quinta-feira, julho 25, 2013

Ambiguidade Mortal



A língua dupla do Vaticano II
Por D. Williamson
Traduzido por Andrea Patrícia





Caros Amigos e Benfeitores,

Temos boas noticias de primeiro e segundo plano. As boas notícias de primeiro de plano são sobre sete novos sacerdotes da América do Norte. (…)

As boas notícias de Segundo plano são sobre a contínua realização dos desejos do Arcebispo Lefebvre de que aparecessem livros analisando o desastre do Concílio Vaticano II. Quando a Igreja Católica bateu naquele iceberg, a necessidade urgente era colocar os homens nos botes salva-vidas para salvar a Tradição Católica, em particular o verdadeiro sacrifício da Missa e o verdadeiro sacerdócio sacrificante. Mas o Arcebispo viu que uma vez que o problema imediato foi resolvido, então serenas análises aprofundadas seriam necessárias para ver como e por que o iceberg foi atingido.

Esta carta é acompanhada por folhetos apresentando dois desses livros. "O Problema da Reforma Litúrgica", da Angelus Press em Kansas City, é a tradução em Inglês do livro dos sacerdotes da FSSPX que foi anunciado na carta de abril do Seminário, acompanhado por um folheto cor-de-rosa (com uma batalha naval na capa). Este livro não é estritamente sobre o Concílio, mas vai ao coração das consequências litúrgicas do Concílio, a Missa Novus Ordo. Os leitores podem se lembrar de como o livro argumenta a partir de uma grande quantidade de citações dos próprios fabricantes da liturgia "renovada", de que esta liturgia representa, de fato uma nova religião. A Ressurreição em vez da Paixão de Nosso Senhor, “resurrefixos” para substituir crucifixos, rapidamente resume a diferença entre o Catolicismo e esta nova religião. Amor e felicidade sem penitência ou dor. Eu poderia querer que isso fosse verdade, mas eu sei que isso é falso!

O Segundo folheto apresenta os dois primeiros volumes do que deve ser uma maciça análise de onze volumes, desta vez diretamente sobre o próprio Concílio Vaticano II, por um leigo brasileiro que agora vive nos EUA, o Sr. Átila Sinke Guimarães.

A série é intitulada “Eli, Eli, Lamma Sabacthani”, que é o grito de angústia de Nosso Senhor na cruz: "Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?". Claramente, a série vai dizer que o Concílio Vaticano II foi como outra crucificação de Nosso Senhor. O Volume I “In the Murky Waters of Vatican II” ["Nas águas turvas do Concílio Vaticano II"], surgiu em 1997. O Volume IV, “Animus Delendi” (Desejo de Destruir), apareceu no ano passado. O Sr. Guimarães espera publicar os restantes nove volumes um por ano durante os próximos nove anos, o que é uma grande empresa e "uma consumação a ser devotadamente desejada”.

O Sr. Guimarães descreve no Volume I como ele foi discípulo do Dr. Plínio Corrêa de Oliveira, fundador da TFP (Tradição, Família, Propriedade), um dos principais movimentos leigos católicos do pós-guerra criado no Brasil e agora espalhado por vários países. Foi o Dr. Plínio, que em 1982 pediu ao Sr. Guimarães para realizar a sua análise do Concílio Vaticano II. Por dezesseis anos o Sr. Guimarães mergulhou no estudo de grande quantidade de sermões, discursos, escritos, livros do espírito dominante do Concílio. Suas conclusões, tradicionais em vez de conservadoras, causaram uma separação entre ele e a TFP, de modo que agora ele está publicando por sua própria conta. No entanto, no início do Volume I, ele presta uma bela homenagem ao falecido Dr. Plínio e à TFP, porque ele recebeu muito de ambos.

Agora, a Fraternidade São Pio X tem sérios problemas com o Dr. Plínio como líder católico, especialmente com relação aos seus últimos dias, e com a TFP, principalmente por causa do papel insuficiente que esta parece atribuir ao sacerdócio católico em seu planejado resgate da civilização cristã. Dada a decadência esquerdista do clero brasileiro nos anos imediatamente antes do Vaticano II, quando a TFP foi criada, este plano contraditório é compreensível, mas não é menos contraditório. Isso pode ajudar a explicar como a liderança da TFP já se voltou para o excesso oposto, uma aceitação implícita do Concílio Vaticano II. (Na verdade, quando o pastor é atingido em Roma, as ovelhas católicas ficam dispersas).

Quanto à FSSPX, ela só pode aprovar o fato de o Sr. Guimarães já não estar com os líderes da TFP por causa de sua aceitação implícita do Concílio. No entanto, isso não significa que a FSSPX aprova necessariamente tudo o que ele diz, assim como ele não tem de concordar com tudo o que foi dito e feito pela FSSPX. Na verdade, nestes dois primeiros volumes a aparecer, não há nenhum traço da FSSPX e pouco do Arcebispo Lefebvre. Não importa. Como Otelo diz: "É a causa, minha alma, é a causa", e o Sr. Guimarães presta um grande serviço à causa da Tradição Católica.

No primeiro volume ele apresenta o plano de todos os onze volumes: Vol. I, a "letra" do Concílio Vaticano II; volumes II a V, o "espírito do Concílio", volumes VI a XI o pensamento e frutos do Concílio.

