terça-feira, julho 31, 2012

A paz que eu quero




Os infiéis não tem paz. Eles vivem dando voltas e voltas, ficam tontos e caem. Levantam-se apenas para, entontecidos, caírem novamente.
Por que agem assim? Porque não curvam suas cabeças pedindo perdão a Deus e buscando Sua misericórdia. Julgam que podem salvar-se por si mesmos, ou coisa que o valha, ou não pensam na vida após a morte de forma alguma. Vivem embriagados pelos prazeres e ao mesmo tempo amuados com as decepções advindas de todas essas loucuras.
Se eles soubessem como a vida da pessoa de Fé é bela! Mesmo com todos os erros e quedas, mesmo vendo a santidade lá longe, o fiel vive bem porque confia em Deus. Ele sabe que tudo passa e por mais que chore de desgosto ou de dor de vez em quando, ele confia, ele continua esperando a salvação e o fim de toda essa infelicidade, ele confia na promessa do Paraíso.
Não sei como consegui viver tantos anos sem ter Fé. Nunca deixei de acreditar em Deus, mas não tinha a Fé verdadeira. Agora que tenho a Fé eu fico pensando em como são infelizes os que vivem buscando uma falsa paz.
Somente a paz dada por Cristo é real, o resto é ilusão. Somente aceitando Sua doutrina, Sua palavra, Sua Igreja, é possível ter paz. Essa é a paz que eu tenho hoje, essa é a paz que eu quero ter sempre.


sábado, julho 28, 2012

Uma entrevista com o Prof. Ricardo da Costa

vida
Acabei de ler uma interessantíssima entrevista com o Prof. Ricardo da Costa, e recomendo a leitura.
Leia um trecho:
2) A partir do humanismo renascentista, e, sobretudo com o Iluminismo francês, criou-se uma historiografia ideológica com conseqüências extremamente negativas para a religião cristã e a Igreja Católica quanto ao seu papel cultural na Idade Média. Daí o epíteto “Idade das Trevas” como referência histórica para esse período. Como você vê essa questão?
Ricardo da Costa – Impossível de ser resolvida. Além de já ter sido construída uma vasta bibliografia tremendamente parcial, há várias “frentes de ataque”. Em primeiro lugar, os próprios medievalistas: há muitos que sequer lidam com fontes primárias. No Brasil especialmente. São reprodutores de afirmações de terceiros. Sequer se dão ao trabalho de conferir as informações criticamente.
Deixe-me explicar melhor o que entendo por “conferir as informações criticamente”. Sabemos que os textos primários, em sua maior parte, são cópias, escritas em diferentes períodos. Normalmente, os historiadores mais ciosos de seu ofício costumam consultar edições princeps, ou seja, textos elaborados por filólogos que tiveram o trabalho de confrontar os diferentes manuscritos da obra, para chegar ao provável texto original. Pois bem. MUITOS historiadores não lêem fontes primárias. Outros, quando lêem, consultam edições terríveis, sem o devido preparo erudito. Como eu lido diretamente com fontes primárias em meu ofício, em minha área de estudo – desde os textos de Ramon Llull (1232-1316) até hoje, com os clássicos da Coroa de Aragão (sécs. XIV-XVI)[1][2] – conheço todo o processo de produção de uma edição crítica. Assim, por não conhecerem o processo – sequer se interessam por ele – os historiadores que lêem essas edições mal feitas não fazem uma boa leitura (interpretação). Aceitam acriticamente a informação, não confrontam com outras fontes, e não se dão ao trabalho de conferir as expressões utilizadas pelo tradutor (nem comparam diferentes traduções).
Há muitos níveis em todo o processo até o resultado final – quando o historiador lê a fonte. O mais comum é o historiador ler uma obra contemporânea e acatar as conclusões e interpretações do historiador. Isso ocorre porque normalmente durante o curso de graduação além de não haver o hábito de se estudar com fontes, os próprios professores que lecionam determinam qual a interpretação é a “melhor”, um pouco ditatorialmente, sem aceitar questionamentos nem debates. Pior: há muitos estudantes que se formam hoje sem terem lido um livro inteiro. Isso sem contar o modismo acadêmico atual que “não existe verdade” e “todas as interpretações são igualmente válidas”, uma porcaria que está estragando gerações de alunos.
Em nosso caso específico, a Idade Média, a situação piora ainda mais porque, para ler uma fonte medieval é necessário um preparo erudito, um costume de leitura que é diferente de uma fonte do século XIX, ou XX. A atual geração de estudantes de História tem um interesse muito restrito: o mundo do passado antes da Revolução Francesa não desperta interesse. Pior: a preferência é pelos estudos a partir do final do século XIX.
Por fim, o preconceito em relação a TUDO o que diz respeito à Igreja Católica – inclusive por parte de muitos medievalistas, que só estudam a Idade Média na perspectiva das relações de poder – poder material, diga-se de passagem. Um ponto de vista completamente anacrônico para se tratar do Antigo Regime, da sociedade de ordens. O que vejo de bobagens por aí...
Portanto, não creio que a situação melhore, pelo contrário.



[1][2] Projeto internacional IVITRA (Site: www.ivitra.ua.es) do qual sou membro.

sexta-feira, julho 27, 2012

Ajuda para o Colégio do Mosteiro da Santa Cruz

Ajuda para o Colégio do Mosteiro da Santa Cruz
+
PAX

Caros amigos e benfeitores,

            Os primeiros seis meses de atividade de nosso colégio sob a direção das irmãs Rosarianas foram marcados por uma série de sucessos. Vimos crianças mudar seu comportamento, ter um rendimento que até então nunca tinham alcançado, sem falar nas graças recebidas pelas famílias de nossa região.
            Estes inícios promissores nos levam a pensar em ampliar o número de séries do colégio para o próximo ano, o que implica novos e maiores gastos. Estamos também comprando uma Kombi nova para o transporte dos alunos.
            Será que poderíamos contar com sua ajuda? As irmãs e as crianças rezam em suas intenções, e uma missa é celebrada por todos os nossos benfeitores mensalmente.
            Que o Sagrado Coração de Jesus e o Imaculado Coração de Maria os abençoem e recompensem pela sua generosidade.

ir. Tomás de Aquino

Conta da escola
Titular: Sociedade Civil Mantenedora do Mosteiro da Santa Cruz
Banco Itaú
Agência: 0222
Conta: 47957-8
Nova Friburgo - RJ

