quarta-feira, outubro 31, 2012

Quem se Beneficia?

Por Syllabus
Traduzido por Andrea Patrícia



"Com isso, quando José chegou a seus irmãos, tiraram-lhe o manto e a túnica que estava usando. E o jogaram na cisterna" (Gn. 37, 23).


Os atos iníquos, no entanto, acabam trabalhando para o bem daqueles que amam a Deus e são a derrota e condenação dos que os cometem.

Quem se beneficia?

Isso é o que o investigador de um crime se pergunta para guiar sua investigação até o autor do mesmo, seja o autor material ou o autor intelectual, o executor ou o instigador.

Será que beneficia a Tradição católica a expulsão da FSSPX de um de seus defensores mais aguerridos, lúcidos e firmes - senão o maior de todos? Os meios de comunicação refletem a valorização dos inimigos de Cristo e da tradição católica: os progressistas e liberais de Roma, a Sinagoga e o jornalismo a seu serviço.

Não há muito mais a dizer. A conclusão é óbvia, não é? Não para o católico desconfiado do liberalismo, porque o liberal-acordista dentro da Tradição vai se mostrar irritado com esta situação, por querer conciliar o que não se pode. E como ele quer estar com uns e com outros - e quer condenar o Vaticano II, mas fazê-lo em voz baixa para que não haja crispações com o Vaticano -, sempre termina como Pilatos, aderindo aos desígnios dos mais poderosos deste mundo.

E não podendo conviver com semelhante culpa, com uma incoerência que se lhe faz mais obscura à medida em que atua, se põe a fustigar a torto e a direito contra a “falsa tradição” e outros que passam a se tornar seus inimigos.

Original aqui.

terça-feira, outubro 30, 2012

As Cores de Cinque Terre: um pálido reflexo



Eu fico encantada quando vejo imagens de Cinque Terre. Essas cores são tão belas, tão vivas, luminosas! O sol lá parece brilhar de outro jeito, eu não sei explicar, só sei que é belo.

Se nós aqui ficamos embevecidos com a beleza das coisas materiais, fico imaginando como deve ser estar no Paraíso, na Presença do Senhor do universo, do Criador. Bom, eu na verdade tento imaginar, mas como é difícil! Só sei que tentar pensar nisso já faz muito bem.

A beleza que vemos na Terra é apenas um pálido, muito pálido, reflexo da Beleza Verdadeira. Já pensou nisso?

sábado, outubro 27, 2012

Comentários Eleison: Grave Decisão


"Comentários Eleison" por Mons. Williamson 
Número CCLXXVI (276) - 27 de outubro de 2012


GRAVE DECISÃO



Então, a exclusão da Fraternidade Sacerdotal São Pio X de um dos quatro bispos consagrados ao seu serviço pelo Arcebispo Lefebvre em 1988 é agora oficial. É uma decisão importante por parte dos chefes da FSSPX, não por quaisquer razões pessoais, mas por causa da remoção do que muitas pessoas tomaram como sendo o maior obstáculo dentro da FSSPX a qualquer falsa reconciliação entre a Tradição Católica e a Roma Conciliar. Agora que ele se foi, a Fraternidade pode mais facilmente continuar seu deslizamento para dentro do confortável liberalismo.

Se o problema fosse apenas a sua pessoa, poderia não haver sérias consequências. Ele tem 72 anos (e está “mais ou menos gagá”), com não muitos anos ativos à sua frente. Ele poderia ser seguramente ignorado, ou ainda desacreditado, se necessário, e deixado a vociferar e delirar em seu retiro isolado. Mas, se de fato a sua exclusão significa o repúdio àquela oposição a Roma que ele representava, então a FSSPX está em apuros, e, longe de resolver suas tensões internas por ter feito dele um exemplo, é responsável agora por ser atormentada com a dissensão silenciosa ou a contradição aberta.

Isso porque o Arcebispo Lefebvre fundou a FSSPX para resistir à destruição da Fé Católica pelo Concílio pelos seus 16 documentos, e à prática da Fé pela Missa Nova acima de tudo. Resistir ao Concílio está embutido na própria natureza da Fraternidade. Agora, desfazer a natureza de uma coisa é desfazer a coisa. Segue-se que com esta exclusão a FSSPX de Dom Lefebvre está bem no caminho de ser desfeita, e será substituída por algo bem diferente. Na verdade, essa transformação tem sido observável há muitos anos. A exclusão é apenas um golpe final.

Não que o arcebispo fosse fundamentalmente, ou apenas, contra o Concílio. Primeiramente ele era católico, um bispo católico, um verdadeiro pastor de almas, como fica claro em seus escritos de antes do Concílio. Mas, uma vez que o indescritível desastre para a Igreja ocorrera, ele logo viu que a tarefa mais urgente em defesa da Fé seria resistir à Revolução do Vaticano II, que foi tomando milhões e milhões de corações e mentes católicas. Por isso ele fundou, em 1970, a Fraternidade São Pio X, que iria usar exclusivamente o rito Tridentino da Missa. Por isso sua famosa Declaração de novembro de 1974, que foi como uma carta dos princípios católicos que inspiram a resistência da FSSPX. Apenas a conversão e reversão das autoridades da Igreja para a verdadeira Fé pode justificar o abandono desses princípios. E ocorreu essa conversão ou reversão? De maneira nenhuma. Muito pelo contrário.

E o futuro? Para preencher o vácuo deixado pelo abandono dos propósitos do Arcebispo, provavelmente o mainstream da FSSPX agora se apressará para os braços de Roma, especialmente se a consciência de Bento XVI o leva a terminar o “cisma” antes de morrer. A exclusão do bispo pode ou não pode ter sido uma condição pré-definida por Roma para um acordo Roma-FSSPX, mas, em qualquer caso, certamente favorece um acordo. Os padres da FSSPX que veem claramente podem recolher-se temporariamente e esperar pelas graves consequências daquilo que vem sendo plantado. Os leigos da FSSPX podem assistir a Missas da FSSPX por enquanto, mas devem estar atentos ao momento em que a transformação mencionada acima comece a ameaçar a sua fé. Quanto ao bispo excluído, qualquer doação a ele ou à sua causa deve esperar um pouco até que os arranjos necessários sejam feitos. Mas fiquem certos de uma coisa: ele não está pensando em se aposentar. 

Fiquem todos firmes. Estamos aqui num passeio “infernal”. Vamos apenas fazer com que seja um passeio para o Céu!


Kyrie eleison. 

sexta-feira, outubro 26, 2012

Carta Aberta de Dom Williamson a Dom Fellay (em português)



Londres, 19 de outubro de 2012.


Excelência:

Obrigado por sua carta de 4 de outubro em que o senhor me informou de parte sua, do Conselho Geral e do Capítulo Geral sua “constatação”, “declaração” e “decisão” de que já não sou membro da Fraternidade São Pio X. As razões que o senhor dá para sua decisão de expulsar seu servidor seriam: ele continuou a publicar seus “Comentários Eleison”; ele atacou as autoridades da Fraternidade; ele fez um apostolado independente; ele causou confusão entre os fiéis; ele apoiou os sacerdotes rebeldes; ele desobedeceu de maneira formal, obstinada e “pertinaz”; ele se separou da Fraternidade; ele não se submete a nenhuma autoridade.
Todas essas razões não se podem resumir em desobediência? Sem dúvida, no curso dos últimos 12 anos seu servidor teve palavras e ações que foram, diante de Deus, inadequadas e excessivas, mas creio que bastaria fossem assinaladas, em particular, para que nos escusássemos, segundo a verdade e a justiça. Mas, sem dúvida, estamos de acordo em que o problema essencial não se situa nos detalhes, que ele se resume em uma palavra: desobediência. Então, assinalemos antes de tudo quantas ordens mais ou menos desagradáveis do Superior Geral seu servidor obedeceu sem falta. Em 2003, ele deixou um apostolado importante nos Estados Unidos para ir para a Argentina. Em 2009, ele deixou o cargo de diretor do seminário e deixou a Argentina para mofar em um sótão em Londres, sem palavra nem ministério episcopal, porque estava proibido. Ele não tinha praticamente mais que o ministério dos “Comentários Eleison”, e a recusa a suspendê-los constitui a maior parte dessa “desobediência” pela qual é criticado. E desde 2009 os Superiores da Fraternidade se deram o direito de desacreditá-lo e injuriá-lo tanto quanto quisessem, e em todo o mundo incentivaram cada membro da Fraternidade que o quisesse a fazê-lo também. Seu servidor reagiu muito pouco, preferindo o silêncio a confrontos escandalosos. Poder-se-ia dizer até que ele se obstinou em não desobedecer. Mas passemos adiante, porque o verdadeiro problema não está aí.
Então, onde está o verdadeiro problema? Para responder, que se permita ao acusado olhar rapidamente para a história da Fraternidade de que querem separá-lo. Na verdade, o problema central vem de longe.

