quinta-feira, setembro 27, 2012

A Noção Católica de Beleza

Por Peter Chojnowski
Traduzido por Andrea Patrícia

 

Foi durante o Renascimento que, pela primeira vez o "artesão" se diferenciou do "artista plástico" (por exemplo, Michelangelo, Da Vinci e Rafael). O artista plástico era agora reconhecido como o formador do "belo" em vez de o artesão ou artífice, que era dedicado a fazer o que poderia ser usado por aqueles que tinham um trabalho a fazer. A "beleza" e suas leis tornaram-se domínio exclusivo do pintor, escultor ou músico.
De lá para cá, temos experimentado uma progressiva diminuição, um estreitamento, um enfraquecimento do conceito de "belo". Na verdade, a única vez que a palavra é usada hoje em dia, principalmente por mulheres, raramente por homens, é para descrever coisas para as quais não há outra palavra adequada na mente quando estão agarrando algo que é colorido, polido e brilhante.
Ao contrário do que possamos pensar em primeiro lugar, os artistas plásticos do Renascimento não ampliaram os espaços para as expressões do "belo". Na verdade, a atenção que estes artistas deram a "beleza", tornando-a algo a ser buscado estritamente por ela mesma fez com que o belo fosse cada vez mais regulado enquanto ia sendo "permitido" a emergir. A beleza, como no caso das pinturas de Da Vinci, teve de se expressar de acordo com as leis matemáticas da natureza (por exemplo, o equilíbrio matemático em seu A Última Ceia). Mesmo que Michelangelo tenha se rebelado contra esta escravidão do olhar artístico e da imaginação às leis matemáticas de proporção, ele ainda contribuiu para a exclusividade do belo, insistindo sobre a capacidade única do artista plástico ter insights sobre as formas latentes no material "informe" da matéria (por exemplo, um bloco de mármore não formado). Como ele afirma: "o maior artista não tem noção que um único bloco de mármore não contém potencialmente sua massa, mas apenas uma mão obediente à mente pode penetrar nesta imagem." 1
Depois de ver a busca da “beleza” primeiramente relegada à elite artística e aos círculos intelectuais Neo-platônicos, o Romantismo dos séculos XVIII e XIX enclausurou a "beleza" dentro do "momento" da experiência artística perseguida e possuída pelo apreciador da arte - o esteta. Soren Kierkegaard identificou esse tipo de homem como aquele que não avalia as ações, situações ou escolhas em termos de "bom" e "mau", mas sim em termos de "belo" e "feio". Sua busca na vida era conseguir experiências estéticas que poderiam ser capturadas e inseridas dentro do belo momento. A vida do esteta era um acumular-se de "momentos maravilhosos". A partir de agora, "o belo" foi colocado na categoria do subjetivo. Ao invés de ser um atributo real de coisas concretas existentes, "a beleza estava nos olhos do observador" e, para ser uma experiência válida, precisava ser anexada a uma sensação subjetiva de contentamento.
O gradual sequestro do "belo" pela elite artística e literária terminou quando essa mesma elite rejeitou violentamente o conceito de "belo" como a imposição de um padrão objetivo sobre a autonomia da mente artística, portanto, oprimindo a mente e reprimindo a originalidade e a escolha subjetiva do artista, por exemplo, no Dadaísmo [ver "Splendor of Form: Catholic Aesthetics” The Angelus, Julho, 1996, 2-9-Ed.] e Surrealismo. Desde o exílio de beleza no século passado pelas elites artísticas, ela vagueou para o reino do piegas, do sentimental, e do "agradável" [a]. Este conceito de Beleza não pode se mover, conduzir ou dominar.

Tudo é "Belo"?
Santo Tomás de Aquino diz em seu Commentary on the Divine Names [Comentário Sobre os Nomes Divinos] (IV, 5): "Não há nada que não participe do belo". Que mundo de diferença entre nossa concepção moderna e banal do belo e a riqueza de Santo Tomás de Aquino. A parte de sua frase "Não há nada..." é a ideia clássica grega de pankalia, o entendimento de que tudo que é é bonito. Em outras palavras, "Ser é ser belo". Aqui devemos fazer uma distinção muito importante entre "seres" e "ser" para que possamos compreender o significado e a intenção da atribuição de Santo Tomás da beleza para toda a realidade criada e incriada.
Considerando os seres (por exemplo, cães, sapos, nuvens, arco-íris) eles podem ter atributos ligados a eles que indicam suas qualidades (por exemplo, "Fifi o cão é vicioso.": Fifi é compreendido como tendo a característica de ser vicioso), tais características não poderiam ser usadas para qualificar e distinguir 'ser". '1 '1 Ser é o atributo fundamental de todas as coisas que existem. Como "ser" tem um alcance universal, não pode ser descrito de uma forma que o restrinja (por exemplo, "doce", "faminto", ou "cansado"). Em um dia bom, Fifi pode ser "doce", mas o "ser" em que Fifi participa não pode ser "doce". É imediatamente evidente que, enquanto podemos dizer , "Fifi é doce", é absurdo dizer: "Ser é doce." Entendemos que o predicado deve ser mais abrangente do que o sujeito. "Doçura" pode aplicar-se a mais coisas do que Fifi. Considerando que se dizemos "Ser é doce" estaríamos dizendo que "coisas doces" superam essas coisas que existem e, portanto, têm ser .Isso seria um absurdo!
Mesmo que ser não seja doce, ou suave, ou redondo, podemos dizer com sinceridade que ser é belo e, portanto, que tudo o que tem de ser (ou seja, tudo o que é) também tem beleza? Se dissermos que sim, há três consequências muito importantes a seguir: 1) Se Deus é o maior exemplo de ser - na verdade, se Deus é Ser-Si Mesmo e tudo o que significa "ser" -, então Deus teria uma nova qualidade, que poderia ser eminentemente aplicada a Ele, ou seja, Beleza. 2) O universo dos seres iria adquirir uma nova perfeição, colocando para descansar a proposição niilista que diz que o universo, em si, é sem sentido e sem valor objetivo. Assim como não há nada ontologicamente mau (isto é, o mal nas raízes do seu ser), assim também as aparentes deformidades e dissonâncias no universo seriam resolvidas dentro de uma beleza resplandecente que brilhou na medida em que ficou diante do nada. 3) A perfeição da beleza em si adquiriria uma nova dignidade e objetividade, que não teria se existisse simplesmente "no olho do observador." Isto é muito importante se queremos fundamentar nossa descrição das coisas como "belas". Se os defensores da antiga Fé e Tradição devem defender a conexão intrínseca entre a arte e "o belo” - se quisermos refutar aqueles que apagam e acendem as luzes em salas vazias insistindo que isso se aplica ao seu padrão de "o belo"- devemos ser capazes de relacionar racionalmente a aparência do belo, do qual todos os homens são conscientes, a algum exemplar que revele, de forma racionalmente acessível e manifesta, o esboço do que constitui o belo.