No Volume I, ele declara que a marca distintiva do Concílio Vaticano II é a ambiguidade. Na Introdução Geral ele escreve: "Depois de algum tempo de análise e reflexão, chegamos à conclusão de que é difícil harmonizar os textos conciliares entre si. Eles apresentam uma dicotomia fundamental (divisão) da linguagem. ¾ da linguagem Conciliar pareceu-nos ter sido projetada para ser possível de ser interpretada do ponto de vista tanto da sadia e tradicional doutrina católica, ou, surpreendentemente, dos ensinamentos da corrente neomodernista que se instalou em muitas posições-chave na Igreja de hoje. Tal linguagem parece ser uma obra-prima de contínua ambiguidade. Tecida como uma preciosa renda Flamenga fora dos preciosos fios do vocabulário da Tradição, ela, no entanto, parece revelar o espectro de uma mentalidade completamente diferente. Assim o progressismo entrou nos documentos oficiais do Magistério com a cabeça decorosamente coberta pelo véu rendado da antiga linguagem tradicional" (pg. 35, 36, tradução ligeiramente adaptada).

Aqui o Sr. Guimarães acerta bem no alvo. Os documentos do Vaticano II são uma mistura contínua de duas coisas que não se misturam: o Catolicismo e a Revolução. Enquanto se insiste em que se misture o que não se pode misturar, se está afirmando que contraditórios não contradizem, se está suspendendo na cabeça de alguém a lei da não-contradição, e se está destruindo a capacidade da pessoa pensar. A Sabedoria Divina diz: "Eu odeio a boca de língua dupla" (Prov. 8, 13). Entre outras coisas, uma língua dupla apodrece o cérebro.

Por exemplo, como pode um cardeal escrever, como fez recentemente, que não havia nenhum problema doutrinário entre Roma (Conciliar) e o Arcebispo Lefebvre? Porque a adesão resoluta ao Concílio Vaticano II tem dissolvido sua ideia de doutrina. Como ele pode escrever, como fez recentemente, que em 2001 já não existem tais "dificuldades" entre Roma (Conciliar) e a FSSPX como havia no tempo do Arcebispo Lefebvre, porque, desde então, a Igreja tem sido "purificada"? Porque o duplipensar persistente destruiu em sua cabeça o sentido de noções como "pureza". Como ele pode escrever, como ele fez recentemente, que não existem mais dessas heresias como havia no tempo de Atanásio? Porque o incessante Conciliarismo cegou o Cardeal para o triunfo ao seu redor do que São Pio X chamou "a síntese de todas as heresias", Modernismo, ou, como renovado pelo Concílio Vaticano II, Neomodernismo. Para o cardeal dizer que os católicos hoje não têm nenhuma heresia em particular como a de Ário, quando suas mentes (e a dele) são lavadas pelo Neomodernismo, é como alguém dizendo que não há poças em um campo quando o campo está totalmente inundado!

Ambiguidade é realmente a chave para o Vaticano II, e é a chave para a apresentação do Sr. Guimarães do Concílio Vaticano II, no resto de seu Volume I. Ele termina com dois capítulos sobre a destruição, por essa ambiguidade, da fé e da unidade da Igreja, de seus clérigos e leigos. Tem razão. Documentos fadados a satisfazer ao mesmo tempo conservadores e progressistas terminariam justificando a contradição, que por sua vez terminaria gerando a contradição, a guerra civil e a destruição mútua no interior da Igreja.

O outro volume do Sr. Guimarães apresentado no folheto em anexo não é realmente o vol. II, mas o vol. IV, a primeira parte do "Desire to Destroy", que ele pretende publicar ao lado da segunda parte, vol. V. Isso é porque ele deseja pôr a descoberto o elemento inteiramente destrutivo operando no Vaticano II, também conhecido como Revolução. Com uma grande quantidade de citações diretas dos cérebros que dirigiram o Concílio Vaticano II intelectualmente e politicamente, ele mostra como a intenção deliberada deles era destruir a Igreja Católica hierárquica, sagrada e militante. Estes progressistas tinham um projeto (capítulo 1) para esvaziar a Igreja (cap.2), um plano claro (cap.3) para rebaixar a Igreja como uma monarquia (cap.4), para desacreditá-la como mestra da verdade (cap.5), para dissolver o seu caráter santo e Romano (cap.6), e por estes meios fabricar uma inteira Neo-Igreja (cap.7).

De forma interessante, o Sr. Guimarães mostra claramente em "Desire to Destroy" (I) que os vilões em seus próprios escritos não esconderam aquilo que eles ainda sentiam necessidade de disfarçar pela ambiguidade no Vaticano II, com a finalidade de obter o controle da Igreja. Assim, o disfarce no Concílio pode ter sido bom, mas os clérigos do Concílio deveriam ter discernido melhor. (Alguns bispos assim o fizeram). Conclusão: "Vigiai e orai". E leiam “Eli, Eli, Lamma Sabacthani”.

Caros leitores, esta é uma guerra gloriosa, e agora temos sete novos guerreiros de Winona nas linhas de frente. Como São Tomé Apóstolo disse de seu amado Mestre, "Vamos nós também, para que possamos morrer com ele" (Jo. 11, 15).

Carta de junho de 2001.

Original aqui.