quinta-feira, julho 11, 2013

A Neo-Igreja Contra a Natureza



Por D. Williamson*
Traduzido por Andrea Patrícia



Há meses, os meios de comunicação nos Estados Unidos vêm martelando a Igreja Católica pelo grave mau comportamento de um certo número de seus sacerdotes, nos últimos 30 ou 40 anos, com relação aos jovens em suas congregações. Assim, muito tem sido escrito e dito sobre o problema, muito mais do que eu mesmo sei ou tenho lido. Entretanto, algumas verdades importantes que incidem sobre a pergunta eu pouco vi ser mencionadas, ou não foram mencionadas de jeito nenhum. Vamos trazê-las à tona aqui.

À guisa de preliminar, deixe-nos dizer a quem a culpa não pertence essencialmente. Não pertence essencialmente a mídia. Essa carta chama frequentemente a mídia de “vil”, e sua vileza se mostra nesse caso no uso que ela faz da palavra “pedofilia” em vez de “homossexualidade” para nomear o problema. A palavra “pedofilia” se refere propriamente ao ato de molestar e abusar de crianças, digamos, abaixo de 10 anos de idade, enquanto que, de acordo com numerosos relatos, a esmagadora maioria dos crimes dos quais são acusados os padres envolvem garotos adolescentes, acima de 10 anos de idade, atividade a qual seria normalmente chamada pela palavra h-.

Mas há anos a mídia em sua vileza tem conduzido uma campanha consistente e persistente para legitimar na mente da população o pecado de h-, também chamado pecado contra a natureza, um dos quatro pecados que clamam ao Céu por vingança. Então como a mídia poderia glorificar a atividade h- por tanto tempo, e então se virar e condená-la nos padres? Por isso eles fingem que o problema é pedofilia, porque a maioria das pessoas – ainda – fica horrorizada pelo abuso de crianças pequenas, enquanto fica – em grande parte pela mídia – insensibilizada com relação ao horror do pecado contra a natureza, clamando aos Céus.

A mídia também pode ser culpada por coordenar o que é certamente uma campanha de escala mundial para explorar completamente essa atual fraqueza da Igreja. Tendo sido tomada em grande parte nas mãos dos inimigos da Madre Igreja, pela falta de vigilância ou cuidado da parte dos amigos da Madre Igreja, a mídia não é amiga da Igreja, e então ela naturalmente usa toda oportunidade para empurrar a Igreja para baixo. Entretanto, onde há fumaça há fogo, diz o provérbio. Como a mídia poderia fazer fumaça ao não ser que algum fogo estivesse dentro da Igreja? Se não houvesse tal mau comportamento difundido entre os clérigos, e conhecido pelas pessoas, o que a pior das mídias poderia fazer? Essencialmente, os clérigos cometendo ou encobrindo pecados não podem culpar a mídia.

Nem eles podem culpar as pessoas por não serem razoáveis, porque pelo menos em dois aspectos a reação popular dentro dos Estados Unidos está parecendo ser razoável.

Em primeiro lugar: enquanto cada sacerdote católico deveria em todos os momentos e em todos os lugares, pela sublimidade de sua vocação, comportar-se como um anjo, não obstante, ele carrega o tesouro de seu sacerdócio naquele fraco vaso de barro no qual caiu a natureza humana (II Cor. 4, 7). Então que nenhum de nós que conhece a fraqueza humana fique inteiramente surpreso de encontrar até mesmo seus piores surtos ocorrendo no sacerdócio, infelizmente. Razoavelmente, o povo americano hoje está se mostrando menos chocado com o baixo clero cometendo pecados do que com o alto clero encobrindo-os, o que já não é mais uma fraqueza (embora grave) da carne.

E em segundo lugar, para o crédito das pessoas, quando elas culpam o alto clero por encobrir os pecados dos mais baixos, elas parecem estar reconhecendo um direito prioritário da Igreja sobre o Estado para disciplinar os homens da Igreja. O povo parece estar dizendo menos que os crimes clericais são um assunto para o Estado, do que dizendo que a Igreja deve manter a ordem em sua própria casa, o que, enquanto a Igreja o faça, é antigo bom senso. 

Sendo assim nem a mídia nem as pessoas são essencialmente culpadas. Nós voltamos para os clérigos. E se, como dito, os homens que são sacerdotes católicos em todos os momentos e lugares tem dado provas de sua fraqueza humana, então o que é especial no problema de hoje é a sua escala. O pecado de h- entre padres parece ser não mais disperso, mas sim sistêmico. E, o que enraivece tantas pessoas, parece que tem sido sistematicamente varrido para baixo do tapete pelo alto clero.

Ai! É notório que há dezenas de anos a Igreja Católica tem sido infiltrada nos EUA pelos h-s. Voltando ao ano de 1980, o padre Enrique Rueda publicou seu livro “The h- network” [“A rede h-“] para documentar esse fato com uma grande quantidade de provas. Hoje se aprende que os seminários mainstream são crivados com professores h- e seminaristas h-. Como um bispo comentou recentemente, um primeiro passo em arrumar a recente bagunça seria “deslavandarizar” os seminários. Outro bispo comentou o quão apreensivos ficam os jovens normais (isto é, héteros [1]) ao entrar nos seminários de hoje nos EUA, pelo medo de serem assediados por esses pervertidos que são protegidos pelo sistema!

