quinta-feira, março 07, 2013

O ISLÃ: Um abismo intransponível

Por Pyrenaicus
Traduzido por Andrea Patrícia

O diário desenrolar da história atual nos convida a afirmar inequivocamente a escolha fundamental sobre a qual os católicos e muçulmanos serão julgados no fim da sua vida terrena, ou seja, a Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo. Colocando assim, encontramo-nos perante o intransponível abismo que separa o Islã da Fé Católica, e nenhum propósito ecumênico, não importa o quão bem-intencionado, pode apagar ou preencher esse abismo. As duas "revelações" entram em choque neste ponto, e com tal oposição sobre o essencial que, necessariamente, uma deve ser totalmente verdadeira e outra inteiramente falsa.
Incoerência ou impostura?
Vamos deixar de lado considerações de menor importância para lembrar que apenas uma revelação vinda de Deus tem o direito de falar de Deus com autoridade e certeza. Agora, no antagonismo citado, o que precisamente nós vemos? Em Jesus Cristo, tudo é divino: Seu nascimento, Sua vida, Sua doutrina, Sua morte, Sua ressurreição, Sua ascensão, Sua ajuda permanente à Igreja. Seus Apóstolos e os Evangelistas afirmaram energicamente que: ninguém pode conhecer e amar a Deus exceto pelo Seu Filho unigênito "em quem Ele se compraz".
Ao contrário, tudo é humano, demasiado humano, na pessoa dos fundadores do Islã. Nelas encontramos muitos dos traços do herege [Lutero] que surgiu na Igreja no século XVI: a exaltação do espírito e dos sentidos, vontade de poder, falta de escrúpulos nas ações; em suma, a mesma presença inicial de pecado desviando desde o começo a aventura espiritual assim lançada.
Porque Deus é Santidade infinita, Sua revelação não tolera combinação com o pecado. Nessas condições, considerar Maomé e Lutero como profetas verdadeiros ou reformadores procede de incoerência total, se não pura impostura. Por falta de exemplos edificantes de santidade, que eles são incapazes de fornecer, esses homens só conseguem impor suas doutrinas imaginárias através da aplicação de pressão permanente, jogando sobre a cumplicidade dos desejos desordenados pelos quais cada um de nós tenta arranjar para si uma vida na qual os prazeres da terra e do desejo do céu podem ser reconciliados sem muita dificuldade.
Céu Fechado
Vamos voltar ao pecado específico do Islã.
Alguém que sustenta, ao contrário da vida e dos milagres de Jesus Cristo, que o Filho não é Deus comete a maior ofensa possível com relação a Deus, consubstancial com Aquele enviado por Ele; alguém que pressiona os homens a professar esta negação comete, em relação a eles, a maior ofensa, privando-os, assim, do único acesso para a vida eterna. Pois, em última instância, a graça redentora não existe no Islã porque [segundo eles] Deus não se inclina para nós; o acesso à santidade é impossível nele, e o homem permanece em sua miséria original. Após sua morte, a presença de Deus será inacessível a ele, e o "Profeta" é reduzido a imaginar um paraíso Eliseano [1] no modelo dos prazeres terrenos. Em tal clima de escuridão espiritual, como poderiam os cinco pilares do Islã - a profissão de fé, a oração, os atos de esmola, o jejum e a peregrinação - serem algo agradável a Deus?
Com o conhecimento de Deus sendo pervertido desde o início e o céu fechado, não é de estranhar que o pensamento muçulmano absorva e anexe as coisas da ordem temporal, transferindo a ela a sede do homem pelo absoluto. Mas sob este cobertor sufocante, não existe nem sacramentos, nem liturgia, nem sacerdócio capaz de auxiliar a humanidade a sair de si mesma e merecer a ver Deus na eternidade.
Uma Regressão Vertiginosa da Verdade Revelada
A alegada "revelação" feita pelo Arcanjo Gabriel [a Maomé] cai expressamente sob a condenação de São Paulo (Gálatas 1,8): "Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie um evangelho além do que pregamos a vocês, seja anátema." É necessário tirar a conclusão: longe de ser, como se pretendia, a culminação e conclusão de todas as revelações anteriores, o Islã constitui uma regressão vertiginosa em relação à verdade revelada pelo Deus vivo e Suas obras. Por outro lado, a influência do pensamento judaico e das heresias cristãs na formação do pensamento islâmico tem sido frequentemente apontada. Os favores dos quais o Islã se beneficia hoje de alguns setores católicos também procedem de sua perda dos fundamentos da sua fé.
