quinta-feira, agosto 30, 2012

Nossa Senhora Como Mulher e Guerreira

Por Dr. Peter Chojnowski
Traduzido por Andrea Patrícia






Aqui está um do artigo, publicado no The Angelus cerca de 11 anos atrás, em que discuto os entendimentos diferentes do nome de "Senhora" como dado à Mãe de Deus. Eu o publico novamente, agora para apresentar o documento inteiro para que as pessoas possam ler por si mesmas o que eu disse e não serem vítimas de vários escritores na internet que insistem em distorcer tudo o que tenho a dizer sobre as mulheres e a Virgem Maria. Uma das passagens mais violentamente atacadas foi tirada da edição de 1913 da Enciclopédia Católica publicada sob São Pio X. Aqui está o artigo para definir o registro correto. Por favor, envie seus comentários através do meu e-mail encontrado no meu perfil (1).

Nossa Senhora Como Mulher e Guerreira

Ao pesquisar o assunto da Bem-Aventurada Virgem Maria, o que é mais óbvio é a riqueza de material com o qual se deve lidar e, por outro, o grau cada vez maior de definição doutrinal e dogmática com que a Igreja Católica apresentou aos fiéis a completa realidade da Mãe de Deus. Considerando que, no século VII, as questões doutrinais relativas à natureza e pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo haviam sido resolvidas pelos seis primeiros Concílios Ecumênicos da Igreja, a doutrina dogmática e os esclarecimentos sobre a Santíssima Virgem Maria continuaram nos séculos XIX e XX (por exemplo, a definições dogmáticas da Imaculada Conceição e da Assunção), e podemos mesmo afirmar que essa tentativa de esclarecimento continua em nossos próprios tempos (por exemplo, sobre Nossa Senhora como Co-Redentora e Medianeira de Todas as Graças. Newsweek , 27 de agosto de 1997).

Assim como os movimentos de Igreja Católica, talvez, para uma definição da última das grandes doutrinas Marianas, há outro aspecto de Nossa Senhora, que é distinto e, sem dúvida, pertinente, e até mesmo essencial, para os nossos tempos. Como a onda de Feminismo tem chegado, espero, ao seu ponto mais alto em nossos tempos, é imperativo para aqueles que desejam permanecer fiéis à Tradição olhar para o mais perfeito da mulher, a fim de fornecer tanto para nós mesmos um ideal e um modelo de virtude feminina quanto para nos ajudar a limpar-nos dos preconceitos feministas que somente aqueles na melhor das circunstâncias poderiam ter deixado de adquirir, mesmo "subconscientemente".

É por isso que tenho a intenção de considerar, neste artigo, a Virgem Maria como nossa "Senhora". Porque como "senhora"? Por conta do fato de que a "senhora", em todos os seus vários aspectos e funções, é comumente aceite para ser o modelo do que todas as mulheres, no nível natural, deveriam ser. Assim como o ideal masculino é ser um "mestre", quer da própria casa ou do próprio ofício, o nobre ideal feminino da "senhora" inclui tanto os aspectos de "mestra" (2) da casa de seu mestre e a inspiração e companheira daqueles que entram em batalha.

A) Maria como Senhora

Este tópico e foco sugere a si mesmo, por conta de duas "polêmicas" em relação à Mãe de Deus, uma etimológica e uma exegética. A questão diz respeito ao significado etimológico do Santo Nome "Maria" em si. É claro, "Maria" é a forma em Português (3) do Miryam hebraico ou Miriam, que era o nome da irmã de Moisés (que deu origem à especulação de que o nome é de origem egípcia), e de várias mulheres no Novo Testamento, bem como de Nossa Senhora. Este nome é análogo ao Maryam nome siríaco e aramaico. Este mesmo nome aparece em toda a Bíblia Vulgata, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, como Maria. A dificuldade em interpretar o nome está no fato de que existem 70 possíveis significados do nome Miryam. Embora todos estes existam como possibilidades, há alguns significados, que são mais prováveis do que outros. A interpretação do nome, que se pensa ter sido dada por São Jerônimo, stella maris ou "estrela do mar", não é a única favorecida pelos estudiosos de hoje. Em vez disso, seguindo o exemplo de São Pedro Crisólogo e São João Damasceno, juntamente com o significado do nome na língua siríaca, a tradução de "senhora" tem sido dada; "Senhora", significando aqui a contrapartida de um "mestre" ou "senhor". Além disso, essa interpretação particular parece ser mais provável quando consideramos algumas das outras interpretações dadas ao nome por vários estudiosos, todos parecem ser os aspectos do tipo de modelo feminino, o que nós referimos como a "senhora". Por exemplo, temos "mestra", "a mais forte" ou "a que governa", "a enaltecida", e "a graciosa" ou "a encantadora". Dessas representações, a mais amplamente aceita é a da "corpulenta" ou "bem nutrida". Como poderíamos imaginar, para os povos do Oriente Próximo ser "bem nutrida" era sinônimo de beleza e perfeição corporal. "Maria", então, implica a beleza e a perfeição da verdadeira "Senhora".

A Nova Eva

Não só o próprio nome de Maria indica as maneiras pelas quais ela é verdadeiramente abençoada entre as mulheres, mas o papel da Mãe de Deus como a Nova Eva, a mulher de obediência e santa submissão em oposição à rebelião e autonomia de Eva, indica o modo pelo qual Nossa Senhora, como mulher, esmagou a cabeça da serpente pela sua posse exemplar de virtudes especificamente femininas. Assim como Eva foi enganada por Satanás por causa de sua inconstância, mutabilidade, e preocupação exagerada com o sensivelmente imediato (ou seja, a atratividade do fruto da Árvore do Bem e do Mal), a Santíssima Virgem Maria conquistou o antigo tentador de Eva por simplesmente aceitar tudo o que Deus quis derramar sobre ela e conseguir através dela. A humanidade começa a sua ascensão para a santificação através da passividade voluntária de uma mulher, enquanto ela caiu desse estado de santificação por conta da tentativa agressiva de Eva para dominar a vontade do homem através da manipulação sutil.
Que uma mulher deve ser uma vencedora através da aceitação passiva da vontade de outro, e não através da afirmação de sua própria vontade, é testemunhado pelos Padres e Doutores da Igreja quando falam de Nossa Senhora como a Nova Eva. O ensino de Nossa Senhora como a Eva "revertida", aparece no Ave Maris Stella: "Oh, pelo Ave de Gabriel, pronunciado há muito tempo atrás, o nome de Eva reverte, estabelece a paz em baixo!". Este ensinamento de Nossa Senhora como sendo uma Eva "revertida", aparece na bula do Venerável Papa Pio IX Ineffabilis Deus, definindo a doutrina da Imaculada Conceição. Santo Irineu (c. 180) expressa o entendimento comum dos Padres, quando afirma: "Eva foi levada pela palavra de um anjo para fugir de Deus depois de transgredir Sua palavra. Maria tem boas novas trazidas por um anjo que ela deve trazer Deus dentro de si depois de obedecer à Sua palavra." Por isso, é pelo próprio ser de Nossa Senhora e da sua aceitação da vontade de Deus que ela vence o sedutor de Eva.
Quando se fala de Nossa Senhora como a vencedora "passiva" do adversário antigo da humanidade, se refere necessariamente à passagem no Livro de Gênesis em que Deus amaldiçoa a serpente dizendo o seguinte: "Porei inimizade entre ti e a mulher, e a tua descendência e a descendência dela: ela deve esmagar tua cabeça e tu a ferirás no calcanhar" (Gn III, 15). É sobre essa passagem que encontramos a segunda das "controvérsias" mencionadas anteriormente. Esta é exegética. Assumindo que essa "ela" mencionada é uma referência profética a Nossa Senhora, é ela quem vai esmagar a cabeça da cabeça do Maligno ou será a sua "semente" que esmagará.

A "dificuldade" está no fato de que no texto da Vulgata, o pronome (ipsa) refere-se à mulher, enquanto no texto hebraico e, também, na tradução grega do texto hebraico, o mesmo pronome refere-se à semente da mulher. De acordo com a Vulgata Latina, a própria mulher vai obter a vitória, de acordo com o texto hebraico, ela vai ser vitoriosa através de sua semente. Ao invés de ver alguma corrupção intencional do texto original de São Jerônimo, que estava completamente familiarizado com o hebraico, devemos ver a tradução da Vulgata como uma versão explicativa expressando explicitamente o fato da parte de Nossa Senhora na vitória sobre a serpente, que está contida implicitamente no original hebraico. Portanto, se Nossa Senhora esmaga a cabeça do Maligno e, por conta disso, estabelece a inimizade eterna entre sua prole e a serpente, ela tanto faz isso por conta de sua própria essência (isto é, sua Imaculada Conceição) ou ela faz isso através de sua aquiescência ao plano redentor de Deus, o seu Fiat. Qualquer que seja a leitura que devemos dar a esta passagem, Nossa Senhora vence através de uma instância exemplar da virtude feminina da passividade voluntária.

Para São Bernardo, não há dúvidas quanto às implicações ou a intenção da passagem do terceiro capítulo do Gênesis. Ele, da mesma forma, entende o triunfo de Nossa Senhora como sendo uma reversão da sedução de Eva. Além disso, São Bernardo entende ser importante que não foi apenas uma "pessoa" que foi escolhida para esmagar a cabeça da antiga serpente pela sua existência e seus atos de submissão voluntária à vontade divina, mas, sim, uma mulher. Aqui vemos a conexão essencial entre feminilidade e maternidade, tanto na vida natural quanto nas ordens sobrenaturais, enquanto Eva foi a mãe de todos na ordem da natureza, Maria é a mãe de todos na ordem da graça.