Santo Tomás e os Nomes Divinos
O lugar nos escritos de Santo Tomás, onde ele trata diretamente toda a questão do "belo" está em seu Comentário Sobre os Nomes Divinos. O texto Os Nomes Divinos foi produzido por um monge sírio do século V conhecido como Pseudo-Dionísio. É no capítulo  4 deste texto intitulado "Sobre o Bem, Beleza, Luz, Eros, Êxtase, e Zelo", que Pseudo-Dionísio apresenta o reino do ser como uma hierarquia de bondade e de ser. Nesta hierarquia, o grau de perfeição de uma coisa depende de seu grau de participação nas qualidades possuídas (em uma maneira proeminente) pelo ser mais perfeito, isto é, Deus. Assim como a bondade e o ser pertencem a Deus e às criaturas, de uma maneira bem diferente, assim também a propriedade da beleza pertence a Deus e às criaturas, de uma maneira bem diferente. As palavras que Santo Tomás e Pseudo-Dionísio usam para descrever a beleza de Deus excluem qualquer compreensão do belo como uma forma de mera "beleza". Deus é "ser supersubstancial" e beleza "além do ser". Quando nós predicamos a qualidade da beleza de Deus, no entanto, estamos diante de uma dificuldade filosófica, que transcende a mera estética e beira o reino da metafísica. Como pode Deus e suas criaturas ser "belos", se um é auto-suficiente, ser infinito, eterno, e o outro é contingente, limitado, e em constante mudança? Estamos falando de uma maneira completamente equivocada quando aplicamos o termo "beleza" aos dois simultaneamente?
A resposta a esta questão é, naturalmente, não. Mas como a "beleza" de cada um é semelhante? Este problema filosófico só é agravado pelo fato de que, enquanto a experiência mais imediata do belo que o homem tem é o que ele experimenta com seus próprios olhos, Deus é invisível e tem em Si Mesmo nenhum contorno, nem forma, nem proporção, nem unidade de partes, os elementos que normalmente constituem a beleza de uma coisa. Como pode a beleza de Deus se assemelhar de algum modo ao esplendor sensível das formas visíveis, que tanto atraem a nossa consciência visual? A maneira mais óbvia em que podemos descobrir esta propriedade compartilhada do belo é, reconhecendo o fato básico de que a Beleza de Um é a fonte da beleza de todo o resto. Como São Tomás afirma em seu Comentário Sobre os Nomes Divinos (1,2):
Tudo o que existe vem da beleza e bondade, que são de Deus, a partir de um princípio efetivo. E todas as coisas têm o seu ser na beleza e na bondade, e as deseja como seu fim... E todas as coisas são e todas as coisas tornam-se por causa da beleza e da bondade, e todas as coisas buscam por elas, como a uma causa exemplar, que possuem como uma regra que rege suas atividades.
Aqui podemos fazer a conexão entre as nossas considerações anteriores, em que mencionamos a ideia grega antiga e medieval que tudo é belo na medida em que é, e a beleza super-eminente de Deus, Deus como Beleza-Em Si. Tudo o que existe possui beleza na medida em que sai da mão criadora de Deus. Todas as coisas são geradas na beleza. É a marca formal que o Criador coloca em todas as coisas, trazendo assim ordem e harmonia a todas as coisas, do íntimo do seu ser até a mais "superficial" das aparências externas. Para a ordem criada, todas as coisas estão reunidas em comunidade e plenitude pela beleza. Citando Santo Tomás: "É sempre assim que as criaturas que possam estar em vias de entrar em comunhão e de se unir, elas tem isso devido ao poder da beleza." 2
Não só as criaturas vêm da Beleza Divina, mas também estão motivadas para voltar à Beleza Divina pela atração da Perfeição Divina. É só Deus, perfeitamente proporcionado, perfeitamente integral, e superabundantemente radiante, que pode imprimir ordem em tudo o que Ele cria. Nada pode escapar a esta forma interior caracterizando todas as coisas. Quando o homem conforma seus atos morais à forma interior impressa nele por Deus, podemos ver a relação óbvia entre o "belo" e o racional.

