sábado, junho 30, 2012

Preciosíssimo Sangue de Cristo

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Caros, 1 de julho: Festa do Preciosíssimo Sangue de Cristo. Vamos fazer alguma devoção.

Leia aqui sobre a festa.

E veja aqui as orações aprovadas pela Igreja para esta devoção.


quinta-feira, junho 28, 2012

Televisão: A Alma em Risco - parte II


Por Isabelle Doré
Traduzido por Andrea Patricia


Televisão e Intelecto
O intelecto é a faculdade pela qual apreendemos a verdade. A televisão nos permite apreender a verdade da mesma maneira que a leitura ou a ação da vida real? Primeiro devemos considerar como assistimos a televisão e o que vemos.

Televisão e Função Cerebral
A televisão trabalha majoritariamente o lado direito do cérebro e induz a um estado relaxado de vigilância. O espectador de televisão olha para a tela e para a fonte de luz; ele vê imagens se movendo e ouve sons.

I. A Tela e a Luz
O espectador “comum” de televisão olha para a tela iluminada de um modo particular que difere do modo normal de olhar para as coisas. Quando passamos por uma sala de espera ou um corredor de hospital, é fácil dizer quem está assistindo televisão mesmo se você não pode ver a tela. Os olhos do espectador de televisão ficam fixados. Na vida real, as pessoas geralmente não fixam o olhar; seus olhos estão em constante movimento, mudando para ver os detalhes, das coisas perto às coisas que estão à distância, e rompem [a fixação].
Ao focalizar os olhos na tela, não apenas sua visão periférica apagou a vantagem da visão da fóvea, com o foco na tela inteira (de fato, os espectadores parecem sempre abrir muito seus olhos), mas os olhos também se tornam levemente desfocados. Com efeito, [por causa da “atividade visual no contorno da imagem”1] é difícil para os olhos focalizarem nos detalhes, um estado que inclusive causa náusea, e então os olhos ficam numa fixação desfocada na tela. Os olhos cessam com o seu movimento normal e sua autonomia. A câmera pode mudar de perspectiva da distância do close-up ou mudar o campo de visão ou mostrar alguma outra coisa, mas não é o espectador que escolhe essas mudanças, sua frequência ou ritmo.
Além do mais, o espectador está assistindo uma fonte de luz vacilante; ele está olhando fixamente para a luz. Mas ficar olhando para a luz induz ao sono. Pesquisadores falam sobre o estado hipnótico dos espectadores de televisão.  Algumas vezes eles falam de um estado “semi-hipnótico” porque não há um sono real.
Nós devemos assinalar que o cinema não apresenta o mesmo tipo de problema: a fonte de luz não é a tela – está atrás do espectador; o perigo de cair num estado hipnótico ou quase hipnótico no cinema é talvez reduzido. E as telas de LCD, que começaram a substituir os tubos de raios catódicos, não projetam o mesmo tipo de emanações. Mesmo que a luz suave que elas irradiam reduza o efeito hipnótico, isso não suprime as outras anomalias perceptuais.
A fixação desfocada numa imagem constantemente em movimento e uma fonte de luz que apresenta dois aspectos audiovisuais explicam porque o cérebro do espectador de televisão emite ondas alfa (o padrão de ondas cerebrais típico de um estado intermediário entre a vigília e o sono: alguns telespectadores após os primeiros minutos caem no sono, enquanto outros são menos suscetíveis), enquanto que o cérebro de uma pessoa alerta emite ondas beta.
Claro, pode-se sempre tentar manter-se vigilante, tentar manter a lucidez, escapar da hipnose, fazer uma pausa de uma imagem (algo possível com aparelhos de videocassete e DVDs), tomar notas para rever o filme ou programa, refletir, memorizar, se desviar da tela para comentar ou criticar, mas essa não é a forma como a televisão é geralmente assistida, e certamente não é a maneira como as crianças a veem: elas entram diretamente no universo particular da televisão, que consiste em uma rápida sucessão de imagens. Mesmo depois de terem atingido a idade da razão, as crianças não têm uma relação racional com a tela. Mesmo a maioria dos adultos, assim, perdem sua racionalidade e vigilância durante a visualização da televisão, especialmente aqueles que assistem muito.

II. Imagens e Sons
O que vemos na televisão? Vemos imagens e ouvimos os sons que acompanham.
Imagens
Na televisão ou no cinema, as imagens se movem em um ritmo rápido; essa é a natureza do audiovisual: eles só mostram as coisas que se movem, e quando elas não se movem o bastante, clipes muito curtos são mostrados. Num verão, meus filhos encontraram uma grande coruja ferida em um celeiro: eles gastaram uma boa meia hora assistindo. Durante esses trinta minutos, o animal piscou os olhos três ou quatro vezes; virou-se umas quatro ou cinco vezes, e estendeu suas asas cinco ou seis vezes. O espetáculo era claramente fascinante e bastante impressionante. A mesma meia hora assistindo a transmissão de uma coruja na televisão seria algo mortalmente chato; para um programa, uma reportagem ou um documentário, eles teriam mantido uns dois minutos de bater as asas, de piscar de olhos, e de seu movimento.
Todos nós temos lembranças de nosso prazer na contemplação de um cenário comum da vida cotidiana: crianças brincando em um parque, animais domésticos brincando em um jardim, um ensaio de música ou de dança, um fogo na lareira, um jogo de futebol de mesa, xadrez ou outros jogos de tabuleiro. As mesmas cenas mostradas em tempo real na tela da televisão rapidamente tornam-se chatas. Existem várias razões para isso: na vida real, os olhos se movem, os outros sentidos estão envolvidos (para o fogo na lareira, há o cheiro, a visão das chamas, a sensação de calor, que nos atraem), a mente e a função de memória.
Não muito tempo atrás havia um programa educativo de televisão previsto no canal público, e eu me lembro de assistir um episódio sobre a criação e ordenha de cabras. Este tipo de programação foi tão mal sucedido entre alunos e professores que este tipo de programa educativo desapareceu.
Um monte de esportes é transmitido na televisão, mas não apenas qualquer esporte: se vê um pouquinho de golfe ou badminton, um pouco de esgrima ou pingue-pongue; e quando eles são transmitidos, eles não mostram torneios longos. Eles só transmitem os esportes espetaculares: tênis, futebol, rúgbi.
A música tem lugar na televisão, mas não qualquer tipo de música. Eles transmitem shows de variedades, shows de rap, todos os tipos de eventos musicais que eu não mal consigo identificar, mas raramente mostram, tanto quanto eu sei, concertos de música clássica. A música clássica não é espetacular, com exceção de balés e óperas. Ocasionalmente, você pode se deparar com um medley de peças selecionadas. Raramente é todo um trabalho clássico oferecido: o telespectador que assiste a música na televisão precisa de excitação, barulho, movimento, ritmo acelerado, sequências ou cenas de histeria do público. A música clássica só aparece através de trechos, servindo como pano de fundo para um filme ou anúncio.
Sons
As imagens em movimento na tela são acompanhadas por sons: música, ruído ou palavras. As palavras naturalmente seguem o ritmo das imagens, ou seja, as frases são curtas e rápidas.
O verdadeiro estilo discursivo raramente aparece na televisão (o discurso anual do Presidente feito para a União). Mesmo em emissões culturais ou políticas, que normalmente são destinadas a pessoas inteligentes, os discursos não duram muito tempo. Em propagandas ou programação infantil, tudo se move muito e a música é rápida e rítmica.
Quanto aos anúncios, seu objetivo é impedir o espectador de pensar. Os criadores de clipes publicitários colocam seus conhecimentos de psicologia humana a serviço da "persuasão oculta" (Vance Packard2). Por meio da descontinuidade das imagens e do ritmo rápido, eles dispõem o espectador a um estado análogo ao sonhar acordado.
A programação para as crianças também apresenta sequencias rapidamente ritmadas. Parece que para manter as crianças na frente da tela, um ritmo rápido é necessário, com muita ação e movimento e conteúdo dramático que provoca emoções fortes. Ao assistir programas infantis em que as imagens mudam rapidamente, a criança tem dificuldade em coordenar visão e audição. Ela olha para a tela, contente em assistir as imagens sem realmente prestar atenção às palavras, retendo apenas trechos. A imagem supera o som.
Ao crescer, as crianças conseguem combinar melhor os dois sentidos, mas será que elas realmente têm o tempo e o hábito de apreender e memorizar as palavras?
Na vida real, uma criança pode facilmente gerenciar visão e a audição simultaneamente. As imagens não estão constantemente desfilando diante de seus olhos; ela vive em um universo bastante estático; ela pode facilmente prestar atenção às palavras ditas a ela; ela ainda ouve com muita atenção quando são dirigidas a ela pessoalmente. Ela pode ter tempo para repeti-las, memorizá-las, e refletir.
Minha experiência me ensinou que é muito difícil reter a atenção de uma criança acostumada a ver as imagens da televisão; não somente ela só escuta de forma intermitente, mas ela tem dificuldade em repetir e reter expressões simples.
Outro exemplo do lugar secundário do som em relação à visão: as crianças que vivem no exterior ou assistem a um filme na língua original não se incomodam com a língua estrangeira. Uma família que viveu por vários anos no Japão relata que o filho mais novo passou muito tempo assistindo desenhos animados japoneses na língua original, embora ele não fale a língua de forma alguma. O que importava para ele era ver as imagens, não entender as palavras!
Eu confirmei isso com outras crianças: se a trilha sonora é inaudível ou o filme é em uma língua estrangeira ou não podem ler as legendas, elas ainda querem assistir.
Se o estilo discursivo é raro e se a fala é secundária com relação à imagem, não será surpreendente que a televisão estimule especialmente o lado direito do cérebro, o hemisfério que rege o pensamento não verbal, a analogia, e o reconhecimento de formas.
O dano é, sem dúvida, menor para uma criança que é acostumada a conversar em casa, falar, ouvir, fazer perguntas, raciocinar, refletir e analisar. Mas esse não é o caso para todos. Nem o método global [de ensino da leitura], com seu sistema de aprendizado pelo reconhecimento de formas, ajuda a criança a desenvolver o lado esquerdo do cérebro, a sede da lógica, análise e raciocínio.
Será que é possível ver televisão e estar alerta, fazer um esforço para entender as palavras, para retê-las, critica-las, pensar sobre o que foi visto? É certamente mais fácil para um adulto culto manter essa vigilância: ele pode integrar o que ele ouve e vê em suas reflexões e sua gama de conhecimentos. Mas essa não é a maneira usual que a televisão é vista. Espectadores esporádicos mantém a capacidade de memorizar, criticar e analisar. Mas quanto mais as pessoas assistem, menos esforço elas fazem para adquirir cultura ou pensar sobre o que viram. Deixaram-se "inundar" com as imagens e a música de fundo. A vigilância só é mantida nos casos hipotéticos em que a instrução é o objetivo, o que não acontece com frequência.
Com relação às crianças, elas assistem pelo gosto de assistir: uma professora explicou que às vezes ela assistia a filmes com seus alunos do ensino médio. Ela preparava a seleção antes explicando o que eles estavam indo ver e fornecendo uma planilha para eles. Sem este trabalho preliminar, os alunos não aprendiam nada do filme. Essa professora acabou por desistir dos slides: "eles são muito lentos" e os alunos reclamam.