São Bernardo fala de Nossa Senhora como mulher, mãe e valente vencedora do Maligno, quando afirma em um de seus sermões: "De quem, então, se não da Virgem, que o Senhor parece ter falado quando Ele disse à serpente: "Porei inimizade entre ti e a mulher"? Mas se você ainda não está convencido de que Ele estava se referindo a Maria, preste atenção ao que segue: "Ela deve esmagar a tua cabeça". A quem, senão a Maria foi aquela vitória reservada? Ela, sem dúvida, esmagou a cabeça venenosa da serpente, levando a nada todas as tentativas do maligno para seduzi-la com suas sugestões de prazer e orgulho. Novamente, quem mais, senão Maria estava Salomão buscando quando ele perguntou: “Quem encontrará a mulher forte”?

No exemplo acima, São Bernardo reconhece que, à luz da maneira em que Deus iria redimir a humanidade, através da Encarnação e do sacrifício propiciatório da Cruz, seria uma mulher, uma mulher que iria combinar as duas formas moralmente lícitas da vida feminina, por cujo imaculado ser e por cujo fiat todos os que devem ser salvos serão salvos. Na passagem seguinte, ele voltou a sublinhar Nossa Senhora como a escolhida por Deus para preencher o papel de "mulher forte": "Mas ele conhecia também das Escrituras a promessa feita por Deus - e pareceu-lhe natural [grifo meu] - que aquele que havia vencido uma mulher deveria ser vencido por uma mulher e, portanto, ele [o Rei Salomão] gritou em um excesso de admiração: "Quem encontrará a mulher forte?". Isso quer dizer: 'Se a salvação de todos nós, e a recuperação da nossa inocência e nossa vitória sobre Satanás, portanto, dependem de uma mulher, é absolutamente essencial  encontrar uma mulher forte, que será capaz de realizar uma tarefa tão difícil. Mas quem deve encontrar uma mulher tão valente? '.... "Alto e distante dos limites extremos é o preço dela." "Com a Virgem, temos uma mulher que é forte, porque ela é inabalável. É a Nova Eva que sempre refuta os escritos de Virgílio na Eneida: Varium et Semper mutabile femina.

C) Nossa Senhora das Dores: Paixão e Paciência

A vitória de Nossa Senhora sobre o Maligno de que fala Gênesis envolve um combate, que tem três aspectos distintos. O primeiro é o mais puramente passivo. O termo "passivo" aqui, não se refere a um estado de inatividade ou qualquer Estado que carece de atualidade, particularmente, eu uso o termo no sentido que Aristóteles usou para descrever um atributo de um ser pelo qual ele recebe alguma forma de realidade ou perfeição de outro ser. É na sua Imaculada Conceição, em que ela, desde o primeiro instante da sua existência, existe livre de toda mancha do pecado original que ela inflige a primeira derrota a Satanás. Desde que sua alma que estava livre do pecado original, e uma vez que a alma é o "primeiro ato" de um ser vivo, na mesma atualidade primordial de seu ser ela derrotou o desejo de Satanás para fazer a totalidade da humanidade passar por um período durante o qual eles não trariam em si a própria imagem e semelhança de Deus. É por conta da impecabilidade do seu ser que o Pequeno Capítulo do Pequeno Ofício da Santíssima Virgem diz: "Quem é esta que sai como a aurora, formosa como a lua, brilhante como o sol, terrível como um exército em ordem?”.

"Alegra-te, ó Virgem Maria, só tu tens destruído todas as heresias em todo o mundo." Esta antífona das Matinas do Pequeno Ofício, afirma claramente o entendimento da Igreja, que defende que Nossa Senhora, por ser a Mãe de Deus, vence todas as heresias que de qualquer forma ponham em causa a união hipostática (ou seja, a união de uma natureza humana e de uma natureza divina na Pessoa Divina de Nosso Senhor Jesus Cristo). O dogma da Maternidade Divina foi afirmado no mesmo Concílio Ecumênico (Éfeso 431) no qual a unidade das duas naturezas em uma Pessoa Divina foi afirmada. Se Maria é a Mãe de Deus, então ela é a mãe do Cristo "todo", a Mãe de Cristo, que não pode ser dividido. Desde o momento do Fiat de Nossa Senhora, o Logos Divino seria Homem e Deus, Alma e Corpo para a Eternidade. No seu Fiat voluntário, ao contrário de sua Imaculada Conceição, Nossa Senhora não foi puramente passiva. Sua única afirmação da vontade do Pai para ela foi o que fez dela o instrumento pelo qual a religião verdadeira foi introduzida na sociedade dos homens (4). São Bernardo enfatiza a refutação da heresia como sendo uma conseqüência do Fiat de Nossa Senhora, quando ele afirma: "Porque Maria é a mulher, prometida no passado por Deus, que deve esmagar a cabeça da serpente com o pé de sua virtude, e cujo calcanhar ele tem ficado à espera com muitos ardis, mas todos sem nenhum propósito. É por meio de Maria só que cada heresia ímpia foi vencida. Um heresiarca afirmava que Cristo, embora trazido por ela, não foi formado a partir de sua carne... enquanto [outro], incapaz de suportar que ela deve ser chamada Mãe de Deus [isto é, Nestório, condenado pelo Concílio de Éfeso], impiedosamente procurou privá-la do título de coroação. Mas as serpentes à espreita foram esmagadas, os erradicáveis foram pisados, os caluniadores de Maria tem sido objeto de confusão [pela verdadeira doutrina], e eis que agora todas as gerações a chamarão bem-aventurada". Encontramos uma perfeita representação artística deste ensinamento que por ser a Mãe de Deus Nossa Senhora coloca para dormir a fermentação intelectual dos incrédulos, na capela de São Januário, em Nápoles. Lá encontramos um afresco de Il Domenichino mostrando o triunfo da Virgem Mãe sobre a revolta protestante. Aqui encontramos um jovem herói que pisoteava Lutero e Calvino, que são identificados pelo nome nas inscrições. Ele carrega uma bandeira branca em que nós lemos três respostas aos ataques protestantes: Semper Virgo – Dei Genitrix – Immaculata. Em O Livro Masculino de Arte Religiosa Depois do Concílio de Trento, de Emile, lemos a seguinte descrição deste trabalho abertamente apologético da arte: "Contra os inovadores, o jovem campeão da Virgem afirma que ela era virgem antes e depois do nascimento de Jesus, que ela é a Mãe de Deus e não apenas Mãe de Cristo e, finalmente, que ela está livre do pecado original. Perto dele uma mulher jovem, Oradora, carrega o rosário que os luteranos denunciaram como uma invenção de Satanás. A Ave Maria eleva-se à Virgem, que está de joelhos diante do seu Filho. Ela oferece a ele as orações da humanidade, que moveram seu coração à piedade, e dois anjos colocando na bainha a espada da ira divina”.

Foi, é claro, em seu sofrimento interno, exemplificado em suas Sete Dores, que Nossa Senhora mostrou-se completamente tanto mulher quanto guerreira, isto é, uma verdadeira dama. No século XIV, ouvimos Santa Catarina de Sena, exclamando: "Ó Maria, você nos traz o fogo da misericórdia de Deus! Tu és a libertadora da raça humana, uma vez que Cristo adquiriu-a com sua paixão, e você, Mãe, a comprou com a dor de seu corpo e as angústias de sua alma". Quando meditamos sobre a maneira mais "ativa", em que Nossa Senhora participou na conquista de Nosso Senhor Jesus Cristo de Satanás, descobrimos que este papel ativo foi, igualmente, um tipo de "passividade", uma verdadeira paixão. Como pode alguém que está continuamente sendo submissa ser considerada uma mulher "forte", uma mulher útil e acostumada à batalha? Deixar de ver a natureza valente da vida de Nossa Senhora e sua paixão é fundamentalmente não compreender a verdadeira natureza da virtude que sempre caracterizou os fortes, a virtude da fortaleza ou coragem.

De acordo com Aristóteles, e antes dele a tradição grega clássica ética como um todo, a fortaleza era considerada a virtude que regulamentava e canalizava corretamente nosso medo natural do horrível, para que o objeto que estivesse provocando o medo não interferisse com a nossa realização do bem difícil e maior. O possuidor desta virtude por excelência era o guerreiro, o homem que enfrentava, como parte de sua vida normal, a coisa mais horrível, naturalmente, a morte. Ser corajoso no campo de batalha significa assim controlar o nosso medo da morte, que não iria interferir com a nossa conquista do bem difícil da vitória na batalha, portanto, segurança para o bem comum de seus inimigos. Observe aqui, que não é o homem que não teme que é corajoso, ele é simplesmente irresponsável, é o homem que teme, mas não deixa que o medo o domine, que é o homem de coragem verdadeira.

Sobre esta virtude possuída pelo valente soldado em batalha, Santo Tomás de Aquino faz um comentário muito interessante e penetrante. Dos dois principais atos de resistência, força e ataque, a resistência é mais da essência da virtude. Tendo em mente que a fortaleza tem a ver com dissipar o medo da morte, Santo Tomás dá três razões pelas quais a resistência é mais difícil do que um ataque agressivo. Primeiro, porque se deduz que resistência é normalmente ser atacado por algo mais forte do que si mesmo, enquanto a agressão conota que se está atacando como se fosse a parte mais forte. Segundo, porque ele ou ela que resiste já sente a presença de perigo, enquanto o agressor olha para o perigo como algo por vir. Finalmente, a resistência implica período de tempo, é mais difícil permanecer impassível por um longo tempo, do que ser movido de repente pela chamada para o ataque. É por isso que Santo Tomás fala dos mártires, que foram "fortes na batalha", como os que manifestam a virtude da fortaleza no grau mais heróico. Eles resistiram firmes para o bem da Fé e para o bem da Graça entre as feras rugindo.