Catolicismo e liberalismo

A partir da Revolução Francesa no século XVIII, em muitos dos estados anteriormente cristãos se começou a estabelecer uma nova ordem mundial, concebida pelos inimigos da Igreja para expulsar Deus de sua criação. Começou-se por substituir o Antigo Regime, no qual o Trono apoiava o altar, pela separação entre Igreja e estado. Descobriu-se uma estrutura de sociedade que é radicalmente nova e difícil para a Igreja, porque o Estado, doravante ateu, terminará por opor-se com todas as suas forças à religião de Deus. Com efeito, os maçons desejam substituir o verdadeiro culto a Deus pelo culto à liberdade, do qual o estado neutro em matéria de religião não é senão um instrumento. Assim começa, nos tempos modernos, uma guerra implacável entre a religião de Deus, defendida pela Igreja Católica, e a nova religião do homem, liberta de Deus e liberal. Estas duas religiões são tão inconciliáveis como Deus e o demônio. É preciso escolher entre o catolicismo e o liberalismo.
Mas o homem não quer ter de escolher entre a lua e as estrelas. Quer ter a ambos. Na esteira da Revolução, encontramos Felicité de Lamennais, que inventou o catolicismo liberal, e a partir desse momento a conciliação do inconciliável se torna banal dentro da Igreja. Durante 120 anos, a misericórdia de Deus deu à Sua Igreja uma série de papas, de Gregório XVI a Pio XII, que em sua maioria viam com clareza e se mantiveram firmes, mas um número sempre crescente de fiéis se inclinou em direção à independência de Deus e aos prazeres materiais a que o catolicismo liberal facilita muito o acesso. Uma corrupção progressiva alcançou os bispos e os sacerdotes, e então Deus terminou por permitir-lhes escolher o tipo de papas que preferiam, ou seja, aqueles que parecem ser católicos mas na realidade são liberais, que falam à direita mas agem à esquerda, que se caracterizam então pela contradição, pela ambiguidade, pela dialética hegeliana e, em uma palavra, pela mentira. É a Neo-Igreja do Vaticano II.
Não poderia ser de outra maneira. Não é mais que sonho poder conciliar realidades que são inconciliáveis. Mas Deus – palavra de Santo Agostinho – não abandona as almas que não querem abandoná-Lo, e então Ele vem em auxílio do pequeno resto de almas católicas que estão cansadas da apostasia mole do Vaticano II. Ele suscita um arcebispo que resistirá à traição dos prelados conciliares. Respeitando a realidade, não buscando conciliar o inconciliável, negando-se a sonhar, este arcebispo fala com a clareza, a coerência e a verdade que faz as ovelhas reconhecer a voz do Mestre Divino. A Fraternidade Sacerdotal que ele funda para formar verdadeiros sacerdotes católicos começa em pequena escala, mas, rejeitando resolutamente os erros conciliares e seu fundamento no catolicismo liberal, atrai os verdadeiros católicos em todo o mundo e constitui a espinha dorsal de um movimento na Igreja que se chama Tradicionalismo.
Ora, esse movimento é insuportável para os homens da Neo-Igreja que querem substituir o catolicismo pelo catolicismo liberal. Ajudados pelos meios de comunicação e pelos governos, eles fizeram de tudo para desacreditar, desonrar e banir o arcebispo corajoso. Em 1976 Paulo VI o “suspendeu a divinis”, e em 1988 João Paulo II o “excomungou”. Este arcebispo exaspera sumamente os papas conciliares, porque sua voz realmente eficaz arruína seu pacote de mentiras e põe em perigo sua traição. E sob o golpe de sua perseguição, e até de sua “excomunhão”, ele mantém-se firme, e com ele muitos sacerdotes da Fraternidade.
Esta fidelidade à verdade obtém de Deus 12 anos de paz interior e prosperidade exterior para a Fraternidade. Em 1991, o grande arcebispo morreu, mas ainda por nove anos sua obra continua na fidelidade aos princípios antiliberais em que ele a construiu. Então, o que farão os romanos conciliares para superar essa resistência? Vão trocar a vara pela cenoura.
  
Desde 2000, a Fraternidade mudou de direção.

Em 2000, uma grande peregrinação da Fraternidade pelo Ano do Jubileu mostra nas basílicas e nas ruas de Roma a piedade e o poder da Fraternidade. Os romanos se impressionam a contragosto. Um cardeal convida os bispos para um café da manhã suntuoso em sua casa, convite aceito por três deles. Imediatamente após este café da manhã aparentemente fraternal, os contatos entre Roma e a Fraternidade, que desde havia 12 anos se haviam esfriado muito, foram retomados, e com eles começa a poderosa sedução pelos botões escarlates e pelos pisos de mármore.
Os contatos se reaquecem tão rapidamente, que já no final do ano muitos sacerdotes e fiéis da Tradição temem uma conciliação entre a Tradição católica e o Concílio liberal. Esta conciliação não tem êxito por ora, mas a linguagem do Quartel-General da Fraternidade em Menzingen começa a mudar, e nos 12 anos vindouros se mostrará cada vez menos hostil a Roma e cada vez mais acolhedora para com as autoridades da Igreja conciliar, para com os meios de comunicação e seu mundo. E, à medida que a reconciliação do inconciliável se prepara na cabeça da Fraternidade, em seu corpo de sacerdotes e leigos a atitude se torna pouco a pouco mais benigna com relação aos papas e à Igreja conciliares, a tudo o que é mundano e liberal. Afinal de contas, o mundo moderno que nos rodeia é tão ruim quanto estão tentando fazer-nos acreditar?
Este avanço do liberalismo no seio da Fraternidade, percebido por uma minoria de sacerdotes e fiéis, mas aparentemente imperceptível para a grande maioria, tornou-se perceptível para muitos na primavera deste ano, quando, após o fracasso das discussões doutrinais na primavera de 2011, a política católica de “não ao acordo prático sem acordo doutrinal” se converteu, do dia para a noite, na política liberal de “não ao acordo doutrinal, mas sim a um acordo prático”. E, em meados de abril, o Superior Geral ofereceu a Roma como base de um acordo prático um texto ambíguo, abertamente favorável a esta “hermenêutica da continuidade” que é a receita bem-amada de Bento XVI para conciliar precisamente o Concílio com a Tradição! “É necessário um novo pensamento”, dirá o Superior Geral em meados de maio aos sacerdotes do distrito da Fraternidade da Áustria. Em outras palavras, o chefe da Fraternidade fundada em 1970 para resistir às novidades do Concílio propõe que ela se concilie com o Concílio. Hoje ela é conciliadora. Amanhã há de ser totalmente conciliar!
Quase não se pode acreditar que a fundação de Monsenhor Lefebvre tenha sido conduzida a pôr entre parênteses os princípios sobre os quais ele a fundou, mas eis o poder de sedução das fantasias do nosso mundo sem Deus, modernista e liberal. No entanto, a realidade não deixa dobrar-se pelas fantasias, e é parte da realidade que não se podem desfazer os princípios de um fundador sem desfazer a sua fundação. Um fundador tem as graças especiais que nenhum de seus sucessores tem. Como exclamava o Padre Pio enquanto os Superiores de sua Congregação se punham a “renová-la” segundo o novo pensamento do Concílio, que acabava de terminar: “O que vocês estão fazendo do fundador?” O Superior Geral, o Conselho Geral e o Capítulo Geral da Fraternidade São Pio X quiseram manter como mascote a Monsenhor Lefebvre, mas eles têm o novo pensamento de deixar de lado as graves razões pelas quais ele fundou a Fraternidade. Eles a levam, pois, à ruína por uma traição ao menos objetiva, de todo paralela à do Concílio Vaticano II.
Mas sejamos justos e não exageremos. Desde o início deste lento declínio da Fraternidade, sempre houve sacerdotes e fiéis que viram claramente e fizeram o que puderam para resistir. Na primavera deste ano, esta resistência tomou alguma consistência e amplitude, de modo que o Capítulo Geral de julho pôs ao menos um obstáculo no mau caminho do ralliement. Mas será que esse obstáculo se sustentará? Pode-se temer que não. Diante de cerca de 40 sacerdotes da Fraternidade Sacerdotal reunidos em retiro em Écône em setembro, o Superior Geral, referindo-se à política romana, confessou: “Eu me enganei”. De quem é a culpa? “Os romanos me enganaram.” Igualmente, disso resultou “uma grande desconfiança na Fraternidade”, disse ele, que deve ser “superada com atos e não somente com palavras”. Mas de quem é a culpa? Até agora, desde setembro suas ações, incluindo essa carta de 4 de outubro, indicam que ele se volta contra os sacerdotes e leigos que não puderam manter a confiança nele, seu chefe. Depois do Capítulo, como antes, parece que ele não suporta nenhuma oposição à sua política conciliadora e conciliar.

A TRADIÇÃO CATÓLICA E O VATICANO II SÃO INCONCILIÁVEIS.

E aqui está a razão pela qual o Superior Geral deu várias vezes a ordem formal de encerrar os “Comentários Eleison”. Na verdade, estes “comentários” criticaram repetidamente a política de conciliação com Roma por autoridades da Fraternidade, e por isso as atacaram implicitamente. Ora, se nessa crítica e nesses ataques houve falta de respeito ao seu ofício ou a suas pessoas, peço de bom grado perdão a quem de direito, mas acho que basta percorrer os referidos números dos “Comentários” para ver que a crítica e os ataques permaneceram geralmente impessoais, porque visavam a muito mais que simples pessoas.
Quanto ao grande problema, que vai muito além das pessoas, consideremos a confusão que reina atualmente na Igreja e no mundo e que põe em perigo a salvação eterna de incontáveis almas. Não é dever de um bispo identificar as verdadeiras raízes dessa confusão e denunciá-las publicamente? Quantos bispos em todo o mundo viam tão claro como Monsenhor Lefebvre via, e dão o ensinamento correspondente a esta clareza? Quantos deles ainda ensinam a doutrina católica, tal qual é? Não são muito poucos? Assim, é este o momento de tentar silenciar um bispo que o faz, como o prova a quantidade de almas que recebem os “Comentários” como a uma tábua de salvação? E como, em particular, outro bispo pode querer encerrá-los, ele, que admitiu diante de seus sacerdotes que quanto às mesmas grandes questões se deixara enganar, e isso por muitos anos?
Igualmente, se o bispo refratário com efeito se permitiu – pela primeira vez em quase quatro anos – fazer um apostolado independente, como podem censurá-lo por ter aceitado um convite, independente da Fraternidade, para dar a Crisma e para pregar a palavra da verdade? Não é este o papel de um bispo? Sua palavra no Brasil não foi de “confusão” senão para aqueles seguem o erro reconhecido e mais acima referido.
E, se ele parece após tantos anos separar-se da Fraternidade, separa-se, sim, mas apenas da Fraternidade conciliadora e não da fundada pelo Monsenhor Lefebvre. E, se parece mostrar-se insubmisso a todo exercício de autoridade por parte dos líderes da Fraternidade, sim, igualmente, mas apenas às ordens que vão de encontro aos objetivos com os quais foi fundada. De fato, com respeito a que outras ordens além da de encerrar os “Comentários” pode afirmar-se que ele foi culpado de desobediência “formal, obstinada e pertinaz”? Há alguma outra? A desobediência de Monsenhor Lefebvre, não tendo sido senão aos atos de autoridade dos chefes da Igreja que eram de natureza a destruir a Igreja, era mais aparente que real. Do mesmo modo, a “desobediência” daquele que não quis encerrar os “Comentários” é mais aparente que real.
Pois a história se repete, e o diabo sempre volta à carga. Assim como ontem o Concílio quis conciliar a Igreja Católica com o mundo moderno, assim também parece que hoje Bento XVI e o Superior Geral querem, ambos, conciliar a Tradição católica com o Concílio; e assim amanhã, se Deus não intervier entre hoje e então, os líderes da Resistência católica buscarão reconciliá-la com a Tradição doravante conciliar.

MONSENHOR FELLAY É QUEM DEVE RENUNCIAR!

Em suma, Senhor Superior Geral, o senhor pode agora proceder à minha expulsão, porque meus argumentos certamente não o persuadirão, mas esta expulsão será mais aparente que real. Eu sou membro da Fraternidade de Monsenhor Lefebvre por um compromisso perpétuo. Eu sou um dos seus sacerdotes há 36 anos. Eu sou um dos seus bispos, como o senhor, há quase um quarto de século. Isso não pode ser riscado com uma penada, e, portanto, membro da Fraternidade permaneço.
Tivesse o senhor permanecido fiel à sua herança, e tivesse sido eu mesmo notadamente infiel, eu reconheceria de bom grado o seu direito de expulsar-me. Sendo porém as coisas como são, espero não faltar com o respeito ao seu ofício se sugerir que, pela glória de Deus, pela salvação das almas, pela paz interior da Fraternidade, e por sua própria salvação eterna, melhor faria o senhor se renunciasse ao cargo de Superior Geral em vez de me expulsar a mim. Que Deus lhe dê a graça, a luz e as forças necessárias para cumprir tal insigne ato de humildade e de devotamento ao bem comum de todos.
Assim, como tão frequentemente terminei as cartas que lhe dirijo há anos,

Dominus tecum.