Fonte: SPES

quinta-feira, julho 26, 2012

Televisão: A Alma em Risco - parte VI

Por Isabelle Doré
Traduzido por Andrea Patrícia

Em alguns casos, o espectador de TV é tão dependente da televisão que ele fica reduzido a um estado de zumbi: sua vontade, sua capacidade de amar o bem, é aniquilada, como a do milionário americano Howard Hughes (ou seu duplo), falecido em 1974, que passou os últimos quinze anos de sua vida... assistindo televisão! Instalado em suítes de hotel de luxo, rodeado por uma escolta de guardas Mórmons e empregados domésticos que o isolaram do mundo exterior, Hughes passava os dias sozinho em um quarto com as cortinas fechadas, estendido em sua cama o dia todo. Diante dele: uma televisão ligada quinze horas por dia. Ele consumia rapidamente sanduíches ou alimentos enlatados sem tirar os olhos da tela. Ele ainda se recusou a cortar as unhas ou ter seu cabelo cortado. Solitário, meio louco, assim morreu Howard Hughes, consumido pela televisão.
Nem todo telespectador sob a influência da televisão chegou a esse ponto; mesmo se a vontade é bloqueada ou afastada do que é bom, não é completamente assim. Assim como a televisão é um obstáculo entre o real e nós na ordem do conhecimento, é também um obstáculo entre o real e nós, entre o nosso vizinho e nós, entre nós e Deus, na ordem da caridade. O real, Deus, nosso vizinho, são midiatizados. O audiovisual pode incitar ao mal pelo seu conteúdo irreverente ou imoral, como os espetáculos do Renascimento ou no tempo do Império Romano (e denunciados como escândalos por São João Crisóstomo e Bossuet). Mas antes que incite ao pecado ou mal, a televisão paralisa a vontade. Não sabemos se Howard Hughes assistia a espetáculos perniciosos: ele não estava prejudicando a vida de seu próximo, ele não estava cometendo adultério, ele contentou-se em não fazer nada.
O audiovisual é perigoso em primeiro lugar, porque desvia-nos do nosso próximo real em favor de alguma abstração remota. Ele também nos afasta de uma atividade alternativa que pode nos aproximar do bem e do nosso próximo. Definir uma habilidade para alguma coisa, a Igreja recorda-nos, é o primeiro grau da contemplação. Nosso Senhor começou por ser um carpinteiro.

Televisão e a virtude da religião
Por vezes, se ouve uma declaração surpreendente quando os Católicos falam sobre sua fé: "Creio que há algo". Como pode o nosso Deus vivo e verdadeiro, ser reduzido a "algo"? Este é certamente um efeito da televisão, onde Deus, o próximo, o real, perdem a sua consistência para um espectador habitual. Como alguém pode ser devoto - como São Francisco de Sales define - quando se está "viciado" na televisão? São Francisco definiu a devoção como "rapidez e diligência na observância dos mandamentos e da realização de boas obras inspiradas ou aconselhadas".
Pode a inspiração para realizar boas obras vir através da televisão? Não existe uma contradição entre a rapidez e a diligência na observância dos mandamentos e o hábito de relaxar em uma poltrona e seguir programas destinados a nos manter na frente do aparelho? Como um Cristão pode aplicar-se a Deus, enquanto sua alma está sobrecarregada com escândalos, fantasmas, e loucura?
Um missionário para a Índia há alguns anos relatou:
Nos lugares aonde a televisão ainda não chegou, as crianças preservam a pureza de suas almas até a idade de dezoito ou vinte anos. Nas aldeias onde a televisão se espalhou, as almas das crianças são manchadas aos sete ou oito anos de idade. Nas cidades, a publicidade implacável exorta as pessoas a comprar um aparelho para cada quarto para que elas não tenham que depender de ninguém na escolha de seus programas.
No entanto são os puros de coração que verão a Deus.
O que vem a ser fé e prática religiosa entre os telespectadores habituais? Observamos que a fé (como a prática religiosa) é um pouco inconsistente e vaga. A proclamação "eu acredito em algo" como um Credo de alguém é um indicador de falta de fé.
Em um boletim da paróquia diocesana, alguns jovens crismandos foram entrevistados sobre a recepção do sacramento: em nenhum momento eles falaram de Deus, do Espírito Santo, ou dos Seus dons. Eles falavam de encontros e discussões sobre o amor e filmes. Eles contaram sobre os grandes momentos de sua preparação: o encontro com o bispo, o dia da cerimônia, os amigos, os parentes que vieram, eles falam sobre si mesmos e seu orgulho, suas emoções, sua alegria, o banquete após a cerimônia... Eles deixaram completamente de fora Deus, a vida Cristã, o apostolado, e sua vocação de apóstolos.