É a Nossa Senhora, passando por um sofrimento interno, ao pé da Cruz, que nós atribuiríamos a resistência no mais alto grau. Sua resistência, no entanto, pela qual é dada a ela o título de Co-Redentora, é uma resistência diferente da dos mártires. Sua resistência exemplar, para a qual pode também ser dado a ela o título de "valente em batalha", espelha a de seu Divino Filho. Assim como os Santos Mártires, Nosso Senhor e Nossa Senhora não atacam os injustos como um soldado faria em uma guerra justa. Eles suportaram um grande mal, a imposição da morte, a fim de atingir um grande bem. Nosso Senhor Jesus Cristo, no entanto, não tem que "apegar-se" ao bem, pois Ele é o Bem, a fonte de toda graça, e a expressão intelectual do próprio ser do Deus Pai. Nem tampouco Ele enfrentou uma força superior e circunstancialmente invencível; Ele é o Senhor Onipotente de tudo. Ele deu a Sua própria vida, não lhe foi tirada. No entanto Ele teve que suportar os sofrimentos reais, tanto psicológicos como físicos. Foi precisamente por aguentar aqueles sofrimentos e aguentar a morte que foi consequência dos sofrimentos, que o mal, o pecado, morte e Satanás foram derrotados. Pela resistência que eles foram reduzidos a nada. Aqui somos confrontados com uma passividade conquistadora; uma que não será movida.

Nossa Senhora da Compaixão, aquela que fica ao pé da Cruz de Seu Filho moribundo, não sofre as dores físicas que afligem seu Redentor. Nem é ela, por ser uma pessoa humana, mais forte do que aqueles que a oprimem por dilacerarem seu Filho unigênito. Ao contrário, seus sofrimentos próprios, que foram sua resistência simpática à Paixão de seu Filho, não foram um resistir a, mas sim, um resistir com. Suportando com seu Filho até o fim, a Sua morte, por estar com Ele, ela participou da redenção de toda a humanidade; a ela pertence o espólio do Salvador. "Machucada, ridicularizada, amaldiçoada, marcada, ela contemplou Seu filho amado; Tudo com o sangue derramado dos flagelos. Por causa dos pecados de Sua própria nação, O viu cair em desolação, até que o Seu espírito diante Ele enviou". É com as lágrimas, que só uma mãe poderia derramar, que Nossa Senhora mostrou-se ser a perfeita mulher, guerreira, e dama. A verdadeira Senhora da casa do Senhor.

Original aqui.

_____________________________________________
Notas da tradutora:
(1)    O e-mail do autor: justicepc@yahoo.com
(2)    No original “Mistress” que significa senhora, mestra, dona da casa, esposa do mestre, esposa do senhor da casa.
(3)    No original “Mary”.
(4)    Eu fiquei emocionada ao ler isso!

terça-feira, agosto 28, 2012

Exigente é o mundo



Uma pessoa recém-convertida me disse, por e-mail, que comentaram com ela que o Catolicismo é muito exigente, e eu respondi assim:

Para o mundo servir a Deus é algo exigente, mas quase ninguém reclama das exigências da moda, das revistas, de todos os que cobram as pessoas para que sejam sempre esbeltas, ricas, etc. Todos reclamam quando veem que os católicos tem que fazer uma abstinência de carne na Sexta-Feira Santa, mas não reclamam de certas dietas para emagrecer... reclamam das mortificações, mas não acham ruim usar um salto altíssimo que machuca, dói no pé e ainda pode causar sérios danos a saúde e até mesmo matar, como já soube de casos por aí. Não é interessante?

O mundo é assim mesmo: se você tenta acertar, ele diz que você está errada e se você o seguir ele vai exigir mais de você, até que sua alma se perca.

Quem está no mundo vive na escravidão, liberdade só os filhos de Deus possuem ;)