+ Richard Williamson.

quinta-feira, outubro 25, 2012

O que é o liberalismo?

Por Pe. Peter Scott
Traduzido por Andrea Patrícia



A dificuldade em definir o liberalismo encontra-se em suas idéias se desenvolvendo continuamente e sempre mudando, sempre se transformando em novas formas, mais ou menos radicais. Muitas vezes, é muito difícil se apoderar dele, penetrando como ele faz em diversos graus, mais ou menos bem camuflado, em todos os aspectos do pensamento e da atividade humana.

No entanto, os princípios do liberalismo são muito claros, e uma vez que são compreendidos a perversão intelectual e moral dessa maneira de pensar e de agir pode ser vista claramente.

Pe. Roussel, no seu excelente trabalho Liberalism & Catholicism [Liberalismo e Catolicismo]
, define o liberal desta forma: "O liberal é um fanático pela independência, e proclama isso em todos os domínios, até o absurdo" (p.6). Por conseguinte, não consiste em qualquer doutrina particular, mas em uma maneira de pensar. O liberalismo é uma doença da mente, uma orientação em vez de uma escola, uma perversão do sentimento baseado no orgulho, ou um estado de espírito ao invés de uma seita. O liberalismo aparece então como "uma afeição desordenada do homem por sua liberdade independente, que lhe faz abominar qualquer limite, obrigação, jugo ou disciplina da lei ou da autoridade" (Ibid. p.8).

O outro autor cuja excelente exposição do liberalismo é muito recomendado é o Padre Sarda y Salvany, em
What Is Liberalism? [O Que é Liberalismo?] Ele descreve desta forma os princípios radicais que são a base de sua propaganda:

1. A soberania absoluta do indivíduo em sua inteira independência de Deus e da autoridade de Deus.
2. A soberania absoluta da sociedade em toda a sua independência de tudo o que não procede de si mesma.
3. Soberania civil absoluta no direito implícito do povo de fazer suas próprias leis em toda a independência e desprezo de qualquer outro critério do que a vontade popular expressa nas urnas e em maiorias parlamentares.
4. A liberdade absoluta de pensamento na política, moral, ou na religião. A liberdade irrestrita da imprensa (pp.18, 19).

É, consequentemente, a colocação do indivíduo, da sociedade, das pessoas ou da liberdade como absolutos em si mesmos, acima e além de Deus Todo-Poderoso. Pode-se perguntar como é que os católicos, que de nossa natureza professam submissão a Deus através de nossa santa religião, poderiam cair em tal armadilha. A resposta é o nosso desejo natural de independência, por conta de que o liberalismo está de acordo com nossa natureza humana depravada decaída, e nossa tendência natural a seguir a recusa rebelde de Lúcifer para servir. Conseqüentemente, estamos sempre inventando maneiras de comprometer os absolutos da nossa Fé com o espírito do mundo, inteiramente penetrado pelo liberalismo. Assim, o desenvolvimento do liberalismo "católico" ao longo dos Séculos XIX e XX, que o Arcebispo Lefebvre não hesita em estigmatizar como "a grande traição". Para uma compreensão de como estes princípios liberais passaram a ser aceitos pelo Concílio Vaticano II, produzindo a novidade da liberdade religiosa, a revolucionária idéia de que todas as religiões devem ser igualmente livres contanto que elas não interfiram com a liberdade dos outros, que é nada menos do que a negação do Reinado Social de Cristo, remeto para a exposição magnífica do Arcebispo Lefebvre em
They Have Uncrowned Him [Eles Tiraram Sua Coroa].

Permitam-me resumir, citando a magnífica encíclica do Papa Leão XIII, de 1888, Libertas Praestantissimum, na qual ele descreve e condena os vários tipos e graus de liberalismo, a partir do liberalismo radical daqueles que recusam a fé católica e a Igreja Católica até o liberalismo moderado daqueles que promovem a separação entre Igreja e Estado, ou afirmam que a Igreja deve adaptar-se a modernos sistemas de governo:

Negar a existência dessa autoridade em Deus, ou a recusar entregar a ele, significa agir, não como um homem livre, mas como alguém que abusa de sua liberdade de modo traiçoeiro, o vício mortal e principal do liberalismo consiste essencialmente em tal disposição de espírito. A forma, no entanto, desse pecado é múltipla: das várias  maneiras que alguém possa se afastar da obediência que é devida a Deus ou àqueles que compartilham o poder divino (§ 36).


Original aqui.




terça-feira, outubro 23, 2012

Rezar o Rosário? Todinho?




“Seu dia não terminou se você não rezou o Rosário”, disse Padre Jahir no seu maravilhoso sermão  sobre o Santo Rosário. Ouça!
Você sabia que existe uma promessa para quem reza o Rosário completo (os Quinze Mistérios) todos os dias? Sim, a promessa é que se a pessoa rezar todo o Rosário diariamente e ao morrer for para o Purgatório, sairá de lá no mesmo dia! Quer saber mais? Então ouça o sermão do Padre Jahir.

Nossa Senhora do Rosário, rogai por nós!

quinta-feira, outubro 18, 2012

Igreja Fortaleza?

Ativada por Neo-Católicos e outros idiotas úteis, o Estado Moderno abrirá o seu caminho
Por Christopher Ferrara
Traduzido por Andrea Patrícia




"O forte é traído até mesmo
por aqueles que deveriam defendê-lo"
                             
(Bispo John Fisher)

Dez anos atrás, em The Great Façade [A Grande Fachada] o meu co-autor e eu exploramos a inconsistência curiosa dos comentadores neo-Católicos que defendem as desastrosas novidades litúrgicas e pastorais dos últimos quarenta anos, como se fossem pronunciamentos dogmáticos, enquanto alegremente rebaixam o solene ensinamento dos grandes Papas percebidos como estando em desacordo com a "atualização" da Igreja no Concílio Vaticano II. [Um exemplo] típico dessas pessoas é Alan Schreck, um professor de teologia na Universidade Franciscana de Steubenville. Ao discutir o Syllabus de Erros do Bem-aventurado Pio IX, uma condenação verdadeiramente profética dos falsos princípios de liberdade moderna e das relações Igreja-Estado que nos afligem hoje em dia, Schreck escreveu: "Infelizmente, o Syllabus condenou a maioria das novas ideias da atualidade e deu a impressão de que a Igreja Católica era contra tudo no mundo moderno... A Igreja Católica parecia que estava se tornando uma Igreja fortaleza, de pé, em oposição ao mundo moderno e rejeitando todas as ideias novas." (Schreck, Compact History of the Catholic Church [História Compacta da Igreja Católica], p. 95).

O lema principal do pensamento neo-Católico é que a Igreja antes do Concílio era uma "fortaleza" murada alheia aos bens do "mundo moderno", seus adeptos tímidos se escondendo atrás das muralhas de fórmulas rígidas e disciplina sem alma. A essência da mente neo-Católica é a sua certeza presunçosa de que a grande "abertura ao mundo" conciliar foi um tônico muito atrasado para a Igreja fortaleza, e que os tradicionalistas são uns coitados equivalentes Católicos dos Amish, cegamente se agarrando a suas maneiras ultrapassadas numa Igreja que tem ido ao encontro do mundo e das outras religiões, no espírito de diálogo e ecumenismo.

Mas os nossos irmãos neo-Católicos não conseguiram perceber um grande paradoxo nesse desenvolvimento, assim como eles não conseguiram perceber a magnitude do desastre que resultou do que eles mesmos admitem que - com satisfação - foi "uma série de reformas e mudanças que dificilmente deixaram um único Católico afetado, e que, em muitos aspectos, mudaram a imagem externa da Igreja" (Likoudis e Whitehead, The Pope, the Council, and the Mass [O Papa, o Concílio, e a Missa], p 11). O paradoxo é aparente na forma como a hierarquia Católica americana abordou o diktat da administração Obama de que as organizações Católicas devem fornecer pílulas de aborto, contracepção e esterilização como parte do seguro de saúde obrigatório do "Obamacare".

A princípio, os hierarcas americanos mostraram sinais promissores de estarem dispostos a levar a desobediência civil ao diktat em todo o país: "Nós não podemos - nós não - dar cumprimento a presente lei injusta. Pessoas de fé não podem ser feitas cidadãs de segunda classe", declarou o Cardeal George em uma carta aos fiéis ecoada por outros arcebispos cardeais.

Agora, a única coisa que as forças da liberdade mais temem é a desobediência civil por um gigante Católico adormecido despertado finalmente do sono Liberdade induzida durante o qual ele fez pouco ou nada, enquanto mais de 50 milhões de crianças não nascidas foram condenadas à morte somente neste país. E assim, a administração Obama rapidamente criava um "compromisso" em que as organizações Católicas estariam isentas do mandato contraceptivo, mas a seguradora estaria obrigada a fornecer os imorais "serviços médicos" em questão "gratuitamente" a qualquer empregado que o solicitar. Isto significará, é claro, que a cobertura contestada será efetivamente fornecida por organizações Católicas à sua custa, enquanto o custo administrativo dos serviços “gratuitos” será simplesmente passado juntamente com o prêmio global da tal política.

Esse truque contábil foi aparentemente suficiente para acabar com a ameaça de desobediência civil. O arcebispo Dolan, por exemplo, agora diz que o compromisso falso "continua a envolver a intrusão desnecessária do governo na governança interna das instituições religiosas, e ameaça pessoas e grupos religiosos a violar as suas convicções mais arraigadas, coagidas pelo governo" e "não atende nosso padrão de respeitar a liberdade religiosa e as convicções morais de todas as partes...". Conforme relatado pela Fox News, Dolan perguntou: "Será que o governo federal tem o direito de dizer a um indivíduo religioso ou uma entidade religiosa como definir a si mesmo? Isso é o que nos arrepia”.