III. Uma poderosa ferramenta de aprendizagem?
Mesmo que raramente seja o objetivo e mesmo pensando que seria difícil, é possível tornar-se uma pessoa educada assistindo televisão?
Se você pedir a um telespectador para avaliar o que aprendeu durante seus anos de consumo de televisão, haverá poucas respostas precisas. Ele sabe os nomes e os rostos dos atores, das celebridades, e jogadores de futebol. Ele sabe que há guerras, no Oriente Médio, por exemplo, mas sem saber por quê. Ele sabe o nome do presidente e do secretário de Estado e seu representante. Ele tem uma vaga lembrança de alguns assassinatos ou de crises graves em domínios que afetam a ele pessoalmente: saúde, segurança, economia.
Bombeiros assistem a filmes durante a sua formação, mas é assim que aprendem a ser bombeiros? Não, o filme é uma auxílio que, quando comentado e com pausas em imagens diferentes, pode ajudá-los a refletir e antecipar situações que não necessariamente tenham sofrido. Mas não é por ver Backdraft que você aprende a ser um bombeiro, não é assistindo Emergency que você aprende a ser um médico ou um enfermeiro, não mais do que você pode se tornar um bom jogador, assistindo a um jogo de futebol. Cenas filmadas podem ser usadas para completar a formação, mas apenas na medida em que se é capaz de assistir com espírito crítico.
A criança, que não tem nem experiência nem formação, nem maturidade, precisa viver no mundo real, não só para tornar-se educada, mas simplesmente para aprender a viver, viver de acordo com a realidade. A televisão só envolve os sentidos de longo alcance: visão e audição, e mesmo assim, a imagem domina a fala. Mas a criança precisa tocar, sentir (o calor do fogo, o frio). Ela precisa ter todas estas experiências da vida real que a televisão não pode dar: ela precisa sentir a vertigem do perigo, a angústia de estar errada, a dor da espera, clemência, perdão, misericórdia, tristeza, fadiga, a angústia da responsabilidade; ela precisa superar as dificuldades e os fracassos, e resolver problemas.
O diretor de Science City, entrevistado na rádio, justificou sua recusa em apresentar animações audiovisuais no pavilhão das crianças: "Não devemos nos contentar com o que é fácil, o que é importante para uma criança pequena é moldar-se pela interação com a realidade".
Um evento recente, mas que se repete muitas vezes de formas diferentes, aconteceu: dois jovens motoristas imprudentes fugiram do local após terem atropelado seis pedestres, matando três deles. Esse é um comportamento típico do espectador de televisão que nunca foi realmente confrontado com a vida real: a condução a uma velocidade irresponsável em uma pequena cidade e a fuga de uma dificuldade. Mesmo o segundo motorista, que estava seguindo e não tomou parte no acidente, preferiu se poupar ao invés de ajudar os feridos ou comunicar o acidente. Esses jovens, típicos de sua geração, tinham que ter visto acidentes de carro. Mas na televisão, nada é exigido deles. Tudo é feito sem eles. Alguém cuida dos feridos, ou então a ação continua e as vítimas são deixadas à sua sorte.
Nos centros médicos psico-pedagógicos, os psicólogos têm de reeducar as crianças com dificuldades de ajuste à realidade e com dificuldades de aprendizagem. As crianças têm que ser ensinadas a utilizar os seus sentidos, a falar, a agir sobre as coisas, a interagir com as pessoas. "A prática leva à perfeição", e os pais são muito ingênuos ao pensar que assistir a algo na televisão pode substituir as experiências da vida real.
Um acidente nas montanhas induziu a seguinte observação por parte dos habitantes: "Os jovens vivem em um mundo virtual e não percebem que a natureza é perigosa”.
Uma jovem recentemente confidenciou como estava feliz de estar trabalhando: "Eu preciso provar a mim mesma". Este é um sinal de maturidade, mas as crianças desta geração muitas vezes não têm a chance de se provar. Elas vivem em um universo diminuído, artificial: escola, jogos de computador, televisão. Não há muito espaço para a vida real.
Será que os jovens que adotam comportamentos loucos e destrutivos (velocidade, drogas, álcool) não estão tentando provar algo para si mesmos? Será que eles não estão tentando experimentar algumas das sensações da vida real das quais eles sempre foram excluídos? Eles estão tentando sentir angústia, medo, superação de obstáculos, e excitação dos sentidos, mas de acordo com a lógica de uma sociedade de consumo: "tudo – agora mesmo".
Mas, para voltar à questão, pode-se adquirir conhecimento valioso e útil graças à televisão? O exemplo do professor citado acima mostra que apenas assistir a um programa não é suficiente para se beneficiar dele. Outra professora perdeu a paciência com seus alunos um dia. Ela tinha aconselhado os alunos mais velhos a assistir notícias na televisão, a fim de manter-se a par do que está acontecendo no mundo. Enquanto estudava as batalhas da Segunda Guerra Mundial no norte da África, ela observou que os alunos não sabiam nada sobre a Líbia, a sua situação geográfica ou a sua capital, embora o noticiário da TV não tivesse falado de mais nada senão Kaddafi por várias semanas.
A razão é que um adulto educado é capaz de vincular as informações sobre a Líbia ao conhecimento que ele já possui e à sua visão de mundo, enquanto uma criança ou adolescente só se lembra de alguns poucos trechos que não têm nenhum significado para ele e aos quais ele nunca vai atribuir qualquer significado. No melhor dos casos, ele terá uma reação espontânea à informação: Kaddafi é um cara mau; ele jogou bombas em algum lugar. O adolescente está, então, pronto para ser manipulado: ele absorve informações sem pensar, sem análise, sem compreensão. Na vida real, a pessoa também absorve informação, mas compreende-se os prós e contras de uma situação; a realidade domina. Um simples turista residente na Líbia teria uma melhor compreensão do evento.
Um professor visitando uma fazenda rapidamente compreende que um touro é um animal perigoso, que uma tempestade pode causar danos irreparáveis, que um único pneu do trator custa uma fortuna, que o trabalho é cansativo, que a vida real em uma fazenda não tem nada a ver com as considerações irreais que podem ser encontradas nos livros didáticos sobre a necessidade de os agricultores reestruturarem suas operações, para se adaptar ao mercado, investir em técnicas mais rentáveis...
Um dia eu assisti a um documentário sobre o Cáucaso produzido pelo Knowledge of the World em um cinema. Eu estava muito interessada no assunto e tinha ido lá com a intenção de aprender. Durante o filme, eu tomava notas, e alguns meses mais tarde, quando reli fiquei surpresa ao ver que eu tinha esquecido completamente algumas cenas surpreendentes. Eu tinha esquecido nomeadamente uma cena em que um padre da Igreja Ortodoxa Armênia estava sacrificando aves: ele decapitou os pássaros trazidos a ele pelo fiel e colocou numa pilha ao lado dele. A partir disso, eu concluí que um espectador de televisão, apesar das melhores intenções, só podia entender e reter informações com dificuldade. Com um DVD ou vídeo, ele pode fazer uma pausa durante uma imagem, ir para trás, rever o filme ou programa e notar e lembrar o que tinha escapado a ele na primeira vez. A televisão e o cinema não permitem esse tipo de revisão.
O que devemos pensar dos pais que dizem que seu filho aprendeu a ler com a televisão? Eu fui capaz de verificar que a alegação era falsa nos casos anunciados em meu círculo. Ou os pais mentem, ou então eles estão enganados.
Durante os anos sessenta, o programa Vila Sésamo teve muito sucesso nos Estados Unidos. Era tanto um programa educativo quanto divertido cujo objetivo era ajudar as crianças menos favorecidas financeiramente a preencher suas lacunas antes de ir para a escola.
Apesar do sucesso de Vila Sésamo com as crianças, os professores não discerniram qualquer progresso notável entre os seus alunos. Enquanto pode ter acontecido que as crianças tenham pegado alguns elementos de conhecimento, os professores notaram que em todas as classes houve dificuldades crescentes na expressão, memorização, concentração e atenção voluntária.
No entanto, os estudos parecem mostrar o progresso entre as crianças que assistiram Vila Sésamo. Uma revisão do estudo mostrou que as crianças envolvidas haviam sido ajudadas pelos adultos responsáveis ​​por elas, que as tinham preparado, tinham visto o programa com elas, e tinham verificado a sua aprendizagem antes da vinda dos pesquisadores. Foi a intervenção do adulto e não o próprio programa que permitiu que essas crianças aprendessem alguma coisa.
Um estudo realizado pelo Professor Marcel Rufo estabeleceu uma ligação entre a hiperatividade das crianças e a televisão: quando os resultados foram representados graficamente, uma correlação quase perfeita foi encontrada entre um aumento de hiperatividade e tempo gasto assistindo televisão. O professor Rufo ensina Psicologia Infantil na Universidade de Marselha, e seu teste envolveu centenas de crianças, avaliando sua capacidade de memorizar e associar imagens, ideias e palavras (o teste Ruz). Este estudo mostrou uma diminuição das faculdades intelectuais das crianças e dos adolescentes questionados, ligado ao tempo gasto em frente à telinha.
Um estudo americano nos informa que quinze milhões de crianças norte-americanas estão tomando altas doses de medicamentos prescritos para doenças neuropsiquiátricas: estimulantes para combater a dificuldade de concentração ("déficit de atenção") e antidepressivos para combater a desordem maníaco-depressiva [bipolar]. O estudo não incidiu sobre as causas desses distúrbios, mas sobre os direitos dos pais de recusar os medicamentos; é altamente provável que estas doenças têm uma ligação direta com a televisão como causa direta ou como um fator agravante.