quinta-feira, agosto 23, 2012

A Moralidade dos Videogames

Por Jacques Delorme
Traduzido por Andrea Patrícia


"Jogos clássicos e videogames” * (publicado na edição de março de 2009, na Angelus) cobriu os princípios básicos que regem a moralidade dos jogos em geral. Jacques Delorme aplica esses princípios às objeções comumente ouvidas sobre jogos de vídeo, a fim de chegar a uma conclusão.
Vamos considerar a moralidade dos jogos de vídeo, principalmente em relação aos jovens, portanto, num ambiente familiar. Os adultos serão capazes de empregar eles mesmos as seguintes reflexões com as necessárias adaptações.
Para os pais, várias atitudes com relação aos videogames são possíveis. A primeira atitude é que, considerados em si mesmos, os videogames são moralmente perigosos (como a televisão, por exemplo), e o mais certo a fazer é eliminá-los de casa, pura e simplesmente.
A segunda atitude (que pode, além disso, ser adicionada à primeira) consiste em decidir que as crianças não podem fazer tudo, e escolher ajudá-las a descobrir passatempos mais ricos e formativos como leitura, arte, esportes, viagens, estudo da natureza, etc.
Estas duas atitudes são louváveis, excelentes, e, em nossa opinião, mais sábias. Como os videogames são absolutamente desnecessários para a formação da criança, e seu uso é de fato muito difícil de controlar (como a televisão ou a Internet), a coisa mais simples e mais eficaz a fazer seria não deixar espaço para eles em casa. Esta solução radical, em última análise, parece-nos a melhor e a mais desejável, a mais recomendável, mais em conformidade com o espírito da fé e da educação Cristã bem compreendida.
No entanto, os videogames são como filmes: não sendo maus, por si só, um uso razoável em conformidade com a moralidade é, pelo menos, especulativamente possível. É nesse contexto que vamos oferecer algumas reflexões psicológicas e morais apropriadas para orientar os pais que julgam difícil ou inoportuno banir todos os videogames da educação, enquanto estão firmemente decididos a manter a sua utilização dentro dos limites da moralidade e da vida Cristã. Os pais que optaram por banir estes jogos de casa irão encontrar em nossas reflexões temas para meditações educativas pessoais, bem como argumentos apropriados para reforçar a sua decisão.
Prosseguiremos em nossa exposição, formulando objeções ao uso de videogames e aplicando-as. Claro, estas serão considerações de caráter geral, que terão de ser adaptadas para videogames específicos (que podem vir sob várias objeções diferentes).
Imoralidade
Costuma-se dizer: "Na maioria das vezes, os videogames são imorais". A objeção é parcialmente válida: existe um certo número de jogos de vídeo imorais. Obviamente, jogos de vídeo ruins ou as circunstâncias [em que eles são jogados] devem ser rejeitados de imediato, como seria o caso de qualquer outra forma de jogo. Não há dúvida sobre aceitar jogos obscenos ou blasfemos; vídeos ou não, esses jogos não podem sequer ser imaginados em uma família Cristã.
Além disso, as crianças devem ser impedidas de jogar jogos de vídeo (ou outros jogos) em vez de cumprir seu dever de estado - por exemplo, em vez de orações ou de tarefas; tal conduta constitui uma falha. Apenas jogos de vídeo inerentemente decentes (por exemplo, uma simulação de futebol) que a criança joga durante o momento de lazer podem ser teoricamente considerados por uma família Cristã.
Estupidez
As pessoas costumam dizer: "Os videogames são jogos estúpidos". Esta observação bastante abrangente não leva em conta a realidade. Sem dúvida, entre os milhares de videogames há um certo número de jogos completamente idiotas (para não mencionar os jogos imorais). Mas há um bom número de outros jogos que não são destituídos de interesse e inteligência. Deve ainda ser dito que existem jogos de vídeo bastante notáveis ​​.
Mesmo para aqueles que nunca tenham jogado videogames, é claro que um jogo de xadrez eletrônico é tão inteligente quanto um jogo de xadrez clássico: o fato de ser jogado por meio de uma tela não o torna estúpido. Além do mais, um jogo de xadrez eletrônico abre possibilidades de que o xadrez clássico não abre - por exemplo, a capacidade de reproduzir por prática os movimentos de grandes jogadores de xadrez do mundo, feitos durante um campeonato. Um bom jogo de xadrez eletrônico, com efeito, guarda na memória milhares de partidas históricas, assim como pode arquivar as partidas disputadas pelo seu proprietário.
Além disso, há um certo número de jogos clássicos que não brilha por sua inteligência ou suas sutilezas. Não é necessariamente inteligência, afinal, que se exige de um jogo, mas a capacidade de relaxar a mente. Acontece muitas vezes que jogamos alguns jogos que são um pouco bobos, mas que nos fazem rir (com a nossa família ou amigos), e que, portanto, atingem o grande objetivo dos jogos, que é o relaxamento.
Agressividade
As pessoas também dizem: "Em jogos de vídeo, as cores são fortes e a música é agressiva". Primeiro de tudo, isso não é verdade em todos os jogos. Os jogos para as crianças especialmente são frequentemente muito bonitos, com cores pastel, música suave, etc. Pode-se encontrar uma série de jogos para adolescentes e adultos que são esteticamente aceitáveis, e até mesmo agradáveis.
Agora, é verdade que muitos videogames são esteticamente agressivos. Três razões para isso vêm à mente. Primeiro, o ambiente geral da nossa sociedade: os anúncios, a música nos supermercados e locais públicos também são agressivos. Então, é fato que a indústria de videogames é uma indústria jovem, que foi iniciada por entusiastas da tecnologia, muitas vezes muito jovens e marginais, que, naturalmente, deixaram aparecer os seus gostos. Mas pouco a pouco, como essa indústria evoluiu, o seu gosto teve uma tendência a estabilizar. Finalmente, uma boa parte dos jogos de vídeo é dirigida a adolescentes, especialmente os meninos, cuja preferência por frutos verdes em vez dos maduros é bem conhecida, como Louis Veuillot observou. Assim como as roupas de adolescentes são mais coloridas que as dos adultos, os jogos para adolescentes (reais ou de vídeo) são logicamente mais ruidosos, mais rápidos, mais brilhantes, e, como último recurso, mais agressivos.
Artificialidade
Eles também dizem: "Em jogos de vídeo, tudo segue as regras do jogo em vez da vida real. Você tem que usar o vocabulário do jogo em vez do vocabulário normal. Em suma, o jogo se afasta da vida, é artificial". Esta objeção é pertinente, uma vez que dificilmente se aplica a jogos mais clássicos. Ouvir a conversa de fãs de futebol ou ler no jornal as crônicas de uma partida de xadrez quando não se é especialista faz com que a pessoa se sinta uma estrangeira ao jargão e às regras muito específicas.
Tocamos aqui o paradoxo dos jogos em geral: é uma atividade voluntária destinada ao lazer, mas ainda assim vai se tornando mais complexa, a grande alegria dos jogadores é tornar as regras mais difíceis, de modo a ter o prazer de vencer de qualquer maneira.
Fadiga
Também é dito: “telas de jogos são uma fonte de fadiga visual e de dores de cabeça para as crianças". Na verdade, os estudos científicos não conseguiram demonstrar uma ligação entre o uso normal de uma tela e fadiga ocular (de curto prazo), nem mesmo uma deterioração (em longo prazo) da vista. Esses estudos envolvem telas recentes (com menos de dez anos de idade) e não sujeitas a rigorosas especificações técnicas. Por outro lado, é evidente que a utilização prolongada de uma tela de vídeo para qualquer atividade (trabalho profissional em um computador, pesquisa na Internet, televisão ou videogames), naturalmente, leva à fadiga. Aqui, não é o jogo de vídeo que é a causa, mas a sua duração. Isso pode ser comparado a uma viagem de carro: uma curta distância não é cansativa, mas uma longa viagem pode ser desgastante. Não é o carro que é a causa, mas a duração da sua utilização.
Por isso, é óbvio que uma utilização prolongada de jogos de vídeo não é algo bom para a saúde das crianças. Mas isso pode ser dito de todas as suas atividades. Eu conheci uma criança que adorava ler. Se dependesse dele, estaria lendo de oito a dez horas seguidas todos os dias. Obviamente, seus pais o forçaram a sair de casa, proibindo-o de ter um livro para que ele fosse correr e jogar por recreação e tomar ar fresco. Seus pais, assim, o pouparam do infortúnio que se abateu sobre o jovem Guéranger, que, durante suas férias no seminário, leu tanto que ficou doente e teve que desistir de todo o estudo de um ano para se recuperar.
Excitação
As pessoas também dizem: "Os videogames são emocionantes, e as crianças que jogam não conseguem dormir". É claro que os jogos de vídeo são abrangidos entre as atividades emocionantes por três razões: há movimento, esse movimento muitas vezes é bastante rápido, as imagens e efeitos de som (ou música) são facilmente agressivos. Agora, a emoção é o oposto do sono, em que caímos por uma cessação progressiva da atividade e do pensamento. Realizar uma atividade emocionante pouco antes de ir para a cama é a melhor maneira de levar um longo tempo para adormecer. O corpo se acalma lentamente. Mas neste caso, os videogames não se destacam de outras atividades emocionantes: ir para a cama logo após uma partida de futebol onde a adrenalina está correndo também é uma boa maneira de não adormecer. E a atividade mais comum antes de dormir hoje para a maioria das pessoas, ver televisão, é um insone poderoso, já que a sua descrição é muito próxima à de um jogo de vídeo (com exceção de que o espectador é passivo). Assim, é a hora em que a criança joga videogames que está em questão aqui, em vez do jogo em si.
Realidade Virtual
As pessoas também dizem: "Os videogames fazem a criança viver em um mundo puramente virtual, imaginário, tirando-a do real e impedindo-a de experimentar a realidade do mundo". Em si, os jogos (já que é questão de uma atividade que propositadamente retira-nos do fluxo da vida normal nos levando ao relaxamento) sempre têm uma dimensão de virtualidade e imaginação. Cuidar de uma boneca, brincar com cavalos de brinquedo, ou jogar Monopólio não são a vida "real".
Quando a objeção atinge o lar é sobre a mistura perturbadora do virtual com o real em jogos de vídeo. Quando uma criança brinca com bonecas ou soldados de brinquedo, a criança mantém no fundo da sua mente que isso é apenas brincadeira. Videogames, ao contrário, tendem para o realismo: quanto maior for "a sensação de estar lá", melhor é o videogame. A partir deste fato, a fronteira entre o real e o imaginário, entre a vida e a brincadeira, tende a se dissolver. O fenômeno é ainda mais forte nas últimas versões de jogos online como o "Second Life", já que a vida real (virtualmente) se intromete na realidade virtual. Como alguém pode não sentir-se na vida real (ainda que se esteja apenas brincando), quando você pode procurar em lojas, jornais, quiosques políticos, etc., que estão sendo geridos por empresas ou partidos reais e que tentam realizar verdadeiro comércio ou política real, mas dentro de um mundo que é puramente virtual? Os jogos que são realmente de vídeo são ao mesmo tempo, aqueles que terão maior influência sobre a psique de uma criança, que não distingue tão perfeitamente como um adulto o que é fruto de sua imaginação do que é real.
Existem algumas vantagens para esta "virtualidade": notavelmente porque se pode aprender e experimentar coisas sem risco. Um simulador de condução de carro habilita o aluno a adquirir as noções básicas de condução sem medo de acidentes. Mas, por outro lado, pode-se dizer que alguém que tenha apenas dirigido em um simulador realmente sabe como conduzir, na realidade, um carro feito de matéria?
O número crescente de coisas que crianças (e adultos) podem fazer em seus casulos pequenos na frente da tela, sem nunca sofrer reais consequências físicas, sem nunca sentir uma pancada objetiva, abre a porta a um "des-realizar" do mundo de consequências dificilmente imagináveis. Mesmo que isso envolva uma consequência extrema, alguns assassinatos cometidos por crianças têm mostrado que elas não percebem a gravidade de sua ação, simplesmente porque elas estavam acostumadas a ver assassinatos e mortes na televisão e em jogos de vídeo sem que isso tenha quaisquer consequências (para elas).
Vício
A última objeção a nos entreter também é, em nossa opinião, a mais forte. Ela envolve a forte dependência que o uso do videogame muitas vezes engendra. Esse é um fenômeno facilmente observável, que também pode ser encontrado nos irmãos gêmeos dos jogos de vídeo, ou seja, a televisão e a Internet: é difícil manter-se afastado, e se pode passar longas horas sem perceber.
O mundo virtual, que oferece cada vez mais a aparência da realidade e que oferece um alimento quase ilimitado para os sentidos e o espírito, cativa e aprisiona o leitor, especialmente quando ele é jovem, e o impede de romper com a hipnose. Mesmo com a melhor boa vontade do mundo, mesmo com uma disciplina de ferro, mesmo com a vigilância draconiana, é de fato muito difícil, se não impossível, limitar o uso de videogames dentro dos limites racionais e Cristãos. Assim como a televisão (e todo mundo que tem uma em casa deve reconhecê-lo honestamente), os jogos de vídeo tendem a invadir o tempo das crianças, seu interesse e sua atenção, e, finalmente, a obcecá-los mais e mais. É principalmente por essa razão que a solução de banir radicalmente os videogames de casa parece-nos ser a melhor e a mais sábia.
Resumo
Reconhecemos que os videogames não são imorais per se. Nós mostramos que uma série de acusações contra eles não são fundadas ou que podem ser dirigidas contra jogos clássicos ou então que se deveria admitir algumas nuances. Mas, depois de admitir tudo isso, ainda persiste: na prática da vida familiar e da educação, é na realidade mais ou menos impossível fazer um bom uso de jogos de vídeo, utilizá-los de acordo com os princípios de Santo Tomás sobre a moralidade dos jogos. Nessas condições, uma vez que na maioria dos casos e para a maioria das crianças e famílias, videogames serão prejudiciais, independentemente das precauções tomadas. É moralmente sábio e oportuno bani-los definitivamente de um lar Cristão.

Traduzido do Fideliter (maio-junho 2007), pp.74-79.
Original aqui.
*"Jogos clássicos e videogames” foi publicado neste blog. Acesse aqui.

terça-feira, agosto 21, 2012

Aproveitar o tempo



Que loucura é dizer “vou fazer isso agora e depois peço perdão a Deus”. Que loucura é não pensar que esse depois pode não vir.
Hoje estamos aqui, mas amanhã poderemos não estar. Como então viver como se não fossemos morrer nunca? Ou como se Deus fosse esquecer os nossos pecados sem que tenhamos pedido perdão?
Já pensou que você pode morrer sem o perdão Divino?
Enquanto estamos aqui temos tempo sim, mas esse tempo é para consertar o que quebramos, para cumprir o nosso dever de estado, para pedir perdão a Deus e fazer penitência.
Como você está usando seu tempo?

sábado, agosto 18, 2012

Projeto do blog “A Grande Guerra”

Veja que interessante o projeto do blog A Grande Guerra. É uma ótima iniciativa, pois precisamos mesmo de livros assim. E como precisamos!
"Essa é a idéia do projeto: resgatar obras perdidas e esquecidas e colocá-las novamente no mercado." 
Visite o blog e informe-se sobre como pode ajudar nessa empreitada.