Mas em vez de recusar a cumprir o mandato contraceptivo conforme alterado, Dolan agora promete apenas que a hierarquia vai fazer "esforços" para "corrigir este problema através dos outros dois ramos do governo [isto é, Congresso e o Judiciário]. Por exemplo, nós renovamos o nosso apelo ao Congresso para passar, e a Administração a assinar, a lei do respeito à Consciência." O ato proposto é nada mais do que um remendo legislativo para o buraco que sempre esteve presente no regime norte-americano de "liberdade religiosa": que os Católicos estão sujeitos como qualquer outro cidadão a "leis neutras de aplicação geral", como o "ultra-conservador" Justice Scalia anunciou na Divisão de Emprego X Smith. Essa sujeição dos crentes a leis neutras geralmente aplicáveis ​​que podem contradizer suas crenças, escreveu Scalia em Cidade de Boerne X Flores, está "de acordo com a filosofia de fundo político da época (associada com maior destaque com John Locke), que considerava a liberdade como o direito "de fazer apenas o que não estava legalmente proibido"... "

Então, agora há falas de bispos apenas sobre novas leis e "desafios legais" para proteger a "liberdade religiosa", mas nenhuma fala sobre qualquer confronto direto com o governo ou os políticos sobre uma lei imoral. O regime geral da contracepção e do aborto iniciado com Griswold X Connecticut e Roe X Wade é aceito como um dado político de que a Igreja não tem poder temporal, nem mesmo poder temporal indireto, para alterar. E é aí que reside o paradoxo: Dolan e seus colegas prelados não contestam o fato de que a contracepção, as pílulas de aborto e esterilização são legais nos Estados Unidos e no resto do "mundo moderno" com o qual a Igreja supostamente entrou corajosamente em diálogo, desde o Concílio. Eles não dizem, como até mesmo Martin Luther King fez de sua cela em Birmingham, que uma lei imoral não é lei de forma alguma e que os Católicos não devem apenas se recusar a obedecer, mas devem resistir ativamente a implementação de qualquer lei que atinja a santidade da vida humana. Eles não excomungam pelo nome, ou mesmo recusam a Sagrada Comunhão, aos políticos Católicos que legislam a cultura da morte.

Ao contrário, eles apenas protestam que o mandato contraceptivo representa "intromissão do governo na gestão interna das instituições religiosas..." e viola "o padrão do nosso respeito pela liberdade religiosa", como arcebispo Dolan colocou. Ou seja, eles defendem o conceito de uma igreja fortaleza, em que os Católicos devem ter permissão para esconder o mal reinante enquanto o resto do mundo vai para o inferno sem nenhuma oposição real daquela que costumava ser conhecida como a Igreja militante.

Ironia das ironias, o engajamento incessantemente alardeado da Igreja com a modernidade desde o Vaticano II está parecendo mais e mais como um refúgio covarde. É um refúgio em que se passa por uma fortaleza no meio de um campo de batalha em que o adversário está envolvido em operações finais de limpeza de zona de guerra, enquanto prelados Católicos reclamam do governo penetrando por pequenas brechas e violando o "direito...de definir a si mesmo..."

Antes do Concílio a chamada Igreja fortaleza não tinha medo de enfrentar o mundo com condenações ferozes e intransigentes dos erros da política moderna como vemos com o Syllabus Errorum, que provoca gritos de indignação e vaias de escárnio dos inimigos da Igreja em nossa era secular, e agora é visto com vergonha por prelados pós-conciliares e Católicos neo-sábios. Na verdade, a própria finalidade do Syllabus de Pio IX foi isolar e extirpar, como se fossem pragas de bacilos, os falsos princípios que estavam levando a nossa civilização ao que o Papa Leão XIII, ao defender Pio e o Primeiro Concílio do Vaticano contra seus críticos mundanos, chamou de "desastre final".

Naquela encíclica de Leão (Inscrutabili Dei Consilio), o Papa se referiu precisamente a uma "praga" que está sendo disseminada por aqueles que "fazem semblante de ser campeões do país, da liberdade, e de cada espécie de direito..." Como é que os campeões agora incluem os neo-Católicos e muitos membros da hierarquia Católica?

Nem estava a chamada Igreja fortaleza de Idade das Trevas pré-conciliares de forma alguma com medo de enfrentar o mundo com a verdade do fato da sua instituição divina implícita: a de que, como Pio XI declarou menos de quarenta anos antes do acidente de trem do Vaticano II, os "ideais e as doutrinas de Cristo... foram confiados por Ele para a Sua Igreja e a ela apenas para a guarda", que "a ela somente tem sido dado por Deus, o mandato e o direito de ensinar com autoridade", e que "só ela possui, em qualquer sentido completo e verdadeiro o poder efetivo para combater essa filosofia materialista, que já causou e, ainda ameaça causar, dano tremendo ao lar e ao Estado”.

O neo-Católico rejeita esse ensinamento como "triunfalismo", quando na verdade é um ditame da razão obrigado pela própria divindade do Fundador da Igreja.

O Cardeal George, pelo menos, colocou o dedo no problema, quando escreveu em sua carta aos fiéis que o diktat de Obama "reduz a Igreja a um clube privado, destruindo a sua missão pública na sociedade." A redução das igrejas a clubes privados é a própria finalidade do liberalismo lockeano com a sua Lei de Tolerância e seu monismo de poder na "política de um corpo sob um governo Supremo" de Locke. Mas a verdade é que nenhum poder terreno pode reduzir a Igreja a um clube privado, a menos que os líderes da Igreja consintam com o arranjo. O consentimento para colocar as algemas forjadas para a Igreja pela modernidade política e ir dormir é o resultado real da conciliar "abertura para o mundo." O gigante adormecido que é a Igreja Católica de hoje poderia ter parado a legalização do aborto desde o início se a hierarquia tivesse despertado para estimular os leigos, em um movimento de resistência em massa como o que produziu o Civil Rights Act de 1964. Nenhum governo, nenhum partido político, poderia suportar a força social de milhões de Católicos no movimento contra o mal - se apenas os seus líderes os conduzissem.

Em suma, a "Igreja fortaleza" da mitologia neo-Católica foi uma Igreja que realmente engajou o mundo de uma forma que o desafiava com o testemunho do Evangelho, uma fortaleza construída por Deus para repelir os ataques do erro efêmero e servir como uma inexpugnável cidadela para o lançamento de uma grande missão de converter o mundo ao invés de serem convertidos por ele. Mas essa fortaleza foi abandonada por uma construída pelo homem - uma coisa totalmente da mente - cujos ocupantes exigem apenas o "direito de serem ouvidos" e comercializam seu projeto religioso nos modernos Areópago e Ágora do capitalismo democrático. Os clérigos pós-conciliares, seus capacitadores neo-Católicos, e jovens e impetuosos "libertários" Católicos da variedade austríaca, são agora como um defendendo muito erros, acima de tudo a liberdade da separação entre a Igreja e o Estado e a ilimitada liberdade de opinião – que o Syllabus condenou como ameaça para a Igreja e para a sobrevivência de uma civilização que foi uma vez cristã. Exigindo "liberdade religiosa" dos mesmos poderes que idealizam subordinar a Igreja Católica, continuam a confirmar a sua própria prisão.

Original aqui.

terça-feira, outubro 16, 2012

Viver como zumbis?



Todos no pecado, todos chafurdando na lama. Senhor por que eles não ouvem a Vossa voz? Por que eles não aceitam Sua Santa Esposa, a Igreja?
Como eles conseguem viver sem buscar a Santa Comunhão? Como eles conseguem viver assim, tão distantes de Vós, meu Deus?
Eu nem consigo lembrar direito de como eu vivia antes de me voltar para Vós. Eu vivia? Não eu estava morta, era um zumbi. O Senhor me trouxe de volta à vida. Tremo somente ao pensar onde estaria se o Senhor não me resgatasse do lodo, se a Virgem Santa não tivesse rogado por mim. Sim, porque eu creio que ela me protege.
Como eles conseguem viver como zumbis? Isso não é vida.

sábado, outubro 13, 2012

Comentários Eleison: Elmer Gantry


“Comentários Eleison” por Mons. Williamson –

Número CCLXXIV (274) - 13 de outubro de 2012



Tradução: Mosteiro da Santa Cruz

Elmer Gantry
No sistema de entretenimento nos assentos de um voo de longa distância, eu encontrei recentemente, listado como um “clássico”, um filme do qual consegui lembrar de ter visto há 50 anos - a versão feita em 1960 do romance de Sinclair Lewis, Elmer Gantry. Lembrei-me do filme porque duas observações do diálogo ficaram comigo desde então. Uma delas é de um homem velho comparando conversão religiosa com ficar bêbado. A outra é de uma jovem mulher implorando para ser enganada. Eu assisti ao filme de novo...
Elmer Gantry é um trapaceiro americano dos anos 20 que se apaixona por uma pregadora revivalista, Irmã Falconer, enquanto ela está conduzindo uma cruzada pelo país para conversões, em uma grande tenda de viagem. Sem qualquer religião real, o filme é um pouco confuso, mas retrata tanto a necessidade genuína que as almas têm de alguma religião, quanto a falsidade da “religião” fundamentalista protestante. A necessidade real e a satisfação falsa são enfatizadas juntas quando Elmer faz perguntas para um velho que está limpando a tenda: “Senhor”, ele responde, inclinando-se em sua vassoura, “Eu fui convertido cinco vezes. Por Billy Sunday, pelo reverendo Biederwolf, por Gypsy Smith e duas vezes pela Irmã Falconer. Eu fico terrivelmente bêbado, e então fico bom e salvo. Ambos têm-me feito um bem enorme: embebedar-me e me salvar”.
É claro que a observação tem seu lado cômico, mas é trágico quando se pensa em todas as pessoas para quem se tornou uma espécie de senso comum colocar a conversão religiosa no mesmo nível que a bebida. Isso é sobrevivalismo substituindo o revivalismo, bem no caminho para a religião ser totalmente ridicularizada. Quantas almas devem existir para quem o Santo Nome de “Jesus” foi praticamente queimado por sua associação com o emocionalismo de pregadores fundamentalistas! Leiam “Wise Blood” e outras histórias de Flannery O'Connor (1925-1964), uma escritora católica que choca, mas sem ser confusa, e que retrata o quanto o instinto religioso do homem pode ser desfigurado pelo protestantismo do extremo Sul da América. Deus pode fazer rosas crescerem para fora de um esgoto, mas a heresia faz um dano terrível!
A segunda observação de que me lembrei do filme surge em um contexto particular, mas a sua aplicação potencial é muito maior. Ao perseguir a irmã Falconer, Elmer chega por acaso a uma mulher que ele maltratou e abandonou anos antes. Quando essa mulher descobre seu caso com a Irmã, ela quer vingança, mas mesmo enquanto monta uma armadilha sedutora para Elmer, a fim de desacreditá-lo totalmente na mídia, ela não pode deixar de querer que ele diga que a ama. Ela diz: “Diga-me uma mentira, boa e forte, eu posso acreditar, mas abrace-me.” Amando-o ainda como ela ama, tudo que ela quer é ser enganada.
Esse é o mundo que nos rodeia. Tudo o que se pede é ser enganado. É por isso que nós estamos vivendo em um mundo de mentiras de Satanás. Nós não queremos Deus. Agora, a vida sem Ele não pode funcionar - veja Sl. 126, v.1, e apenas olhe ao seu redor - mas nós queremos desesperadamente acreditar que a vida funciona melhor que tudo sem Ele. Na verdade nós dizemos aos nossos líderes, “Nós te elegemos para nos dizer boas e fortes mentiras e nos manter firme em nossa impiedade. Por favor, faça um 11 de setembro, um 7 de julho (o 11 de setembro do Reino Unido), ou qualquer coisa que você quiser, contanto que nós possamos continuar a acreditar em você como um substituto de Deus para cuidar de nós. Quanto maior a mentira, mais iremos acreditar, mas você deve nos segurar firme. Aperte a nossa política estatal, tanto quanto você quiser, mas você deve deixar Deus de fora.”