Traduzido de La Télévision, ou le péril de l’esprit (copyright Clovis, 2009)

Notas:
1 A explicação mais completa das causas físicas para esta "fixação desfocada" é encontrada em um dos livros referenciados pelo autor: Marie Winn’s The Plug-in Drug (1977; Penguin Books, 2002), p.27.-Tr.
2 Crítico social norte-americano, palestrante e autor, que escreveu vários best-sellers de não ficção, incluindo The Hidden Persuaders (1957). - Tr.

Original aqui.
Veja todas as partes:

terça-feira, junho 26, 2012

Eu vi um show de horrores

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Eu vi um show de horrores.
Vi pessoas se exibindo de todas as formas. Mostravam fotos a todos, posando para câmeras, sem nenhuma vergonha, sem nenhuma modéstia.
Vi pessoas declarando a todos “eu sou belo”, “eu sou agradável”, “eu sou inteligente”, eu, eu eu eu eu eu...um jogo de egos.
Vi pessoas agindo egoisticamente, repetiam o tempo todo isso é meu, meu meu meu meu... egos inflados.
Vi pessoas falando mentiras sobre outros, aumentando defeitos, inventando qualidades, cegando-se de propósito sobre o próximo.
Vi espíritos de porco xingando seus próprios irmãos, pois quando faltam os argumentos sobram os xingamentos.
Vi padres que não pareciam padres, vi freiras que não pareciam freiras. Vi pastores que pareciam lobos.
Vi crianças vestidas como prostitutas, e mães que as olhavam embevecidas. Cegueira infernal da vaidade.
Vi um espelho e me olhei nele. E vi que também posso exibir um show de horrores.

quinta-feira, junho 21, 2012

Televisão: A Alma em Risco - parte I

Por Isabelle Doré
Traduzido por Andrea Patricia


Este é o primeiro artigo de uma série sobre a televisão*. Foi publicado originalmente como livro pela editora francesa Clovis. O prefácio e a introdução abaixo são da versão original.

Há poucos anos atrás o superior de uma congregação religiosa encontrou-se com muitos padres do instituto, todos envolvidos com educação de garotos. Tendo observado um invariável declínio no calibre moral e intelectual da juventude, ele pediu a cada um dos padres presentes no encontro para fazer investigações para que pudessem responder confidencialmente às questões seguintes: Qual a principal coisa com a qual os garotos estão sofrendo? E qual é a causa? Depois de uma investigação diligentemente e seriamente conduzida, os padres estavam prontos para dar a resposta. Eles estavam tão surpresos quanto o seu superior ao descobrir que chegaram perfeitamente às mesmas conclusões. Eles responderam unanimemente: os garotos sofrem de fraqueza do intelecto e da vontade; a principal causa dessa deficiência é a frequencia da mídia audiovisual na vida dos garotos. Com a internet e os videogames, a televisão está no centro de um sistema que os prende fortemente, anos após ano. É salutar expor um mal e Isabele Doré intenciona fazer isso.

Entre outras qualidades seu livro possui três qualidades particulares que vale a pena mencionar. Ele examina a ameaça feita pela televisão, a partir do ângulo psicológico mais instrutivo, dos perigos infligidos a nossas faculdades espirituais através da tela. O livro coloca uma abundância de exemplos, quase nunca emprestados de outros autores. Por ultimo, ele alia breve e com simplicidade que a Sra. Doré é mãe de uma grande família. Alguns leitores, talvez perplexos pelos julgamentos categóricos da autora, podem pensar: na casa da autora existe televisão? Se sim, como ela aconselha os outros a não ter uma? Se não, como ela pode conjurar uma realidade tão distante da sua experiência cotidiana? Seus filhos se tornaram talvez estranhos e marginalizados no seu mundo? Deixe-me responder, acalmá-lo e encorajá-lo. Em resposta a essas perguntas antecipadas, nós podemos garantir ao leitor que Isabelle Doré não tem uma TV em casa. No entanto, por uma série de circunstâncias que nós devemos deixar de lado, ela está na posição de saber como as coisas estão com a realidade da televisão. A propósito, os filhos da autora são – tanto quanto posso dizer - sadios de corpo e mente, e, devo acrescentar, amigáveis, cheios de alegria, e, bem educados. Como com todas as crianças, é claro, elas tem suas faltas. Tantas palavras para responder e acalmar.