A Parábola do Semeador
A vida Cristã e a prática religiosa reduzem-se a pouco, pela confissão de Católicos praticantes e de seus sacerdotes. O padre responsável pela nossa área designa Católicos praticantes como "os indivíduos visíveis em nossa comunidade humana e eclesial". Isso significa que a prática religiosa consiste apenas em estar visível na comunidade humana e na igreja.
Tibieza e falsa devoção sempre existiram, mas o que deve ser raro e anormal torna-se comum e normal. Será que a televisão não desempenha um papel nesta recusa da vida Cristã, na dificuldade de estar pronto e diligente na observância dos mandamentos e na realização de boas obras orientadas ou inspiradas? A parábola do Semeador pode nos dar algumas chaves se realmente nos permitirmos; apesar das novidades lançadas desde o Concílio Vaticano II, a Boa Nova ainda está sendo semeada, em certa medida na Igreja de hoje desde que as passagens do Antigo e do Novo Testamento são lidas nas igrejas.
"[A semente] foi pisada e as aves do céu comeram". A Igreja nos ensina que isso designa almas superficiais ou os corações endurecidos que não vai se abrir para o ensino ou a graça. A televisão certamente desempenha um papel de liderança na fabricação de almas superficiais e corações endurecidos, com a sua taxa de programas bobos e cenas horríveis. As pessoas que passam muito tempo na frente do televisor e que raramente vão à igreja (para ocasiões familiares) assemelham-se as almas superficiais e aos corações endurecidos da parábola: elas recebem a semente, mas em vão: o ruído do mundo impede que as boas novas se enraízem.
"E outra caiu sobre a rocha. E logo que brotou, secou": A Igreja nos ensina que esta passagem designa almas apaixonadas, entusiasmadas, generosas que vivem na animação e agitação de sentimentos e emoções. Estas almas podem ser tocadas pela graça, pois elas podem ter sido movidas, elas podem ser atraídas por alguém, mas isso não dura. Elas deixam de ter a vida Cristã, quando chegam a desolação, as provações ou renúncias.
A televisão sustenta essa excitação dos sentimentos e emoções. Ainda encontramos muitos desses Cristãos na Igreja, como os crismandos jovens que falam de suas emoções, seus sentimentos, mas não falam nada sobre o sacramento que faz apóstolos. Nós encontramos, especialmente nos círculos carismáticos, muitos Cristãos que estão à procura de experiências intensas. Mas a vida Cristã não consiste apenas em ter experiências, e todos os autores espirituais concordam que para o avanço na vida espiritual, os momentos de provação e desolação são mais frutíferos. Este grupo de Cristãos vê televisão menos avidamente que o primeiro: seus corações não estão endurecidos, porque não ligam para o espetáculo da violência e do mal, mas a semente brota escassamente.
"E outra caiu entre espinhos. E os espinhos cresceram por cima dela, sufocaram-na": A Igreja nos ensina que os espinhos representam o mundo exterior sufocante: orgulho, vaidade dinheiro. A semente começa a crescer, mas finalmente ela fica sufocada pelo mundo. Estas são as pessoas que têm talentos, mas o mundo vem até elas através da televisão, e seus talentos são desperdiçados. Nós reconhecemos na Igreja tais pessoas entre os "Católicos praticantes envolvidos", os membros de equipes de liderança da paróquia, os "metidos a vigário" (1) que gostam de tomar o lugar do padre, as senhoras que aproveitam todas as oportunidades (leituras, anúncios, músicas) para fazer uma exposição de si mesmas.
Enquanto nossos antepassados ​​costumavam assistir Missa voltados para o Senhor, fazendo suas essas palavras do hino: "Vamos todos apagar-nos aqui, para que Jesus sobre o altar apareça", em muitas igrejas, temos a impressão oposta. Aqueles que assistem à Missa Nova estão voltados para as senhoras que, por sua conduta, pelo menos, parecem quase a proclamar: "Deixe que o Senhor apague-se enquanto nós no altar aparecemos".
Aqui também, uma ligação com a televisão pode ser estabelecida: estes "shows" litúrgicos, como o Cardeal Ratzinger chamou (antes de ser eleito papa), são inspirados por espetáculos televisivos e shows de variedades. O talento desses Cristãos consiste em primeiro lugar na modelagem da Igreja ao mundo e, em seguida, em colocar a Igreja a serviço de suas ambições sociais.
Os clérigos responsáveis ​​pelas paróquias continuamente fazem uso do vocabulário do mundo do entretenimento: eles falam da equipe de liderança da paróquia ou da equipe de liderança litúrgica. Para muitos Cristãos, assistir à Missa significa prestar atenção aos extras. Em outra recente edição de nosso boletim diocesano, o padre convidou os líderes da equipe local para tornar a Missa animada de modo que as crianças frequentem mais de boa vontade.
Pode-se perguntar de que forma estes Cristãos poderão um dia ser orientados para a Missa Tridentina!
Católicos ativos costumam designar-se como "atores": "Eu pertenço à equipe de liderança litúrgica, porque eu quero ser um ator na Igreja", muitas vezes se lê em seus depoimentos. Outro diz que os não-atores são espectadores. Além disso, esses Católicos ativos estão sofrendo, como os sacerdotes, de uma crise de identidade. Eles não gostam, talvez com mais frequência do que expressam confusamente, de serem confundidos com os espectadores passivos pelos "atores". Nos boletins paroquiais, agradecimentos e felicitações são invariavelmente dirigidos aos "atores" da equipe de liderança litúrgica, que animam a Missa e que fazem da paróquia andar.
Aplausos agora são comuns entre o pessoal oficial da paróquia, ainda que São Pio X tenha proibido: "Não se deve aplaudir o servo na casa do Mestre". Mas não há mais servos, apenas atores!
Um padre da diocese explicou que tinha de ordenar o silêncio durante o Ofertório, porque os paroquianos tomavam o Ofertório como um intervalo e começavam a conversar.
Claro, a parábola do Semeador foi ensinada bem antes da existência da televisão. As almas que apresentam esses defeitos sempre existiram na Igreja, e podemos nos reconhecer em cada uma dessas descrições, mas pelos seus efeitos a televisão contribui para a transformação das almas em um terreno que é pouco apto para fazer uma colheita frutífera, e a cristandade agora se assemelha a um terreno no qual a boa semente não cresce muito frequentemente. Pode se encontrar muitas almas duras, rasas, muitas almas que buscam experiências intensas, muitos atores e atrizes e líderes, mas poucos Cristãos. A boa palavra semeada durante a Missa é, infelizmente, muitas vezes despida de seu significado, e parece que a mídia não é alheia a esta apropriação indébita.
Em alguns boletins paroquiais encontra-se uma inversão das etapas do método inaciano: Compreensão, Memória, Vontade. Memória: sistematicamente se escolhe algo que não é sobrenatural. Compreensão: em vez de esclarecer o mistério ou parábola à luz da fé, só se obscurece com considerações de questões contemporâneas. Vontade ou a resolução: o ato da vontade é sempre voltado para o mundo, para outros, não para o próximo, mas no sentido de um objeto, vago e distante.
Por exemplo, num boletim da paróquia, o pároco apresenta a Sagrada Família: o pai, a mãe, a criança (memória); ele explica que há novos modelos de famílias... (compreensão); ele nos convida a acolher estes novos modelos e estar atentos aos outros (vontade). Agora, nesta paróquia, os Católicos praticantes são ainda, em termos globais, famílias normais. De onde, então, que o sacerdote-editor deste boletim tira a sua inspiração?
Outro exemplo: Jesus envia os apóstolos dois a dois, sem ouro, prata, sandálias, bolsa ou pessoal (Mt. 10,10) (memória). Atualmente, dispomos de um número de meios de comunicação modernos como a Internet (compreensão). Deixe-nos saber como fazer uso destes novos meios de comunicação (vontade).
Por trás de todas estas considerações se supõe a influência deletéria da mídia, uma recusa da realidade natural e sobrenatural, um desejo de moldar-se ao mundo, uma total submissão ao mundo como ele é mostrado, transformado, e formado pela mídia. Em vez de transmitir as coisas de Deus, nossos pregadores tem transmitido a mídia, especialmente a televisão, o principal vetor de persuasão oculta: eles fizeram um deus de sua TV.

Traduzido de La Télévision, ou le péril de l’esprit (copyright Clovis, 2009).

Esta é a penúltima parte de uma série de artigos publicados na revista Angelus, mas é a última que está disponível gratuitamente online. Infelizmente não consegui a sétima parte.

Original aqui.
Veja todas as partes:
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Nota da tradutora:
(1)    No texto em inglês “vicaresses”. Não encontrei tradução para a língua portuguesa. “Vicar” significa vigário, pároco.

terça-feira, julho 24, 2012

Não atireis pérolas aos porcos

vida

Meu irmão, você que está aí angustiado porque ninguém o ouve, porque sua família não quer saber de Deus e prefere praia e discoteca em vez de Missa e Comunhão; você que já ficou rouco de tanto pedir aos seus amigos e parentes para acompanhá-lo à Santa Missa; você que já está perto de desenvolver uma tendinite de tanto digitar respostas a ateus enfurecidos ou a hereges teimosos tentando mostrar a essas figuras a verdade divina; sim, meu irmão, você que tenta a todo custo converter ou ao menos esclarecer essas mentes confusas, é a você que me dirijo. Pare, respire fundo e veja a importância do “não atireis pérolas aos porcos”:
Cristo, Nosso Senhor e nosso Redentor, nos mostra que a palavra de Deus, embora deva, em princípio, ser comunicada a todos, nem a todos deve ser comunicada a qualquer hora. Alguns, por seus pecados e dureza de coração, não devem recebê-la senão veladamente, pela parábola, para que não a profanem, e nem lhes seja ela uma causa de acréscimo de culpa. Por isso, também, é que Jesus nos disse: ” Não deis aos cães o que é santo, nem lanceis vossas pérolas aos porcos” (Mt, VII, 2).
Há, pois, pessoas que, por seus pecados, estão reduzidas a tal estado, que a revelação, em vez de lhes fazer bem, lhes será ocasião de novas culpas. Nesses casos – nos quais se prevê antes um desprezo pelo que Deus revelou do que um acatamento pelo seu ensinamento – cabe muitas vezes evitar comunicar o que é santo.
Portanto, nem a todos convém falar, a qualquer hora, das coisas de Deus, nem dar-lhes nas mãos a Escritura Sagrada, quando é previsível que irão debochar dela, ou deturpá-la. Quando se presume que isso será o mais provável, deve-se salvar a pérola preciosa e não dá-la aos porcos. Ou, pelo menos, esperar o tempo mais oportuno para falar. Porque… ” há tempo de calar e tempo de falar” ( Ecles. III, 7).”