Os três critérios do Belo
Como pode esse entendimento metafísico (isto é, ostensivamente "abstrato") do "belo" se relacionar com as coisas bonitas que encontramos continuamente em momentos ainda mais imediatos e apreciativos? Como pode a beleza de Deus se assemelhar, de alguma forma, a beleza de uma vasta paisagem iluminada pelo sol ou o rosto de um filho amado? Além disso, como podemos relacionar a beleza metafísica de todas as coisas que são aos corpos proporcionados e brilhantes que atraem a nossa atenção visual e psicológica?
A fim de discernir as conexões entre esses vários aspectos da beleza, devemos considerar os critérios [isto é, normas para julgar algo – Nota do Editor] pelos quais os antigos julgavam se algo que viram ou ouviram era belo ou não.
Antes de considerarmos os três critérios de 1) proporção correta, 2) integridade e 3) "clareza", é preciso identificar o fato básico da experiência que nos leva ao nosso reconhecimento corporal humano do belo. Santo Tomás expressa este fato experiencial como "Diz-se que Belo é aquilo que quando visto agrada." Tal facilidade e naturalidade em lidar com as realidades da existência humana é característica de Santo Tomás. Ele faz essas declarações "comuns" como: “... nós chamamos as coisas de belas quando elas são coloridas". Santo Tomás não só revela para nós o reconhecimento de que os homens de sua época tinham pela cor simples e brilhosa, tons cálidos e iluminações brilhantes, ele também refuta aqueles que acusam a mente Medieval Católica de ser grosseira e de relegar a beleza para o domínio da abstração metafísica, afirma a concretude do belo e o imediatismo de sua atratividade para os olhos. Nós, modernos, que nos orgulhamos de nossa "atenção ao mundo real", temos dificuldade em apreciar a naturalidade e a alegria que caracterizam a declaração de Santo Tomás:
Produtos de beleza ou formosura surgem quando a claridade e a devida proporção andam juntas. Então, a beleza do corpo consiste no fato de que uma pessoa tem membros bem proporcionados, juntamente com uma certa clareza necessária de cor.3
São as qualidades de proporção correta (isto é, a relação de adequação das partes umas às outras), integridade (isto é, a relação entre as partes e a unidade do conjunto), e clareza ou esplendor (isto é, a cor radiante e uniforme) que são tão "adequadas" aos poderes conhecidos e desejados do homem que há um profundo contentamento gerado na alma humana quando um objeto de beleza é encontrado. Tal contentamento e prazer indica que há alguma conaturalidade que caracteriza o encontro entre a forma esplêndida e a apreciativa e receptiva mente humana. Como Santo Tomás afirma, a bela forma "apazigua" o apetite racional 4, é um ato extático que deixa a o interesse próprio e o conceito perverso para trás no jeito arrebatador da forma e ordem que marcam "o belo". Ela traz paz e contentamento à alma por que o homem tem atração pelo que está de acordo com a perfeição na Mente Divina da qual ele também saiu. O olhar momentâneo que "captura" a beleza e o esplendor de uma forma visível dela se afasta com lágrimas de alegria a fim de que ela fique residindo em forma perfeita libertando o coração, incentivando o homem a buscar o que ainda não pode ser alcançado. É um anseio tranquilo, choroso, pelo paraíso perdido ou pela visão celeste ainda a ser adquirida.
Mas o que é mais animador para nós viajantes do que as lágrimas é o fruto do "belo". Estas são lágrimas de esperança, pois nenhum homem chora por aquilo pelo qual ele está em desespero. Talvez possamos dizer então que quando a beleza e as lágrimas se encontram a essência de nossas vidas humanas é expressa.

A beleza do Filho
Não é sem razão que Santo Tomás trata mais amplamente os três critérios para julgar a beleza das coisas em um artigo na Summa Theologica dedicado à pergunta: "Os Santos Doutores Atribuíram Corretamente os Atributos Essenciais a Cada uma das Pessoas Divinas?" No decorrer deste artigo sobre a "atribuição" das qualidades de cada uma das Pessoas divinas, Santo Tomás afirma que a beleza é uma qualidade que é mais adequadamente atribuída a Deus Filho. O Filho é a beleza de Deus, Ele é Beleza-Em Si.
Ao aplicar o critério da proporção correta a Deus Filho, Santo Tomás indica que não estamos a pensar na proporção correta somente em termos de forma simétrica das partes, mas também num sentido mais profundo, mais intelectual... No Filho encontramos "clareza" no mais alto grau, porque Ele é uma imagem clara do Pai. Além disso, podemos encontrar proporção exemplar em Deus por causa da perfeita harmonia que existe entre o Seu Intelecto e Sua Vontade. Deus é, portanto, "corretamente proporcionado" em um grau preeminente.
Integridade é também aplicável em uma forma preeminente a Deus Filho. Santo Tomás diz que o Filho possui integridade, porque Ele possui a natureza completa do Pai verdadeira e perfeitamente dentro de Si mesmo. Ele é substancialmente uno com o Pai, sem qualquer confusão de Pessoa. De acordo com Santo Tomás, a integridade da forma de uma coisa pode ser violada por falta ou por excesso. [As formas das coisas são como números. Qualquer mudança, qualquer adição ou subtração, confunde a natureza das espécies e a transforma em algo diferente. - nota do Editor] Uma coisa deve ser unificada, deve ser uma, a fim de ser realmente "bela”. O que é mutilado ou caracterizado por superfluidade é, por isso mesmo, distorcido e feio.

