso de formas diferentes. O "estilo de vida" homossexual luta pela igualdade e contra a dominação e a "opressão" da heterossexualidade, as mulheres lutam contra os homens, negros contra brancos. Estas “guerras sociais” que são aspectos do multiculturalismo têm sido fomentadas por acadêmicos intelectualmente ligados a marxista Escola de Frankfurt. Esses pensadores, que "inspiraram" os estudantes radicais da década de 1960 e os acadêmicos da década de 1990, entrelaçaram as idéias do relativismo, da igualdade e da "luta de classes." O que eles defendiam era simples. Nas palavras de um dos porta-vozes mais proeminentes da Nova Esquerda, Theodore Adorno, devemos "negar a ideologia dominante."( 7)

A ideologia dominante, que eles acreditam que devem derrubar não é outra senão os dogmas, idéias, costumes, hábitos, estruturas sociais, e normas morais embaladas no conceito e na realidade histórica da Cristandade. Em última análise, é disso que eles estão atrás. Além disso, é o resíduo disso que eles estão eliminando das mentes dos jovens americanos, com sucesso. Se você passar a maior parte de seu ano letivo estudando "Filmes sobre a religião popular e cura no Peru", "Letras de Reggae" e "Poesia Rastafari", você não irá mais manter contato com as verdades fundamentais da civilização Cristã (8). 

Contra-Revolução Versus Contracultura

Podemos salvar e nutrir nas mentes humanas contemporâneas a cultura tradicional que os multiculturalistas estão tão habilmente tentando destruir? Eu acredito que nós podemos. Há um problema, no entanto. O próprio fato de que temos de pensar sobre a questão de como manter e nutrir a verdadeira cultura significa, em grande medida, que nós já a perdemos. Desde que a cultura intelectual é como uma "segunda natureza", conscientemente ter que se apegar a isso significa que não se tem como se deveria ter. A razão por que a cultura deve ser possuída como uma "segunda natureza" fica por conta do fato de que a cultura é a maneira pela qual um ser humano responde à verdade da ordem. Uma alma culta é aquela cuja resposta a ordem é natural e instintiva. Uma alma culta é aquela que tanto pode apreciar a amplitude e profundidade refinada da ordem, quanto responder adequadamente à especificidade e ao valor exato de ser.

Tais respostas precisas à especificidade e ao refinamento da realidade são normalmente o resultado de uma herança passada de geração em geração como um depósito de verdades e atitudes e adaptações a essas verdades. Este depósito é normalmente expresso na arte, costumes, festas, maneiras e comportamentos. Essa herança não é formada apenas de "informações comportamentais". É a comunicação silenciosa espiritual das gerações. Ela diz que "faça isso e você deve estar certo".

O que pode ser feito, então, é formar uma nova geração, imune ao multiculturalismo, porque imersa nas nascentes frescas da cultura Católica, que aliás, é a forma autêntica da cultura "Ocidental". A primeira coisa a lembrar a este respeito é a mais fundamental. "Cultura" verdadeira é, em suas origens, o que envolve o "culto". O "culto", verdadeiro é claro, tem em sua essência um ato de sacrifício a Deus. Uma cultura orgânica então, não uma artificialmente engendrada, é aquela que se desenvolve a partir da resposta do homem à realidade deste ato de sacrifício. As formas mais primordiais da cultura, então, são essas ações, comportamentos, atitudes e formas de arte que rodeiam e constituem a nossa participação no ato de sacrifício.

Segundo essa visão, a cultura não é a maneira do homem expressar estados interiores de consciência, como foi sugerido pelo Papa João Paulo II no curso de sua carreira filosófica. Pelo contrário, é a resposta do homem a uma realidade objetiva fora de si, que não é dependente  da sua vontade de forma alguma, mas da vontade de Deus. Cultura verdadeira e autêntica, em oposição a uma "cultura" decorrente de concepções e necessidades puramente humanas, é uma resposta adequada ao caráter muito específico do Santo Sacrifício. Uma verdadeira cultura deve ser, em última análise, baseada na revelação de Deus da forma de adoração aceitável para Si mesmo e uma que seja a resposta adequada à especificidade da Natureza Divina.

A primeira coisa que deve ser feita para reconstruir uma cultura que, aparentemente, deixou os corações e as mentes dos homens, é colocar dentro de corações jovens uma consciência íntima dos ritmos e dos valores inerentes ao Santo Sacrifício da Missa. Isto significa um cultivo das aparências próximas e remotas, como cerimônias e festas, que transmitem à mente humana, dependentes como elas são da percepção física, o segredo interior dos mistérios a serem comemorados. A cultura só pode ser recuperada, quando a imaginação individual e coletiva for colocada sob o jugo do Bom, do Verdadeiro e do Belo.