Sim, meu irmão, A coisa é séria.
E veja ainda:
“Já São João nos diz: “Quem conhece a Deus, nos ouve, quem não é de Deus, não nos ouve. Nisso distinguireis o espírito da verdade e o espírito do erro” (I Jo. IV,6).
Claríssimo, pois. Para distinguir quem busca a verdade daquele que busca o erro, aí está a regra: quem tem o espírito do erro não quer ouvir!”.
Não desanime. Reze, reze, reze. As mentes estão fora dos trilhos. E como diz o bispo Williamson, nesses casos não há muito que fazer a não ser amá-los e rezar por eles.

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Trechos do texto “Leia a Bíblia?” extraídos daqui (recomendo vivamente a leitura!)

quinta-feira, julho 19, 2012

Televisão: A Alma em Risco - parte V

Por Isabelle Doré
Traduzido por Andrea Patrícia


A Televisão e a Vontade
Informação, conhecimento do mundo, e instrução são muitas vezes apenas pretextos para justificar a compra de um aparelho de televisão, e mesmo que esse motivo seja genuíno por parte da maioria das famílias, o que deveria ser uma ferramenta de aprendizado e cultura, um objeto indispensável que permitirá que as crianças participar das discussões em sala de aula, muito rapidamente se torna outra coisa. Ela é usada, não para o auto-aperfeiçoamento, mas para o relaxamento, prazer, euforia. O uso da televisão é, geralmente, para o lazer, em vez de aprendizagem.
A Igreja nos ensina que o lazer é legítimo uma vez que precisamos de lazer, mas certas condições são necessárias para que nossa atividade de lazer seja moralmente boa: 1) O passatempo não deve ser pecado: algumas danças e alguns espetáculos são perigosos. 2) A devida medida deve ser observada para evitar muita dissipação, o que perturba o equilíbrio da alma, e gasta muito tempo e muito dinheiro (o que faz com que percamos nossos equilíbrio). 3) Devemos ter certeza de que as circunstâncias não transformam o lazer em pecado. Por exemplo, assistir a um jogo de futebol é em si um ato moralmente indiferente. Ele se torna um pecado, no entanto, se a pessoa escolhe assistir ao jogo em vez de assistir a Missa no domingo, o que vemos acontecendo mais e mais nas paróquias.
O entretenimento audiovisual, em particular a televisão, pode ser classificado entre os passatempos indiferentes e inofensivos, juntamente com jogo de cartas, golfe, ou jogos de tabuleiro? Devemos reconhecer que, se a atividade em si é moralmente indiferente, o risco de dependência e as circunstâncias concretas (a programação) ditam uma resposta negativa. Esta atividade de lazer rapidamente se torna uma droga, da qual não se pode prescindir e pela qual a pessoa prontamente sacrifica os deveres de estado, a atenção que se deve prestar ao próximo e a Deus, e se acaba por assistir tudo (e nada), desde que se encontre o prazer desejado.
Passatempos perigosos sempre existiram. Os jogos de circo eram perigosos, pois o espetáculo era indigno de uma alma cristã, e os jogos desencadeavam as paixões dos espectadores. Um tumulto terrível aconteceu em Tessalônica em 390 por causa de um gladiador adulado pelo público. O Imperador Teodósio ordenou ao exército que acabasse com o motim: houve 7.000 mortes, e Santo Ambrósio proibiu Teodósio de entrar numa igreja. A literatura secular (Dostoievski, Schnitzler) descreve jogadores apaixonados que perderam suas fortunas e arruinaram as suas famílias.
São Francisco de Sales distingue três tipos de atividades de lazer: passatempos lícitos e louváveis ​​e recreações (tênis, xadrez, dança, canto, caça), jogos proibidos (dados e cartas) (1), e jogos e passatempos que são lícitos, mas perigosos:
Para que o jogo de cartas ou a dança (2) sejam lícitos, devemos usá-los como recreação e ao mesmo tempo não ter qualquer afeto por eles. Podemos praticá-los por um tempo curto, mas não devemos continuar até que fiquemos cansados ou entorpecidos. Devemos praticá-los apenas em raras ocasiões, pois se fizermos uso delas constantemente isso deixa de ser recreação e passa a ser trabalho.
Com a televisão, a pessoa passa insensivelmente de uma recreação lícita para um passatempo perigoso, e de um passatempo lícito, mas perigoso para um passatempo que é perigoso para a alma (ou por causa do conteúdo ou por causa da sua afeição por ele). O que deveria ser uma recreação rapidamente se torna uma ocupação, e o que deveria ser raro torna-se algo regular.
Na época de São Francisco de Sales, os bons cristãos e as pessoas decentes se abstinham de passatempos impróprios sob pena de pecado. Elas podiam ultrapassar a medida em seu uso de passatempos indiferentes, mas esse excesso tinha limites naturais impostos por pessoas ou circunstâncias: o golfe não podia ser jogado dia e noite; no inverno é muito frio, os parceiros não estão sempre disponíveis, o jogo é caro, e você tem que sair. Cassinos são fechados pelo menos por algum tempo, e você não pode jogar bridge se estiver meio adormecido e seus parceiros ausentes.
Cinemas, vídeos e DVDs também têm alguns limites. Para o teatro, você tem que sair e pagar por um bilhete, e o eles não estão abertos 24 horas por dia. Para DVDs e vídeos, as pessoas normalmente fazem compras razoáveis: hesitamos em comprar o mais recente filme trashy. Seria a vergonha exibir uma coleção de DVDs ou vídeos idiotas. A pessoa fica relutante em baixar qualquer coisa que não vale a pena. Nós tendemos a construir a nossa coleção de DVDs ou de vídeos com tanto cuidado quanto a nossa biblioteca.
Todo mundo pode manter maus livros, revistas ruins ou DVDs ruins, e muitos sacerdotes católicos lamentam com razão que as nossas famílias católicas não são suficientemente vigilantes sobre o conteúdo de sua coleção de vídeos. No entanto, quando se tem um conjunto de DVDs sobre a arte de arranjos florais, não se vai abusar de seu uso. Não se vai assistir repetidamente os clássicos que sabe de cor, ou um documentário sobre a história da aviação. Só se assiste quando se decidiu pensar nisso ou estudar sobre isso.
Com a televisão, as coisas são diferentes. Não há limite natural: pode-se vê-la durante todo o dia e ver todos os tipos de espetáculos ou reportagens sem sair de casa, sem fazer qualquer esforço, mesmo quando se está cansado, sem escolher ou escolhendo algo fácil de digerir. Na maioria das famílias, a partir dos programas disponíveis, a pessoa escolhe assistir séries, novelas, esportes que ninguém pratica, ou um filme B ao invés de um programa cultural (que não vai ganhar uma quota de audiência muito grande na classificação).
Uma vez que se começou a assistir, é difícil limitar a visualização. Mesmo as pessoas bem equilibradas admitem: "Se eu tivesse uma televisão, gostaria de vê-la o tempo todo, e eu gostaria de assistir aos programas estúpidos", um pesquisador de uma empresa de pesquisa nuclear confidenciou. Um professor disse: "À noite, quando eu chego em casa do trabalho, eu me sento hipnotizado na frente da televisão".
Assistir televisão pode continuar a ser um simples passatempo ou uma ferramenta cultural, sem se tornar uma ocupação ou, ainda pior, uma droga? É preciso uma vontade de ferro para usá-la apenas como um passatempo lícito, vigilância constante, se você não mora sozinho, e regras rígidas e resoluções, que, infelizmente, são facilmente quebradas.
Muitas vezes, o uso da televisão se assemelha a uso de drogas. Quais são os ingredientes deste medicamento? E quais são os sintomas de um estado de dependência?
A televisão como droga
Muitos telespectadores reconhecem: eles assistem à televisão porque eles experimentam uma necessidade irresistível de assistir a algo. Eles sofrem de sintomas de abstinência se não ligam seu aparelho.
Os ingredientes da droga
Um documentário sobre a criação e ordenha de cabras ou sobre como os tratores funcionam tem pouca chance de seduzir os telespectadores: para grudá-los ao aparelho, uma injeção de ação e, especialmente, de violência, é necessária. Mas a violência não deve ser constante: um pouco de alívio é necessário. Mel Gibson disse a um entrevistador que ele inseriu flashbacks em A Paixão de Cristo para dar aos espectadores um pouco de descanso das cenas impressionantes: é um truque de cineasta, ele explicou.
Se acontecer de você pegar a programação da tarde, enquanto visita um hospital, por exemplo, você pode observar a alternância de violência (telejornais invariavelmente dramáticos: guerra, incêndios, catástrofes naturais; filmes de ação ou policiais) e vacuidade: os filmes B, jogos bobos, corridas de carros, piadas estúpidas, novelas, e seriados.
Claro, nem sempre é a mesma corrida de carro, o mesmo jogo, ou mesmo episódio, mas a sequencia é bastante padrão: vai de espetáculos violentos e angustiantes para cenas de enchimento (3) sem muito interesse. Suspeita-se que por trás de tudo isto se encontra um cálculo, uma manipulação: para quê? "Eu passo os meus dias imaginando como ligar as famílias à TV e eu passo minhas noites pensando em maneiras para desligar os meus filhos", revelou Nicolas de Tavernost, o primeiro assistente do Grupo Bertelmann em M6 (Paris-Match, 2007).
De acordo com Michel Lemieux, um autor canadense, a relação entre as cenas violentas e de enchimento foi cuidadosamente calculada, reduzida a uma fórmula, pelos diretores de emissoras de TV, sendo o objetivo alargar os segmentos de publicidade para satisfazer os anunciantes. Mas os telespectadores se cansam da publicidade, então tem de ser oferecida a eles uma programação suficientemente interessante para que eles não se afastem, uma mistura cientificamente dosada ​​de violência, ação e enchimento. A análise deste autor é certamente verdade até certo ponto, é óbvio que a programação é calculada e dosada por especialistas. Quanto às razões pelas quais eles fazem isso, pode-se ousar pensar que não é simplesmente por causa da publicidade do produto. Pode-se razoavelmente pensar que por trás desses cálculos, dessas manipulações, encontram-se motivos políticos e até religiosos.