O Esplendor da Forma e do esplendor divino
De todos os três critérios para identificar o belo, a clareza foi o que mais seduziu as mentes dos Anciães. Ao tentar explicar o que eles queriam dizer com essa característica mais extraordinária e única do "lindo", eu ofereço palavras como "luminosidade", esplendor", "brilho", "clareza da forma", ou "ser colorido". Não se pode duvidar que a luz, brilho e luminosidade foram entendidos como sendo associados com a beleza. Na verdade, eles eram a expressão específica do objeto físico bem proporcionado e harmonioso. Santo Tomás afirma que Deus, o Filho pode ter atribuído a Ele clareza uma vez que Ele é a palavra inteligível do Pai, a "luz e esplendor da mente [Divina]."
O Filho de Deus, então, é uma imagem perfeita, uma entidade adequada à Sua própria natureza, harmoniosamente de acordo com o Pai, e resplandecente com uma expressiva vida porque Ele é a Palavra - que é profundamente racional, um splendor intellectus.6,
É tarefa dos Católicos libertar a realidade da "beleza" das restrições artístico-artesanais que lhe são impostas por aqueles que achavam que podiam dominá-la. Como estamos bastante longe dos gregos que falavam regularmente do kaloskagathos, ou seja, o "homem belo e bom", a vitalidade do homem de excelência moral, a "beleza" de cujas virtudes brilharam através do decoro, da nobreza, e atraente vitalidade de suas ações. É tanta beleza, forma e clareza em cada homem ou mulher que põe abaixo todas as confusões desta terra, que podem trazer lágrimas aos nossos olhos e anseio de felicidade aos nossos corações.
Todo o esforço de uma cultura verdadeira e genuína é trazer o coração humano para esses momentos de transfixão. Nós estamos perfurados e "abertos" com a lança que só pode vir de uma Fonte divina e perfeita. Uma Fonte que não teme levar o homem à exaltação. Uma Fonte que não conhece inveja. Só pode ser do Verbo, nunca a luz do homem, Quem tem encorajado a carne com a divindade que podemos esperar com certeza a efusão de graça e verdade.

Original aqui.

O autor:
Dr. Peter E. Chojnowski tem uma licenciatura em Ciência Política e outra em Filosofia pelo Christendom College. Ele também recebeu seu diploma de mestrado e doutorado em Filosofia pela Universidade de Fordham. Ele e sua esposa, Kathleen, são pais de cinco filhos. Ele ensina para a Fraternidade São Pio X, na Immaculate Conception Academy, Post Falls, ID.
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Notas:
1. Cf. Anthony Blunt, "Michelangelo's Views on Art" em Readings in Art History, vol. II, ed. Harold Spencer, p. 116.
2. Santo Tomás de Aquino, Comentário sobre os Nomes Divinos, I, 2.
3. Santo Tomás de Aquino, Summa Theologica, I, Q.39, art. 8.
4. ST, I-II, Q.27, art. I, ad 3.
5. ST, I, Q.39, art. 8.
6. ST, I, Q.5, art. 5.
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Notas da tradutora:
[a] No original “pretty”, que muitas vezes é traduzido como “bonito”. Mas o sentido do termo é “agradável”, “adorável”, “atraente”.

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quarta-feira, setembro 26, 2012

Trad-Forum

vida
Um forum católico tradicionalista na internet:

terça-feira, setembro 25, 2012

A Conspiração Capitalista


vida

Um documentário muito interessante, onde é abordada a questão das conspirações. Apesar do título, ele não trata somente do capitalismo, mas também do comunismo e aborda os "donos do poder", pessoas com poder e muito dinheiro no bolso para tentar recriar o mundo à imagem e semelhança deles. 

Já assisti diversos videos deste tipo e este me parece realmente sério, com boas fontes. Claro, não posso garantir que seja cem por cento certo, mas vale a pena conferir. 

Pare, pense. Não se deixe guiar como gado. Busque a verdade. Sempre!


domingo, setembro 23, 2012

Comentários Eleison: Declaração Reversível

“Comentários Eleison” por Mons. Williamson –
Número CCLXXI (271) - 22 de setembro de 2012


DECLARAÇÃO REVERSÍVEL

Nem tudo do Capítulo Geral da Fraternidade São Pio X, realizado na Suíça em julho, pode ter sido desastroso. Mas de seus dois frutos oficiais, as “Seis Condições” foram “alarmantemente fracas” (cf. CE 268, 01 de setembro), e sua “Declaração” final deixou muito a desejar. Aqui está um breve resumo de seus 10 parágrafos:
1 Agradecemos a Deus pelos 42 anos de existência da nossa Fraternidade. 2 Nós redescobrimos nossa unidade após a recente crise (é mesmo?) 3 a fim de professar a nossa fé 4 na Igreja, no Papa, em Cristo Rei. 5 Nós permanecemos com o Magistério constante da Igreja, 6 como também com sua Tradição constante. 7 Unimo-nos a todos os católicos que estão agora sendo perseguidos. 8 Pedimos ajuda à Bem-Aventurada Virgem Maria, 9 a  São Miguel,  10 e a São Pio X.

Esta é uma declaração em que não falta piedade, que São Paulo diz ser útil para todos os fins (I Tm IV, 8). No entanto, para seus dois discípulos, Timóteo e Tito, ele constantemente enfatiza a necessidade de doutrina, que é a base da verdadeira piedade. Infelizmente, a Declaração é um pouco menos forte em doutrina. Em vez de golpear os erros doutrinais do Concílio que têm devastado a Igreja nos últimos 50 anos, ela traz em seus parágrafos mais doutrinários, 5 e 6, apenas uma tímida condenação desses erros, juntamente com uma homenagem ao Magistério imutável (5) e à Tradição (6) da Igreja. Precisa, mas que constitui um argumento muito facilmente reversível por um conciliar. Veja-se como:
 O parágrafo 5º menciona as novidades do Vaticano II como “manchadas de erros”, considerando que o Magistério constante da Igreja é ininterrupto: “Por seu ato de ensinar ele transmite o depósito revelado em perfeita harmonia com tudo o que a Igreja universal ensinou em todos os tempos e lugares”, o que claramente implica que Roma deve levar o Concílio Vaticano II aos limpadores para tirar as manchas. Mas veja-se como um romano pode responder: “A expressão do Capítulo sobre a continuidade do Magistério é absolutamente admirável! Mas nós, romanos somos o Magistério, e nós dizemos que o Vaticano II não está manchado!”
O mesmo com o parágrafo 6. A Declaração afirma: “A Tradição constante da Igreja transmite e transmitirá até o fim dos tempos o conjunto de ensinamentos necessários para manter a Fé e salvar almas”. Assim, as autoridades da Igreja precisam voltar à Tradição. Os romanos respondem: “A descrição do Capítulo de como a Tradição lida com a Fé é absolutamente admirável! Mas nós, romanos, somos os guardiões desta Tradição, e nós dizemos, pela hermenêutica da continuidade, que o Vaticano II não a interrompeu, mas deu-lhe prosseguimento. Assim, o capítulo está inteiramente errado ao sugerir que temos de voltar a ela”.
Contraste-se tudo isso com a força do ataque irreversível do Arcebispo Lefebvre aos erros do Concílio Vaticano II, em sua famosa Declaração de novembro de 1974. Ele declara que a Roma conciliar não é a Roma católica porque a reforma conciliar é “naturalista, teilhardiana, liberal e protestante... completamente envenenada... provém da heresia e leva à heresia”, etc., etc. Sua conclusão é uma recusa categórica em manter qualquer relação com a nova Roma, porque esta absolutamente não é a Roma verdadeira.
 Peguem-se na Internet as duas declarações, e veja-se qual delas é um inconfundível chamado de trombeta para a batalha necessária (I Cor, XIV, 8)! Há que perguntar quantos dos capitulares de 2012 já estudaram o que disse o Arcebispo, e por quê.