Rezemos para que esse projeto dê bons frutos!

quinta-feira, agosto 16, 2012

Jogos Clássicos & Videogames


Por Pierre Delpos
Traduzido por Andrea Patricia


 


Este artigo fornece uma visão geral sobre a moralidade de jogos em geral, seguindo o exemplo de Santo Tomás de Aquino. Em seguida, lança um olhar sobre as principais características dos jogos de vídeo de hoje. É somente à luz dos princípios básicos que regem a moralidade de jogos que as objeções morais geralmente feitas contra videogames podem ser examinadas.
Quando consideramos a adequação ou inadequação, a moralidade ou imoralidade, de videogames (ou jogos eletrônicos), é uma boa ideia começar com as duas palavras que denotam a coisa em si. Primeiro de tudo, isso envolve um jogo, e este jogo é jogado por meio de aparelhos eletrônicos ou audiovisuais. Só uma análise baseada nesses dois elementos nos dará uma resposta pertinente.
Vamos começar com os jogos, ou jogar em geral. Para Santo Tomás de Aquino, o jogo é um assunto muito sério. A prova disso é que ele dedica quase a totalidade de uma questão da sua Summa Theologica (II-II, Q.168, art. 2-4) a isso. Ele pergunta se pode haver virtude em matéria de jogos: a resposta é afirmativa. E uma vez que toda a virtude está situada no meio racional entre o excesso e o defeito, ele mostra que se pode pecar por jogar muito (por excesso), mas também por não jogar o suficiente.
Santo Tomás de Aquino começa por explicar porque os jogos são necessários para o homem. O nosso corpo, limitado em força, não pode atuar de forma contínua e, portanto, precisa de repouso, que é fornecido em particular pelo sono. Mas a nossa alma, limitada em força, não pode agir continuamente também, e necessita de descanso. Agora, como o nosso Doutor explica, o descanso da alma é o prazer, á alma deve ser concedido um certo prazer entre as tarefas. E a atividade humana com um componente intelectual, mas que não tem como finalidade algo útil ou racional, mas exclusivamente o prazer, é chamada de jogo.

Jogos moralmente necessários
Santo Tomás relata um incidente relatado na vida de São João. Ele se divertia ao acariciar um pássaro, e alguns fiéis o repreenderam por ter feito algo impróprio. "Se você mantiver o arco sempre esticado", respondeu o Evangelista, "ele torna-se inútil. Da mesma forma, se você nunca relaxa a alma, ela torna-se incapaz de agir".
Contudo, os jogos, como toda atividade humana, devem estar em conformidade com a natureza do homem e seus próprios fins. Os jogos nunca podem, portanto, ter como objeto algo imoral. Eles não devem violar o caráter racional do homem. Finalmente, a fim de manter os jogos dentro dos devidos limites relativamente às pessoas, tempo e lugar, e outras circunstâncias, os jogos devem ser objeto de uma virtude que irá fornecer a sua própria regra.

"Eutrapelia" de acordo com Santo Tomás
A virtude que ordena as ações lúdicas é chamada eutrapelia: agradabilidade ou vivacidade. É a virtude pela qual se é capaz de jogar adequadamente, nem muito nem pouco.
Santo Tomás, em seguida, pergunta se não pode haver excesso de jogo. Ele mostra que pode haver, de duas maneiras: primeiro, através de jogos que envolvem coisas imorais (ele especifica obscenidade) ou prejudiciais ao próximo (através de descortesia, insolência, ou o escândalo), em segundo lugar, ao não respeitar as circunstâncias que tornam o jogo moral. Um exemplo seria jogar em momentos ou em lugares que não são adequados, ou sobre coisas que não devem ser objeto de diversão. Jogar em vez de assistir a Missa dominical viola o momento certo para o jogo; jogar na igreja viola o lugar certo para o jogo; tornar a religião um objeto de brincadeiras também viola o objeto certo do jogo.

Muito ou Muito Pouco Jogo
Por último, o Santo Doutor imagina se é possível jogar muito pouco, o que também seria uma questão de pecado. Ele responde afirmativamente. Santo Tomás faz esta declaração admirável: "Nas relações humanas o que é contra a razão é pecado. Agora é contra a razão para um homem ser oneroso para os outros, não oferecer nenhum prazer aos outros, e dificultar a sua diversão".
No entanto, ele observa, os jogos (quanto ao descanso da alma) servem para que a pessoa seja capaz de atuar melhor depois, e não o contrário: o primeiro objetivo da vida não é jogar. Os jogos são um tempero da vida, explica Santo Tomás, e um pouco vai um longo caminho. Em se tratando de jogos, o "não suficiente" é per se menos facilmente um vício do que o "demais".

Pecando Contra a Diversão
Para resumir este ensinamento justo do Doutor Comum, notamos que os jogos, uma atividade que não tem outras regras senão as que nos fornecem prazer, são necessários para relaxar a alma e permitir que ela retome a sua atividade normal de um modo melhor. Eutrapelia é a virtude moral que rege o jogo de tal forma que é feito em medida razoável e circunstâncias devidas. Pode-se pecar contra a eutrapelia por defeito e, mais facilmente, por excesso.
Devemos acrescentar um ponto que o nosso Doutor não menciona, ou seja, que o jogo é uma parte integrante e essencial da educação de uma criança: é através da brincadeira que a criança explora a realidade. Nós não iremos desenvolver mais este ponto, uma vez que discussão sobre isso pode ser encontrada em bons livros sobre pedagogia.
Tipologia dos Videogames
Obviamente, uma infinidade de jogos existe, por exemplo, jogos para jogar sozinho ou em grupos, jogos de quadra e jogos ao ar livre, jogos com regras e jogos sem regras, jogos de palavras ou jogos de imaginação, jogos que necessitam de equipamentos, etc.. Um jogo de vídeo é um jogo de ambientes fechados, geralmente com regras, que pode ser jogado sozinho ou por vários, e isso exige algum equipamento (um console, computador ou tela, dependendo). Sua característica essencial é uma imagem animada com som com a qual a criança pode interagir por meio de alavancas ou botões. Por exemplo, num jogo de vídeo de futebol, por meio de alavancas a criança guia o seu jogador escolhido, enquanto o computador ou outros jogadores tentam impedi-lo de fazer um gol.
Jogos de vídeo podem ser divididos rapidamente em três categorias. Alguns apelam ao pensamento, à análise e à cultura, e, em geral, à habilidade mental. Este é o caso, por exemplo, de jogos de vídeo que reproduzem jogos clássicos (xadrez), ou jogos de vídeo específicos que envolvem quebra-cabeças. Outros jogos de vídeo pedem reflexos rápidos, coordenação olho-mão, e capacidade visual. Este é o caso, por exemplo, de jogos esportivos (futebol, corrida de carros, aviões) e jogos de guerra. Alguns apelam para a imaginação, faculdades literárias, artísticas e poéticas, ou ao desejo de explorar. Este é o caso, por exemplo, de jogos orientados para a descoberta de um trabalho artístico ou literário, bem como aqueles que convidam os jogadores a viajar por mundos imaginários.
Tal como acontece com jogos clássicos, muitos jogos de vídeo envolvem todos esses três tipos de jogos. Por exemplo, a criança vai prepara-se para descobrir um castelo desconhecido (aspecto imaginário). Seu progresso é marcado por quebra-cabeças para resolver, que lhe permitirá avançar para a próxima etapa (aspecto intelectual). Mas o castelo é guardado por inimigos com os quais ela terá de lutar e derrotar (reflexos rápidos). Ao chegar, de acordo com a fórmula do conto de fadas clássico, o jogador descobre uma princesa para resgatar, um tesouro escondido, etc..
Jogos de vídeo podem ser jogados sozinho ou com vários jogadores na frente do próprio console do jogo (assim, em proximidade física um do outro) ou mesmo com vários à distância através da Internet. Este último tipo, bastante complexo, é mais dirigido para adultos. Neste tipo de jogo, as pessoas encontradas (inimigos, princesas, dragões, etc..) correspondem aos outros jogadores, e o jogo em si pode durar algum tempo (como um quebra-cabeça gigante que leva semanas para ser concluído). Atualmente, os jogos tarifados como "multiplayer" reúnem centenas de milhares de pessoas e funcionam 24 horas nos sete dias da semana; o jogador retoma o jogo, que continuou a evoluir na sua ausência.
Verdadeiros Videogames
Ao analisar os jogos de vídeo, devemos estar cientes de que alguns desses jogos são parcialmente inspirados por jogos clássicos, mas que um videogame "verdadeiro" é aquele que explora especificamente recursos baseados em computador. Vamos pegar um jogo clássico, universal: brincar com bonecas. A menina veste sua boneca, coloca-a na cama, alimenta-a em seu conjunto de jantar, socializa com outras bonecas, etc.. Mas o jogo está situado exclusivamente na imaginação da criança e nas palavras dela: a boneca permanece passiva. Na década de 1960, houve uma tentativa de introduzir bonecas falantes, mas foi algo muito limitado.
Agora vamos supor que a boneca é capaz de reagir a situações de forma independente da menina. Por exemplo, a boneca não quer ir para a cama (ela chora) e a menina vai ter que encontrar uma maneira de fazê-la dormir (repreender, fazer carinho, cantar canções de ninar, etc..). Este é o princípio de um brinquedo eletrônico, como os "Tamagotchis": pequenos animais eletrônicos, digitais, dotados de comportamento autônomo, ao qual a criança deve responder quando o Tamagotchi requer (ou então pode até "morrer" por falta de cuidado).
Jogos Interativos
Vamos um pouco mais longe. Suponha que um jogo é estabelecido no qual o jogador deve gerenciar uma comunidade de algum tipo (por exemplo, uma cidade). Aqui o jogador é confrontado com os resultados múltiplos de cada uma de suas ações. Se ele é o prefeito da cidade e os coletores de lixo entram em greve para obter um aumento de salário, ele pode recusar o aumento para proteger as finanças da cidade, com o risco de que a comunidade será submersa no lixo. Ou ele pode ceder aos grevistas sob o risco de colocar em perigo o seu orçamento. Além disso, se ele quer ser reeleito, ele tem que ter em mente a reação dos habitantes. Você começa a ver a complexidade notável de tal jogo. Ele é chamado de "The Sims", e tem 20 milhões de adeptos, 40% dos quais são mulheres.
Mas "The Sims" explora apenas parcialmente as possibilidades dos jogos de vídeo. O jogo online multi-player "World of Warcraft" vai um passo além. Inspirado no universo do livro O Senhor dos Anéis, ele envolve um mundo imenso, repleto de cavernas virtuais, selvas, pântanos, etc.. Neste mundo existem seres diferentes (humanos, gnomos, elfos, trolls, os mortos-vivos, etc.), bem como uma variedade de papéis (druidas, caçadores, guerreiros, paladinos, sacerdotes, etc.), sem esquecer uma infinidade de objetos necessários para determinadas ações (armadura, pulseiras, armas, vestimentas, etc.) que devem ser procurados numa busca repleta de emboscadas e enigmas.
Cada jogador é um personagem que começa a interagir com os outros jogadores no comércio, alianças, batalhas, ou simplesmente em busca de objetos úteis para um objetivo particular. Pode ser comparado a um jogo de damas (ao invés de um jogo de xadrez, uma vez que as regras básicas são muito simples), mas com milhares de peças de cores diferentes, placas e jogadores em constante mutação, e encontros perpétuos. Cerca de 2.000 técnicos oferecem suporte 24 horas para os jogadores e criam continuamente novos objetos, possibilidades de novos jogos e até mesmo de mudas (shot-offs) como "The Burning Crusade", lançado recentemente, que dá acesso ao jogador para novos universos com outras paisagens, personagens e objetos.
Não é de surpreender que este jogo (afinal, não é muito violento, o objetivo não é lutar, mas exercer uma busca) hoje atrai dez milhões de adeptos em todo o mundo, que pagam uma taxa mensal.
Second Life
"World of Warcraft" pode parecer um jogo de vídeo arquetípico, no entanto, está prestes a ser eclipsado por um jogo de uma concepção totalmente nova, que abre possibilidades até então inimagináveis ​​e, talvez, define a maneira em que a Internet será apresentada para nós amanhã: chama-se "Second Life".
O princípio do jogo é maravilhosamente simples. Trata-se de um mundo virtual que oferece ferramentas que permitem aos jogadores criar todos os tipos de objetos: casas, estradas, mercadorias, etc. Para entrar no jogo, o jogador cria um personagem (um "avatar") e define suas características. E então ele se projeta para este mundo virtual. A partir desse momento, com o tempo e trabalho, tudo se torna possível. Você pode dar um passeio. Você pode conhecer e conversar com outros avatares. Você pode construir uma casa, mas também comprar outras casas (com dinheiro do jogo que você adquire com seu cartão de crédito real). Você pode fazer negócios, oferecer vários serviços, visitar exposições, assistir filmes, etc.
Em suma, tudo o que pode ser feito no mundo real é possível nesta "segunda vida", mas sem as limitações físicas da vida real. Por exemplo, você pode vencer sua timidez no "Second Life" e conhecer pessoas que você nunca se atreveu a abordar na vida real. Um trabalhador de escritório modesto pode consolar-se, tornando-se, no jogo, um inteligente e bem sucedido capitalista.
Junção entre o jogo e a realidade
A mania surpreendente por este jogo (que já atraiu vários milhões de fãs) é tal que a fronteira entre realidade e fantasia tende a desaparecer. Mais e mais realidades do mundo real estão aparecendo no jogo. Por exemplo, um dos personagens mais conhecidos da "Second Life" é uma agente imobiliária de vendas chamada Anshe Chung. Esta senhora (uma mulher chinesa, na realidade, chamada Ailin Graef, que mora em Frankfurt), compra espaços virtuais subdesenvolvidos, tem seus (reais) funcionários desenvolvendo programas virtuais de imóveis e que alugam estas propriedades virtuais para os jogadores. O jogo tornou-se sua única fonte de renda (real), e ela agora é uma milionária (em dólares reais).
Grupos políticos criaram presenças no "Second Life". Os primeiros a se instalarem foram a Frente Nacional e o Partido Socialista. Estes militantes virtuais políticos realizam reuniões, distribuem panfletos e realizam manifestações no meio deste mundo virtual. As empresas comerciais estão começando a invadir esse novo universo. A agência de notícias Reuters abriu uma filial lá. As emissoras de televisão têm escritórios lá. Dior está planejando uma boutique virtual (embora os compradores ainda não possam comprar nada). Dell, Nissan, Coca Cola, Toyota, Reebok, IBM, etc., todos estão presentes.
Em suma, um mundo novo está sendo construído bem ao nosso lado, uma "segunda vida." É um jogo. É também realidade. É o jogo de amanhã, e talvez também uma parte da realidade de amanhã.