Depois da conquista inicial da imaginação, o cultivo da alma deve se estender ao intelecto. Em última análise, o intelecto deve vir para a defesa desta visão do Bem, do Verdadeiro e do Belo se é para ser sustentada. A forma mais perfeita para cultivar o intelecto é tê-lo envolvido com a meditação sobre as verdades filosóficas e teológicas que fundamentam e envolvem o Santo Sacrifício. Com isso, o intelecto, a imaginação, e a sensação podem ser soldados juntos para formar um todo orgânico, uma visão unificada sobre o mundo. Uma visão unificada, armada com os argumentos intelectuais, pode facilmente suportar os conceitos flácidos e insubstanciais dos multiculturalistas.

Finalmente, aqueles que possuem e cultivam a cultura Católica devem se identificar com aqueles que a possuíam e cultivavam no passado. Como a cultura deve ser uma "segunda natureza" para a mente, uma afinidade habitual imaginativa e intelectual ou, talvez, uma conaturalidade deve ser estabelecida entre a vida íntima dos nossos predecessores na fé e nossa própria vida interior. Temos de "compadecer-nos" dos gigantes sobre cujos ombros estamos. Eu acredito que essa agenda pode ser realizada nas famílias, pequenas comunidades e em escolas dedicadas à Fé Católica integral. Devemos saber o que significa ser Católico. Devemos ser Católicos, descaradamente, mais uma vez.


Notas de Rodapé:

1. Ver, Dinesh D'Souza, Illiberal Education: the Politics of Race and Sex on Campus (New York: The Free Press, 1991), p.60.
2. Lynne Cheney, Humanities in America (Washington, D.C.: National Endowment for the Humanities, 1988), p.5.
3. Lynne Cheney, Fifty Hours: A Core Curriculum for College Students (Washington, D.C.: National Endowment for the Humanities, 1989).
4. Dinesh D’Souza, Illiberal Education: the Politics of Race and Sex on Campus (New York: the Free Press, 1991), p.7. Cf. The Campus, City College of New York, Abril 26, 1989.
5. Veja D’Souza, p. 14. Cf. The Condition of the Professoriate: Attitudes and Trends, 1989 (Washington, D.C.: Carnegie Foundation for the Advancement of Teaching).
6. D’Souza, p. 14. Cf. Thomas DeLoughry, "Student of Transcripts Finds Little Structure in the Liberal Arts," Chronicle of Higher Education, Janeiro 18, 1989, pp.A-1, A-32.
7. Mae Henderson, ed., Borders, Boundaries, and Frames: Essays in Cultural Criticism and Cultural Studies (New York: Routledge, 1995), p.18.
8. D'Souza, p.70.

Original aqui.


quarta-feira, março 28, 2012

Crise mundial e perseguição aos cristãos



Recomendo a leitura do (ótimo!) texto de Frederico de Castro, do SPES, sobre a crise no mundo hoje, essa atmosfera de desespero que vai tomando conta das pessoas, gerando medo, levando à perdição.  
Ele aborda o sistema econômico, ambientalismo, sionismo, perseguição islâmica, atentados e serial killers, e afins, tudo colaborando para uma perseguição aos cristãos.
Leia com atenção, vale a pena!

terça-feira, março 27, 2012

Obrigada pela vida!



Meu Deus, como o Senhor é bom! Agradeço imensamente pela minha vida, pela vida de meu esposo e de meu filho que já completa um aninho de existência! Passou tão rápido!
Protegei-nos, Deus meu, abençoai-nos!
Tocai os corações das mães no mundo inteiro para que elas façam tudo de acordo com a Vossa vontade.
Inspirai as moças para que elas queiram ser boas mães, boas esposas, boas filhas Vossas!

Glória a Vós Senhor! Obrigada pela vida!

segunda-feira, março 26, 2012

O dia em que um Anjo se inclinou perante um ser humano

25 de março, Festa da Anunciação




“São Tomás de Aquino nos ensina: ―Na antiguidade a aparição dos Anjos aos homens era um acontecimento de grande importância e os homens sentiam-se exatamente honrados em poder testemunhar sua veneração aos Anjos. A Sagrada Escritura louva Abraão por ter dado hospitalidade aos anjos e por tê-los reverenciado. Mas, um anjo se inclinar diante de uma criatura humana, nunca se tinha ouvido dizer antes que o anjo tivesse saudado a Santíssima Virgem, reverenciando-a e dizendo: Ave.” (Extraído do blog Escravas de Maria)

No dia 25 de março comemoramos a Festa da Anunciação, quando o Anjo Gabriel aparece a Nossa Senhora, inclina-se perante ela e faz seu anúncio.
Adorei ler este trecho onde Santo Tomás comenta sobre os anjos e sobre a importância da saudação feita à Santa Virgem! Como são lindas as coisas de Deus! Que momento sublime esse da Anunciação!
Um Anjo curvar-se, inclinar-se perante um ser humano? Quando isso aconteceu? Aconteceu com ela, a escolhida do Senhor, a Virgem Maria!