Kyrie eleison.

sexta-feira, setembro 21, 2012

Promoção: Kit Santa Teresinha





O dinheiro arrecadado nos ajudará na edição do livro sobre o Rosário!

Ajude!

quinta-feira, setembro 20, 2012

Dança Moderna e Cristianismo

Por Leonard Austin
Traduzido por Andrea Patrícia


Na tentativa de trazer de volta alguma sanidade à nossa vida de lazer ficamos cara a cara com um duplo problema. Por um lado o Puritanismo coloca a sua mão pesada sobre a nossa legítima alegria e exuberância em estar vivo no mundo maravilhoso de Deus. Por outro lado o paganismo nos leva cegamente ao seu templo do prazer, e nos manda segui-lo em sua busca por novas sensações, desdenhosos da alegria inocente do povo simples.
Para os pagãos, o prazer é o motivo da existência e substância dos seus sonhos. Eles construíram o seu mundo de alegria dourada nos palácios de dança, bares de coquetéis, invadiram o mundo dos esportes e tornaram cada vez mais difícil para as pessoas modestas desfrutarem seu tempo livre. Em sua busca incessante desse fenômeno indescritível que eles chamam de felicidade, eles estão dispostos a pagar qualquer preço, trabalharão cada vez mais duro para obter o dinheiro que lhes permitirá mergulhar mais e mais profundamente no fluxo vertiginoso do prazer.
Os puritanos são muito menos incômodo, pois eles mantêm seu isolamento rígido, temendo que o contato com um sorriso generoso e um pulso rápido pode destruir suas paredes de predestinação. Os ubíquos pagãos fazem seu caminho para dentro de nossas vidas com suave confiança. Sua premissa positiva que a sua vida de intensidade superficial é uma parte integrante do "American way of life", que uma economia baseada em mais luxos e lazer ilimitado é a única a ser moldada para os Estados Unidos tem atraído muitos dos nossos companheiros cidadãos. É que essas criaturas confusas definem o padrão na maior parte do mundo a respeito de como devemos nos divertir. A indústria do cinema e o rádio estão quase exclusivamente em suas mãos, e essas indústrias são por sua vez apoiadas por milhões de indivíduos passivos que, esvaziados de qualquer capacidade para se divertir, derramam enormes somas nos cofres dos fornecedores profissionais de alegria. Estes neo-pagãos tem influenciado tanto a vida das massas que hoje é considerado o "american way" pagar um preço fabuloso nos ingressos para o World Series ou para um jogo do Rose Bowl, e eles conseguiram ainda convencer os nossos jovens que o sábado à noite não é divertido se não for gasto em um grande salão de dança ou boate, movendo-se com indiferença pela pista de dança ao som do balanço lascivo de uma banda quente. Qualquer tentativa de mostrar a essas vítimas da fraude em massa que existe alguma coisa diferente e ainda divertida é a tarefa mais difícil que enfrentam aqueles que estão se esforçando para trazer a razão ao tempo de lazer das pessoas.
Na Idade Média, os grandes séculos da Igreja, as danças estavam intimamente ligadas à liturgia. No Ritual Romano há preces e ladainhas para todos os grandes atos fundamentais da vida e da grande procissão cósmica do mundo, como marcado pelo calendário litúrgico. Estas festas tiveram seu calendário secular, bem como seus rituais sagrados. Ambos estavam intimamente ligados, cada um tinha seus próprios ritos particulares e desenhos simbólicos, mas surgiram a partir da mesma fonte fundamental: a honra e glória de Deus.
A própria ideia de dança tinha um significado sagrado e místico para os primeiros Cristãos, que meditavam profundamente sobre o texto, "Tocamo-vos flauta, e vós não dançastes" (Mt 11,17). Orígenes orou para que acima de todas as coisas pudesse ser operacionalizado em nós o mistério "das estrelas dançando no céu para a salvação do universo". São Basílio descreveu os anjos dançando no céu, e mais tarde o autor de Dieta Salutis, que se supõe ter influenciado Dante em atribuir uma parte tão grande  da dança no Paradiso, descreveu a dança como a ocupação dos internos do céu, e Cristo como o líder da dança.
O Puritanismo esmagou a dança em muitas partes do mundo e foi o início de um urbanismo em desenvolvimento contra o velho ruralismo. Não fazia distinção entre o bem e o mal, nem parou para pensar o que aconteceria ao dançar. Remy de Gourmont observa que a taberna conquistou a dança, e álcool substituiu o violino.
Nas décadas de 1950 e 60 a última dança por meio do registro do lúpulo era geralmente uma dança lenta. Fosse Flamingos cantando "Lovers Never Say Goodbye" ou Jesse Belvin lamentando "Good Night My Love", adolescentes pegavam o seu parceiro especial e, lentamente, circulavam pela pista de dança. A dança lenta era íntima, ou como Dick Clark [do American Bandstand Fame – Nota do Editor] caracterizou: "ficar sexualmente excitado sem recompensa". Apesar das luzes e câmeras, e o fato de que seis milhões de pessoas estavam assistindo, as crianças da American Bandstand conseguiram entrar no mundo da dança lenta. (1)
A separação completa entre o lazer e a vida orgânica de uma comunidade e de uma parte integral do modo de vida Cristão começou no início do século XIX, quando uma reação contra o Puritanismo agitou-se dentro da burguesia abastada. Não há muito mais de cem anos atrás [Este artigo foi escrito em 1948 – Nota do Editor] a mania da valsa varreu o mundo. As pessoas tinham esquecido as danças antigas e celebrações comunais de seus pais, ou se lembravam delas, as desprezavam como as alegrias bucólicas de camponeses estúpidos. A valsa cativou as classes comerciais dos novos ricos, e estava prestes a ser seguida por ainda mais modismos e fantasias - a mania polca, a moda gavotte, o fascínio com passos exóticos e ritmos sem sentido. Isto continuou até aos nossos dias com a mania atual da rumba, samba, e assim por diante, ad nauseam.