Mas como o sistema pode ter chegado a esse ponto? É aqui que se levantam duas respostas sistêmicas, nenhuma delas muito mencionada hoje, se é que é mencionada de alguma forma, e nenhuma que agrade a hierarquia católica atual. É exatamente por isso que existe um problema sistêmico. A primeira dessas respostas diz respeito a Missa, a segunda ainda que mais geral, diz respeito aos Dez Mandamentos.

Quanto a Missa, o Arcebispo Lefebvre sempre costumava dizer que ele não poderia ter manejado qualquer um de seus seminários com a Missa Novus Ordo (MNO). Todo o possível foi feito nos anos 70 e 80 para que ele introduzisse a MNO em seus seminários, mas ele disse que se tivesse feito isso, ele poderia muito bem ter colocado as chaves na porta dos seminários e ido embora! Ele mesmo nunca colocou dessa maneira, mas até onde lhe dizia respeito, um seminário católico sem a verdadeira Missa (Tridentina) é como um reator atômico sem urânio. De forma alguma ele poderia formar sacerdotes verdadeiros com uma falsa missa.

Pois, como ele sempre disse, sacerdote e sacrifício são intimamente relacionados. Não pode haver ritual de sacrifício sem sacerdote, nem sacerdote sem sacrifício. O sacrifício está no coração do sacerdote, e se você retira seu sacrifício, você parte o coração do sacerdote.

Então se você falsifica a Missa, que é claro é o sacrifício do sacerdote católico, então você falsifica o sacerdote. E se você falsifica o sacerdote católico, então ele corre o risco de se voltar para todos os tipos de direções idiotas para fins de substituição e satisfações, que irão incluir a atividade h-. Eu acho que se o Arcebispo Lefebvre estivesse vivo hoje, ele diria que, dado que a Missa Novus Ordo tem sido imposta aos sacerdotes católicos por mais de 30 anos, o que espanta não é o quanto isso acontece entre os sacerdotes, mas o quão pouco!

Entretanto, como em toda a crise atual da Igreja, enquanto o problema da Missa é o sintoma marcante, a moléstia é mais ampla e mais profunda. O que a MNO está tendendo essencialmente é a colocar o homem no lugar de Deus, violação direta do Primeiro Mandamento: “Eu Sou O Senhor teu Deus, e vocês não devem ter deuses estranhos diante de Mim” (Êxodo 20, 2,3). De fato, todo o essencial movimento e objetivo da Neo-Igreja é a idolátrica colocação do homem no lugar de Deus. Agora, o que São Paulo (palavra de Deus) diz que são as consequências da idolatria? Veja Romanos I, 18,31. “Os homens que retém a verdade de Deus pela injustiça (18)...mudaram a glória de Deus incorruptível em semelhança da imagem do homem corruptível (23), portanto (eu destaco) Deus os entregou aos desejos de seus corações, à imundície, desonrando assim seus corpos entre eles (24)”.

São Paulo continua a repetir essa conexão de causa e efeito entre quebrar o Primeiro e o Sexto Mandamentos com referência específica ao pecado contra a natureza: “Mudaram a verdade de Deus numa mentira; e adoraram e serviram a criatura em vez do Criador... (25). Por isso (eu destaco) Deus os entregou a vergonhosas paixões. Pois suas mulheres mudaram a relação natural pela relação contra a natureza (26). E, desse modo, os homens também, deixando a relação natural com a mulher, arderam em seus desejos uns pelos outros, homem com homem obrando no que é imundo, e recebendo em si mesmos a recompensa que foi devida ao seu erro (27)”. E no caso de que não tenhamos ainda compreendido que essa idolatria é o cerne do problema, São Paulo diz isso pela terceira vez! – “E como eles não quiseram ter o conhecimento de Deus (eu destaco), Deus os entregou ao sentimento depravado, para fazer aquelas coisas que não são convenientes (28)”, e então segue uma lista de pecados graves.

Deus não permita que “tradicionalistas” queiram jogar pedras na fraqueza dos padres mainstream, porque nós podemos ser punidos por Ele permitindo que nós caiamos nas mesmas armadilhas. Mas não foram os tradicionalistas que fizeram ‘dois mais dois é igual a quatro’. É São Paulo, falando por Deus, que coloca o dedo aqui no problema sistêmico da Neo-Igreja. Deus usa esse pecado para destacar a idolatria, e Ele parece agora estar recorrendo à autoridade secular para limpar o pecado de Sua Igreja. Ambos os movimentos são atos de misericórdia de Sua parte. Que Ele tenha misericórdia de todos nós!

De forma mais positiva, se eu conheço um h-, e quero tirá-lo (ou tirá-la) disso, deixe-me fazer o que eu puder para trazê-lo de volta ao verdadeiro amor e adoração do verdadeiro Deus. Foi quando Agostinho encontrou o verdadeiro Deus e começou a obedecer ao Primeiro Mandamento, que ele encontrou forças para obedecer ao Sexto!

*Carta de abril de 2002

Original aqui.
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Notas da tradutora:
[1] No original “straight” que significa correto, direito. Gíria para se referir a heterossexuais.