Glória a Vós, Senhor, que fizestes em Maria Santíssima tantas maravilhas!


21 anos sem D. Lefebvre


 O santo padre Pio de Pietrelcina beija a mão de D. Lefebvre 

São 21 anos sem D. Lefebvre. O que posso dizer? Apenas agradeço sua coragem, seu amor pela Igreja, seu amor pela Santa Missa, que hoje assisto sempre, graças a Deus!
Louvo o Senhor por - nesses tempos de grave crise - ter dado à Igreja esse grande bispo, esse valente defensor da Fé.

Muito obrigada, D. Lefebvre!

sábado, março 24, 2012

quinta-feira, março 22, 2012

O Dom de Línguas

Por John Vennari
Traduzido por Andrea Patrícia


No 30º Aniversário da Conferência Carismática, encontrei-me ao lado de uma mulher que estava entrando na "oração de línguas", encorajada pelo Mestre de Cerimônias. Ela estava "rezando" com as mãos levantadas, juntamente com corpo mexendo suavemente. Seu estilo de "línguas" era um murmúrio indistinguível colocado numa melodia improvisada. Quando eu apontei minha mão para o gravador micro-cassete em sua direção, ela imediatamente intensificou o volume de sua "língua melódica" e avançou para mais perto do gravador. Esta mulher tinha adivinhado que eu estava procurando um show, e ela estava determinada a dar-me um.

Línguas na Escritura

A Sagrada Escritura parece contar duas classificações diferentes do dom de línguas. A primeira é aquele dom especial registrado nos Atos, no dia de Pentecostes, onde os Apóstolos pregavam em sua própria língua e as pessoas de muitas terras diferentes ouviam em seu discurso nativo. Seria como se o Cardeal Stickler na Assembléia Geral das Nações Unidas com todos os participantes de várias nações entendessem suas palavras sem o auxílio de um intérprete. Muito poucos santos foram favorecidos com esse dom, mais notadamente São Francisco Xavier e São Vicente Ferrer.

A outra manifestação de línguas parece ser o que está registrado na carta de São Paulo aos Coríntios. Para dar uma definição precisa, a fim de neutralizar o moderno Pentecostalismo, a Catholic Biblical Encyclopedia [Enciclopédia Bíblica Católica] emprega uma linguagem cuidadosa para definir esse dom:

"O dom de línguas é um carisma que consiste em um enunciado, um discurso inteligível (1 Cor.14, 9. 19) que pode ser interpretado com a ajuda de um outro dom especial (14,5. 13. 27F) ou pelo próprio locutor ou por outra pessoa na plateia" (1).  As "línguas" dos pentecostais de hoje não têm qualquer semelhança com qualquer um destes dois dons.

Entusiasmo

Mons. Ronald Knox foi um dos mais eminentes Clérigos Católicos na Inglaterra na primeira metade deste século, e era conhecido do Bispo Fulton Sheen e amigo do escritor Evelyn Waugh. Seu livro Enthusiam, que levou trinta anos para escrever, é incomparável em documentar a história do "ultra-sobrenaturalismo" na Igreja. Ele cobre peculiaridades tais como a Igreja de Corinto, a heresia Moroviana, John Wesley, os Quakers, Shakers e meu favorito pessoal, os convulsionários de Saint-Médard. A manifestação de "línguas", como é praticada hoje, é tratada em um dos capítulos finais, intitulado "As Excentricidades do Entusiasmo Moderno”.


No Capítulo Dois, no subtítulo intitulado "Cobiça Sobre os Dons do Espírito", Knox menciona que houve algumas manifestações de línguas no tempo de São Paulo em Corinto. Estas línguas teriam de ser de acordo com o que a Enciclopédia Bíblica Católica definiu acima.


Knox diz que São Paulo poderia tentar verificar tais atividades, pois ele escreveu que, "era o freio, e não o estímulo que era necessário no primeiro século em Corinto". Knox ainda comentou que "não foi até o século II que tais manifestações cresceram extraordinariamente, e eram vistas com desconfiança por aqueles que têm autoridade" (2). O desaparecimento do dom de línguas ocorreu no início da história da Igreja. Padre Rumble da Radio Replies [Respostas de Rádio] explica: "Sob o controle da autoridade eclesiástica a palha foi peneirada a partir do trigo, e logo se viu que o Espírito Santo não tinha intenção de continuar nos dons milagrosos da Igreja ordenados apenas para as necessidades prementes dos estágios iniciais, e tais fenômenos anormais rapidamente se tornaram uma coisa do passado, pelo menos, como uma característica regular do cristianismo. Tanto era assim que quando Montano afirmou estar restaurando-os no meio do segundo século, ele foi ao mesmo tempo marcado como um inovador, um impostor e um herege" (3). Por volta do século IV, podemos ter a certeza de que tais atividades desapareceram. Agostinho escreveu: "Quem em nossos dias espera que aqueles a quem fazem imposição das mãos para que eles possam receber o Espírito Santo deve adiante falar em línguas ... Estes eram sinais adaptados à época. Pois convinha que houvessem predições do Espírito em todas as línguas para mostrar que o Evangelho de Deus era para ser realizado através de todas as línguas sobre a terra. Mas aquele tipo de coisa foi feita para a profecia, e já passou" (4). No século XIII, quando Santo Tomás de Aquino escreveu sua magnífica Summa Theologica, o Doutor Angélico simplesmente tratou o dom de línguas como "o conhecimento divino de uma variedade de idiomas”.


Os apóstolos tinham esse dom e foram capazes de falar as línguas de todas as pessoas a quem foram enviados...falando em um idioma, eles eram compreendidos por todos" (5).  Santo Tomás, com seu vasto conhecimento sobre os Padres da Igreja teria mencionado uma outra manifestação de línguas se isso tivesse continuado na história da Igreja.

Glossolalia

A maioria dos escritores sustenta que a glossolalia (falar em línguas) parecia que voltava a aparecer na seita protestante fundada por Charles Parham em Topeka, Kansas, por volta de 1901. Mons. Ronald Knox, no entanto, fala de um ressurgimento anterior na congregação Presbiteriana de Edward Irving em 1830. Ele escreve: "a glossolalia começou na congregação de Irving, e em pouco tempo, para escândalo de muitos, mas para seu próprio deleite, seus sermões foram interrompidos por profetas que se levantaram e proferiam sua mensagem, por vezes, inteligível, por vezes com o uso de línguas"(6). Sobre esse fenômeno, Knox comenta: "EU NÃO NEGARIA A EXISTÊNCIA DA GLOSSOLALIA DURANTE TODO O PERÍODO DE DISPUTA. FALAR EM LÍNGUAS AS QUAIS VOCÊ NUNCA APRENDEU FOI, E É, UM SINTOMA RECONHECIDO EM CASO DE ALEGADA POSSESSÃO DIABÓLICA. O QUE NÃO APARECE É QUE ISSO JAMAIS FOI REIVINDICADO, PELO MENOS EM GRANDE ESCALA, COMO UM SINTOMA DE INSPIRAÇÃO DIVINA, ATÉ O FINAL DO SÉCULO XVII" (7).


Knox observa que essa glossolalia está "além do alcance de qualquer léxico", e ironicamente comenta: "temos de admitir que uma criança tagarela não menos convincentemente" (8). Knox também explica que tal glossolalia não possui nenhum uso. Ele escreve: "O dom de línguas, quando assim for entendido, perde seu valor probatório de mensagem; ninguém que esteja presente, num mero espírito inquiridor, vai ficar impressionado com a visão de uma A linguagem sem nexo e B dizendo que tal linguagem sem nexo significa isso e aquilo" (9). No entanto, essa "linguagem sem nexo" é precisamente a forma de "línguas" praticada pelos carismáticos atuais.

Em resumo:

1) O Pentecostalismo pratica "línguas" que não tem qualquer semelhança com o que aparece nos Atos dos Apóstolos.


2) O Pentecostalismo pratica "línguas" que não tem qualquer semelhança com o que a Enciclopédia Bíblica Católica cuidadosamente define como "um discurso articulado e inteligível...".


3) O Pentecostalismo pratica "línguas" descritas por Mons. Knox como "linguagem sem nexo".


4) Apesar de tudo isto, os pentecostais insistem que essas "línguas" são uma verdadeira manifestação do Espírito Santo, e ignoram completamente o lembrete gentil do Mons. Knox que "falar em línguas nunca aprendidas... é um sintoma reconhecido em alegados casos de possessão diabólica".

Que as mulheres estejam caladas?

Finalizando, deve-se notar que nesse 30º Aniversário da Conferência Carismática, não havia escassez de mulheres no microfone "profetizando", dando palestras, conduzindo as orações na Missa, liderando a congregação em uma erupção de indistinguíveis "línguas", levando a sessão de oração barulhenta no sábado. É óbvio que esses carismáticos, que constantemente justificam sua existência, citando a Epístola de São Paulo aos Coríntios, alegremente ignoram a passagem do mesmo livro de Coríntios que comanda: "Que as mulheres estejam caladas nas igrejas".


Original aqui

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Notas de rodapé:

1) Steinmueller e Sullivan, Catholic Biblical Encyclopedia,(Joseph Wagner, Inc., New York, 1949) p.635-636.
2) Ver Ronald A. Knox, Enthusiasm, (Oxford University Press, New York & Oxford) p 21-24.
3) Rev. Dr. L. Rumble, M.S.C. "Assemblies of God," and other "Pentecostal Churches" p. 25
4) Cf.. William J. Whalen, Minority Religions in America (Alba House, Staten Island, 1971) p.179
5) Citação tirada de Mons. Paul Glenn, A Tour of the Summa, p. 296. [Para a citação completa de Santo Tomás de Aquino, consulte Summa Theologica, IIa, IIae, Q.176 artigo 1]
6) Enthusiasm, p. 552
7) Ibid. p. 551
8) Ibid. p. 553
9) Ibid. p. 554
10) 1 Coríntios 14,34

Os artigos acima nesta página foram retirados de: Catholic Family News M.P.O. Box 743 Niagara Falls, NY 14302. Catholic Family News é publicado mensalmente - 12 edições por ano.

terça-feira, março 20, 2012

O choro dos pingos de chuva



Há dias em que até parece que o céu chora junto conosco ou que chora o que não podemos chorar.

Olho a janela repleta de pingos de chuva, num dia cinzento em pleno verão, e de certa forma tenho algum conforto, pois o aperto em meu coração que quer ser traduzido em lágrimas - mas que é impedido pelas circunstâncias - encontra nos pingos de chuva uma forma de choro, um choro celeste, de pura empatia. E é como se as asas do meu Anjo batessem levemente em minha cabeça enquanto ele repete: “Paciência criança! Tenha calma, pois nesse mundo as coisas são assim mesmo. Espere em Deus, pois as tristezas um dia terão fim.”

A chuva cai, lavando as ruas. Meu coração apertado pede abrigo. As pessoas passam sem perceber. Mas Deus está comigo.

segunda-feira, março 19, 2012

Lançamento do livro das Irmãs Escravas de Maria sobre a Modéstia



E no dia de São José recebo a notícia do lançamento do livro das Irmãs Escravas de Maria sobre a Modéstia! Que ótima notícia! Acesse a lojinha das Irmãs para comprar.

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São José, homem muito abençoado



Hoje é dia de São José, o santo que teve a honra de ser o pai adotivo do Salvador.
Quando eu penso nisso, me emociono, pois é lindo demais pensar que Deus se fez homem, se fez menino, e ficou sob a guarda de dois seres humanos, obedecendo, sendo submisso a eles, chamando-os de pai e mãe. Já imaginaram os momentos em família? O quanto eles deviam olhar embevecidos para a face do pequeno Messias, adorando-o, em silêncio, com os corações cheios de amor!
Que São José rogue por nós e nossas famílias, e para que tenhamos uma boa morte!

São José, rogai por nós!

quinta-feira, março 15, 2012

EWTN: Uma Rede Que Deu Errado

(Autor explica por que isso tinha de ser escrito)

Por Christopher A. Ferrara
Traduzido por Andrea Patrícia



EWTN: A Network Gone Wrong
[EWTN: Uma Rede Que Deu Errado] é um livro que eu não tinha planejado escrever. Na verdade, eu estava no meio de escrever um livro sobre como a irracional contra-religião da "liberdade" destruiu a civilização ocidental (Liberty: the God that Failed, ao qual voltarei em breve), quando este projecto interveio e rapidamente consumiu todos os do meu tempo disponível. O que começou como um artigo de 17 páginas de alguma forma floresceu em um livro de 276 páginas (na verdade mais de 320 páginas antes dos ajustes das fontes para atender as limitações do editor).

Quanto mais eu tenho me aprofundando na mistura bizarra de sagrado e profano da EWTN, do ortodoxo e do heterodoxo, percebi que a rede que até mesmo este jornal uma vez viu como um potencial aliado na causa da Tradição, desde a saída de Madre Angélica como presidente em 2000, tornou-se a personificação perfeita da "abertura ao mundo" conciliar através da qual Paulo VI lamentou (tarde demais) que a fumaça de Satanás tinha entrado na Igreja. Precisamente porque a televisão é "tabernáculo do diabo", o que a EWTN passa como autêntico Catolicismo Romano atingiu uma espécie de realidade própria quase-mística. O meio é a mensagem de fato, para recordar o insight lapidar do convertido Católico Marshall McLuhan. (Curiosamente, há uma escola católica nomeada após McLuhan).

A personificação na EWTN dessa coisa nova (a) que que se autodenomina Católica desde o Vaticano II tem contribuído enormemente para a Grande Fachada de novidade erigida pelas falíveis decisões prudenciais dos Papas pós-conciliares e do aparelho do Vaticano. Para milhões de católicos que vivem na devastação pós-conciliar, a EWTN é a fé - uma diocese mundial de televisão, cuja influência é maior do que qualquer bispo local ou mesmo o próprio Vaticano.

Como eu aponto no livro, mesmo as notas de Raymond Arroyo sobre a EWTN (em sua biografia sobre Madre Angélica) sobre quando o Bispo Foley do Alabama estava manobrando para evitar a EWTN de televisionar qualquer Missa ad orientem (ele conseguiu), o bispo comentou que ele tinha que fazer alguma coisa porque "É a televisão." O Bispo Foley entendeu muito bem o poder que o escritor de ficção científica Ray Bradbury tinha chamado de "Medusa que paralisa um bilhão de pessoas em pedra."

O bispo queria ter certeza de que as pessoas que assistem a EWTN fossem paralisadas em uma aceitação do status quo pós-conciliar. Como meu livro demonstra, Lynch e seus confrades conseguiram o que queriam, uma vez que tinham induzido Madre Angélica a sair do quadro de diretores, ameaçando uma tomada de poder episcopal com base em seu dever de "obediência" a eles. A freira mal-humorada e combativa, que criticou o "Cardeal" Mahony no ar saiu de cena deixando uma manobra corporativa que ela pensou que iria isolar a rede dessa tomada de poder. Mas o resultado foi que (como o próprio Arroyo relata com aprovação) a rede foi "transformada" por um diretor de programa cuja experiência anterior inclui uma rede de cabo com o canal Playboy.

O livro documenta em detalhes consideráveis como a "nova e melhorada" EWTN pós-Madre Angelica usa a Medusa de TV para hipnotizar o vasto público, com as mesmas corrupções da Fé que o futuro Pio XII previu com horror em 1931: "Estou preocupado com mensagens da Santíssima Virgem à Lúcia de Fátima. Esta persistência de Maria sobre os perigos que ameaçam a Igreja é um aviso divino contra o suicídio, que seria representado pela alteração da fé, na sua liturgia, sua teologia e sua alma... ". [1]

A EWTN tornou-se a rede de televisão da Nova Igreja, alimentando a sua audiência de massa com programação que combina conteúdo católico sólido com o veneno de inovação modernista: a nova liturgia, a nova teologia, e a nova alma da Igreja Nova, cuja desastrosa chegada Pio XII foi capaz prever apenas à luz de Fátima. (A EWTN, servindo a um objetivo primário da Igreja Nova, revê a Mensagem de Fátima para significar precisamente o oposto do que a Mãe de Deus disse aos videntes. Consulte o Capítulo 16.)

A EWTN, mas vai além dessas corrupções e chega a um ataque de blasfêmia sobre a castidade e a decência Católica que teria horrorizado mesmo tais como Loisy e Tyrrell. (Veja os Capítulos 14-15, que não são para ser lidos por crianças.) Por exemplo, o livro discute um "conselheiro matrimonial" da EWTN, que disse aos telespectadores EWTN para imaginar Nosso Senhor mesmo engajando-se em relações conjugais com suas esposas, de modo a compreender melhor o "sexo sagrado". A mesma celebridade da EWTN sustentou no ar que as relações sexuais são uma preparação para a bem-aventurança eterna, sem a qual não será capaz de se estar diante de Deus. Que a EWTN envie advertências aos pais contra a exposição das crianças a tais elementos de sua programação é apenas um sinal de que a EWTN é uma rede que deu errado, muito errado.

O que realmente me motivou a deixar de lado outras coisas para escrever este livro é o fato de que a EWTN não se limita à mera comunicação destes elementos de corrupção modernista, mas assumiu uma função magisterial positivamente na promoção da inovação da Igreja Nova. A "Comissão teológica" da EWTN encabeçada pelo leigo Colin Donovan (que detém o risível título de "Vice-Presidente de Teologia") determina as políticas teológicas da EWTN, que são seguidas pela sempre crescente lista de plantão de "experts" e celebridades da rede da Igreja Nova. O "Magistério" da EWTN pressupõe instruir os católicos sobre como a fé deve ser entendida e praticada desde o Concílio Vaticano II, e rotineiramente anatematiza tradicionalistas por sua recusa em aderir à Exatidão Pós-Conciliar. A EWTN tornou-se, de fato, o obrigador mais eficaz da EPC do mundo católico.

Só depois que o livro saiu das prensas, outra parte das provas que confirmam essa visão da rede chegou em minha mesa. Era uma carta de um telespectador da EWTN para um Mark Jefferson do Serviço de Telespectadores da EWTN, departamento que é um análogo da Congregação para a Doutrina da Fé, emitindo alertas teológicos sobre o que espera-se que os "fãs" da EWTN devem pensar sobre este ou aquele problema na Igreja. Jefferson estava respondendo a uma queixa que a EWTN recebe freqüentemente: Por que você não para de condenar "tradicionalistas" católicos, incluindo o Padre Nicholas Gruner, que se opõem à revolução modernista na Igreja? A resposta de Jefferson, enviada a pedido do "Diácono Bil" da EWTN, resume todo o problema com a Rede Que Deu Errado:

“Quanto aos "tradicionalistas", a EWTN não leva a sério o escândalo de prostituição de certos grupos cismáticos. As pessoas que administram The Fatima Center e publicam The Fatima Crusader, Catholic Family News, e outros meios impressos ou eletrônicos hostis à Igreja tem efetuado uma divisão virtual da Igreja Católica. Ao divergir da Igreja em relação à composição atual da Liturgia, Ecumenismo e outras questões que datam do Concílio Vaticano II, eles têm, de fato, cometido o erro mesmo que Martinho Lutero ou João Calvino.”

Em outras palavras, se alguém disser que a missa nova, o novo ecumenismo e as outras novidades decorrentes do Vaticano II tem prejudicado a Igreja, seja anátema. Jefferson acrescentou: "O Departamento de Teologia da EWTN está em perfeita consonância com as decisões da Igreja sobre o Padre Gruner e os dissidentes do acampamento ‘Tradicionalista’".

Decisões? Que decisões? O Vaticano não tomou nenhuma "decisão" sobre o Padre, mas apenas "anunciou", um dia depois do 11 de setembro, que ele estava "suspenso" pelo Bispo de Avellino por não ser incardinado - após o Secretário de Estado do Vaticano ter bloqueado sua incardinação por uma série de bispos benevolentes. Mas que "decisão" tornou-se discutível quando o arcebispo de Hyderabad, rejeitando a jogada do Secretário de Estado, incardinou o Pe. Gruner de qualquer maneira, declarando que "as forças do Mal conspiraram para destruir o seu trabalho de amor ... forças burocratas não podem extinguir o trabalho de Deus."

Quanto aos "dissidentes do acampamento tradicionalista," não houve "decisões da Igreja." O que temos visto, ao contrário, é um grande degelo do Vaticano em direção a Fraternidade Sacerdotal São Pio X, que representa o mais "extremo" dos "extremos tradicionalistas" que a EWTN acha tão repugnante. Por exemplo, em uma recente entrevista a revista 30 Days, o Cardeal Castrillon Hoyos, falando claramente com a aprovação papal, admitiu que a situação da FSSPX "não é um cisma formal," que a missa tradicional em latim "nunca foi abolida", e que sobre o Vaticano II e as mudanças na Igreja pós-conciliar "somos todos livres para formular observações críticas sobre o que não concerne ao dogma e a própria disciplina essencial da Igreja." O cardeal chegou mesmo a dizer que as contribuições "críticas do que tipo que podem vir da [FSSPX] podem ser um tesouro para a Igreja." Uma aprovação mais explícita do Vaticano à "dissidência" tradicionalista dificilmente poderia ser esperada.

Aqui vemos como o "Magistério" da EWTN, tendo assumido uma vida própria, é ainda mais firmemente ligado às novidades da Igreja Nova do Vaticano. De fato, nada menos do que o Papa reinante atualmente tem a honestidade intelectual de reconhecer que os membros da FSSPX são nada mais do que fiéis católicos exercendo a liberdade devida aos filhos da Igreja. Como relata a revista The Latin Mass em sua edição de Inverno de 2005, durante a reunião com o bispo Fellay da FSSPX agosto do ano passado, o Papa Bento referiu-se ao "excomungado" Arcebispo Lefebvre como "o venerável Monsenhor Lefebvre" e "um verdadeiro homem da Igreja universal."