Quando assistimos televisão, estamos sendo manipulados por pessoas que querem obrigar-nos a ficar parados. O perigo é menor com DVDs e videocassetes, mas ainda se pode ser pego na mistura, preferindo assistir a filmes de ação ou filmes banais e comédias, por sempre tentar encontrar prazer e relaxamento.
Os sintomas
Os próprios viciados em drogas fazem comparações entre drogas e televisão: as drogas revivem o estado de pura percepção que haviam experimentado assistindo televisão. O estado de pura percepção é descrito por um especialista no uso de drogas:
“... A pessoa está completamente e vividamente consciente de sua experiência, mas não existem processos de pensamento, manipulando, ou interpretando o que está acontecendo. As sensações preenchem a atenção da pessoa, que está passiva, mas absorvida no que está ocorrendo, que é geralmente experimentado como intenso e imediato. A pura percepção é experimentar sem associações com o que está lá.”6
Não é exagero dizer que a maioria dos telespectadores assiste televisão em um estado análogo ao de pura percepção. A mente não funciona, não pensa, e não interpreta. Além disso: os programas escolhidos e assistidos, na maioria dos casos, não se prestam para o pensamento.
Urgência
A experiência com drogas é intensa e imediata, como a da televisão, especialmente quando se assiste a programas como os descritos acima: basta pressionar um botão no controle remoto. Pode parecer paradoxal falar de uma experiência intensa e imediata quando vimos que a relação com o real tem sido midiatizada, e devemos ver que a relação com os outros é igualmente midiatizada. Pois, com a televisão, não se está mais conectado à realidade: as percepções próprias não são da vida real, que é bastante uniforme e que deixa muito espaço para reflexão e nos obriga a prestar atenção ao nosso próximo. Na vida real, os choques sensoriais são raros. Assim, a experiência que os telespectadores recebem da televisão é de um tipo diferente do que a prevista pela vida real. É uma experiência semelhante à obtida pelo uso de drogas e que introduz os telespectadores, especialmente crianças, na lógica de uma sociedade de consumo: ter tudo, e tê-lo agora, enquanto uma relação com o mundo ou as outras pessoas não é imediata. O que é imediata é a experiência emocional e prazer.
Dependência
Outra analogia com o uso de drogas é a dependência. Todos nós conhecemos pessoas (adultos ou crianças) que não podem suportar ir a qualquer lugar, sair de férias ou ficar em algum lugar, a menos que elas estejam seguras de ter um aparelho de televisão à sua disposição, ou pessoas que não conseguem suportar quando seu aparelho de televisão não está funcionando.
Conhecemos, também, pessoas cuja conversa gira em torno principalmente do programa de televisão que assistiu na noite anterior, não realmente para discutir, analisar ou criticar, mas para tentar reviver as cenas e as emoções: "Você o viu cair?" - "Foi incrível". "Você viu quando X socou Y na cabeça?" -"Foi chato". “Foi incrível” - “ Você viu as torres explodindo?”.
Para muitas crianças, adolescentes ou idosos, a preocupação principal e a única questão importante do dia são "O que vamos assistir hoje?". E a única leitura que encontra aceitação a seus olhos é o guia de televisão.
Nós todos já experimentamos estar em um quarto de hospital e ter pessoas que, sem uma palavra, infligiram seus programas favoritos a nós, logo que chegaram ao ambiente. Muitos adultos reconhecem o fato: "Precisamos ligar e assistir alguma coisa”.
A televisão tem sido muitas vezes apresentada como uma abertura para o mundo, mas os viciados quase sempre veem a mesma coisa: esportes, espetáculos de variedades, novelas, melodramas feitos para a TV, reality shows e seriados. Eles não assistem a filmes clássicos, documentários sérios, ou transmissões culturais, porque eles não encontram as sensações que eles estão procurando, e especialmente não querem ter que pensar.
Um viciado em TV precisa aumentar a dose em quantidade e intensidade para obter os mesmos efeitos; para um adolescente de hoje, um grande consumidor de filmes e séries de TV, "é chato" quando não há violência suficiente ou efeitos especiais.
Curiosamente, as refilmagens de clássicos sempre incluem uma maior dose de violência e emoções fortes. Les Choristes, uma espécie de plágio do filme de 1945 La Cage aux Rossignols, fornece uma boa ilustração dessa progressão para a violência: os produtores introduziram alguma linguagem crua, um breve sugestão verbal de impropriedade sexual, algumas cenas violentas, um menino mau e perigoso: as crianças e todos os outros personagens são duros e cruéis, o fogo no final é proposital e não um acidente, o final não é muito feliz (não há mais o casamento na igreja). O remake terrivelmente não tem sentido de humor.
Desligamento
Nós também observamos em amantes da TV, como em usuários de drogas, um desinteresse na vida real (muito simples) e em trabalho voluntário (demasiado restritivo, não agradável o suficiente): diretores de escolas se queixam do absenteísmo dos pais dos programas escolares. Todo mundo lamenta o quão difícil é estimular a participação em diferentes grupos e coros por falta de voluntários, pessoas disponíveis e eficientes, mesmo se trabalhando com diminuição de horas.
A vida da paróquia é reduzida ao mínimo em quase toda parte: mesmo os paroquianos que vivem perto da igreja não se preocupam em ir a eventos mensais à noite se entra em conflito com a hora de um filme ou programa de televisão à noite.
Um diretor de acampamento de verão confidenciou: "É difícil manter os jovens ocupados atualmente, jogos de trilha não os interessa da forma como interessava há 20 anos. O que eles querem são emoções fortes: rafting e passeios a clubes noturnos à noite”.
"Uma vez que começam com a televisão, é o fim do movimento, da luta... Eles cochilam, eles pensam que são felizes", um padre de esquerda queixa-se num romance de Michael Saint-Pierre.
O apresentador de TV e celebridade Jacques Martin declarou em 1992: "Sou um homem de TV, eu faço televisão. E eu sei que a melhor maneira de extinguir a leitura, de matar a curiosidade genuína, de desistir de seus planos de viagem, ou se recusar a sair à noite, é para ligar esse lixo "(citado pelo jornal Présent).
Desumanização
Quais são os efeitos da televisão sobre a sensibilidade? Os estudos são formais: a televisão embota a sensibilidade das pessoas a eventos reais. O veredicto pode ser mais complexo do que parece: por um lado, os investigadores observam que as crianças assassinas são anormalmente insensíveis. Em nossa sociedade, o aborto e a eutanásia são palavras cogitadas como se estas coisas fossem banais, naturais; por outro lado, muitas pessoas têm uma reação excessivamente sentimental, emocional, em circunstâncias em que devem ser especialmente prudentes e lúcidas. Tudo depende, sem dúvida, do que elas veem: para alguns os filmes de terror, para outros os romances: os efeitos não são o mesmo na sensibilidade, mas eles são reais. Esta mistura de indiferença, egoísmo, crueldade, sentimentalismo e emocionalismo tão típica da nossa sociedade se assemelha ao comportamento típico dos alcoólatras, viciados em drogas, e mesmo dos iogues.
Depressão
Outro efeito semelhante ao do uso de drogas ou alcoolismo é o estado depressivo que afeta os usuários habituais da televisão, que exibem comportamento viciante: como o alcoólatra que bebe primeiro para esquecer suas preocupações e, em seguida, bebe para esquecer que ele é alcoólatra, os viciados em TV ["telephages" [4]] por sua vez, primeiro veem televisão para aliviar um sofrimento real: o tédio, a solidão, ou fadiga, e acabam assistindo para esquecer-se da sua inatividade. Os viciados em TV, além disso, nunca se gabam de gastar seu tempo na frente do tubo: é sim algo vergonhoso que eles escondem. Eles nunca vão dizer: "Tive uma semana excelente: eu assisti televisão oito horas por dia". Aqueles que dizem "Eu realmente me diverti muito assistindo a este programa, eu tive um bom momento na noite passada assistindo a um filme" não são os telespectadores com um comportamento viciante, mas sim os espectadores inabituais.
Este consumo bulímico de imagens não impede o consumo de calmantes, e muito provavelmente agrava o estado depressivo: assistir à televisão não traz qualquer tipo de ajuda.
Infelicidade
Tal como acontece com as drogas e o álcool, os consumidores de televisão sabem que assistir televisão não traz a felicidade deles. Claro, é necessário distinguir entre os consumidores habituais com um comportamento viciante do usuário ocasional (mas existem os consumidores realmente ocasionais?), assim como é necessário distinguir entre o alcoólatra e o consumidor moderado e fã de um bom vinho. Os consumidores de televisão sabem que a televisão não os faz felizes, assim como alcoólatras ou viciados em drogas sabe que seu vício não os faz felizes. Em questionários com foco em momentos de felicidade, a televisão está sempre em último lugar por pessoas que usam muito a televisão.

