quinta-feira, março 14, 2013

O sofrimento do Padre Bardeau

Por Elaine Marie Jordan
Traduzido por Andrea Patrícia

 


 Insígnias dos contra-revolucionários: acima, um distintivo com o Sagrado Coração e as palavras Deus e Rei; abaixo, a chouan (coruja) com as palavras Viva a Religião! e Viva o Rei!


Essa história de heroísmo do Pe. Bardeau dá uma pequena ideia do verdadeiro ódio e da Revolução Francesa pela Religião Católica. Latente sob o bravo chamado de Liberdade, Igualdade e Fraternidade estava o desejo de destruir a ordem sublime e hierárquica estabelecida na Cristandade pela Igreja Católica. Por isso o ódio contra a nossa sagrada religião.

Pe. Bardeau foi um desses que seguiram as tropas de Chouans, os defensores da realeza na França, especialmente na Bretanha, que lutaram contra a Revolução Francesa.  Eles pegaram o seu nome de um apelido dado a um dos seus líderes bretões, Jean Cottereau, que era acostumado a avisar seus companheiros sobre o perigo imitando os chouans (coruja-das-torres). Foram os homens de Vendeia e da Bretanha que fizeram a mais forte resistência contra os revolucionários. Os camponeses dessas regiões se levantaram para lutar pela Igreja e pela monarquia Católica.

Durante o Reino do Terror, quando as tropas revolucionárias iam entrar na cidade, populações inteiras fugiriam para escapar da chacina, pois a ordem vinda de Paris era peremptória: “Matem todos até o ultimo homem, mulher e criança. Esse é o dever de vocês”.

Foi durante essa época terrível que, em uma manhã bem cedo, o padre estava celebrando Missa para umas cinquenta pessoas - homens, mulheres e crianças – num celeiro abandonado na zona rural. Confiantes de que eles estavam bem protegidos, todos estavam recolhidos em oração. Como tudo estava preparado para a Comunhão, havia uma boa quantidade de hóstias consagradas.

A Comunhão estava começando quando a “surpresa” chegou. Atrás de uma janela alta os revolucionários estavam de tocaia para uma emboscada. Horas mais cedo eles tinham surpreendido e tomado as sentinelas - que estavam rígidas devido ao frio matinal - e tendo cercado o sítio, usaram a vantagem do toque dos sinos, que cobria o barulho, para avançar.  Os revolucionários planejavam abrir fogo contra o grupo assistindo a Missa durante a Comunhão, quando os Bretões estariam mais recolhidos e menos preparados para um ataque.

O padre ouviu um barulho que fez com que levantasse os seus olhos. Bem cima de um tipo de claraboia que tinha sido preenchida com feno acima da porta, houve um movimento. O feno caiu e uma longa barreira de rifles apareceu. Não havia tempo de gritar “Às armas!”. A chacina começou.

Foi a mais chocante e completa carnificina, uma pela qual os revolucionários iriam se congratular mais tarde. Ninguém escapou, com exceção do Padre Bardeau.

Depois de atirarem muitas vezes pelo recinto, fazendo com que o ar ficasse cheio de fumaça e cegando os congregantes, os revolucionários forçaram os sobreviventes a fazerem fila do lado de fora, um a um, para executá-los sem misericórdia. Eles deixaram o sacerdote por último.

Padre Bardeau tentou consumir as Hóstias deixadas no cálice, mas dois homens o agarraram e o mantiveram firmemente. Um deles olhou o cibório e, sorrindo, esvaziou-o dentro do chiqueiro perto do celeiro num chão imundo de leite coalhado, lama e excrementos.



O ódio aparece nessa cabeça simbolizando A Marselhesa, o hino revolucionário francês.


“Como você quer comer seus produtos, vá e pegue-os”, disseram os soldados, rindo e zombando dele. De joelhos diante da sentinela, Padre Bardeau estendeu sua mão direita para alcançar uma Hóstia. Um golpe de sabre cortou dois de seus dedos, deixando-os em cima da cerca. Ele estendeu sua outra mão. O sabre cortou através de sua palma. Os soldados riram em algazarra.

O padre espremeu suas mãos atrás das suas costas tentando parar o fluxo de sangue, que estava jorrando de suas mãos. Então, de joelhos, ele inclinou-se e tentou pegar com os lábios as sagradas Hóstias brancas que estava flutuando na sujeira.

Isso foi demais para as sentinelas, e eles caíram sobre o homem santo. Alguns bateram nele com as coronhas dos rifles, outros com suas pesadas botas militares. Finalmente, eles enterraram sua cabeça na lama e o deixaram para morrer.

“Eu agi como se estivesse morto”, ele confessou mais tarde, um pouco envergonhado do embuste. “Eles me deixaram lá na lama...”.

Quando ficou sozinho, ele empurrou o toco de seus dedos na profundeza pútrida da lama suja para preservar seu sangue e suas forças.

Os homens de Vendéia o encontraram uma hora mais tarde, lambendo a lama suja para pegar as Hóstias e mexendo a cabeça para afastar os porcos delas.

O padre foi resistente e sobreviveu à sua provação. Ele permaneceu como um símbolo da contra-revolução francesa em sua sublime obstinação.

Como descrito por Jean de la Varenne em Homme D’Ars

Original aqui.