Nossos bisavós estavam realmente em falta. Eles se deixaram enganar pelas forças desagregadoras que estavam trabalhando no mundo, nos seus momentos mais leves, bem como em suas horas sérias de trabalho e adoração. Eles seguiram cada moda de dança com renovada intensidade. Agora, os pais olham com desagrado sobre as travessuras de seus jovens e falam dos "bons velhos tempos" da valsa. Se a norma da recreação deve ser "É Cristão?" então muitas das atividades de lazer dos nossos pais devem ser examinadas minuciosamente. A valsa foi a expressão coreográfica da "Idade da Razão e do Iluminismo", e foi, à sua maneira, tão perigosa quanto qualquer uma das formas modernas. Nenhuma dança poderia ser tão intoxicante, tão emocionalmente perturbadora como uma velha e boa valsa tocada na velocidade de tirar o fôlego tão amada dos nossos avós. Estes membros da geração mais velha suspiram pelo retorno da valsa, mas ignoram completamente as danças camponesas infinitamente mais belas e simbólicas de seus antepassados.
A valsa teve um perigo adicional em seu sentimentalismo. O sentimentalismo é o fenômeno exclusivo do nosso tempo, e é perigoso. Ele tende a perturbar a estabilidade emocional do indivíduo, e até mesmo das massas inteiras. Um renomado cientista alemão anunciou há alguns anos atrás que era a devoção de seu povo a "Trindade do sentimentalismo" - Wagner, Brahms, e a valsa - que os deixou emocionalmente instáveis e, portanto, presas fáceis para as bofetadas brutas de militaristas e para o credo selvagem de um psicopata forrador de paredes. (2)
A era sentimental chegou a América. Será, também, ser um prelúdio para o militarismo, o recrutamento, e a crueldade? A moda atual da música "doce" é sentimentalismo, na sua forma mais sórdida. A música Swing, embora emocionalmente perturbadora, pelo menos tem vitalidade e espírito. Divorciada dos ritmos da selva anexos da banda de swing, o "jitter-bug" é uma verdadeira dança folclórica, expressiva do tempo em que surgiu: nervosa, vulgar, e autoconsciente. Swing pode ser feito com moderação e até mesmo com frieza. As críticas feitas agora ao swing e ao "jitter-bug" são bastante vazias, já que esta exposição febril dos momentos de lazer de um povo em guerra agora está se apagando. Mas o que vai tomar seu lugar? Algo pior? As harmonias da música pegajosa "doce" são os gritos de um povo confuso, desiludido e o passo lento que regula a batida apática é o passo de um povo entediado, inseguro e inibido.
Há algum dança adequada para os Cristãos? Precisamos apenas nos voltar ao nosso próprio rico patrimônio de recreação: as cerimoniais danças dramáticas comunais da nossa própria cultura Católica, as danças que são inerentes formas de arte fabricadas pelos nossos próprios antepassados ​​Católicos; as deliciosas, simples, e muitas vezes incrivelmente belas celebrações dos períodos importantes da vida; de casamentos e batizados, de dias de santos, da mudança das estações, das ocupações. Entre os povos primitivos dançar era rezar. Ainda é assim entre muitas raças na África, Ásia e os aborígenes da América do Norte e do Sul. A dança é a expressão primitiva tanto da religião quanto do amor, e está intimamente ligada com toda a tradição humana de guerra, trabalho, prazer e educação. O homem moderno é o herdeiro de mil anos de cultura Cristã, ele é uma criatura feita à imagem e semelhança de Deus, herdeiro do reino dos céus. Não podemos encontrar melhores veículos de expressão emocional do que ritmos imorais, danças sem forma, dramas realísticos?
O problema vexatório da dança, de toda a recreação, deve ser analisado sob as vistas microscópicas da filosofia perene [A "filosofia perene" aqui referida é o Tomismo, e não as aberrações mais recentes que utilizam o mesmo termo – Nota do Editor]. Os entusiastas para um retorno ao "velho" devem estar atentos para que não se confundam na sua busca de entretenimento Cristão. As danças folclóricas podem ser desajeitadas, sem valor artístico, vulgares. E assim é razoável supor que vários bailes de uma data mais recente podem ser decentes e dignos. Com uma reserva inesgotável de um rico tesouro de coreografia que nos legaram os nossos antepassados ​​Católicos, não há necessidade de hesitar quanto à questão de saber se é melhor dançar uma valsa ou um foxtrot, ou se é realmente errado “cortar um tapete” (3). Aplicar à dança as regras básicas Cristãs do bom, belo e verdadeiro como aplicamos à literatura, pintura, e teatro, ordena o processo de investigação.
Em uma cultura individualista como a nossa, o que tem sido transmitido é uma "superstição", não meramente no sentido próprio e literal da palavra, mas no mau sentido daquilo que sobrevive de uma época anterior à "sabedoria que nasceu conosco", porque o que nós não entendemos nós tememos ou não gostamos. A "emancipação do artista" e nosso rompimento deliberado com a tradição são apenas casos especiais de nossa rejeição da filosofia perene sobre a qual todas as artes tradicionais estavam agrupadas de tal forma a satisfazer as necessidades da alma e do corpo em conjunto, em cujo caso todas as artes, sem exceção, incluindo a arte do lazer e do entretenimento, eram artes aplicadas.
As únicas coisas dignas de nossa séria consideração são aquelas que têm a ver com Deus. Se somos capazes de chegar a um acordo sobre este ponto fundamental, é óbvio que devemos por todos os meios evitar a inovação em nossa música e dança, e, sendo assim, introduzir mudanças nas formas de artes por razões estéticas, ou seja, para agradar a nós mesmos ou por que nossos sentimentos são demais para nós e devem encontrar uma saída, não é senão uma espécie de escravidão às nossas sensações.
O que é necessário em nosso mundo Católico na América, e extremamente necessário, é que tenhamos líderes de recreação treinados com o espírito apostólico, com um sentimento de alegria e paz, com um conhecimento da história e da cultura Católica, que podem encontrar seu caminho ao longo do caminho Cristão de vida; que tenham discernimento e bom senso e a coragem de usar uma mão firme; que tenham o equilíbrio para seguir um rumo entre o paganismo e o puritanismo e, sobretudo, um conhecimento profundo e amor pela liturgia da Igreja. Onde isso vai acontecer é impossível afirmar, pois nenhuma faculdade Católica, universidade ou escola preparatória tem departamentos de recreação. É irônico e um pouco ridículo que precisemos de líderes treinados para ensinar aos nossos irmãos Cristãos como se divertir, mas essa é apenas mais uma prova, se mais fosse necessário, da desorientação dos Católicos modernos de seu verdadeiro curso ao longo do caminho da vida Cristã.