Traduzido do Fideliter, Maio-Junho de 2007, pp.68-73.
Original aqui.

Publicarei na próxima semana outro artigo que dá continuidade a este. Esse fala apenas dos princípios básicos, o próximo trata da parte moral, para chegar a uma conclusão.
_________________
Notas da tradutora:
Que mundo louco este onde as pessoas se refugiam no mundo virtual no que parece uma fuga do mundo real. A coisa pode tomar proporções enormes. Lembro-me de um caso de um casal coreano que deixou seu bebê morrer de fome porque não largava o jogo virtual.. o detalhe é que no jogo virtual eles alimentavam um bebê. Que mundo é esse?
Ambientes como o do Second Life são repletos de imoralidades, como já li em um artigo.
Jogar, brincar, é bom, contanto que seja feito dentro dos justos limites, de maneira sadia, como bem coloca o Doutor Angélico, Santo Tomás de Aquino.

quarta-feira, agosto 15, 2012

Festa da Assunção de Nossa Senhora!



É hoje! 15 de Agosto: Festa da Assunção de Nossa Senhora!  
Glória a Vós Senhor!Ela subiu aos Céus, de corpo e alma. É Rainha, é Mãe, é Nossa Senhora! 
Louvemos a Deus prestando nossas homenagens à Sua Santíssima Mãe.

Vejam aqui uma palestra sobre o Dogma da Assunção.


Nova estrela do céu, gáudio da terra,
ó Mãe do Sol, geraste o Criador:
estende a tua mão ao que ainda era,
levanta o pecador.

Deus fez de ti escada luminosa:
por ela o abismo galga o próprio céu;
dá subirmos contigo, ó gloriosa,
envolva-nos teu véu!

Os anjos apregoam-te Rainha,
e apóstolos, profetas, todos nós:
no mais alto da Igreja estás sozinha,
da Divindade após.

Louvor rendamos à Trindade eterna,
que a ti como Rainha hoje coroa.
Toma o teu cetro, pois, reina e governa,
Mãe que acolhe e perdoa!

 (Hino de Vésperas I na Assunção de Maria Santíssima)

Salve Maria!

terça-feira, agosto 14, 2012

Baratas tontas




O mundo corre louco, todos estão com pressa. Correm e correm, e algumas vezes andam em círculos, voltando aos mesmos erros. Parecem baratas tontas.
E como baratas vão vivendo, apenas cuidando de sobreviver, sem deixar de buscar se divertir um pouco, é claro, pois repetem sempre “ninguém é de ferro!”. Sim, ninguém é de ferro, é verdade. E ninguém é de aço e ninguém vive nesse mundo para sempre. Alguém aí se lembra disso?
O que importa para as pessoas do mundo se o amanhã não existir? Elas vivem como se não houvesse amanhã. Não pensam que podem dormir e não mais acordar nessa vida. Esqueceram o respeito, o temor de Deus.
Então preferem deixar tudo como está. Querem sair e “beber todas” para esquecer de suas miseráveis vidas. Querem continuar entontecidas feito baratas borrifadas com veneno. E como baratas vão morrendo, envenenadas com os males do mundo.

sábado, agosto 11, 2012

Auxílio para A Grande Guerra



O blog A Grande Guerra, que sempre disponibiliza livros maravilhosos, está solicitando auxílio para seu apostolado. Em primeiro lugar orações, e também ajuda material para aquisição de livros para a continuação do apostolado. Veja aqui como ajudar.

quinta-feira, agosto 09, 2012

Um "Expert" Recomendável em Matéria de Satanismo? – Parte II

Por Si Si No No
Traduzido por Andrea Patrícia

Harry Potter: bruxaria e satanismo para as massas


Parte II (final)




D) O SOFISMA DE FUNDO
Referindo-se às campanhas que nasceram no meio protestante contra alguns programas de TV ou romances (como Harry Potter) que celebram a magia, o esoterismo e o satanismo, Introvigne enfatiza que essas campanhas são baseadas na imputação que se faz a tais produtos de que "divulgam uma ideologia contraposta ao cristianismo e preparam para a adesão a movimentos mágico-esotéricos ou a movimentos satanistas. Mas as estatísticas relativas àqueles que aderem a esses movimentos (que são uns quatro gatos pingados em comparação com os entusiastas dos produtos literários e televisivos citados) não confirmam os temores dos fundamentalistas."
Eis aqui enunciado enfim o grande teorema do sociólogo - "teólogo" - Introvigne (um teorema a ser utilizado em dezenas de artigos, discursos e conferências): é inútil atacar e condenar a propagação da magia e do satanismo (pelo menos implicitamente) dos produtos da cultura popular, porque este fenômeno não aumenta o número de pessoas que aderem aos grupos formalmente e oficialmente mágicos e satanistas.