Os efeitos da TV sobre a vida quotidiana
É muito difícil estabelecer cientificamente os efeitos negativos da televisão sobre a vida diária e o comportamento: sempre se pode argumentar que o comportamento anômalo não tem nada a ver com a televisão. Para verificar os efeitos da televisão sobre a vida cotidiana, o melhor procedimento é fazer um estudo comparativo da vida com e sem televisão.
Nos Estados Unidos e na Alemanha, voluntários são regularmente solicitados para participar de experimentos para estudar a vida sem televisão por um tempo determinado. Os experimentos são sempre animadores: os voluntários estão muito satisfeitos com a vida sem televisão. Eles têm mais tempo para conversar, ficar juntos como uma família, para brincar. Eles gastam mais do seu tempo trabalhando ou praticando um hobby. Os membros da família ajudam uns aos outros, leem e ouvem música.
No trabalho de Marie Winn já referido, as famílias que haviam participado do experimento Denver, em 1974, ficaram todos muito felizes com os efeitos positivos da vida sem televisão. No entanto, uma vez que o experimento terminou, todos voltaram aos seus antigos hábitos de consumo frenético. Eles lamentaram perder os benefícios de uma vida livre da televisão, mas mesmo assim preferiram voltar ao seu antigo estado de dependência, passividade e regressão adquiridos pela tela de prata.
"É como com os cigarros", explicou um dos voluntários que participaram na experiência, "uma vez que o hábito é adquirido, é difícil de quebrar".

(continua)

Traduzido de La Télévision, ou le péril de l’esprit (copyright Clovis, 2009)

Notas:
1 Quando, é claro, se joga por dinheiro. Cf. São Francisco de Sales, Introdução a Vida Devota, Parte 3, 31–34.
2 Introdução a Vida Devota, traduzido por John K. Ryan (Nova York: Image Books), Parte 3, 34, p. 212.
3 Nota do Editor: Haveria muito a dizer sobre o filme Monsieur Vincent, que, apesar de sua inegável qualidade cinematográfica, dá uma falsa impressão de São Vicente de Paula. O homem que fundou a congregação das mulheres e congregação de homens, dando a estes últimos três fins principais (santificação dos seus membros, evangelizar os pobres rurais, e santidade sacerdotal), e que era um apóstolo incansável e um homem de oração, se torna, na imagem que o filme cria, quase exclusivamente um benfeitor temporal dos necessitados.
4 Michel Lemieux, L’Affreuse Télévision (Guérin, 1990), p. 31.
5 Afinal, as “soap” ou “soap operas” [novelas], as populares séries de televisão melodramáticas povoadas com personagens estereotipadas, estiveram na origem das obras produzidas a ser interrompidas por propagandas de produtos de sabão [soap], daí sua denominação.
6 Marie Winn, The Plug-in Drug: Television, Children, and the Family (Nova York: Viking Press, 1977), p. 99, citado de “The Effects of Marijuana on Consciousness” em Altered States of Consciousness, de Charles Tart (1969).