Reimpresso da edição de julho de 1948 da revista Integrity com o tema "Lazer e Recreação". Editado por Angelus Press.

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Notas:
(1)     Extraído de www.history-of-rock.com
(2)     No original paper hanger. Foi assim que o Cardeal George Mundelein referiu-se a Adolf Hitler em seu discurso de Mundelein, antes da Segunda Guerra Mundial. O termo é pejorativo, indicando que quem forra parede (aplica papel de parede) faz um trabalho braçal, onde não é necessário esforço intelectual, e que não é arte. Há controvérsias sobre se Hitler trabalhou ou não com papéis de parede. De qualquer forma, suas obras artísticas eram muito pobres. O termo tornou-se comum àqueles que se opunham às ideias de Hitler.
(3)     No original “cut a rug” que significa dançar energicamente e extremamente bem.


Original aqui.

terça-feira, setembro 18, 2012

Sem a Fé é impossível agradar a Deus



Sem a Fé é impossível agradar a Deus. (Hebreus, 11)


São tantos os que correm atrás de dinheiro, poder, prazeres, mas não tem a Fé.

São tantos outros que correm como baratas tontas atrás de falsos profetas, achando que estão fazendo muito, mas não tem nada pois não tem a Fé.

Outros ainda colocam-se sob o escudo da falsa obediência, baixam a cabeça para os inimigos de Cristo enquanto perseguem os verdadeiros discípulos do Senhor achando que estão certos, mas certos de quê se não tem a Fé?

Sem a Fé não somos nada. Pode-se ter dinheiro, poder, honrarias, prédios, música e incenso, mas nada se tem na realidade sem a Fé.


Sem a Fé é impossível agradar a Deus.

terça-feira, setembro 11, 2012

Beleza real é aquela que não morre




Eu admiro a beleza. Gosto de coisas bonitas. Aliás, qual mulher não gosta? Creio que todas as mulheres querem uma casa bonita. Então ficamos admirando aquelas casas lindas que vemos por aí pelas revistas, pela internet... ou na vida real, família e amigos, talvez?
Mas eu penso também que de nada vale ter tanta beleza à volta e não ter o mais importante: Deus. De que vale tudo isso sem Ele?
É isso o que muitos não entendem ao achar que os pobres são infelizes porque não tem muitas posses, muito dinheiro, muita beleza à volta deles. Mas é preferível mil vezes não ter dinheiro e ter Fé, do que ter tudo no mundo e ser morto espiritualmente.
Não há dinheiro que compre uma consciência tranquila depois de uma confissão bem feita! Não há dinheiro que compre o enlevo que sentimos ao comungar bem. Não há dinheiro que pague o sorriso de uma criança amada ao ser batizada*.
Não há paz sem Deus. A verdadeira riqueza é a interior. Tesouro bom é aquele que a traça não rói... Beleza real é aquela que não morre.

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*Quando meu filho foi batizado aconteceu algo muito bonito. Ele estava dormindo e quando a madrinha o posicionou em cima da pia batismal e o padre jogou água na cabecinha dele, ele fez um bico de choro e imediatamente depois abriu um sorriso. Foi lindo demais! Ele recebeu o Espírito Santo e sorriu. Deus é bom.

quinta-feira, setembro 06, 2012

É correto falar de nossa herança "Judaico-Cristã"?