Como encorajamento, e para ser breve, nós convidamos o leitor a ler esse artigo com o mínimo de preconceito possível. Que você possa examinar, refletir sobre isso, e apreciar isso com a liberdade que uma investigação sincera dá para saber o que deve ser feito ou não deve ser feito. Mais tarde, que você possa tirar as conclusões aplicáveis para você e para os outros. Que você não tenha medo: pegar a estrada alta é também bom para você. Se isso vem como um sacrifício, é apenas para abrir mão de uma sombra por algo que é real. Obrigada Senhora. Possa o bom Deus abençoa-la e dar aos seus leitores luz e força.

–Abade Philippe Toulza

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A Presença da Televisão
Os telespectadores da televisão francesa gastam 3 horas e 26 minutos por dia em frente a TV. O instituto que conduziu o estudo não explicou como esse resultado foi obtido. Há uma média derivada dos espectadores habituais, dos espectadores ocasionais, e dos que não assistem? Se sim, o tempo real gasto pelos espectadores habituais é muito maior. Além disso, estudos a partir de pesquisas mostram que os espectadores de TV subestimam a quantidade de tempo passado em frente à tela. Quando pesquisadores tomam o tempo para adicionar as horas realmente gastas em frente à TV, baseados na duração dos programas ou filmes assistidos, o número de horas é bem maior do que os espectadores estimam.
Duas explicações são possíveis: ou os espectadores de TV não contam o tempo corretamente ou eles têm um pouco de vergonha em admitir a quantidade de tempo que eles realmente gastam e preferem esconder isso.
De acordo com o Mediametrie (1), a quantidade de tempo gasta assistindo TV aumenta anualmente, mesmo pensando que os videogames parecem ter destronado a televisão entre os adolescentes e jovens adultos. De acordo com a estatística de Quebec, a televisão é a atividade principal da família. A expressão é paradoxal, pois isso não envolve uma atividade e o efeito na vida da família é essencialmente nocivo.
Infelizmente é verdade que a televisão regula a vida da maioria das famílias ocidentais: eles acordam, comem, jantam numa mesinha tipo bandeja vendida numa promoção de uma grande loja, põem as crianças para dormir, ou fazem planos dependendo da programação dos programas da TV.
A televisão também impõe seu ritmo às organizações, cidades e igrejas: as pessoas não vão a um evento se um programa sendo televisionado é mais atrativo. Quando o horário da Missa é modificado, as pessoas reclamam porque elas vão perder o futebol de domingo ou outro programa qualquer. Outras estatísticas contam que o guia da televisão é a única publicação lida pela maioria das famílias.
Em qualquer tipo de conversa sobre qualquer assunto tornou-se lugar comum fazer algum tipo de referência ao audiovisual ou ao que alguém viu na televisão. Se você dá lições de canto às suas crianças, é porque elaes viram certo filme; se seus filhos praticam esportes, é porque eles assistiram a isso na TV.
Acontece com frequência em paróquias que os sermões da Missa Nova começam com um resumo das noticias. [Nesse contexto] fazer uma prece universal consiste em pegar algum evento espetacular da atualidade e adicionar algumas invocações a isso. Costumava haver uma prece universal nas Igrejas Católicas Orientais (e nos ritos Galicanos e Ambrosianos), mas o texto estava fixo no missal e a prece universal era dita no altar, enquanto o padre e os fiéis se voltavam para o Senhor. Como o Mons. Klaus Gamber notou: “Em nossa época estamos testemunhando as mais rudes digressões na livre elaboração dessa prece. Até mesmo as fórmulas apresentadas aos fiéis em coleções ad hoc são escassamente usáveis” (2).
Como os espectadores habituais avaliam a televisão? Algumas vezes positivamente, tanto que em algumas conversas você vai ouvir algumas vezes comentários favoráveis: é uma tremenda ferramenta cultural, é uma abertura para o “mundo real”, você pode aprender bastante, você pode ficar ciente da miséria espalhada pelo mundo, ajuda a passar o tempo, é relaxante após um longo dia de trabalho, ou me ajuda a sonhar acordado.
O Pe. Marcel Jousse, o bardo da civilização oral, imitação e memorização, disse: “Uma civilização baseada nas coisas, mimodramática de amanhã será acordada pelo uso educativo e universal da televisão” (3).  Já passou o tempo de admitir o óbvio: a TV não ajudou a acordar uma civilização “baseada nas coisas” e mimodramática. Ela a tem destruído.
Por outro lado, os espectadores de TV expressam algumas criticas sobre a televisão: Eu fico abobalhado em frente à televisão após o trabalho, você se torna passivo, as crianças pensam apenas em TV – nada mais as interessa, não há mais vida em família, as crianças fazem seu trabalho sem cuidado, não há nada belo, ou você vê muita violência.
Cedo ou tarde, todos nós temos que fazer escolhas: televisão em casa ou não? Uso moderado ou não? Tolerância relutante ou oposição com todas as forças? A melhor coisa é fazer uma escolha que considere todos os aspectos da televisão e da mídia audiovisual em geral. Filmes, vídeos, e DVDs possuem pontos em comum bem como diferenças com relação a TV. As diferenças basicamente residem na quantidade, e algumas vezes, no conteúdo.
Muitos espectadores de televisão justificam seu uso por razões educacionais: “é para saber o que está se passando no mundo, para ficar informado, para estar ciente do que está acontecendo, para que as crianças possam participar de debates na escola”.
Na realidade, na prática diária, a televisão se torna rapidamente outra coisa do que um meio para se estar informado. Dessa consideração procedem as duas questões principais examinadas nesse estudo: 1) Como a televisão afeta a capacidade do intelecto para apreender a verdade? 2) Como a televisão afeta a capacidade de amar aquilo que é bom?

Traduzido de La Télévision, ou le péril de l’esprit (copyright Clovis, 2009)

Notas:
(1)   Uma organização independente francesa especializada em fazer medições sobre a audiência da mídia de massa. Essa organização atende a produtores que desejam avaliar o desempenho de seus programas.
(2)   La réforme liturgique en question (Ed. Sainte-Madeleine, 1992).
(3)   Marcel Jousse (1886-1961) foi o Filho único de uma mãe iletrada que sabia o Evangelho de domingo de cor e ensinava a ele através do canto. Ele sempre admirou a rústica sociedade iletrada da sua infância na qual os homens recebiam a transmitiam seu conhecimento através da observação, imitação, e memorização.
(4)   Tentando provar a autenticidade dos Evangelhos explicando aquilo, nas sociedades orais, os homens costumavam memorizar literalmente o que eles tinham ouvido. Isso pressupunha certas condições: um certo formalismo da parte do orador e uma atividade da parte do ouvinte – uma comunhão da palavra.

Original aqui.

Veja todas as partes:
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Notas da tradutora:
{a) Mimodramatic no texto em inglês. Vem de “mimodrama” que significa um drama apresentado por meio de mímica.
*Esta série de artigos foi publicada na revista Angelus, mas apenas seis partes estão disponíveis gratuitamente online. Infelizmente não consegui a sétima parte, mas ainda assim vale muito a pena acompanhar a série!

terça-feira, junho 19, 2012

Sonho acordada com essas coisas

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Meu Deus, como o Senhor é maravilhoso! Como o Senhor faz coisas lindas! O Senhor encarnou para nos salvar. É impossível compreender totalmente esse amor. É imenso demais, é infinito!
Quando O verei, meu Deus? Quando estarei em Vossa presença? Será que a Virgem Santa irá me buscar na hora da morte? Sonho acordada com essas coisas.


quinta-feira, junho 14, 2012

Um professor, um aluno, uma Igreja

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A Conversão do Dr. David A. White
Professor de Literatura da Academia Naval dos EUA
Traduzido por Andrea Patrícia


Dr. White converteu-se à fé Católica em 1979. Ele converteu 35 pessoas para a fé Católica na Academia Naval dos EUA. Aqui está a sua história:
Como eu sou um professor de Literatura, eu vou contar uma história.
Eu fui convertido à Igreja Católica na idade de trinta e um anos, alguns anos atrás. Fui criado como protestante liberal. Esse adjetivo é extremamente importante porque há protestantes que conhecem a Bíblia, que sabem alguma coisa da doutrina cristã. Eles são os conservadores fundamentalistas “da pesada”.
Fui criado protestante liberal o que significa que tive uma educação em termos de frequentar a igreja, de jantares da igreja, e lá havia algumas pessoas adoráveis. Tive a sorte de ser criado em um lar muito bom, com bons pais, mas eu nunca recebi qualquer formação religiosa real. Decorei alguns poucos versos da Escritura. De vez em quando eu ia assistir a uma cerimônia de adoração na manhã de domingo na igreja desnuda, não prestava atenção ao sermão, cantava alguns hinos e depois ia para casa. Era isso. Isso significa que quando eu tinha dezessete anos e estava livre e fui para a universidade, eu apenas deixei de lado essa coisa toda.
Eu digo com tristeza, a propósito, que isso é o que agora vejo acontecer com meus alunos Católicos. Muitas vezes, quando os jovens saem de casa, assim que saem, eles deixam de ir à igreja. Eu sei disso. Foi isso que eu fiz. É uma marca do protestantismo, porque não há nada lá para segurar e eles sabem disso. Como resultado, eles deixam.
Então eu fui para a universidade, uma universidade moderna, onde eles me ensinaram as três coisas que eu acho que você aprende em uma universidade moderna: odeie sua família, odeie seu país, odeie Deus (que "não existe", mas odeie de qualquer maneira). Minha cabeça estava cheia disso. De modo que quando eu me formei e fui para a pós-graduação, minha cabeça estava cheia de bobagem absoluta. Eu ainda não sabia nada sobre religião, embora eu falasse sobre isso durante um tempo, principalmente para tentar derrubá-la. Até onde eu me interessava, havia somente a natureza. A natureza era tudo o que precisávamos. Tudo era material. Havia realmente apenas um "mandamento", que era, "Nós devemos ser gentis uns com os outros, embora a vida não tenha sentido" - que é um pensamento muito peculiar.
Quando eu comecei a ensinar, esse era o tipo de bobagem que eu estava ensinando. Disparate absoluto, porque eu não sabia nada. Eu não tinha que estar na frente de uma classe de ensino porque eu não sabia de nada. Mas eu era um professor moderno, com uma cabeça cheia de penas e serragem que eu expelia ao redor da sala. Então, um dia, quando eu estava ensinando na Universidade de Temple, na Filadélfia, um aluno no fundo da classe levantou a mão e me desafiou. Ele começou a debater comigo na sala de aula. De uma hora para outra eu tomei conhecimento de uma situação com a qual maioria dos professores vive aterrorizada: Eu tinha um aluno da minha turma que sabia cem vezes mais do que aquilo que eu sabia. Eu era um ignorante absoluto e este aluno era realmente inteligente.
Agora, a única coisa que posso dizer a meu favor é que eu passei a ir à aula - eu não estou inventando isso, não estou exagerando – eu entrava na classe com um caderno, ficava no pódio, fazia ao jovem uma pergunta e, em seguida, anotava as respostas que dele.
Esta é uma das muitas ilustrações que demonstram que o mundo moderno, em cada detalhe, é um lugar de inversão. O símbolo do diabo é um homem de cabeça para baixo. Se você olhar para qualquer coisa no mundo moderno, está invertida. Minha sala de aula estava invertida. Eu estava sendo pago para ensinar e eu estava de pé no pódio tomando notas de um aluno que sabia alguma coisa. Agora, felizmente, eu tive sorte o suficiente para obter uma educação rápida. O resto dos estudantes realmente não se importava. A maioria deles dormia com isso, que é o que eles estavam fazendo durante a maior parte das minhas aulas de qualquer maneira. Bem, resumindo, nós debatemos, nós conversamos por horas, dias, semanas. E ele ganhou todos os debates, cada debate. Deus seja louvado porque eu tinha uma cabeça lógica para que eu pudesse seguir um argumento e sabia quando eu tinha perdido um. Eu perdi todos os debates que tivemos.
Agora, se você perseguir questões de verdade; isto é, existe a verdade, como podemos saber isso? Se há verdade, o que vamos fazer sobre isso? Onde é que vamos encontrá-la? Você vai acabar em Cristo. Vai acontecer. Então, naquele momento, percebi que Cristo e sua mensagem não só é algo importante e sério, mas é verdade. Tendo percebido isso, ficou claro que eu tinha que me envolver com alguma igreja. (1)
Havia duas opções: os protestantes fundamentalistas, porque eles parecem saber a sua Bíblia, e eles acreditam em algo, ou a Igreja Católica.
Como um estudante de literatura e como professor de literatura, eu sabia algo sobre o passado. Agora, o grande escritor Evelyn Waugh, que se converteu ao catolicismo, disse sobre a Igreja Católica: "ao considerar isso, qualquer homem tem que saber que é verdadeira, pois apresenta um sistema filosófico coerente que faz intransigentes as reivindicações históricas." Se você olhar para a filosofia da Igreja Católica, é coesa, é razoável e completa. Se você olhar para a história da Igreja ao longo de dois mil anos, ela nos deu tudo o que é bom. Assim, como não poderia ser verdadeira? Portanto, quando chegou a hora eu escolhi a Igreja Católica.
E meu aluno que me desafiou em sala de aula tinha se convertido cerca de seis meses antes de mim. Ele também não era Católico, ele era simplesmente uma mente honesta em busca da verdade. Ele entrou em uma Igreja Católica e disse ao padre: "Quero me tornar um Católico". Não demorou muito para que este jovem estivesse lutando com o padre que deveria instruí-lo, porque o padre estava apresentando uma série de novas ideias de uma maneira nova. Este jovem brilhante foi justamente desafiar essas novas ideias, dizendo para o padre: "Não, Padre, a Igreja ensina isso...".
Então agora você tem um convertido instruindo o sacerdote na Fé. Meu amigo não queria que eu passasse por essa experiência. Ele andou toda a área da Filadélfia até que encontrou um idoso monsenhor irlandês, em um dos subúrbios, que tinha a Fé. Assim, uma vez por semana, eu pegava o trem para ir lá e receber instrução real de um padre que tinha a Fé Católica. Foi uma grande bênção. Eu também ia a sua Missa, o Novus Ordo, que ele rezava de modo muito reverente.
Assim, no início da minha conversão, eu não estava muito consciente do que tinha acontecido com relação à liturgia. Mas depois que fui recebido na Igreja, eu decidi assistir à Missa no centro de Filadélfia, onde eu estava vivendo no momento. De repente, entrei em algo que se parecia com o serviço protestante vazio que eu tinha deixado quando eu tinha dezessete anos. Eu estive lá, eu tinha visto isso, eu conhecia disso. Eu pensei: o que é isso? Isso não pode ser aquilo ao que eu me juntei, não pode ser isso do que se trata. Dois mil anos não podem ter chegado a isso! Eu já tinha rejeitado isso. No entanto, eu ainda fui a esta nova Missa por um tempo. Então eu comecei a fazer a mesma coisa novamente; eu iria dormir na nas manhãs de domingo, porque não parecia haver um motivo para ir.
Então, num verão, eu estava visitando o Wisconsin, de onde eu sou originalmente. Eu decidi cumprir meu dever e ir à Missa. Eu entrei no carro para dirigir a Igreja "A". Era minha intenção conduzir até a Igreja "A", de São Patrício. Eu sabia onde ela estava. Saí da garagem, eu fui para São Patrício e de alguma forma, cheguei à Igreja "B", do outro lado da cidade. Era uma daquelas esquisitices. Eu estava pensando em outras coisas, eu não estava prestando atenção. Acabei não apenas indo até a igreja errada, mas a alguns quilômetros de distância da igreja que eu pretendia ir. Eu estava na Paróquia do Sagrado Coração e eu não sei como cheguei lá.
Eu olhei para dentro. Eles deram início a Missa. Eu estava perplexo. O que estou fazendo aqui? Mas eu pensei, eu não tenho tempo para voltar a São Patrício. Vou à Missa aqui. Eu caminhei para dentro e ouvi "Introibo ad altare Dei", e meu Deus, lá estava. Eu ouvi essa língua estranha. Lá estava o padre de costas para nós. Eu não tinha ideia do que estava acontecendo. Então eu percebi que esta era a "Missa Antiga" da qual eu tinha ouvido falar. No meu pensamento eu disse a mim mesmo: isso é Católico! E eu estava em casa em um lugar que eu nunca tinha conhecido antes.
A Missa antiga, para mim, naquele momento, era inteiramente nova. Não era "velha". Era estar em casa! Naquele instante eu soube que isso é que é Fé Católica. Eu sabia que assim é como eu iria adorar a Deus no futuro. Eu mencionei anteriormente que todas as coisas boas têm de sair dessa Antiga Missa Latina, a Missa de todos os tempos. Vou te dar exemplos.
Eu ensino literatura, eu tenho um amor especial pela música e pela arte. Foi a Missa que nos deu a música ocidental. A mais antiga música ocidental que nós escrevemos é o Canto Gregoriano. Se você fizer um curso de história da música, você vai começar com Canto, continue através da música da Igreja, e você não vai encontrar música secularizada até muito mais tarde. Mas mesmo quando a música se secularizou, você ainda vai ver Mozart escrever Missas e Haydn escrever Missas. Você vai mesmo ter alguém como Beethoven, que lutou com Deus toda a sua vida, ainda escrevendo a grande "Missa Solemnis" e vendo o padre em seu leito de morte. Essa é a música tradicional.
Se você observar a arte ocidental, é Católica. Ela cresce para fora da Igreja. É daí de onde vem. A arte ocidental como a conhecemos vem da Igreja. Vá para uma galeria de arte. Volte para o início da arte e, (com exceção de Grécia e Roma - ainda no início da arte como nós a conhecemos) as grandes obras Renascentistas - o tema é Católico.
Vá para a literatura, e você tem Dante, você tem Shakespeare. Os escritores eram Católicos. Tudo isso saiu da Missa
A Missa Novus Ordo, nos trinta anos que está por aí, deu-nos música ruim, péssima literatura, dança litúrgica pútrida. Na verdade, ela só tem nos dado uma coisa que realmente pegou e se tornou culturalmente significativa. E quando eu ouvi isso, eu quase caí da cadeira, mas é verdade. A Missa Nova nos deu uma coisa que a cultura conhece, e que é Beavis e Butthead - aquela medonha, medonha série de desenhos animados que todos os seus filhos conhecem da MTV. Eu ouvi o criador [da série] falando na televisão. Ele foi questionado sobre como ele teve a ideia. Ele respondeu: "Bem, eu estava sentado na Missa no meu colégio Católico, e eu não estava prestando muita atenção, e o padre disse: 'este é o corpo de Cristo' e um cara atrás de mim fez ‘heh heh heh heh heh heh heh', e de repente eu tinha a coisa toda em minha mente e comecei a desenhar Beavis e Butthead".
Aí está um fruto cultural da Missa Novus Ordo Se você esperar qualquer outra coisa senão esse tipo de coisa vindo daquela cerimônia, eu digo que você não vai conseguir. O melhor que você pode esperar é o tipo de esterilidade que o culto protestante deu ao mundo. O culto protestante não produziu grande arte, grande música. Deu-nos alguns hinos bons, mas produziu muito pouco e agora está desaparecendo. Não há mais nada para produzir. O mesmo será verdade com a Missa Nova.
É hora daqueles que estão na Igreja de voltar para casa para a Missa verdadeira. A Missa é a nossa herança, mesmo para aqueles de nós que não nasceram nela. É a nossa herança. Agradeço a Deus todos os dias por eu tê-la encontrado. Quando me levanto nas manhãs de domingo e levo uma hora de carro para chegar a Missa Tridentina, não é nada comparado com a grande glória e beleza do Sacrifício majestoso que me espera lá no altar quando eu chego.