Original aqui.
Veja todas as partes:
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Notas da tradutora:
(1)    Para saber sobre a licitude das danças, leia esse artigo aqui.
(2)    Cenas de enchimento são cenas feitas para preencher espaço ou como se diz popularmente aqui no Brasil: “para encher linguiça”. Cenas que não servem para nada, pura embromação.
(3)    Telepahges: termo da língua francesa para o qual não encontrei tradução. Creio que vem de tele + phago, que seria um devorador de televisão.

terça-feira, julho 17, 2012

Mentes descarrilhadas



Eu não me canso de repetir a frase de D. Williamson “as mentes estão fora dos trilhos”, simplesmente porque ela exprime a mais pura verdade sobre os dias atuais. As pessoas parecem ter os olhos vendados, não enxergam a realidade.

Vejamos quanta loucura: um católico publica em seu site o apoio a uma militante pró-vida e recebe como resposta – de um de seus conhecidos, um ateu – algo como “cadeia para essa vadia”. Mas os familiares do católico, em vez de perceberem o óbvio, acusam o próprio de ser agressivo.
Como é que é? Então hoje a pessoa que defende a vida, ao publicar seu apoio à causa pró-vida, é o agressivo? Por quê? Porque ele defende a verdade? E o que xingou a moça pró-vida, é o quê?
Segundo a atual mentalidade relativista o xingador pode emitir sua opinião, claro, pois não é cristão, não é defensor da verdade; só o Cristão não pode emitir opinião. Se o faz é logo tachado de radical, extremista, fanático e agressivo. Ora, mas não é essa mesma gente que diz que todos têm “direito à opinião”? Claro que para o liberal, o relativista, a única opinião válida é a dele. Essa gente tem alma de totalitarista, e posa de vítima quando um cristão coloca o pingo no “i”. Daí nós vermos manifestações repugnantes como a do ateu citado acima, e que no fim das contas ainda é visto como vítima.
É, D. Williamson, a coisa está feia! As mentes estão descarrilhadas. E parece que não vão receber nenhuma ajuda para voltar aos trilhos.

segunda-feira, julho 16, 2012

Blog novo no ar: Sacramentais



Blog novo no ar: Sacramentais. De autoria das Escravas de Maria, é mais um bom lugar na internet para aprender sobre as coisas de Deus.

Visite! Clique aqui.


sábado, julho 14, 2012

Blogo novo no ar: Estudos Tomistas

vida
Está no ar o novo blog Estudos Tomistas, do professor Carlos Nougué. Veja:

Clique aqui para ler a apresentação do blog.

sexta-feira, julho 13, 2012

O reino de Deus é dos violentos...

...dos que perdem os templos, mas guardam a fé.
vida

Recomendo a leitura desse belo texto de Bruno Luís Santana, do Regi Saeculorum:

“O Reino de Deus sofre violência, e todo dia os violentos o arrebatam” (Mt. XI, 12).

Trechos:

"Desta raça Santo Atanásio foi herdeiro direto. Como pôde este turbulento bispo ousar se indispor com o papa de Roma e o basileu de Constantinopla? Porque não apostatou com os arianos? Porque ao menos não contemporizou, seguindo o exemplo de Libério? Porque se tornou uma pedra no sapato do papa, a ponto de ser excomungado? Porque não seguiu os outros e pecou contra a fé, aderindo à heresia, ou ao menos deixando de combatê-la?

Porque estes intransigentes são tão incômodos?

(...)

O reino de Deus é dos violentos, dos turbulentos, dos que perdem os templos, mas guardam a fé."