Por Pe. Peter Scott
Traduzido por Andrea Patrícia


O termo "Judaico-Cristã" não é uma invenção recente da era ecumênica, como parece de início. É um termo muito antigo, datando do início do Cristianismo. Os Judaico-Cristãos eram originalmente os adeptos do Judaísmo que se converteram à Fé, mas que ainda praticavam a circuncisão e observavam a lei mosaica, e tentaram impor isso aos convertidos dentre os gentios. Eles foram os primeiros condenados pelo Concílio de Jerusalém no ano 49, como dito no capítulo 15 dos Atos dos Apóstolos.
Posteriormente, dois grupos de Judeus-Cristãos surgiram. Havia aqueles que simplesmente mantinham a lei mosaica em si, mas que não tentavam impô-la aos outros Cristãos, e que não eram heréticos. Eles eram chamados de Nazarenos, e rapidamente desapareceram após a destruição de Jerusalém no ano 70. O outro grupo de Judeus-Cristãos eram também chamados de Ebionitas. Eles eram verdadeiramente heréticos, consideravam a lei mosaica obrigatória, e negavam a divindade de Cristo, o nascimento virginal, e os trabalhos e os escritos de São Paulo. Eles também deram origem a várias seitas gnósticas. É por esta razão que o título "Judaico-Cristã" é pejorativo, contra a ortodoxia doutrinária.
A tentativa de descrever a própria moralidade ou princípios como "Judaico-Cristãos" consequentemente não é tradicional de forma alguma. Poderia, teoricamente, ser usado para descrever o apego aos princípios morais da Bíblia, incluindo os Dez Mandamentos, como sendo os princípios de toda a vida moral, e que a Igreja recebeu dos israelitas. No entanto, existem alguns problemas. O primeiro é que os próprios judeus no tempo de Nosso Senhor, não guardavam os princípios morais da Lei antiga, como Nosso Senhor não cessou de reiterar. Como se poderia usar o título de "herança Judaico-Cristã" para expressar a ligação com estes princípios, quando os próprios judeus praticavam a poligamia e o divórcio; quando os judeus não hesitaram em prejudicar o primeiro e grande mandamento do amor a Deus e ao próximo, ensinando o exato oposto: "amarás o teu próximo e odiará o seu inimigo" (Mt. 5,43), ou "olho por olho e dente por dente" (Mt. 5,38)? Como poderíamos usar esse título quando a grande maioria dos judeus não tem nenhum problema com a eutanásia, aborto, controle de natalidade, homossexualidade, divórcio, e até mesmo a eliminação de Deus, e amor ao próximo da vida pública, política, educação e tribunais? O que poderia este título "herança Judaico-Cristã" consequentemente realmente significar?
Se ele é usado para indicar aqueles que observam os Dez Mandamentos e os mantêm como o alicerce de toda a moralidade, então que seja dito explicitamente: nossa herança é os Dez Mandamentos. Que não haja ambiguidade. No entanto, ela não é judia. É nossa herança Católica. A Igreja Católica de fato sucedeu a Israel do Antigo Testamento como sendo o verdadeiro povo de Deus. Hoje em dia os judeus não são uma parte deste patrimônio, nem são nossos irmãos mais velhos na fé, como o Papa tem, infelizmente, afirmado. Eles não têm a verdadeira Fé, a Fé da Igreja Católica, pois rejeitam explicitamente e se recusam a crer em Cristo, o Filho de Deus feito homem, apesar do fato de que Ele cumpriu todas as profecias do Antigo Testamento. Ao se recusar a crer na Santíssima Trindade, ao se recusar a acreditar em Deus como Ele se revelou. Eles, consequentemente, não têm a fé de Abraão, que acreditava em tudo o que Deus revelou a ele, já que Cristo revelou este mistério da Santíssima Trindade.
A existência na Igreja de um conceito moderno, liberal, ecumênico de uma herança Judaico-Cristã remonta ao documento do Vaticano II sobre a relação da Igreja com as religiões não Cristãs, Nostra Aetate. Esta declaração menciona duas vezes que "os cristãos e os judeus têm uma herança espiritual comum" (§ 4), sem explicar o que é. Se por isso se quer dizer que nós compartilhamos essa parte da Sagrada Escritura que chamamos de Antigo Testamento, é em parte correto (os judeus rejeitam sete livros inspirados do Antigo Testamento). Se, no entanto, por isto se entende que há algo de comum com respeito à nossa vida espiritual, Fé e princípios morais, então é totalmente errado, pois hoje em dia o Judaísmo se baseia na negação das verdades mais básicas da Fé Católica.
Por conseguinte, este termo politicamente correto "herança Judaico-Cristã" deve ser considerado vago, deliberadamente ambíguo, liberal, favorecendo o indiferentismo e o ecumenismo, e nada ortodoxo.

Original aqui.
O padre Peter Scott é da FSSPX

terça-feira, setembro 04, 2012

Como é que se consegue viver sem Deus




Como é que se consegue viver sem Deus? Como viver sem buscar conhecê-Lo, amá-Lo? Sem buscar conversar com Ele, sem buscar saber ao menos o mínimo necessário para não desagradá-Lo?
Quanto é pobre a vida sem a Luz verdadeira, sem o Amor de Deus! Os que assim vivem ficam como que embriagados por suas falsas ideias, pela busca dos prazeres, pela fuga da dor necessária. Ficam tontos, cegos, caem no lodo pegajoso e vão sendo tragados como se tivessem caído em areia movediça. Não vivem, estão mortos. Não amam, odeiam.
“Quem não está comigo, está contra mim”. Tenho medo dessas palavras, medo pelas pessoas que conheço e que não ouvem a voz de Deus. Elas fogem da luz, fogem do grito de suas consciências mandando que se voltem para O Criador. Elas não querem Sua Igreja. Até quando? Que não seja para sempre.
Meu Deus, como eu quero que elas sejam libertadas! Valei-nos São Jorge, Valei-nos São Miguel Arcanjo! Libertai meus queridos das garras do Demônio! Pisai nos espíritos imundos, Virgem Santíssima! Libertai meus queridos!