quinta-feira, março 28, 2013

Quando a obediência torna-se a verdade

Por Padre Michael Beaumont
Traduzido por Andrea Patrícia


Qual é o princípio de fundo que opõe os católicos da Tradição aos católicos mais conciliadores, que reivindicam o Motu Proprio "Ecclesia Dei", que transigem sobre a liturgia, ou que se localizam em uma perspectiva simplesmente conservadora?
Há uma atitude bastante difundida atualmente no âmbito conservador da Igreja, que consiste em aceitar tudo (ou pelo menos muito) por "espírito de submissão" e "por dolorismo". Essa atitude pode ser resumida em dois princípios:
- "a obediência é a verdade."
- "sofrer é sempre merecer".

"Então, pelo simples fato de que eu obedeço aos homens da Igreja, eu estou na verdade. E se eu sofro por isso, necessariamente participo da cruz de Cristo, e então eu mereço para mim e para a Igreja. Assim dizem certos ‘conservadores’".
Aqui há falácias enormes:
-A autoridade eclesial favorece ou tolera o mal na Igreja. Esse mal, uma vez que vem da autoridade torna-se ipso facto a verdade; se eu adoto este mal por obediência, estou ipso facto na verdade de Cristo.
-Como eu estou interiormente oposto a esse mal, eu sofro profundamente ao adotá-lo por obediência; com o sofrimento, ao ser por si mesmo redentor, trabalho pela edificação da Igreja. Resumidamente: quanto mais destruo a Igreja (propagando o mal nela), mais eu edifico (pelo meu sofrimento).

Nossa posição teórica e prática de católicos tradicionalistas é diferente, e é baseada em dois princípios opostos:
-A verdade precede a obediência e a funda,
-O mal, enquanto tal, não produz jamais mais que mal e nunca é bom.
Aceitar as inovações más é participar diretamente na destruição da Igreja, e isso nunca é permitido, nunca é vantajoso, nunca é frutífero.
Além disso, não existe nem pode existir nenhuma obediência legítima contra a fé e que importe a sua diminuição.
Finalmente, o sofrimento por causa do pecado, do erro ou da loucura não é nada meritório por si mesmo.
Monsenhor Lefebvre caracterizava essas opiniões com a expressão forte, mas realista, do "golpe de mestre de Satanás." Esse golpe se reduz a três princípios:
- "Difundir, pela autoridade da própria Igreja, os princípios revolucionários que o próprio Satanás introduziu na Igreja.”
- "A Igreja vai destruir a si mesma pela via da obediência."
- "Satanás conseguiu fazer condenar aqueles que guardam a fé católica pelos mesmos que teriam de defendê-la e propagá-la".

Concluiu estas palavras de 13 de maio de 1974 com uma afirmação essencial, que é um princípio de divisão entre os conservadores e nós:
"Há palavras aqui que vão parecer para alguns como um ultraje à autoridade. Elas são, ao contrário, as únicas que realmente protegem e reconhecem a autoridade, porque a autoridade não pode ser senão para a verdade e o bem, e não para o erro e o vício".

Padre Michael Beaumont, Fideliter nº 129 e Iesus Christus nº 65, Setembro/Outubro de 1999.
Traduzido de Syllabus.