Com Nosso Senhor Jesus Cristo, não só a Revelação veio de Deus, mas foi ensinada pela Palavra de Deus, sendo possível até mesmo dizer que é una com Ele a partir do momento em que Ele se encarnou no seio da Virgem Maria. Apenas essa Revelação é ao mesmo tempo divina, sagrada e certa, porque Deus não pode enganar a humanidade. A mesma exigência de santidade é encontrada nos intermediários humanos queridos pelo Altíssimo para esta grande obra: a Imaculada Conceição de Maria, a santidade sublime de Seu precursor e de Seu pai adotivo, e a conversão exigida de todos nós.
Por outro lado, é necessário ter a franqueza de dizer que o erro é inseparável dos fundadores do islamismo, pois ao negar a divindade de Jesus, eles têm abusivamente se arregimentando contra Deus. Rejeitando o monoteísmo trinitário, eles falsificaram a fé no seu nível essencial, o da realidade divina; pela recusa da Encarnação, eles se separam das fontes da graça e reduziu-as a um formalismo "ex voluntate viri - da vontade do homem" substituto do sobrenatural autêntico.
A Responsabilidade dos católicos
A sobrevivência deste imenso mundo fechado para a revelação do Filho de Deus tem implicações para a nossa responsabilidade como católicos, assim como a dos clérigos.
Grandes almas anunciaram a evangelização dos muçulmanos depois de tribulações que, sem dúvida, são proporcionais à grandeza da intenção em questão. Na perspectiva desta hora da graça, cabe-nos renunciar ao pressuposto muito frequentemente adotado de que o Islã não pode estar aberto para receber a mensagem cristã. Sem dúvida, isso é difícil para os seus adeptos na medida em que eles são impedidos de ter acesso à Boa Nova, mas não se deve esquecer que o Todo-Poderoso fala a todo homem no mais íntimo de sua consciência e que Ele pode conceder todos os benefícios de Sua graça como Ele quiser. Neste sentido seria, sem dúvida, mais exato dizer que o muçulmano pode ser convertido porque ele deve e porque Alguém o convida a fazê-lo.
Este é o lugar onde as nossas orações para a obtenção de tal sinal de graça entram. É muito surpreendente que a hierarquia nunca solicite orações por essa intenção, embora sua principal missão seja anunciar a todos a salvação dos homens em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Encontrando esta omissão, o mundo islâmico confia em si mesmo, lança-se sobre a espada de contradições enganadoras, agita-se numa violência sem fim, e torna-se fechado em sua infelicidade espiritual. "Nós não queremos que a mensagem cristã seja difundida em países islâmicos", um dos seus diplomatas declarou sem rodeios.
Desde que nós nos encontramos na presença da mesma constante oposição milenar, o mesmo dever missionário continua a ser da competência da Igreja Católica.
Um desejo
Para o Senhor, que confiou o meio de salvação ao Seu Corpo Místico, mil anos são como um dia. Assim, na conclusão destas reflexões, vamos formar o desejo de que a Igreja dê um brilho especial à festa da descida do Verbo encarnado no ventre da Virgem Maria. Pode-se pensar que a glorificação deste grande mistério mereceria uma graça excepcional de visitação para todo o mundo e, particularmente, para os muçulmanos de boa vontade, até agora separados da única Palavra que salva.
A hora é grave para todos nós: buscando abraçar os movimentos sucessivos de uma civilização paganizada e favorecendo indevidamente as demandas por uma liberdade desviada em detrimento da mensagem de Jesus Cristo, não estamos fazendo mais nada a não ser avançar o momento das falhas temíveis que, em sofrimento extremo, irão levar os católicos e os muçulmanos aos seus deveres essenciais, a saber, a fidelidade perfeita para os primeiros e uma necessária conversão para os últimos.
Bem-aventurados serão eles que vivem para ver os homens do Islã pegar a estrada até o Berço Santo e ouvi-los exclamar, contritos de coração, mas alegrando-se em espírito: "Quem não amaria Aquele que tanto nos amou?... Viemos para adorá-Lo" (Mt. 2,2).

Pyrenaicus

Traduzido exclusivamente por Angelus Press da edição de abril de 2006 do Courrier de Rome (pp.5-6), a edição francesa da SiSiNoNo italiana.

Original aqui.
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Notas da tradutora:
[1] Eliseano: referente aos Campos Elíseos da Mitologia Grega, o lugar pós-morte reservado aos bons, onde se bebia vinho de uma cascata abundante e nunca se ficava bêbado, ou seja, um lugar com prazeres bastante terrenos. Os maus caiam no Tártaro, o Inferno grego. Tártaro e Campos Elíseos eram parte do Hades, o Reino dos Mortos. É interessante notar que tal como os gregos, muitos povos acreditavam que o Inferno é físico, que se cai lá dentro para nunca mais sair, e que possui entradas em vulcões, por exemplo. Isso não pode ser coincidência. Deus revelou aos homens de várias culturas a existência desse lugar de perdição eterna. Só não enxerga a existência do Inferno quem não quer.