quinta-feira, julho 12, 2012

Televisão: A Alma em Risco - parte IV

Por Isabelle Doré
Traduzido por Andrea Patrícia


Os efeitos da televisão sobre a Mente
I. Viver com mentiras
Na maioria das vezes, as mentiras são aceitas: o poder das imagens, o prestígio da mídia, e a autoridade de rostos familiares na tela, habilmente dispostos, dão mais poder às mentiras do que a própria realidade ou uma autoridade local tem. Por exemplo, um pároco pregou sobre a existência do diabo após uma transmissão amplamente vista na qual um teólogo explicou que o diabo não existe. Algumas pessoas lhe agradeceram [ao padre] por reafirmar a verdade, mas, no geral, seus paroquianos o denunciaram ao seu superior e sobrecarregaram-no com censuras.
Achamos que é muito difícil lutar contra a desinformação sobre o Sudário de Turim, sobre o Papa Pio XII, e outros temas caros ao coração dos Católicos, mas isso é especialmente verdadeiro quando se trata de pessoas que recebem a maioria de suas informações a partir dos meios de comunicação. Entre um bom livro sobre Pio XII e um relatório depreciativo da estação de TV local, é o programa de TV que gruda na mente das pessoas.
"Viver não por mentiras" era o lema de Solzhenitsyn. Para evitar respirar o clima de mentiras, é melhor viver longe da mídia, caso contrário é quase uma certeza deixar-se seduzir. Em seu livro The Hidden Persuaders, o sociólogo americano Vance Packard explica que, incontestavelmente, é a televisão que desempenha o papel preponderante na manipulação das mentes.
Novas técnicas de persuasão aparecem, algumas são baseadas em pesquisa psico-fisiológica. Como podemos ter certeza de escapar da influência dessas técnicas ocultas de persuasão? Nós temos uma propensão a acreditar no que queremos, e todos nós podemos nos deixar ser arrastados para uma mentira reconfortante e sedutora. A televisão não é o único meio em questão. O perigo também existe em outros lugares, mas a televisão é o meio mais ativo de persuasão.
II. A confusão entre real e irreal
De tempos em tempos, os jornais referem exemplos dramáticos de telespectadores que desejaram imitar os seus heróis favoritos. Um adolescente matou horrivelmente sua namorada depois de assistir O Massacre da Serra Elétrica. Crianças se deitam na estrada, imaginando que os carros vão passar por elas sem feri-las. Outros pulam de janelas como o Super-Homem ou Batman. Depois de assistir Imensidão Azul, adolescentes se afogaram em suas banheiras depois de tentar experimentar prender a respiração como os mergulhadores do filme.
Um educador envolvido com crianças assassinas explicou que sua principal tarefa era ensiná-las a viver no mundo real, estabelecer a relação de causa e efeito entre ações e suas consequências. As crianças já não vivem no mundo real: elas acham que é bom matar, bater, e se livrar de pessoas como nos filmes, fazer desaparecer as pessoas é a mesma coisa que desligar a TV (cf. Marie Winn, The Plug-in Drug).
Certamente, esses casos dramáticos envolvem crianças vulneráveis, neuróticas, mas a confusão entre o real e o irreal pode afetar pessoas normais, equilibradas - menos espetacularmente, talvez -, mas talvez não de forma menos dramática.
Para avaliar a confusão entre o possível real e irreal de ver as fontes audiovisuais, o Massachusetts Institute of Technology mostrou aos visitantes clipes de filme e pediu-lhes para indicar o que eles pensaram que estavam vendo, cenas dramatizadas ou eventos reais. Eles mostraram cenas de homens realmente morrendo na guerra ou acidentes, e outras cenas ficcionais de atores representando pessoas morrendo. Os visitantes entenderam sistematicamente tudo errado: as mortes reais, pouco espetaculares, pareciam ficção para eles, e as mortes fictícias, tão bem encenadas, pareciam reais.
Os óculos coloridos da TV
Assim, podemos concluir que os telespectadores não necessariamente distinguem entre o mundo real e a ficção na tela. Mas será que a dependência desta, esta intrusão da tela na vida diária, também não perturba a sua percepção da realidade? É uma teoria difícil de verificar: não se presta a experiências de laboratório. Pesquisadores às vezes tentam fazer estudos sobre populações diversas; uma coisa que temos observado é que o que é necessário é reeducar as pessoas afetadas na realidade envolvente. Os psicólogos da criança lidam com crianças que têm problemas para se conectar com o mundo real e da aprendizagem; elas não sabem como agir sobre as coisas, como usar seus cinco sentidos, lidar com a linguagem, ser atenciosas com os outros. Elas não sabem muitas das palavras comuns da vida diária: cortar, colar, equilibrar, deslizar...
Não é fácil avaliar os efeitos do audiovisual na nossa percepção da realidade, mas na ausência de uma avaliação sistemática, pode-se muitas vezes fazer suposições ou observações. Quando um espectador de televisão pendura um pôster de seu herói favorito em seu quarto, o que significa isso? Isso significa que ele confunde o ator com o herói de uma história real ou fictícia.
Na década de 1990, a mania do Tamagochi foi um furor entre as famílias "plugadas". Os Tamagochis são animais virtuais configurados em uma tela de cristal líquido, pequena e portátil. O proprietário do aparelho tem de pressionar os botões várias vezes ao dia, quando convocado por um sinal para "alimentar" e "andar" o animal, virtualmente, é claro. Em caso de esquecimento ou negligência, o dispositivo se autodestrói. Esta moda parece ter diminuído por agora. A paixão com os Tamagochis revelou não só um esnobismo absurdo, mas também uma perda notável do senso de realidade, que é provavelmente causada pela frequentação assídua dos mundos do audiovisual e do virtual.
Alguns filmes causam pesadelos e ansiedade aguda (O Planeta dos Macacos, por exemplo), mesmo que a história seja absurda e inacreditável. Por que então nós os vemos? "Gosto dos efeitos especiais" ou "Eu gosto de filmes que me fazem fantasiar", admitem alguns espectadores, mostrando a sua compreensão limitada da realidade. Essas fantasias são sempre inocentes ou inofensivas? Será que, em vez disso, elas não constituem uma recusa da realidade? Será que elas não poderiam ser perigosas para nós e para nosso próximo?
Expectativas distorcidas
Nós todos conhecemos pais e mães que parecem projetar em seus filhos um sonho de conquista, glória, sucesso social ou riqueza. Tal ambição sempre existiu, é claro (ler um livro pode inspirar os mesmos sonhos de sucesso), mas hoje o sonho é sobre coisas não Cristãs: glória, vaidade, riquezas e orgulho. Isso está longe de ser o legítimo desejo de colocar os talentos a serviço do bem. O que é particularmente surpreendente é que o sonho é impossível, mas os pais ou a própria pessoa não parecem perceber isso.
Assim, em nossa região, um número de meninos, incentivados por seus pais, queria um programa especial de estudos de esportes para que eles pudessem se tornar jogadores profissionais de futebol (desde que uma equipe local transferiu-se para uma liga profissional). O sonho rapidamente se desintegrou porque os postulantes não tinham as aptidões necessárias. É bastante sério que os pais fossem incapazes de avaliar verdadeiramente os talentos ou a óbvia falta de talento de seus filhos.
Outra família tem sacrificado dinheiro e honra nos últimos dez anos e tem perigosamente hipotecado o futuro do seu filho na esperança de que ele poderia se tornar um ator famoso, mesmo que esse filho não tenha o talento, o físico, ou as conexões que permitem não apenas atingir a glória, mas mesmo uma vida modesta no campo. Quer se tratem de esportes, de música, cinema, ou escolas de esporte profissional, essas famílias que "fantasiam" (1) tomam a sua inspiração da televisão e parecem incapazes de avaliar a realidade, moralidade, utilidade e possibilidade de seu projeto. Ainda mais surpreendente: essas famílias não hesitam em cometer atos irreparáveis, arruinar ou desonrar-se em busca de uma ilusão.
A influência da televisão parece determinante em todos esses casos que vemos acontecer em nossa vizinhança. Os livros, claro, também podem levar a viver em um mundo imaginário. Dom Quixote é a história de um homem que tinha lido muitos livros sobre cavalaria, mas Dom Quixote estava mentalmente doente. Há também o efeito Werther (2): A epidemia de suicídios que eclodiu na Alemanha após a publicação de Werther foi o resultado de um trabalho literário, o audiovisual não tinha nada a ver com isso. Talvez fosse uma questão de pessoas muito frágeis. De acordo com Goethe (cuja indiferença e crueldade devem ser notadas de passagem): "Certamente você não espera que eu esteja preocupado com meia dúzia de tolos e desprezíveis que eu expurguei da terra". O que é novo sobre a televisão é que todos são afetados por ela, não só os fracos de espírito, bobos e "desprezíveis". Felizmente, a maioria das circunstâncias providenciais de tempo obrigam os pais a renunciar ao seu sonho ou transformá-lo.
Voo da Vida
Considere ainda outro efeito da realidade audiovisual e virtual, igualmente dramática para os espectadores ou o seu ambiente: americanos "sem vida" e os japoneses "hikikomori" ("aqueles que ficam fechados no seu quarto") tornaram-se um fenômeno social: estes são adolescentes ou jovens adultos que abandonam o mundo real para viver em uma realidade virtual, eles dispõem de televisores, consoles de jogos e computadores em seu quarto, se comunicam com o exterior pela Internet, e não trabalham. Eles são, talvez, mais ligados ao computador que à televisão. Sem dúvida, outros fatores contribuem para o seu comportamento viciante: rivalidade social, pressão dos pais para o sucesso acadêmico, insucesso escolar, etc. Pode-se pensar, no entanto, que a televisão abriu o caminho para esses jovens, deficientes na vida, a fugir do real. Como é o caso da violência, a televisão e os computadores podem ser simultaneamente uma causa e efeito da patologia.
Nos Estados Unidos, estes adolescentes e jovens adultos recebem aulas especiais para ensiná-los a se comportar normalmente na vida real com pessoas reais, ensinando-os a olhar as pessoas nos olhos, falar com elas, e se interessar por elas. O mesmo fenômeno parece estar acontecendo na França, afetando tanto a civilidade e as boas maneiras no sentido estrito, mas também no sentido mais amplo.
Famílias podem escapar de pelo menos alguns dos efeitos negativos da televisão, se os adultos se derem ao trabalho de conhecer e criticar o que foi visto. Mas, de acordo com as crianças entrevistadas, isso raramente acontece. A televisão não é uma ocasião para a comunicação entre pais e filhos, nem entre adultos. De fato, pudemos observar que a nossa própria aparição na televisão ocasionou muito poucos reflexos ou conversas com nossos amigos e conhecidos. Foi muitas vezes limitado a "vimos você na televisão". O único resultado verdadeiramente positivo de nossa aparição na transmissão de TV sobre homeschooling, que deveria ser educativa, foi o de ser conferida a nós uma espécie de respeitabilidade no nosso círculo.
(continua)

Traduzido de La Télévision, ou le péril de l’esprit (copyright Clovis, 2009)
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Notas:
1 Etimologicamente, a palavra significa fantasiar, imaginar.
2 Um romance escrito por Goethe.

Original aqui.