É de admirar termos o mundo satânico que temos?

Kyrie eleison.

sexta-feira, outubro 12, 2012

Nossa Senhora Aparecida, livrai-nos desses males



Nossa Senhora Aparecida, livrai-nos da maldição do aborto, da maldição do gayzismo, da maldição do comunismo, da maldição da maçonaria, da maldição do liberalismo.

Esse Brasil tão cheio de problemas, desde o início nas garras dos ímpios, joguete nas mãos de quem odeia a Igreja. Que Brasil é esse, cheio de ímpios, idólatras, liberais, gente que pisa na cruz de Nosso Senhor? Que país é esse?

Rogai por todos os brasileiros, Mãe do Céu, rogai, imploro!

Viva Nossa Senhora Aparecida!

quinta-feira, outubro 11, 2012

Maçonaria e as Instruções da Alta Vendita

Por John Vennari*
Traduzido por Andrea Patrícia



Essa palestra será uma breve exposição sobre o documento maçônico do Século XIX “The Permanent Instruction of the Alta Vendita” ["Instrução Permanente da Alta Vendita"], que traçou um plano, um plano que vai nos ajudar a entender o que é a "desorientação diabólica da hierarquia superior" da qual a Irmã Lúcia falou. A Instrução Permanente da Alta Vendita, creio, explica a raiz da desorientação diabólica.

O Alta Vendita foi a maior loja da Carbonari (a), uma sociedade secreta italiana ligada à Maçonaria e que, juntamente com a Maçonaria, foi condenada pela Igreja Católica.[1] O Padre E. Cahill, SJ, em seu livro Freemasonry and the Anti-Christian Movement [A Maçonaria e o Movimento Anti-Cristão] afirma que a Alta Vendita foi "comumente suposta como tendo sido na época o centro governante da Maçonaria Europeia" [2]. Os Carbonari foram mais ativos na Itália e França.

Em seu livro Athanasius and the Church of Our Time [Atanásio e da Igreja do Nosso Tempo], o Bispo Rudolph Graber citou um Maçom que declarou que "o objetivo (da Maçonaria) já não é a destruição da Igreja, mas utilizá-la infiltrando-a." [3]

Em outras palavras, uma vez que a Maçonaria não pode apagar completamente a Igreja de Cristo, ela planeja não só erradicar a influência do Catolicismo na sociedade, mas usar a estrutura da Igreja como um instrumento de "renovação", "progresso" e "iluminação" - como meio de promover muitos dos seus princípios e objetivos próprios.

Um Esboço

A estratégia preconizada na Instrução Permanente da Alta Vendita é surpreendente em sua audácia e astúcia. Desde o início, o documento fala de um processo que levará décadas para ter sucesso. Aqueles que elaboraram o documento sabiam que não veriam o seu cumprimento. Eles estavam inaugurando uma obra que seria realizada por sucessivas gerações de iniciados. A Instrução Permanente diz: "Em nossas fileiras o soldado morre e a luta continua."

A Instrução convoca à difusão das idéias e axiomas liberais por toda a sociedade e nas instituições da Igreja Católica para que leigos, seminaristas, sacerdotes e prelados, ao longo dos anos, gradualmente, sejam imbuídos de princípios progressistas.

Com o tempo, essa mentalidade seria tão penetrante que padres seriam ordenados, bispos seriam consagrados, e Cardeais seriam nomeados, cujo pensamento estaria em sintonia com o pensamento moderno enraizado nos "princípios de 1789" (o pluralismo, a igualdade das religiões, a separação entre Igreja e Estado, etc.).

Eventualmente, um Papa seria eleito a partir destas fileiras, o que levaria a Igreja para o caminho da "iluminação e renovação". Deve ser enfatizado que não era seu objetivo colocar um Maçom na Cátedra de Pedro. Seu objetivo era efetuar um ambiente que acabaria por produzir um Papa e uma hierarquia conquistados pelas idéias do Catolicismo liberal, todos eles crendo que seriam fiéis Católicos.

Esses líderes Católicos, então, deixariam de se opor às ideias modernas da revolução (como tinha sido prática corrente dos Papas de 1789 até 1958 que condenaram estes princípios liberais), e iriam misturá-las à Igreja. O resultado final seria um clero e leigos Católicos marchando sob o estandarte do iluminismo, o tempo todo pensando que eles estariam marchando sob a bandeira das chaves apostólicas.

É possível?

Para aqueles que acreditam que este esquema é muito rebuscado, uma meta demasiado impossível para o inimigo atingir, deve-se notar que tanto o Papa Pio IX quanto Leão XIII pediram que a Instrução Permanente fosse publicada, sem dúvida, a fim de evitar que tal tragédia ocorresse. Estes grandes Pontífices sabiam que tal calamidade não era impossível.

No entanto, se tal estado de coisas obscuras viesse a acontecer, haveria três meios inconfundíveis de reconhecê-la:

1) Ela iria produzir uma revolução de tal magnitude que o mundo inteiro iria perceber que a Igreja Católica sofreu uma grande revolução alinhada com as idéias modernas. Seria claro para todos que uma "atualização" teria ocorrido.
2) Seria introduzida uma nova teologia que estaria em contradição com os ensinamentos anteriores.
3) Os Maçons alardeariam seu cacarejar de triunfo acreditando que a Igreja Católica tinha finalmente "visto a luz" em pontos como o pluralismo, o Estado laico, a igualdade das religiões, e quaisquer outros compromissos que tivessem sido alcançados.

A Autenticidade dos Documentos da Alta Vendita

Os papéis secretos da Alta Vendita, a maior loja da Carbonari, que caiu nas mãos do Papa Gregório XVI abarca um período que vai de 1820-1846. Eles foram publicados a pedido do Beato Papa Pio IX por Cretineau-Joly em sua obra The Roman Church and Revolution [A Igreja Romana e Revolução].[4]

Com a ordem de aprovação de 25 fevereiro de 1861, dirigida ao autor, o Papa Pio IX garantiu a autenticidade desses documentos, mas ele não permitiu que ninguém divulgasse os verdadeiros membros da Alta Vendita implicados nesta correspondência.

O texto completo da Instrução Permanente da Alta Vendita também está contido no livro do Mons. George E. Dillon, Grand Orient Freemasonry Unmasked [Maçonaria do Grande Oriente Desmascarada]. Quando o Papa Leão XIII foi presenteado com um exemplar do livro do Mons. Dillon, ele ficou tão impressionado que ordenou uma versão em italiano para ser concluída e publicada com dinheiro do seu próprio bolso.[5]

Na encíclica Humanum Genus, Leão XIII convocou os líderes Católicos para "arrancar a máscara da Maçonaria e tornar claro para todos o que ela realmente é".[6] A publicação desses documentos é uma forma de "arrancar a máscara". E se os Papas pediram que essas cartas fossem publicadas, é porque eles queriam que todos os Católicos conhecessem os planos das sociedades secretas para subverter a Igreja por dentro para que os Católicos ficassem sob sua guarda e, esperançosamente, evitar que ocorra uma catástrofe como essa.

A Instrução Permanente da Alta Vendita

O que se segue não é toda a instrução, mas a seção que é mais pertinente à nossa discussão.

O documento diz o seguinte:

"O Papa, seja ele quem for, não virá às sociedades secretas, mas cabe às sociedades secretas dar o primeiro passo até a Igreja, com o objetivo de conquistar a ambos.

"A tarefa que vamos empreender não é trabalho de um dia, ou de um mês, ou de um ano, mas pode durar vários anos, talvez um século, mas em nossas fileiras o soldado morre e a luta continua.

"Nós não pretendemos atrair os Papas à nossa causa, para torná-los neófitos dos nossos princípios, propagadores das nossas idéias. Isso seria um sonho ridículo, e se os acontecimentos vierem à tona de alguma forma, se Cardeais ou prelados, por exemplo, de sua livre vontade ou por surpresa, penetrarem uma parte de nossos segredos, isso não é de todo um incentivo para desejar a sua elevação à Sé de Pedro. Essa elevação iria arruinar-nos. A sua ambição somente os levaria a apostasia, e as necessidades do poder iriam forçá-los a sacrificar-nos. O que devemos pedir, o que devemos procurar e esperar, tal como os judeus esperam o Messias, é um Papa de acordo com nossas necessidades...

"Com isso nós marcharemos com mais segurança para o ataque à Igreja do que com os panfletos dos nossos irmãos na França e até mesmo o ouro da Inglaterra. Você quer saber o motivo disso? É que, com isso, a fim de despedaçar a grande rocha sobre a qual Deus construiu Sua Igreja, não precisamos mais de vinagre anibaliano, ou de pólvora, ou mesmo das nossas armas. Nós temos o dedo mindinho do sucessor de Pedro comprometido na jogada, e este dedo mindinho é tão bom para esta cruzada quanto todos os Urbanos II e todos os São Bernardos da Cristandade.

"Não temos dúvida de que vamos chegar a este fim supremo dos nossos esforços. Mas quando? Mas como? O desconhecido não é ainda revelado. No entanto, como nada nos irá desviar do plano estabelecido, e pelo contrário, tudo tenderá para ele, como se tão cedo quanto amanhã o sucesso fosse coroar o trabalho que mal foi esboçado, desejamos, nesta Instrução, que se manterá secreta para os simples iniciados, dar aos funcionários a cargo do Vente supremo alguns conselhos que devem incutir em todos os irmãos, sob a forma de instrução ou de um memorando...

"Agora, então, para assegurarmos um Papa com as dimensões necessárias, é uma questão de primeiramente moldá-lo ... para este Papa, uma geração digna do reinado que sonhamos. Deixem os velhos e os de idade madura, vão para a juventude, e se possível, mesmo para as crianças... Inventem para si mesmos, a um custo reduzido, uma reputação de bons Católicos e de puros patriotas.

"Esta reputação dará acesso à nossa doutrina no meio do clero jovem, bem como profundamente nos mosteiros. Em poucos anos, pela força das coisas, este jovem clero terá ascendido a todas as funções; formará o conselho do soberano, eles serão chamados a escolher um pontífice que deve reinar. E este Pontífice, como a maioria de seus contemporâneos, estará necessariamente mais ou menos imbuído dos princípios italianos e humanitários que vamos começar a pôr em circulação. É um pequeno grão de mostarda preta que vamos confiar no chão, mas o sol da justiça irá desenvolvê-lo até o mais alto poder, e vocês verão um dia que rica colheita esta pequena semente irá produzir.