Por muito que alguém se esforce, é impossível imaginar um pseudoraciocínio pior. Na verdade, Introvigne pretende inferir, ao que parece, a periculosidade de livros ou filmes que celebram a magia do fato de que as estatísticas nos dizem que não aumentou o número de pessoas que aderem aos círculos oficiais de magia (na verdade, de quais estatísticas ele fala, posso perguntar? E com que confiabilidade se pode examinar a participação de pessoas em grupos que fazem do material oculto sua matéria prima?). Mais ou menos como alguém dizer que não devemos condenar o aumento exponencial no consumo de pornografia infantil porque não aumentou o número de denúncias de episódios pedófilos! Evidencia aqui o nosso sociólogo, melhor do que qualquer outra passagem, que ele não olha para as coisas com um coração e uma mente iluminada pela fé; nos deparamos com uma forma de sentir que não é católica, pelo que reputamos como gravíssimo que uma revista como a Famiglia Cristiana, que é disseminada nas paróquias e nas famílias cristãs, concorde em dar crédito a tamanhas posições. Na verdade, o simples senso comum, a razão natural, o simples toque no nosso coração da lei natural, são suficientes para perceber o grave erro de Introvigne: o dano que infligem ao desenvolvimento harmonioso moral e espiritual de um adolescente (ou uma criança) certos produtos com fundo de magia e satanismo é, obviamente, um fenômeno que vai muito além dos dados estatísticos sobre a adesão aos círculos oficiais satanistas. Além disso, que sentido faz o uso de tais estatísticas, quando estamos falando de, por exemplo, livros como Harry Potter, que atraem uma população de leitores que consiste principalmente de crianças e pré-adolescentes, pessoas que, obviamente, não irão correr para se inscrever nos Filhos de Satanás, ou em alguma outra estranha seita esotérica, três dias após ter lido um romance da saga Potter, entre outras coisas, pela mera dificuldade de logística e organizativa do assunto? Além disso, já que estamos falando de livros ou filmes que têm dezenas ou centenas de milhões de leitores e admiradores, que sentido tem fazer notar que, quando comparado com figuras de tal magnitude, é irrelevante a "porcentagem" daqueles que aderem a movimentos satanistas? Será que devemos acreditar que precisamos ter igrejas satanistas oficiais com centenas de milhões de adeptos para começar a nos preocupar? Isso é absurdo!
Como é óbvio que é irrelevante saber os dados sobre a adesão de tais círculos, a fim de avaliar os conteúdos sobre o que se está discutindo, é nestes que iremos concentrar nossa atenção em breve, ou seja, precisamente nos conteúdos que Introvigne evita cuidadosamente encarar.

E) UMA MINÚSCULA E INSUFICIENTE CONCESSÃO AOS "PAPAIS" QUE, APESAR DE TUDO, CONTINUAM RECEANDO O CONTEÚDO DE HARRY POTTER
Como tinha que conceder algo, no entanto, aos muitos que desconfiam com razão de tais produtos, o nosso sociólogo conclui seu artigo: "Isso não quer dizer que, guiado por sua fé, o crente não possa criticar este ou aquele aspecto de Harry Potter ou Charmed, ajudando as crianças a fazer uma leitura crítica. Mas é errado argumentar que esses produtos culturais levam ao ocultismo ou ao satanismo."
Começamos por observar que Introvigne escreve em Famiglia Cristiana, uma revista católica (pelo menos em teoria), então provavelmente você está falando para católicos e apresentando-se por sua vez como "teólogo" católico: não teria sido termo mais apropriado "guiado pela fé" do que o que ele usa "guiado por sua fé"? Ou Introvigne acha que pode haver mais de uma fé (verdadeira)? Tudo bem, isso é apenas um pequeno lapsus calami, mas que denota uma forma de ver e sentir as coisas, uma certa visão relativista, talvez inconsciente, da fé.
Assim, o sociólogo concede – quanta bondade ded sua parte! - Que um pai católico pode ajudar seus filhos a fazer uma "leitura crítica" de textos e filmes imbuídos de magia e de referências satânicas. Mas nos perguntamos, por que não dar mais um passo adiante e admitir que, frente a determinados produtos, seria lícito e obrigatório também proibir certas leituras? Com efeito, são os pais que têm a suprema responsabilidade de educar seus filhos, e a obrigação mais grave é precisamente a de educá-los na fé cristã e favorecer o seu caminho de santificação, pois, segundo a doutrina católica, a prole se procria para o bem da Igreja e para encher o céu dos santos. Nesta perspectiva, alguns pais conscientes do abismo de degeneração no qual se debate hoje o mundo, onde fortes poderes anti-cristãos buscam derrubar, com todos os instrumentos e enormes recursos financeiros, os valores morais católicos e religiosos que tem regido o Ocidente por dois mil anos, os pais, repito, que tenham fé verdadeira, terão, com toda razão, uma visão militante da sua relação com a "cultura profana", e assim deverão extremar os cuidados e sinceramente criticar os produtos de magia ou de satanismo cuja falta de perigo Introvigne visa nos convencer (mas não se limitam apenas a isso). Fazer o contrário significa que é possível uma síntese pacífica e serena entre o cristianismo e a cultura profana anti-cristã, e forjar a ilusão de que esta última não é uma armadilha para a vida de fé.
F) O VERDADEIRO PROBLEMA: RUMO A UMA INICIAÇÃO EM MASSA AO SATANISMO

É necessário fazer uma outra observação: os produtos da indústria cultural de fundo mágico, satanista ou esoterista em sentido lato aumentaram desmesuradamente nos últimos cinco a dez anos e já invadiram tudo: desde a história em quadrinhos para crianças (recentemente, Il Giornalino , da editora Católica San Pablo, introduziu contos de fadas e bruxas mais ou menos boas) a desenhos animados, filmes e programas de TV mais difundidos; desde coleções de bonecos para a música rock, e desde os romances ás figurinhas, passando pelas revistas para crianças e adolescentes - que já no título traz o sugestivo termo "Winx" - e pela expansão implacável da absurda festa do Halloween, que coincide precisamente com uma das maiores festas católicas.
Estamos diante de uma verdadeira estratégia cultural (dado, entre outras coisas, o controle quase monopólico do mundo editorial e da televisão), que visa a realização de uma "mudança de paradigma" decisiva nos países de tradição cristã. O problema não é, como acaso pense ingenuamente Introvigne, que se aumente ou não o número de pessoas que aderem a seitas satânicas, mas sim que se está criando um ambiente cultural de psicose étnica, uma autêntica patologia espiritual coletiva na qual o conteúdo e uma forma de sentir mágica e esotérica são assumidas de forma lenta e cada vez mais, como algo "normal" e não estranho ou repugnante, como coerente com uma vida burguesa comum, ou pior ainda, como algo que seria errado deixar de lado ou ignorar. Em outras palavras, estamos diante de um processo em grande escala de iniciação de massas a uma sensibilidade cultural do tipo mágico e, portanto, satanista, (pelo menos implicitamente). Atrevo-me a pensar, infelizmente, que quando este processo foi consumado, os membros de grupos satanistas dos quais Introvigne fala serão reduzidos a zero, precisamente porque não faria sentido que houvesse uma seita satanista quando toda a sociedade, com poucas exceções, tornou-se um enorme seita de indivíduos desprovidos de toda a fé e caridade, convencidos da render culto a Satanás como um verdadeiro deus.
Darei apenas dois exemplos de como a inervação moral de nossa sociedade está aumentando rapidamente graças, entre outras coisas (se não principalmente), da terrível propagação de usos e conhecimentos do tipo esotérico e mágico:
No mostrador de uma livraria Feltrinelli de uma cidade capital da província da região central da Itália, que estava localizado próximo a caixa registradora (isto é, no lugar mais visível e de maior venda), eu encontrei um livro-agenda para mulheres que dava recursos mágicos para todos os dias e para todos os problemas: Poções, ensopados, feitiços, formas de ganhar uma pessoa, para a sexualidade, para ganhar dinheiro, etc. Faço notar que, até alguns anos atrás, as livrarias Feltrinelli tinham um ar sério e comprometido, se bem que de esquerda: impressiona muito vê-los vender material deste gênero.
O segundo exemplo é fornecido por uma pesquisa mostrando que a categoria de empresários e funcionários do Tesouro é uma das que mais frequentemente recorre a feiticeiras e magos de vários tipos para lidar com problemas relacionados às suas carreiras e trabalho: algo que há trinta anos somente teria sido inimaginável.
O não ver, ou fingir que não vê, esta deriva em coletiva para uma subcultura mágica e esotérica, o não denunciar essa degeneração que se espalha cada vez mais entre as massas (que parece outro triste prelúdio da era do Anticristo), é a falha mais grave de Introvigne, que parece colocar todas as suas energias para tranquilizar aos que, pelo contrário, deveria colocar em guarda: os pais em primeiro lugar e, em seguida os sacerdotes, professores, políticos e homens de boa vontade.
G) INTERLÚDIO: RECUSAR O ECUMENISMO SIGNIFICA SER FUNDAMENTALISTA
Façamos um intervalo neste momento: uma caixa intitulada "Dicionário mínimo" figura como um suplemento do artigo que comentamos. Ela explica algumas palavras-chave, incluindo a palavra "fundamentalismo". Leiamos sua instrutiva definição: "Atitude presente em várias religiões que tende a interpretar os textos sagrados ao pé da letra, negando qualquer mediação cultural e qualquer diálogo ecumênico, e que se estende até a intolerância para com outras religiões." Concentre-se em um ponto dessa definição (que, obviamente, poderia ser contestada em cada parte): o fundamentalista assim se caracteriza, entre outras coisas, pelo redator da definição (que é provavelmente o próprio Introvigne), como o que nega "qualquer diálogo ecumênico."
Este é um ponto de grande interesse, porque, seja se você tomar a palavra "ecumenismo" no seu sentido estrito e próprio de um diálogo entre a Igreja Católica e outras denominações não-Católicas, seja se você tomar no sentido amplo do diálogo inter-religioso, você está lidando com um princípio em desacordo com toda a tradição da Igreja (o de um diálogo de igual para igual entre a Igreja Católica e outras confissões ou religiões, que postulam por sua vez a indiferença dos Estados em matéria de crença religiosa e o direito à "liberdade de religião"). Limitando-nos apenas, por razões de brevidade, a um papa do século XX, a Pio XI em especial (por não arrancar o julgamento peremptório da Escritura: "Todos os deuses dos pagãos são demônios"), que na encíclica Mortalium Animos formalmente vetou aos católicos participar de encontros ecumênicos ou não-católicos, parece que até mesmo o papa era fundamentalista, se quisermos acreditar que a breve definição de fundamentalismo que Introvigne fornece (não podemos esquecer que o ecumenismo é inventado e lançado apenas em círculos protestantes, entre final do século XIX e início do século XX).
H) BREVE NOTA SOBRE O CONTEÚDO DE HARRY POTTER
Têm-se escrito centenas de artigos e ensaios sobre os livros de Harry Potter, por isso não vamos parar para analisar muitos detalhes e conteúdos que provam ad abundantiam não apenas a presença muito forte de elementos mágicos neles (coisa óbvia em si mesma), mas também a presença de referências específicas à magia negra em sentido estrito (ou seja, a magia dedicada a infligir o mal em coisas ou pessoas, incluindo a morte) e as alusões mais ou menos veladas ao satanismo. Aconselhamos a quem tenha dúvidas, que tente empreender buscas com o Google, ou qualquer outro mecanismo de busca e digite a ordem de pesquisa "Harry Potter e Magia”*, ou melhor ainda, "Harry Potter e Satanismo"*, e você vai encontrar dezenas de investigações, algumas de qualidade muito boa, demonstrando tais ligações com clareza. Recomendamos esta busca ao nosso Introvigne principalmente, porque é uma investigação que permitirá até mesmo ao católico mais cético, liberal e aberto para a cultura profana dar-se conta imediatamente de que deve fugir desses livros como da peste, e excluir, portanto, essas leituras de seus próprios filhos. Agora resumimos algumas observações dos itens mais valiosos sobre o assunto em consideração, também disponível na Internet (entre os quais assinalamos o de Don Lorenzo Biselx, publicado no número 49 da revista La Tradizione Cattolica):