Original aqui.
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Notas da tradutora:

Já publiquei um artigo do professor David White aqui.
(1)   Foi um processo parecido com o meu, pois eu comecei a buscar a verdade, rezava pedindo a Deus para me mostrar a verdade, e percebi que a verdade é Cristo. Sendo assim eu precisava de uma religião. Investiguei, buscando algo tradicional - com ritos, história, beleza, mistério, profundidade - e vi que a Igreja de Cristo é a Católica. Daí começou minha conversão, em meados de 2006.

terça-feira, junho 12, 2012

Quem não reza não se salva

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“Quem não reza não se salva” (Santo Agostinho)

Mesmo que você não tenha nenhuma vontade de rezar, mesmo que esteja com a cabeça cheia de problemas que dificultem sua concentração nas palavras e imagens propícias à oração, não desista!
Continue tentando, confie em Deus, saiba que Ele vê o coração de cada um e sabe qual a sua intenção, qual a sua vontade. Se você quer agradá-Lo é isso o que importa. Temos que buscar agradar a Deus em primeiro lugar sempre. O importante é insistir na oração, todos os dias.
Um padre uma vez me disse que a oração é como o trem que você coloca nos trilhos: um dia ela vai andar e correr (vai ser uma oração inspirada, de coração, verdadeira mesmo), mas para que isso aconteça o trem tem que ser colocado nos trilhos, ou seja, você tem que rezar mesmo que seja “automaticamente”, repetindo fórmulas. Se você não tenta nem mesmo a reza “automática” não poderá esperar uma oração sincera, que dê frutos. Se o trem não estiver nos trilhos, como ele irá correr?
Pense nisso: reze, mesmo que não saiba como rezar bem, mesmo que não tenha vontade. O importante é rezar todos os dias e buscar amar a Deus acima de tudo.