A EWTN ignorou o degelo do Vaticano, no entanto, e continua a denunciar a FSSPX como "cismática". A EWTN solenemente adverte contra qualquer pessoa frequentar missas latinas tradicionais oferecidas pelos sacerdotes católicos da Fraternidade, que se diz ter "deixado a Igreja." Por exemplo, de acordo com o «perito» da EWTN David Gregson, "Alguns grupos (sendo a maior Fraternidade Pio X) deixaram a Igreja Católica, a fim de celebrar o rito tridentino, sem aprovação". [2]

O que as observações gentis (e verdadeiras) do Cardeal Castrillon Hoyos e do Papa Bento sobre a FSSPX demonstram é o fanatismo eclesiástico tacanho das auto-tituladas "autoridades" cheias de si da EWTN. O que demonstra que Jefferson está completamente perdido em sua adesão nominalista a última "decisão" não existente é a suprema ironia de que ele e a rede que o emprega atribuem a mentalidade de Lutero e Calvino aos católicos que se opõem a mudanças na Igreja que Lutero e Calvino teriam comemorado com alegria histérica - ou talvez, mudanças na Igreja muitas das quais até mesmo Lutero e Calvino teriam considerado como violações intoleráveis da Tradição. Por exemplo, o que Lutero e Calvino pensariam da promoção agressiva da EWTN da "Association of Hebrew Catholics” [“Associação de Hebreus Católicos"], que procura estabelecer uma comunidade canônica separada para judeus convertidos dentro da Igreja a fim de corrigir o "problema" da Igreja ter se tornado "sociologicamente gentia" ao longo dos últimos 1800 anos. (Consulte o Capítulo 10: Promoção do Retorno dos Judaizantes).

Então, é por isso que eu escrevi o livro. A EWTN não é apenas outra fonte de corrupção modernista da fé. A EWTN é a única rede de televisão em todo o mundo que promove diariamente cada um dos elementos fundamentais da revolução pós-conciliar da Igreja, e algo mais. A EWTN é uma verdadeira rede de apostasia que está usando o meio de televisão para dar ao Modernismo um poder sobre os católicos que nunca teve antes. Como Ray Bradbury disse também da televisão, é uma "Sereia que chamou e cantou e prometeu tanto e deu, afinal, tão pouco." Apesar dos bons elementos na sua programação, o que a EWTN oferece aos católicos em geral é o vazio mortal de uma falsificação Modernista do Catolicismo Romano.

Mas pior do que isso, a EWTN usa seu poder para ostracizar como "cismáticos" os fiéis católicos que se opõem a esta falsificação e chamam para a restauração da coisa real. A EWTN, assim, se coloca como um grande obstáculo para a restauração e um capacitador - talvez o capacitador principal - da revolução eclesial. Como o professor Philip Davidson observou em seu estudo monumental do uso da propaganda na Revolução Americana, a maneira mais eficaz de atacar a ordem estabelecida e justificar que a rebelião não é "a razão, ou a justiça ou mesmo o auto-interesse, mas o ódio. Um ódio irracional, uma aversão cega, é despertada não contra as políticas, mas contra as pessoas”.[3]

Isso é precisamente o que a EWTN fez no caso do Padre Gruner, da Fraternidade São Pio X e de outros defensores de destaque da doutrina, dogma, liturgia e prática tradicional da Igreja. Quaisquer que sejam as suas intenções subjetivas, só Deus pode julgar, a EWTN dos neo-fariseus das transmissões televisivas deve ser vista pelo que é.

Notas:

[1]Roche, Pie XII Devant L’Histoire, p. 52.
[2] EWTN Q&A Forum, advice of May 3, 2004 on “Catholic Rites”.
[3] Davidson, Philip, Propaganda and the American Revolution, (Univ. of North Carolina Press: Chapel Hill, North Carolina, 1941), p. 139.
Original aqui.
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Notas da tradutora:

(a) O autor usa termos como "coisa nova" "Nova Igreja" para se referir ao que ficou estabelecido pelos que aceitam as novidades impostas pelos liberais dentro da Igreja, novidades estas totalmente encorajadas pela Hierarquia (com poucas exceções) desde o Concílio Vaticano II; são os modernistas dentro da Igreja. Essa gente praticamente criou uma "Nova Igreja", ao pretender sepultar a Missa Tradicional e os costumes Católicos, substituindo-os por costumes mundanos. Vide o caso das comunhões em pé e na mão, ou o desuso do Véu dentro das igrejas, mulheres no altar e distribuindo a Hóstia Sagrada, entre outras coisas. E ainda há aqueles que acham que não existe crise alguma, e que se acham mais que o Papa, julgando como “cismáticos” os tradicionalistas da FSSPX, por exemplo.