"No caminho que estamos traçando para os nossos irmãos, são grandes os obstáculos a conquistar, dificuldades de mais de um tipo para dominar. Eles triunfarão sobre eles pela experiência e pela clarividência, mas o objetivo é tão esplêndido que é importante colocar todas as velas ao vento, a fim de alcançá-lo. Você quer revolucionar a Itália, olhar para o Papa cujo retrato acabamos de desenhar. Você deseja estabelecer o reino dos escolhidos no trono da prostituta da Babilônia, deixar o clero marchando sob o seu padrão, sempre acreditando que está marchando sob a bandeira das chaves apostólicas. Você pretende fazer o último vestígio dos tiranos e opressores desaparecerem; colocar suas redes como Simão Bar-Jona, colocá-las nas sacristias, nos seminários e nos mosteiros, em vez de no fundo do mar: e se você não se apressar, nós prometemos-lhe uma pescaria mais milagrosa do que a dele. O pescador de peixes tornou-se pescador de homens, você vai trazer os amigos à volta da Cadeira apostólica. Você terá pregado uma revolução de tiara e de capa, marchando com a cruz e o estandarte, uma revolução que precisa ser apenas um pouco estimulada para colocar fogo nos quatro cantos do mundo."[7]

Resta agora nós examinarmos o sucesso que esse projeto tem tido.

O Iluminismo, Meu Amigo, Está Soprando no Vento (b)

Ao longo do Século XIX, a sociedade tornou-se cada vez mais permeada com os princípios liberais da Revolução Francesa, em detrimento da grande Fé Católica e do Estado Católico. As supostamente "amáveis e gentis" noções de pluralismo, o indiferentismo religioso, uma democracia que acredita que toda autoridade vem do povo, falsas noções de liberdade, encontros inter-religiosos, a separação entre Igreja e Estado e outras novidades estavam tomando conta das mentes da Europa pós-iluminismo, infectando governantes e religiosos também.

Os Papas do Século XIX e início do Século XX, fizeram guerra contra estas tendências perigosas com traje de batalha completo. Com presença de espírito perspicaz enraizada numa certeza sem compromisso de Fé, os Papas não foram captados. Eles sabiam que maus princípios, não importa o quão honrados possam parecer, não podem dar bons frutos, e estes eram maus princípios no seu pior grau, uma vez que foram enraizados não só na heresia, mas na apostasia.

Como generais que reconhecem o dever de manter suas posições a todo o custo, os Papas armaram canhões poderosos contra os erros do mundo moderno e dispararam sem cessar. As encíclicas são suas balas de canhão e nunca erraram o alvo.

A explosão mais devastadora veio na forma do monumental Syllabus de Erros do Bem-aventurado Papa Pio IX, em 1864, e quando a fumaça se dissipou, todos os envolvidos na luta estavam em dúvida quanto a quem estava de que lado. A linha de demarcação havia sido elaborada de forma clara. Neste grande Syllabus, Pio IX condenou os erros principais do mundo moderno, não porque eram modernos, mas porque estas novas ideias estavam enraizadas no naturalismo panteísta e, portanto, incompatíveis com a doutrina Católica, bem como destrutivas para a sociedade.

Os ensinamentos do Syllabus são contra-liberais, e os princípios do liberalismo são contra-Syllabus. Isso foi, sem dúvida, reconhecido por todas as partes. Padre Denis Fahey se referiu a este confronto como "Pio IX contra a deificação panteísta do Homem." [8] Falando para o outro lado, o Maçom francês Ferdinand Buissont declarou também: "Uma escola não pode permanecer neutra entre o Syllabus e a Declaração dos Direitos do homem."[9]

No entanto, o Século XIX viu uma nova geração de Católicos que, de forma utópica, procurou estabelecer um compromisso entre os dois. Estes homens olharam para o que eles acreditavam ser "bom" nos princípios de 1789 e tentaram introduzi-los na Igreja. Muitos clérigos, infectados pelo espírito da época, foram apanhados nessa rede que tinha sido "lançada nas sacristias e nos seminários". Estes homens vieram a ser conhecidos como os Católicos liberais. O Bem-aventurado Papa Pio IX os considerava com horror absoluto. Ele disse que esses "liberais-Católicos" eram os "piores inimigos da Igreja".

Em uma carta à delegação francesa encabeçada pelo bispo de Nevers em 18 de junho de 1871, o Beato Pio IX disse:

"O que eu temo não é a Comuna de Paris - não - aquilo que eu temo é Catolicismo liberal... Eu disse isso mais de quarenta vezes, e repito para vocês agora, através do amor que eu tenho por vocês. O verdadeiro flagelo da França é o Catolicismo liberal, que se esforça para unir dois princípios tão repugnantes um ao outro como água e fogo." [10]

No entanto, apesar disso, o número de Católicos liberais aumentou de forma constante.

O Papa Pio X e o Modernismo

Esta crise atingiu um pico por volta da virada do século, quando o liberalismo de 1789 que tinha sido "soprado no vento" rodopiou no tornado do modernismo. O Pe. Vincent Miceli identificou esta heresia, como tal, descrevendo a "trindade dos pais" do modernismo. Ele escreveu:

"1) O seu ancestral religioso é a Reforma Protestante;
"2) seu pai filosófico é o Iluminismo;
"3) a sua linhagem política vem da Revolução Francesa." [11]

O Papa São Pio X, que subiu à cadeira papal em 1903, reconheceu o modernismo como uma das pragas mais mortais que devem ser detidas. Ele escreveu que a obrigação mais importante do Papa é garantir a pureza e a integridade da doutrina Católica, e afirmou ainda que, se ele não fizesse nada, então ele teria falhado em seu dever essencial. [12]

São Pio X em guerra travada com o modernismo, emitiu uma encíclica (Pascendi) e um Syllabus (Lamentabili) contra ela, instituiu o Juramento Anti-Modernista para ser jurado por todos os sacerdotes e mestres, expurgou os seminários e universidades de modernistas e excomungou o teimoso e impenitente.

Pio X efetivamente suspendeu a propagação do modernismo em sua época. É relatado, no entanto, que quando ele foi felicitado por erradicar este grave erro, Pio X respondeu imediatamente que, apesar de todos os seus esforços, ele não tinha conseguido matar esta besta, mas só tinha conduzido-a ao subsolo. Ele alertou que se os líderes da Igreja não fossem vigilantes, ela retornaria no futuro, mais virulenta do que nunca.[13]

Cúria em Alerta

Um drama pouco conhecido que se desenrolou durante o reinado do Papa Pio XI demonstra que a corrente subterrânea dos modernistas estava viva e bem no período imediato pós-Pio X.

Pe. Raymond Dulac relata que no consistório secreto de 23 de maio de 1923, o Papa Pio XI questionou os trinta Cardeais da Cúria sobre a oportunidade de convocar um concílio ecumênico. Estiveram presentes prelados ilustres como Merry del Val, De Lai, Gasparri, Boggiani e Billot.

Os Cardeais se colocaram contra.

O Cardeal Billot advertiu: "A existência de diferenças profundas no meio do episcopado em si não pode ser escondida... [Eles] correm o risco de dar lugar às discussões que serão prolongadas indefinidamente."

Boggiani recordou as teorias modernistas das quais, segundo ele, uma parte do clero e dos bispos não está isenta. "Essa mentalidade pode inclinar certos Padres a apresentar moções, introduzir métodos incompatíveis com as tradições Católicas".

Billot foi ainda mais preciso. Ele expressa o medo de ver o concílio "manobrado" pelos "piores inimigos da Igreja, os modernistas, que já estão se preparando, como certas indicações mostram, para levar adiante a revolução na Igreja, um novo 1789." [14]

Ao desencorajar a idéia de um Concílio por tais razões, esses Cardeais mostraram-se mais aptos a reconhecer os "sinais dos tempos" do que todos os teólogos pós-Vaticano II juntos. No entanto, sua cautela pode ter sido enraizada em algo mais profundo. Eles também podem ter sido assombrados pelos escritos do infame, iluminado (c), o excomungado Canon Roca (1830-1893) que pregava a revolução e "reforma" da Igreja, e que previu que a subversão da Igreja, seria trazida por um Concílio.

Delírios Revolucionários de Roca

Em seu livro Athanasius and the Church of Our Time [Atanásio e da Igreja do Nosso Tempo], o Bispo Graber cita a previsão de Roca de uma "Igreja recém-iluminada", que seria influenciada pelo socialismo de Jesus." [15]

Em meados do Século XIX, Roca predisse "A igreja nova, que pode não ser capaz de reter nada da Doutrina Escolástica e da forma original da antiga Igreja, no entanto, vai receber a consagração e jurisdição canônica de Roma."

Roca também predisse uma reforma litúrgica. Com referência à liturgia do futuro, ele acredita "que o culto divino, na forma dirigida pela liturgia, ritual, cerimonial e regulamentos da Igreja Romana em breve sofreriam uma transformação em um concílio ecumênico, que iria restaurar-lhe a simplicidade venerável da idade de ouro dos Apóstolos, em conformidade com os ditames da consciência e da civilização moderna."

Ele previu que, através deste Concílio virá o "acordo perfeito entre os ideais da civilização moderna e o ideal de Cristo e o seu Evangelho. Isso será a consagração da Nova Ordem Social e o batismo solene da civilização moderna."

Roca também falou sobre o futuro do Papado. Ele escreveu: "Há um sacrifício iminente que representa um ato solene de expiação... O Papado cairá; morrerá sob a faca santificada que os Padres do último Concílio vão forjar. O César papal é uma hóstia [vítima] coroada para o sacrifício."

Roca predisse entusiasticamente uma "nova religião, novo dogma, novo ritual, novo sacerdócio." Ele chamou os novos sacerdotes de "progressistas" e fala da "supressão" da sotaina [batina] e do "casamento dos padres." [16]

Ecos arrepiantes de Roca e da Alta Vendita encontram-se nas palavras do Rosacruz, Dr. Rudolph Steiner que declararou em 1910: "Nós precisamos de um Concílio e de um Papa para proclamá-lo." [17] O Bispo Graber, comentando sobre estas previsões observa: "Alguns anos atrás, isso ainda era inconcebível para nós, mas hoje..." [18]

O Grande Concílio que Nunca Existiu

Por volta de 1948, o Papa Pio XII, a pedido do firmemente ortodoxo Cardeal Ruffini, pensou em convocar um Concílio Geral, e até passou alguns anos fazendo os preparativos necessários. Há evidências de que elementos progressistas em Roma finalmente dissuadiram Pio XII a realizá-lo uma vez que este Concílio mostrou sinais claros de estar em sincronia com a Humani Generis. Tal qual essa grande encíclica de 1950, o novo Concílio iria combater as "falsas opiniões que ameaçam minar os alicerces da doutrina Católica." [19]

Tragicamente, o Papa Pio XII se convenceu de que ele estava em idade muito avançada para assumir uma tarefa tão importante, e resignado disse: "isso será para o meu sucessor." [20]

"Roncalli vai canonizar o Ecumenismo"

Durante todo o pontificado do Papa Pio XII, o Santo Ofício sob a liderança competente do Cardeal Ottaviani manteve uma paisagem católica segura, mantendo os cavalos selvagens do modernismo firmemente encurralados. Muitos teólogos modernistas de hoje com desdém contam como eles e seus amigos foram "amordaçados" durante este período.