1) Harry é um rapazinho, órfão de pai e mãe, que vive com dois tios que o desprezam. Seus pais eram um bruxo e uma bruxa.
2) Harry descobre que ele é um mago e se muda para a escola Hogwarts para estudar magia (que poderíamos também chamar de "feitiçaria"), onde os professores (todos bruxos e bruxas) ensinam todos os tipos de magias e técnicas mágicas. A questão de fundo reside no retorno de Voldemort (ou Tusai-chi), o verdadeiro Senhor das trevas e em um duelo que mais cedo ou mais tarde, Harry deverá travar com ele (o qual, aliás, matou seus pais). No entanto, não estamos frente ao argumento habitual da luta do "bem contra o mal" (embora os livros de Harry Potter procurem ocultar habilmente esse fato por trás dessa máscara), porque os meio utilizados por Harry contra Voldemort são exatamente os mesmos que os de seu adversário: magia negra contra a magia negra.
3) Nos textos em questão não se fala senão de magia: cada página está embebida dela e a escorre. Este que vos escreve leu apenas um volume da série, e que o impressionou acima de tudo foi a seguinte: é um texto quase monomaníaco (e, neste sentido, também é chatíssimo no fundo). Enquanto que em todas as fábulas aparece pelo menos um elemento, ou episódio, ou um personagem de caráter mágico, embora esteja inserido num contexto que não é somente de magia, aqui, no entanto, tudo se concentra em práticas mágicas, das mais leves às decididamente aberrantes.
4) A religião cristã é completamente ausente dos romances de Harry Potter, ou neles contida apenas para ser parodiada e ridicularizada. É por demais evidente nos escritos de Harry Potter que os jovens leitores são introduzidos, volume após volume, a um autêntico culto mágico absolutamente anticristão. Fora isso, há entrevistas com a autora da série que comprovam a intenção explicitamente anticristã com a qual ela escreve seus romances (pode-se encontrar material muito bom no Google digitando o nome da autora somente ou em conjunto com uma palavra-chave como "magia" "satanismo", "cristianismo"...).
5) A monodimensionalidade mágica dos livros agrava o fato de que esses textos são um hino ao princípio de que "o fim justifica os meios" no sentido de que Harry e seus amigos recorrem às mesmas armas e às mesmas técnicas de magia negra que os seus adversários, o que é mais deseducativo e anticristão do que se pode imaginar, uma vez que é um ponto essencial da moral católica a proibição firmíssima de recorrer a meios que são intrinsecamente maus, isto é, que envolvam a violação de um absoluto moral, por mais bom e santo que seja o fim que se pretenda alcançar com eles.

Além disso, não se pode esquecer que a Igreja sempre condenou do modo mais duro qualquer prática mágica como diametralmente oposta ao primeiro mandamento. Para citar um texto entre muitos, o Catecismo de Trento diz que peca contra o Primeiro Mandamento ("terás outros deuses diante de mim") "... que presta fé aos sonhos, presságios e todas as outras fantasias...": fórmula extremamente sintética, que os intérpretes explicam muito bem como relativa a tudo o que se entende por magia e adivinhação em geral, atividades perversas que a teologia sagrada sempre equiparou, no plano moral, à idolatria. Na verdade, a superstição (que pode ser dividida em dois tipos teologicamente: a adivinhação, buscando adquirir conhecimento das coisas ocultas ou no futuro, e a observância vã, que tem como objetivo a obtenção de efeitos práticos de vários tipos), a superstição, como dissemos, envolve sempre uma invocação ao diabo (explícita ou implícita, consciente ou em parte inconsciente) pelo simples fato de que os efeitos que se quer alcançar excedem as forças naturais do homem e não podem vir de Deus ou dos anjos bons (veja o artigo citado de Dom Lorenzo Biselx). Inumeráveis ​​são também as passagens do Antigo e do Novo Testamento condenam com dureza absoluta qualquer prática mágica, toda a feitiçaria.

É interessante notar a este respeito que a mensagem revelada pela Virgem Maria em La Salette a dois videntes, Maximinio e Melania, a 19 de setembro de 1846, inclui numa passagem crucial nada mais nada menos do que uma referência aos livros ruins a serem divulgados nos últimos tempos, tempos de ruína e apostasia da Igreja; eis aqui a passagem em questão: "os livros maus serão abundantes na Terra, e os espíritos das trevas espalharão por toda parte um relaxamento universal em relação a todos os assuntos relacionados ao serviço divino; esses espíritos têm grande poder sobre a natureza, e haverá igrejas para servi-los". Além disso, já os grandes pontífices do século XIX e São Pio X, no século passado, iluminados pela fé, não deixaram nem um instante de alertar o povo católico contra os perigos que encerravam as publicações laicistas e anticristãs, que com todo tipo de artifícios procurou arrancar a fé do coração dos fiéis. E São João Bosco dedicou muitas páginas em muitos volumes que ele escreveu de próprio punho para orientar seus jovens no caminho da santificação, para avisá-los precisamente contra as más publicações: não os convidava a fazer uma leitura crítica delas!
CONCLUSÃO
Sabemos que nos vinte anos de atividade publicista de Introvigne ele ganhou fama como um sociólogo informado, mas a verdade é que, ao longo do tempo, parece ter adotado uma estranha visão laicista, típica de um católico "hiperliberal", da cultura e das relações entre a Igreja Católica e o mundo moderno, enquanto que seus escritos levam o leitor a acreditar que é possível uma coexistência não problemática ou verdadeiramente pacífica entre a doutrina e a moral católica, e a maioria dos produtos da cultura profana, até mesmo as de inspiração esotérica, ou pior, satanista.
Por outro lado, é evidente que um zelo sincero por Nosso Senhor e um não menos sincero amor ao próximo não pode deixar de ser acompanhado por um ódio absoluto ao mal, ao pecado em todas as suas formas, mesmo o mais sutil e mascarado, ou melhor, escondido, e também a tudo o que, embora não seja um pecado em si mesmo, pode se tornar uma ocasião de pecado; um católico não pode ser apenas um cientista, mas tem que ser um cientista católico, isto é, ele deve passar tudo pelo crivo da verdade revelada e dos ensinamentos da Igreja, esclarecendo com a luz sobrenatural da fé inclusive o que ele descobre no decurso das suas investigações, analisando severamente, criticando e condenando sem cincurlóquios o que de mal emerge delas, mostrando pelo menos o contraste que existe entre certos fenômenos e a moral católica ou a fé cristã. Em nossa opinião, Introvigne não pode se limitar a descrever apenas o satanismo ou a missa negra, mas deve também, em particular, quando se dirige aos católicos, dar o alarme, convidar à prudência, lembrar como a Igreja já viu determinados fenômenos, e que o juízo formulou sobre eles. Caso contrário, a apresentação fria e neutra de tais realidades pode fazer mais mal do que bem, criar uma curiosidade mórbida, empurrar para o que deve ser evitado e combatido ao invés de se afastar dele.
Começamos nos perguntando se era certo ou errado dar crédito a Introvigne como um especialista em satanismo e assuntos relacionados. Após este breve caminho exploratório devemos concluir que, infelizmente, seria mais prudente para os bispos e fiéis católicos que assumissem uma linha de desconfiança a respeito da análise tranquilizadora que ele faz sobre esses trágicos fenômenos; com efeito, todo o enfoque desenvolvido por ele se revela fraco e suspeito, de sabor não-católico, com pouco ou nenhum respeito pela doutrina católica, perigoso para as famílias e para as pessoas menos preparadas, capaz de abrir a porta para consumos e práticas perigosas com toda certeza para a fé, que a moral cristã condena sem qualquer dúvida. Além disso, os argumentos de Introvigne não são convincentes [e levam a] ruína e apostasia da Igreja; como temos nos esforçado para mostrar, mesmo que apenas em uma forma esquemática levam à ruína e apostasia da Igreja; não só no plano lógico, filosófico, teológico, histórico e moral, mas também no puro senso comum e da razão natural, e [tais argumentos] não podem deixar de repugnar até mesmo o mais simples dos crentes.
Suavemente, mas firmemente, os bispos, padres, editores de revistas e simples fiéis devem começar a valorar muito severamente o "teorema de Introvigne", que resumimos na seguinte fórmula (absurda ao extremo, como nós provamos): “não está crescente o número de satanistas públicos e formais, e, portanto, o povo cristão não deve se preocupar com o aumento de produtos satanistas, nem vedá-los ou combatê-los".
(final)
__________________________________________________
Publicado na revista Si Si No No em fevereiro de 2007.
Original aqui.

Nota da tradutora: Esta é a segunda parte de um artigo dividido em dois. Veja aqui a parte I.

Outros artigos sobre Harry Potter, traduzidos por mim: