quarta-feira, junho 19, 2013

Obediência e fidelidade


Recomendo a leitura do texto Obediência e fidelidade, do Padre Giuseppe Pace. 

Trechos:

“Muitos ingleses obedeceram aos seus bispos, e tornaram-se Anglicanos, primeiro cismáticos e então, heréticos. Do mesmo modo no tempo de Ário, muitos fiéis, obedeceram aos seus bispos e se tornaram Arianos. Eis porque não é possível meditar sobre a obediência sem ter também presente a fidelidade.

Os Apóstolos se recusaram obedecer ao Sinédrio, embora sendo o Sinédrio a suprema autoridade de todos os Judeus, e então também dos Apóstolos: ”É preciso obedecer antes a Deus que aos homens” (Atos V, 29).

Quando São Paulo, não apenas não se conformou a conduta de São Pedro, apesar da mesma estar se tornando norma de conduta universal, acolhida por personagens de primaria importância como São Barnabé: mas precisamente porque estava para se tornar norma de conduta universal, com inelutáveis consequências doutrinais, São Paulo resistiu em face a São Pedro “In faciem ei restiti, quia reprehensibilis erat” (Gal. II, 12).

É este o primeiro caso de um bispo, e qual bispo!, que se opõe abertamente ao seu Papa, e qual Papa!

Se São Paulo, pro Bono pacis, não houvesse se insurgido corajosamente contra São Pedro, uma Igreja católica não desvinculada do Judaísmo teria morrido ao nascer, nós hoje, se ainda cristãos, estaríamos sob o julgo da lei judaica, que Jesus em vão teria tentado substituir com a sua nova lei.

O Senhor permitiu tal caso, e o quis documentado na Sagrada Escritura, como aviso e exemplo para os seus fiéis, e mais vezes ao longo do decorrer dos séculos na história da Igreja, os bispos e Santos encontraram no dito episódio o paradigma da sua conduta sofrida, mas necessária e providencial.

(...)
Disto segue-se que a obediência “cega”, entendendo por cega àquela que não quer se dar conta da autoridade da ordem, não é virtude, nem religiosa, nem cristã e nem humana.”
(...)
A Tradição é garantia de bem; as inovações participam muito amiúde em medida mais ou menos relevante da rebelião de Satanás. Por isso Satanás odeia a tradição e impulsiona a inovações, difundindo uma subdola infecção, muito contagiosa e causa de um irresistível prurido: o prurido da reforma.
Aos seus mais íntimos, Satanás confia abertamente os seus projetos e fala de reforma e de revolução; aos outras fala simplesmente de “aggiornamento”. Aggionar-se  quer dizer deixar o velho pelo novo. Afim de que isto se concretize Satanás substitui as categorias de bem e de mal, as categorias de novo e de velho. Bem é novo, porque novo, ainda que de fato seja mal; mal é velho, apenas porque é velho, mesmo se de fato é bom e ótimo. Assim, induzindo a aggiornar-se, induzindo a deixar o velho, induz-se a sair do caminho e a fazer o mal.

Somente a fidelidade a Santa Tradição nos permitirá subtrair-nos a tal pesado e infame julgo, para conservar sobre as nossas costas aquele Daquele que disse: “O meu julgo é suave, e o meu fardo é leve”  - Iugum enim meum suave est, et onus meum leve  – (Mt. 11, 30).”