No entanto, mesmo Ottaviani não poderia impedir o que estava para acontecer em 1958. Um novo tipo de Papa "a quem os progressistas acreditavam favorecer a sua causa" [21] subiria a Cadeira Pontifícia e forçaria um relutante Ottaviani a remover a trava, abrir o curral e se preparar para a debandada.

No entanto, tal estado de coisas não era imprevisível. Na notícia da morte de Pio XII, o velho Dom Lambert Beauduin, um amigo de Roncalli (o futuro João XXIII) confidenciou ao Padre Bouyer: "Se eles elegessem Roncalli, tudo seria salvo, ele seria capaz de convocar um Concílio e de consagrar o ecumenismo."[22]

E assim aconteceu, assim como Dom Lambert havia predito. Roncalli foi eleito, convocou o Concílio e consagrou o ecumenismo. A "revolução de tiara e capa" estava em andamento.

Revolução do Papa João

É bem conhecido e soberbamente documentado [23] que uma camarilha de teólogos liberais (peritos) e bispos sequestraram o Vaticano II com uma agenda para refazer a Igreja à sua própria imagem através da implementação de uma "nova teologia". Críticos e defensores do Concílio Vaticano II estão de acordo sobre este ponto.

Em seu livro Vatican II Revisited [Vaticano II Revisitado], o Bispo Aloysius J. Wycislo (um defensor rapsódico da revolução do Vaticano II) declara com entusiasmo vertiginoso que "os teólogos e estudiosos da Bíblia que tinham ficado "sob uma nuvem" há anos surgiram como periti (peritos teológicos assessorando os bispos do Concílio), e os seus livros e comentários pós-Vaticano II se tornaram leitura popular." [24]
Ele observou que a "encíclica do Papa Pio XII Humani Generis tinha... um efeito devastador sobre o trabalho de uma quantidade de teólogos pré-conciliares", [22] e explica que "Durante a preparação precoce do Concílio, esses teólogos (principalmente franceses, junto com alguns alemães), cujas atividades haviam sido restringidas pelo Papa Pio XII, estavam ainda ‘sob uma nuvem’ (d). O Papa João calmamente levantou a proibição afetando alguns dos mais influentes. No entanto, uma quantidade manteve-se suspeita para os funcionários do Santo Ofício." [26]

Wycislo canta os louvores dos progressistas triunfantes, como Hans Kung, Karl Rahner, John Courtney Murray, Yves Congar, Henri Delubac, Edward Schillebeeckx e Gregory Baum, que tinham sido considerados suspeitos antes do Concílio (por uma boa razão), e que são agora as principais luzes da teologia pós-Vaticano II. [27]

Com efeito, aqueles  a quem o Papa Pio XII considerava impróprios para estar andando pelas ruas do Catolicismo estavam agora no controle da cidade. E como que para coroar suas realizações, o Juramento contra o Modernismo foi discretamente suprimido logo após o encerramento do Concílio. São Pio X havia previsto corretamente. A falta de vigilância da autoridade fez com que o modernismo voltasse com uma vingança.

"Marchando sob uma nova bandeira"

Houve inúmeras batalhas no Vaticano II entre o Grupo Internacional de Padres que lutaram para manter a tradição e o grupo progressivo do Reno (e). Tragicamente, no final, foi o elemento liberal e modernista que prevaleceu.

Era óbvio para quem tivesse olhos para ver que o Concílio Vaticano II promulgou muitas idéias que haviam sido anátema para o ensinamento da Igreja, mas que estavam em conformidade com o pensamento moderno. Isso não aconteceu por acaso, e sim através de um planejamento.

Os progressistas do Concílio Vaticano II evitaram condenações de erros modernistas. Eles também plantaram deliberadamente ambiguidades nos textos conciliares que pretendiam explorar depois do Concílio. O liberal perito do Concílio, Padre Edward Schillebeeckx admitiu que "nós usamos frases ambíguas durante o Concílio e nós sabemos como vamos interpretá-las depois." [28]

Ao utilizar ambigüidades deliberadas, os documentos do Concílio promoveram um ecumenismo que havia sido condenado pelo Papa Pio XI, uma liberdade religiosa que tinha sido condenada pelos Papas do Século XIX (especialmente o beato Papa Pio IX), uma nova liturgia alinhada ao protestantismo e o ecumenismo que Bugnini chamou de "uma conquista importante da Igreja Católica", uma colegialidade que atinge o cerne do primado papal, e uma "nova atitude para com o mundo" - especialmente em um dos mais radicais de todos os documentos do Concílio, a Gaudium et Spes (Mesmo o Cardeal Ratzinger admitiu que Gaudium et Spes é permeada pelo espírito de Teilhard de Chardin). [29]

Como a Instrução Permanente da Alta Vendita esperava, as noções de cultura liberal finalmente ganharam a adesão entre os jogadores principais na hierarquia Católica e foram assim, espalhadas por toda a Igreja. O resultado foi uma crise sem precedentes da Fé, que continua a piorar. Enquanto, ao mesmo tempo, inúmeros clérigos altamente colocados, obviamente inebriados pelo "espírito do Vaticano II", continuamente louvam as reformas do Concílio que trouxeram esta calamidade.

Torcida da Arquibancada Maçônica

No entanto, não só muitos dos nossos líderes da Igreja, mas os Maçons também comemoram o rumo dos acontecimentos operados pelo Concílio. Alegram-se que os Católicos, finalmente, "viram a luz", e que muitos de seus princípios maçônicos tenham sido sancionados pela Igreja.

Yves Marsaudon do Rito Escocês, em seu livro Ecumenism Viewed by a Traditional Freemason [Ecumenismo Visto por um Maçom Tradicional] elogiou o ecumenismo alimentado pelo Concílio Vaticano II. Ele disse:

"Os Católicos... não devem esquecer que todos os caminhos levam a Deus. E eles vão ter que aceitar que essa idéia corajosa do pensamento livre, que podemos realmente chamar uma revolução, que vertendo de nossas lojas maçônicas, estendeu-se magnificamente sobre a cúpula de São Pedro." [30]

Yves Marsaudon disse ainda: "Pode-se dizer que o ecumenismo é o filho legítimo da Maçonaria". [31]

O espírito de dúvida e de revolução pós-Vaticano II, obviamente, aqueceu o coração do Maçom francês Jacques Mitterrand, que escreveu com aprovação:

"Alguma coisa mudou dentro da Igreja, e as respostas dadas pelo Papa às questões mais urgentes como o celibato sacerdotal e controle de natalidade, são debatidas dentro da própria Igreja, a palavra do Sumo Pontífice é questionada pelos bispos, pelos padres, pelos fiéis. Para um Maçom, um homem que questiona o dogma já é um Maçom sem avental". [32]

Marcel Prelot, um senador da região de Doubs, na França, é provavelmente o mais preciso em descrever o que realmente aconteceu. Ele escreve:

"Nós tínhamos lutado por um século e meio para trazer as nossas opiniões a prevalecer sobre a Igreja e não tínhamos conseguido. Finalmente, veio o Concílio Vaticano II e nós triunfamos. A partir de então as proposições e os princípios do Catolicismo liberal foram definitiva e oficialmente aceitos pela Santa Igreja". [33]

A Ruptura Com o Passado

Os "conservadores" que negam que o Vaticano II constitui uma ruptura com a tradição, e que contradiz o magistério anterior não conseguiram ouvir os próprios motores e os agitadores do Concílio, que descaradamente reconhecem isso.
Yves Congar, um dos artesãos da reforma comentou com satisfação tranquila que "A Igreja teve, pacificamente, a sua revolução de Outubro." [34]

Congar também admitiu, como se fosse algo para se orgulhar, que a Declaração do Concílio Vaticano II sobre a liberdade religiosa é contrária ao Syllabus de Pio IX. Ele disse:

"Não se pode negar que a afirmação da liberdade religiosa pelo Vaticano II diz materialmente algo diferente do que o Syllabus de 1864, disse, e até quase o oposto das proposições 16, 17 e 19 deste documento." [35]

Por fim, há alguns anos atrás, o Cardeal Ratzinger, aparentemente imperturbável pela admissão, escreveu que ele vê o texto do Vaticano II, Gaudium et Spes, como um "contra-Syllabus". Ele disse:

"Se é desejável oferecer um diagnóstico do texto (Gaudium et Spes) como um todo, podemos dizer que (em conjunto com os textos sobre a liberdade religiosa e religiões do mundo) é uma revisão do Syllabus de Pio IX , uma espécie de contra-Syllabus ... Vamos nos contentar em dizer aqui que o texto serve como um contra-Syllabus e, como tal, representa por parte da Igreja, uma tentativa de uma reconciliação oficial com a nova era inaugurada em 1789." [36]

Em outras palavras, a Revolução Francesa e o Iluminismo.

Este comentário do Cardeal Ratzinger é preocupante, especialmente porque veio do homem que, como o chefe da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, é supostamente encarregado de zelar pela pureza da doutrina Católica.

No entanto, podemos também citar uma declaração semelhante pelo progressista Cardeal Suenens, um dos prelados mais liberais deste século, ele mesmo um dos padres do Concílio, falou radiante dos antigos regimes que vêm caindo. As palavras que ele usou em louvor do Concílio é o que há de mais revelador, mais frio e mais condenável. Suenens declarou que "o Vaticano II é a Revolução Francesa da Igreja." [37]

O Estado dos Documentos do Vaticano II

Claro, os Católicos têm o direito, até mesmo o dever, de resistir a esses ensinamentos provenientes do Concílio que estão em conflito com o Magistério perene.

Durante anos, os Católicos têm labutado sob o equívoco que eles devem aceitar o Concílio pastoral, o Vaticano II, com o mesmo assentimento de fé que eles devem aos concílios dogmáticos. Esse, no entanto, não é o caso.