quinta-feira, junho 07, 2012

O Problema da Música Moderna

3 comentários
Por David A. White
Traduzido por Andrea Patrícia


Este artigo é sobre vício, um vício que se apoderou da maioria das pessoas hoje. Para dar uma ideia de quão penetrante esse vício é, simplesmente considere o fervor místico com o qual a maioria dos jovens espera o lançamento de um novo álbum de sua "banda" favorita.  A música moderna, para muitos de nossos jovens, é o centro do seu ser. Ela define quem elas são e dá-lhes um núcleo de crença, significando que eles não gostam muito da fé e da Igreja, são simplesmente indiferentes em relação a estas. Eles são apáticos em relação aos aspectos mais importantes da vida, não são, no entanto, apáticos à música moderna.
Como professor, eu me lembro que as duas únicas coisas sobre as quais eu não poderia brincar com meus alunos era seus carros e "sua música". Namoradas, família, aparência, qualquer coisa - sem problema. Mas falar dos carros e de "sua música" era ultrapassar totalmente os limites. Eles se levantavam em fúria, prontos para defender estes elementos de sua existência. Para isso eles lutavam. Sua "música" tem-nos em suas garras.
É importante compreender que esse controle não vem das letras. A maioria dos ataques ou críticas de música rock concentra-se no fato de que as letras são muitas vezes abomináveis. E isso eu não nego. Mas nós já sabemos que as letras costumam ser ruins. O que me preocupa é a música em si. Não é a letra que pega os jovens tão fortemente hoje. As letras não criam tanta paixão, devoção e dependência. É a música em si.
Quando comecei a ensinar, eu era um estudante graduado da Universidade de Indiana. Depois de anos de estudo, eu estava muito animado para ensinar minhas primeiras aulas. O arranjo era que um professor sênior daria uma única aula e, em seguida, aqueles de nós que eram professores assistentes teriam pequenos grupos de discussão durante a semana. O tema desses cursos de calouros, no entanto, mudou de semestre a semestre, ano após ano. Todos os professores seniores poderiam escolher o que queriam para dissertar naquele semestre. Alguns escolheram "Romance", outros escolheram "Drama”, e outros ficaram com "Poesia Britânica do Século XIX."
Fui designado para um professor sênior muito peculiar que parecia ser uma vítima da década de 1960. Estávamos em 1970. Ele me disse que o tema de sua aula durante o semestre, seria "A Letra do Rock Moderno". Eu fiquei horrorizado. Claro, eu tinha crescido com música, eu estava familiarizado com isso. Eu não estava, contudo, disposto a ensinar sobre isso, eu sabia que não havia nada a dizer e, portanto, nada a ensinar. Assim, a minha primeira tarefa dada por este professor era transcrever as letras de uma pilha de registros para que fossem duplicadas e distribuídas.
Eu achava que a música seria de Bob Dylan ou dos Beatles ou algum outro desses artistas populares que tinham algum pequeno crédito por sua originalidade. Não. Eu me encontrei diante de gravações de bandas como Commander Cody and His Lost Planet Airmen, Stoneground, Dan Hicks and His Hot Licks. No espaço de alguns dias, tentei transcrever as letras. Eu quase enlouqueci. Após horas e horas sentado em frente da minha vitrola, percebi que muitas das letras eram simplesmente incompreensíveis. Você simplesmente não conseguia entender o que elas estavam dizendo. Agora, claro, as gravadoras geralmente imprimem as letras com os álbuns, não importa quão doente e repugnante as palavras são, porque entre a enunciação ruim e o nível de ruído, não se espera discernir as palavras reais.
Eu comecei a me perguntar se o problema se estendia para além das letras. E isso foi muito antes de eu ser um cristão, muito menos um católico. Eu era um ateu que adorava música. Mesmo assim achei ofensiva a música moderna. Eu sabia até então que grupos de "rock cristão" eram simplesmente ofensivos, mesmo se as letras fizessem referência a Deus, Jesus, ou o amor de Deus. Havia um problema que cobria toda a gama do "rock".
Muito mais tarde, depois que eu tinha entrado para a Igreja, comecei a olhar para este assunto mais a sério. Eu vi todos os meus alunos totalmente enredados nessa música. Isso significava mais para eles do que o seu Deus, suas famílias e seus amigos. Então me propus a descobrir o que estava acontecendo.
O que sabemos sobre a música? Em certo sentido, a música tem algo em comum com a Igreja Católica tradicional: é universal. A música é absolutamente universal. As pessoas falam dela como sendo a linguagem universal - e tal comentário não é falso. Todas as pessoas, em toda parte, respondem à música.
Também é uma coisa do espírito. Cientificamente, a música é composta por vibrações no ar saídas de um instrumento, seja uma voz humana ou um violino ou um conjunto de tambores. Estas vibrações atingem os nossos ouvidos e causam uma reação. Mas como a maioria das coisas científicas, essa é apenas uma explicação técnica e, portanto, apenas uma explicação parcial. Ela só nos diz um pouco. Há muito mais na realidade do que simplesmente a ciência da mesma. O cerne da questão é o seguinte: essas vibrações desencadeiam uma vibração sensível dentro de nós que não é meramente física. A música é a mais espiritual de todas as artes. É a menos dependente do mundo material. A música é de alguma forma uma ponte entre este mundo e o outro mais alto. Nós todos sentimos isso às vezes. Quem quer que tenha a sorte de ter assistido a uma Missa Solene com um Coral Gregoriano sabe que não há nada que seja tão emocionante ou que penetre tão profundamente na alma como a glória absoluta dessa música.
Portanto, não estou apenas afirmando que a música é universal, eu estou afirmando que a música afeta a alma de uma forma que outras artes não podem. Sabemos, por experiências recentes que a boa música pode fazer as plantas crescerem mais abundantemente, que a boa música pode fazer com que as vacas deem mais leite, que Mozart pode ajudar os alunos a melhorar sua pontuação nas provas. Sabemos também que a música tem propriedades curativas. Para aqueles doentes ou perturbados, ou aqueles que têm alguma outra dificuldade na vida, a música pode ser um meio de libertação verdadeira e um método de cura. O dramaturgo está certo: "A música tem encantos para acalmar o peito selvagem".
Devemos, então, no entanto, considerar o oposto: a música tem encantos para inflamar o peito e torná-lo mais selvagem. Como isso funciona? Tanto Santo Tomás quanto a tirinha do Snoopy podem nos ajudar a entender. Tomás diz que a alma tem faculdades diferentes, a alma pode perceber as coisas por meio de uma variedade de maneiras diferentes. E como essas faculdades apreendem o que é dado a ela pelos sentidos, o conhecimento chega até nós. Santo Tomás diz ainda que a alma tem seus próprios apetites, como o concupiscente e o irascível. A alma pode conhecer e a alma pode ser inflamada com certas paixões, ela pode ser movida, para o bem ou para o mal.
Há uma deliciosa tirinha de Snoopy desenhada há muitos anos. Lucy van Pelt corre para o músico Schroeder, o menino que toca o seu piano de brinquedo, enquanto  ele está saindo da loja de discos, carregando um novo álbum debaixo do braço. Lucy pergunta o que ele comprou. Ele responde: "Acabei de comprar uma nova gravação da Quarta Sinfonia de Brahms!" Ela pergunta o que ele vai fazer com isso. "Estou indo para casa ouvi-la." Ela pergunta se ele quer dizer que ele vai assobiar junto com ela. "Não. Vou ouvi-la." Ela pergunta se ele vai dançar. "Não. Vou ouvi-la. "Ela pergunta se ele vai marchar ao redor da sala enquanto ele joga. Ele diz: "Não. Vou ouvi-la". Quando ele vai embora, Lucy diz: "Eu nunca vou entender esses músicos".
Mantendo Santo Tomás - e Snoopy - em mente, podemos dizer que a música apela a nós em três níveis: mente, coração, e paixões inferiores. Os níveis correspondem aos três elementos básicos da música, dos quais toda a música é composta: melodia, harmonia e ritmo. Estes três elementos correspondem aos três "centros" de cada ser humano. Deus, que ordenou e criou o universo, nos projetou com esses "centros" em uma determinada ordem para nos dizer algo sobre nós mesmos. Como tudo no universo de Deus é ordenado e hierárquico, cada um de nós como uma criatura humana foi concebida por Deus de forma ordenada e hierárquica em nosso ser. O intelecto, a mente, está no topo e, portanto, deve governar tudo abaixo. O coração, sempre considerado o centro das emoções, está localizado no centro do nosso ser. A sede das paixões inferiores está devidamente localizada abaixo. Vemos isso na forma como nós ficamos de pé e também podemos ver a natureza da hierarquia no projeto – o intelecto deve governar as emoções, o intelecto e as emoções devem dominar as paixões inferiores. A mente deve disciplinar o coração, e a mente e o coração devem disciplinar as paixões inferiores. Quando todos três trabalham em ordem, temos um ser humano coerente e equilibrado.
A música, por necessidade, deve funcionar da mesma maneira. Também tem três elementos. Melodia é primária, assim como a mente humana. Harmonia é do coração. Ritmo desperta as paixões mais baixas. Se fizermos uma pequena turnê através da música, sabemos que a primeira grande música que o homem ocidental criou veio da Missa: o canto gregoriano, concebido para auxiliar, enquanto a Missa estava sendo celebrada. Toda grande arte ocidental vem da Missa, a criação mais gloriosa não concebida pelo homem, mas, dada por Deus. É uma grande obra de arte, a partir da qual fluem outras obras de arte. Uma dessas emanações era a boa música.
O que é o Canto Gregoriano? É nada mais nada menos do que melodia pura. Isso significa que ele é pura mente - puro pensamento. A razão que nos toca tão profundamente é porque é a grande melodia que vai diretamente para a nossa alma. É puro. Houve uma grande controvérsia na Igreja no tempo de Palestrina, um grande compositor do século XVI. Ele introduziu a polifonia na música de igreja, mais de uma linha melódica operando simultaneamente. Isto resultou em nota equilibrada contra nota, o tom definido contra o tom: harmonia. Ele despertou um debate enorme justificável na Igreja, a energia emocional adicional que a harmonia produz era algo apropriado para música de igreja? Palestrina acrescentou um novo elemento à música eclesiástica. A música de Palestrina é magnífica, mas havia Padres da Igreja que, em sua sabedoria, que entenderam que tal música significava uma profunda mudança na natureza dos sons que acompanhavam o culto. Palestrina deu à Igreja a grande música, mas também iniciou um processo de mudança que tem continuado a partir desse momento, o que levou à praga das guitarras que têm afligido o culto moderno.
Com o tempo, o ritmo começou a desempenhar um papel mais importante tanto na música sacra quanto na secular. Com o ritmo sendo a estrutura do esqueleto, o pulso de energia, os compositores criativos usavam-no ​​para gerar novos sons e um novo dinamismo em suas composições. Um terremoto sacudiu, eventualmente, o mundo clássico. Foi causado por outro grande compositor que levou ritmo e levantou-o do seu papel de apoio como o esqueleto da música. O grande Ludwig von Beethoven elevou o ritmo a um papel mais dominante na estrutura musical. Na sua Quinta Sinfonia, ele usa um motivo rítmico para compor toda uma grande obra musical. Eu amo essa sinfonia, é uma obra-prima da mente do homem, uma obra de grande gênio. Mas, nessa composição, o Beethoven romântico e revolucionário tomou o ritmo e o fez dominar a um grau muito maior, ele deslocou o equilíbrio entre os elementos musicais. E assim começou uma nova era na história da música.
Os românticos muitas vezes colocam o coração acima da cabeça. Aqui estava um compositor romântico colocando a paixão (ritmo) acima de tudo. O ritmo começou a se tornar uma potência mais importante e definidora de composição musical. A melodia começou a ser atenuada. A melodia em si não é fácil criar. Não é fácil sentar e escrever uma melodia memorável, que exige trabalho duro, suor e muito pensamento (ou inspiração divina). Harmonia é mais fácil, pois nota alinhada com nota naturalmente irá provocar uma resposta emocional. E qualquer idiota com um pedaço de pau pode criar ritmo: tudo que você precisa fazer é bater em algo.
Os elementos da música, que antes tinham uma ordem, tornaram-se desordenados. Com o tempo, começamos a ver na esfera clássica uma expansão do ritmo como primário, levando eventualmente à feiura da maioria da música clássica moderna. Um concerto sinfônico típico nos dias de hoje geralmente tem três partes: uma abertura linda para começar, uma grande obra sinfônica para concluir, e algum pedaço medonho de música moderna ensanduichada entre o que o público deve suportar para alcançar a recompensa da parte final do programa. Muitas vezes é de um dos homens que dispuseram de melodia em conjunto, Schoenberg, Webern, Alban Berg, ou uma de suas legiões de discípulos. Chamaram o seu sistema de sistema de doze tons. A melodia reconhecível se foi; a harmonia se foi com ela. É simplesmente uma coleção de progressões matemáticas pré-determinadas ou notas aleatórias com ritmos inovadores. O ritmo tomou posse da música.
A mesma coisa aconteceu na música popular. O ritmo, que deve ser o servo da música e que não é censurável em si, quando em seu devido lugar, foi coroado o rei. A melodia desapareceu, a harmonia também e o ritmo triunfou. Caso você tenha qualquer dúvida sobre isso, vá morar em um prédio moderno. As letras que vêm do apartamento ao lado não fazem suas paredes tremer, e sim a batida insistente do Rei Ritmo. O servo que usurpou a posição do monarca faz o barulho que o mantém acordado à noite.
A música rítmica poderosa tinha o seu lugar. A maioria das músicas de marcha é fortemente ritmada pela boa razão de que sua intenção sempre foi a de incitar os homens que marchavam para a batalha. A música dominada pelo ritmo inflama as paixões. Esta é uma paixão necessária para os homens que vão à guerra, não é uma coisa boa para os jovens que vão sair para socializar em um sábado à noite. Os ritmos da música rock (e agora o rap e o hip hop) são despertados de uma forma doentia, porque eles não podem ser liberados corretamente. As paixões inflamadas precisam de um canal e nós sabemos quais canais os jovens encontram hoje. Essas paixões, uma vez despertadas e liberadas, levam a consequências tristes. Não é nem calmante nem curativo. Ninguém deixa um concerto de quarteto de cordas com intenção de cometer pecado. Nós sabemos que os pecados se seguem a partir de tantos shows de rock moderno. Esses pecados se conectam diretamente com a música, especialmente porque a música, a música desordenada, a batida incessante martelando sem fim, inflama as paixões. O jovem que deixa um concerto de rock ou um clube de música ao vivo em um sábado à noite não está pensando em assistir à Missa no domingo de manhã; seus impulsos que foram alimentados com a música são muito mais primários.
Não importa o nome do grupo, pois seu nome é legião. Qualquer idiota que pode pegar uma baqueta ou ligar uma guitarra elétrica pode se chamar de "músico". É uma espécie de democracia perversa na Música. Como resultado, hoje a música "pop" consiste em gritar, bater, grunhir e fazer um barulho ensurdecedor. Mas, fundamentalmente, o denominador comum é a batida. A melodia está morta e a harmonia está enterrada. Com a morte de harmonia, o vínculo emocional entre as notas, as noções básicas de dança desaparecem também. A dança folclórica se foi, o minueto ficou na memória e a valsa, uma vez considerada questionável por causa de sua intimidade, só sobrevive na sala de concertos. Agora "dançar" é pular e bater e esbarrar grosseiramente. Como poderia ser de outra forma? Quando as paixões inferiores são desencadeadas, a selvageria é inevitável. A batida impera. E é ouvida e pulsada por horas e horas e horas. O homem moderno simplesmente se entrega a ela e se torna um escravo de suas paixões. E os produtores de discos e os promotores e os artistas sem talento faturam bilhões de dólares.
A adoração do selvagem está entrando em todos os campos da atividade humana hoje, incluindo música e arte. É simplesmente uma rejeição da arte ocidental. É uma rejeição da Fé Católica. Todo o pensamento ocidental e arte vêm da Igreja Católica; isto é simplesmente um fato histórico. A fim de destruir isso, os inimigos da fé estão voltados para a selvageria e o primitivismo. Toda a arte tornou-se desordenada e a natureza humana segue isso - a verdade torna-se mentira, o bem transforma-se em mal, a beleza transforma-se em feiura.
E os chamados "artistas" que criam os falsos substitutos são admirados não por seu talento, mas adorados pela sua celebridade; eles se tornaram deuses, especialmente para os jovens.
Novamente esse é um movimento que começou com os grandes românticos, a época em que a desordem artística começou a se tornar onipresente. O artista tornou-se uma divindade substituta que deve ser adorada em vez de Deus. Vê-se logo em Franz Liszt, o grande compositor e mestre pianista que se tornou a loucura da Europa. As mulheres o seguiam e atiravam-se para ele. É o equivalente das mulheres jovens de hoje que jogam suas chaves de hotéis no palco. A paixão pode dominar, mas a pobre alma atrofiada ainda está lá, gritando por ajuda, ansiando por sentido. O desejo de ser uma celebridade ou estar associado com a celebridade é uma tentativa de encontrar um significado. O "artista" de rock, o músico, pode tornar-se uma divindade substituta, juntamente com os atletas, as celebridades do cinema; as pobres almas perdidas estão procurando desesperadamente uma conexão com algo ou alguém mais alto e maior. Infelizmente, elas vão buscar em todos os lugares errados e adoram todos os falsos ídolos. É patético, mas é inevitável, dada a desordem da natureza humana. É a consequência lógica de um longo processo. O desordenamento da música ajudou a criar uma desordem da personalidade humana.
Então, o que pode ser feito? Enfrentamos um problema enorme. Nós somos contra a inversão da ordem. E nós sabemos quem está na raiz de tal desordem, o primeiro que disse non serviam. Foi quem primeiro tentou virar o universo de cabeça para baixo, que continua seu trabalho, inclusive no campo da música. Assim, como você pode combater contra isso? Não é fácil.
A crítica é em grande parte inútil, já que muitos estão simplesmente entrincheirados nisso. Eles são banhados por isso, hora após hora. Fogo deve ser combatido com fogo. Em primeiro lugar, orar sem cessar por seus filhos e qualquer outra pessoa viciada em música moderna. É a coisa mais importante que você pode fazer. Em um nível prático, o problema é um desencadeamento de ritmo. Ele deve ser combatido com outro ritmo, o ritmo corretamente ordenado dentro da boa música séria. Se o jovem responde ao ritmo, então a música com grande propulsão rítmica é útil. A música barroca é uma grande ajuda a este respeito: Vivaldi, Bach, Handel, etc. A música barroca é definida por um grau de ritmo energético, poderoso, mas o ritmo colocado dentro de uma ordem musical propriamente dita, e, portanto, humana. Mesmo a juventude moderna irá responder às Quatro Estações ou ao coro Aleluia.
Dê-lhes Beethoven, um gênio musical. Eles vão adorar a Quinta Sinfonia - e deveriam. É uma maravilhosa peça de música. Sim, vendo a coisa no seu todo, há um problema que Beethoven desencadeou. Mas se alguém tiver que escolher entre Beethoven e rock, a escolha é óbvia. O Bolero de Ravel também pode ser útil, é em certo sentido, um estudo em ritmo incessante, mas talvez a introdução possa levar um ouvinte jovem para outras peças de Ravel que são mais variadas e gloriosamente belas.
Temos que apresentar a beleza para essas almas. Elas estão apartadas do belo. É o belo que cura e eleva. Essas pobres almas danificadas precisam de cura e precisam ser elevadas. E como com qualquer vício, o processo de superação da compulsão é lento e difícil. A paciência, além de grande virtude, é uma necessidade. Talvez depois de um longo processo de cura, os ouvidos curados e a alma refrescada possam se sentar, o intelecto acima do coração, acima das paixões, e realmente desfrutar e apreciar um concerto de piano de Mozart, onde a música é ordenada, e, como Lucy desejava, podemos assobiar juntamente com a melodia e dançar com a harmonia encantadora e marchar com os ritmos de melhoria de vida de Mozart. Ou podemos simplesmente ser como Schroeder, ouvir com alegria e agradecer a Deus pelo grande dom da gloriosa música.

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O autor:
Dr. David Allen White ensinou Literatura Universal na Academia Naval de Annapolis, Maryland, por quase três décadas. Ele ministrou muitos seminários no St. Thomas Aquinas Seminary em Winona, Minnesota, incluindo aquele em que este artigo se baseia. Ele é autor de The Mouth of the Lion e The Horn of the Unicorn.

Original aqui.