Os Padres conciliares repetidamente referiram-se ao Concílio Vaticano II como um Concílio pastoral - isto é, um Concílio que tratou não de definir a Fé, mas de sua implementação.
O fato de que o Vaticano II é inferior a um Concílio dogmático é confirmado pelo testemunho do Padre do Concílio, o Bispo Thomas Morris. Agora, a seu pedido, este testemunho não foi aberto até depois de sua morte:

"Fiquei aliviado quando fomos informados de que este Concílio não foi no sentido de definir ou dar declarações finais sobre a doutrina, porque uma declaração sobre a doutrina tem que ser muito cuidadosamente formulada e eu teria considerado os documentos do Concílio como provisórios e passíveis de serem reformados." [38]

Depois, há o importante testemunho do Secretário do Concílio, o Arcebispo (depois Cardeal) Pericle Felici. No encerramento do Concílio Vaticano II, os bispos pediram ao Arcebispo Felici o que os teólogos chamam de "nota teológica" do Concílio. Ou seja, o "peso" doutrinário dos ensinamentos do Vaticano II. Felici respondeu:

"Temos de distinguir de acordo com os esquemas e os capítulos os quais foram já objeto de definições dogmáticas no passado; para as desacelerações que tenham um caráter inovador, temos de ter reservas." [39]

O próprio Papa Paulo VI também fez comentários semelhantes que "Dado o caráter pastoral do Concílio, ele evitou pronunciar de uma maneira extraordinária, dogmas dotados da nota de infalibilidade." [40]

Assim, ao contrário de um Concílio dogmático, o Vaticano II não exige uma adesão incondicional da fé. A declaração detalhada e ambígua do Concílio Vaticano II não está em pé de igualdade com os pronunciamentos dogmáticos. As novidades do Vaticano II não são incondicionalmente obrigatórias para os fiéis. Católicos podem "ter reservas" e até mesmo resistir a qualquer ensinamento do Concílio que entraria em conflito com o Magistério perene.

"A Revolução em Tiara e Capa"

A revolução pós-Vaticano II contém todas as características do cumprimento dos desígnios da Instrução Permanente da Alta Vendita, bem como as profecias de Canon Roca:

1) O mundo inteiro tem assistido a uma mudança profunda na Igreja Católica em escala internacional que está em sintonia com o mundo moderno.
2) Tanto os defensores do Vaticano II quanto seus detratores demonstram que certos ensinamentos do Concílio constituem uma ruptura com o passado.
3) Os próprios Maçons se regozijam que, graças ao Concílio, as suas ideias "espalharam-se magnificamente sobre a cúpula de São Pedro".

Assim, não há realmente nenhum grande mistério sobre a paixão que a nossa Santa Igreja está sofrendo atualmente. Por ignorar de forma imprudente os Papas do passado, nossos líderes atuais da Igreja ergueram uma estrutura comprometida que está entrando em colapso. Embora o Papa Paulo VI tenha lamentado que "a Igreja está em um estado de auto-demolição", ele, como faz o atual pontificado, insistiu que o aggiornamento desastroso responsável por esta auto-demolição continuasse a pleno vapor.

Há um último ponto que gostaria de fazer. Eu não estou afirmando que todo líder de igreja que promove práticas inovadoras, como o ecumenismo, está deliberadamente agindo como inimigo da Igreja. O padre renomado do Século XIX, Frederico Faber, foi um verdadeiro profeta, quando ele disse em um sermão notável no Pentecostes de 1861, no Oratório de Londres:

"Devemos lembrar que se todos os homens bons estivessem manifestamente de um lado e todos os homens manifestamente maus estivessem de outro lado, não haveria perigo de ninguém, pelo menos de todos os eleitos, ser enganado por falsos prodígios. São os homens bons, uma vez bons, devemos esperar que continuem bons, que estão fazendo tristemente o trabalho de anti-cristo para crucificar o Senhor de novo... Tenha em mente esta característica dos últimos dias, que este engano surge de homens bons que estão no lado errado." [41]

Assim, acredito que muitos clérigos (não todos) que têm sucumbido ao espírito da época, e promovem a nova agenda do Concílio, são homens bons que estão do lado errado.

A Necessidade de Resistência

Como eu disse quando eu abri esta apresentação, eu acredito que a Instrução Permanente da Alta Vendita e seus efeitos ajudam a explicar o que a Irmã Lúcia estava falando quando ela alertou sobre a desorientação diabólica da hierarquia superior, um termo que ela usou várias vezes.

Diante de tal desorientação diabólica o que todos os Católicos podem fazer somente é:

1) rezar muito, especialmente o Rosário,
2) conhecer e viver a doutrina tradicional e moral da Igreja Católica como ela é encontrada nos escritos Católicos pré-Vaticano II,
3) aderir à Missa Tridentina Latina, onde a fé Católica e a devoção são encontradas em sua plenitude não infectada pelo novus ordo do ecumenismo,
4) resistir com toda a alma às tendências liberais pós-Vaticano II que vem causando tantos estragos no Corpo Místico de Cristo,
5) instruir a outros caridosamente nas tradições de Fé e avisá-los dos erros da época.
6) rezar para que um retorno à sanidade possa se espalhar por um número suficiente da hierarquia,
7) nunca se comprometer,
8) e, finalmente, a razão de estarmos aqui: praticar, e dar a conhecer o melhor que pudermos os pedidos de Nossa Senhora de Fátima.

O texto desse discurso é uma versão ligeiramente alterada do livreto “A Instrução Permanente da Alta Vendita”, por John Vennari (Tan Books).
*Discurso feito na Conferência de Fátima pela Paz, em Roma.

Original aqui.
_____________________________________________
Notas:
1. A Enciclopédia Católica, Vo. 3 (New York Encyclopedia Press, 1913), p. 330-331.
2. Rev. E. Cahill, JS, Freemasonry and the Anti-Christian Movement (Dublin: Gill, 1959), p. 101.
3. Bispo Graber, Athanasius and the Church of our Time, p. 39, Christian Book Club, Palmdale, CA.
4. 2 º volume, edição original de 1859, reimpresso por Circle of the French Renaissance, Paris, 1976; Mons. Delassus produziu estes documentos novamente em sua obra The Anti-Christian Conspiracy, DDB, 1910, Tomo III, p. 1035-1092.
5. Michael Davies, Pope John’s Council, p.166 Angelus Press, de Kansas City, MO.
6. Papa Leão XIII, Humanum Genus, par. 31, Tan Books e Publishers, Rockford, IL.
7. Mons. Dillon, Grand Orient Freemasonary Unmasked, p. 51-56 texto completo da Alta Vendita - Christian Book Club, Palmdale, CA.
8. Padre Denis Fahey. Mystical Body of Christ in the Modern World, Capítulo VII, Regina Publications, Dublin Irlanda.
9. Ibid. p. 116.
10. Citado de The Catholic Doctrine, do padre Michael Muller (Benzinger, 1888?) P. 282
11. Fr. Vicente Micelli, The Antichrist, p. 133, Roman Catholic Books, Harrison, NY.
12. O Papa Pio X, Pascendi (Encíclica contra o Modernismo) Par. 1
13. Fr. Vicente Micelli, The Antichrist, palestra em cassete, Keep the Faith, Inc. Ramsey, NJ.
14. Raymond Dulac, Episcopal Collegiality at the Second Council of the Vatican, Paris Cedre, 1979, p. 9-10.
15. Athanasius and the Church of our Time, p. 34.
16. Um relato completo de todas as citações de Roca aqui impressas é encontrado em Athanasius and the Church of our Time, p. 31-40.
17. Ibid. p. 36.
18. Ibid. p. 35.
19. Um relato completo dessa história fascinante é encontrado em "The Whole Truth About Fatima", Vol. 3: The Third Secret by Frère Michel of the Holy Trinity, p. 257-304, Immaculate Heart Publications, Ft. Erie, Ontário.
20. Ibid. p. 298.
21. Vicomte Leon de Poncins, Freemasonary and the Vatican, p. 14.
22. L. Bouyer, Dom Lambert Beauduin, a Man of the Church, Casterman, 1964, p. 180-181, citado pelo Padre Dilder Bonneterre no Movimento Litúrgico, Ed. Fideliter, 1980, p. 119.
23. ou seja, The Rhine Flows Into the Tiber [O Reno se lança no Tibre], pelo padre Ralph Wiltgen, Tan Books e publishers, Pope John’s Council, por Michael Davies, Angelus Press, Kansas City, MO, e até mesmo Vatican II Revisited, (ver nota seguinte), que canta os louvores da reforma.
24. Reverendíssimo Aloysius S.J. Wycislo, Vaticano II Revisted, By One Who Was There, p. x, Alba House, Staten Island, Nova York.
25. Ibid. p. 33.
26. Ibid. p. 27.
27. Ibid. págs. 27 a 34.
28. Carta Aberta aos Católicos Perplexos, Arcebispo Lefebvre, Kansas City, Angelus Press, 1992), p. 106. [Você encontra uma tradução em língua portuguesa para baixar gratuitamente aqui]. 
29. Cardeal Joseph Ratzinger, Principles of Catholic Theology, (Ignatius Press), p. 334.
30. Carta Aberta aos Católicos Perplexos, p. 88-89.
31. Yves Marsuadon, Oecumensisme vu par un Macon Tradição de, p. 119-120.
32. Lew Catholicsme Liberal, 1969.
33. Carta Aberta aos Católicos Perplexos, p. 100.
34. Yves Congar, OP citado pelo Padre George de Nantes, CRC, não. 113, p.3.
350. Ratzinger, Principles of Catholic Theology, Tequi, Paris, 1985, p. 42).
36.Carta Aberta aos Católicos Perplexos, p. 100.
37. Ibid. p. 100.
38. Entrevista de D. Morris por Kiernon Madeira, World Catholic News, 27 de setembro de 1997.
39.Carta Aberta aos Católicos Perplexos, p. 107.
40. Paulo VI, Audiência geral de 12 de janeiro de 1966, em Inseganmenti di Paolo VI, vo. 4, p. 700, citado de Atila Sinke Guimarães, In the Murky waters of Vatican II, Metaire: Maeta, 1997; TAN 1999), p. 111-112.
41. Citação retirada do The Mystical Body of Christ in the Modern World, do padre Denis Fahey (Regina Publications, Dublin, impresso pela primeira vez em 1935) p. xi.
________________________________________________

Notas da tradutora:

(a)   Carbonari, conhecida no Brasil como Carbonária. A palavra significa carvoeiro.
(b)   No original “Blowin 'in the Wind”, título da famosa música de Bob Dylan, de 1963. Na música Dylan repete “the answer, my friend, is Blowin 'in the Wind”. Em português: “a resposta, meu amigo, está soprando no vento”.
(c)   A palavra “iluminado” aqui se refere a aquele que é adepto das ideias iluministas.
(d)  ‘Under a cloud’ (sob uma nuvem) é uma expressão que significa ‘suspeito’.
(e)  Para entender isso leia o ótimo livro O Reno Se Lança no Tibre, do Pe. Ralph Witgen, editado pela Permanência. Você pode comprá-lo aqui.