quinta-feira, outubro 03, 2013

Feliz sou eu por não fazer mais parte dessa “Igreja conciliar”


Leiam esse belo texto de Robson Carvalho. Muito bom! Para os que tem olhos de ver:

Feliz sou eu por não fazer mais parte dessa “Igreja conciliar”

Em uma guerra, aprende-se que há momentos de avançar e de recuar. O bom general não é aquele que avança sempre, destemido, valente, bradando sua espada contra todos os “dragões”, ele é, ao contrário, aquele que sabe recuar quando necessário. E recuar, um verbo tão rejeitado pelo mundo moderno, por esse mundo acostumado somente com o sim, acostumado em confundir vitórias apenas com passos adiantes, evidencia discernimento. Avançar é fácil, todo ser dotado de mobilidade pode avançar; contudo, recuar se torna uma tarefa difícil, exige uma consideração intelectual complexa, elaborada, que contemple todas as possibilidades, todas as consequências. Há vitórias que só são possíveis quando damos passos atrás, quando recuamos.
Há semanas tenho – este pobre soldado – evitado dedicar meu tempo lendo artigos e publicações sobre a “Igreja”. Tomei tal decisão depois de perceber o desgaste emocional, psicológico, moral que determinadas notícias vinham me causando. Recuei para avançar. Assim, transcorridas essas semanas, posso dizer que estou menos inquieto, mais sereno, e pronto para o que segue.
Lendo o noticiário secular de ontem, deparei-me com a notícia das canonizações de João Paulo II e João XXIII, os dois papas que personificaram melhor o Concílio Vaticano II; o primeiro foi seu propulsor, imbuído do espírito moderno. O segundo, João Paulo II, por sua vez, foi o que implantou o Concílio, o que fez com que a fumaça que entrou no templo se espalhasse e sufocasse tudo. Os dois heróis, os dois grandes santos dessa massa de católicos paganizados, serão canonizados pelo novo “libertador”, o “restaurador” da “Igreja”, aquele que enfim veio livrá-la de seu passado pesado, de seus ritos complexos, de toda sua carga que sufoca as pessoas, afinal os tempos de hoje exigem “amor”, “compreensão”, e não mais doutrina, isso fica para um segundo plano, quiçá se tiver lugar na nova religião.
Essa leitura, longe de ter me deixado inquieto, demonstrou mais uma vez a realidade nua e crua, realidade que muitos teimam em negar.
Assim, voltando ao recuar e ao avançar, recuei para ter serenidade, para tomar uma decisão em paz. E meditando, questionei-me:
  • Será que algum dia existiu, pelo menos concretamente, e não na mente de determinadas pessoas, uma reforma da reforma?
  • Dom Fellay, líder da parcela mais significativa dos fiéis ligados ao que conhecemos como Tradição, que fez um mal tremendo ao querer se conciliar com algo inconciliável por conta de um pedaço de papel atestando “plena-comunhão”, não percebe a necessidade de curar essas mesmas feridas, reconhecendo seu erro? Ele não percebe quão caro está saindo seu silêncio?
  • Por que os demais grupos praticamente se calaram desde a eleição de Francisco? Onde está o pessoal de São Paulo com suas críticas acertadas? Onde está a FSSP? O IBP com sua crítica construtiva do Concílio? Por que os Franciscanos, grupo “plena-comunhão” que fez ataques elaborados e diretos contra o Novus Ordo, se calaram diante de tudo o que ocorreu? Obediência? Humildade? Obediência ao que? Humildade no que? Já dizia São Pedro, quando se trata da Fé integral: “antes obedecer a Deus que aos homens”;
  • Por que dessas críticas ácidas, desses adjetivos pesados e sem sentido contra os católicos “tradicionais” da parte do Papa, se ao mesmo tempo ele trata com “delicadeza”, com “complacência”, com “misericórdia”, todos aqueles que guerreiam abertamente contra Cristo? Esse Papa não nos quer bem, ou nos submetemos à nova religião, ou seremos legados ao ostracismo, à periferia, e garanto que não é a periferia que ele tanto cita em seus discursos;
Por tudo isso, digo abertamente que já não condeno e nem vejo com maus olhos os chamados católicos da Resistência, grupo liderado por Dom Williamson. Estes são os únicos que ainda combatem pela Fé de forma organizada, e só não faço parte desse movimento fisicamente, porque não há nenhum grupo estabelecido em Ribeirão Preto e região.
Concluindo, me unindo espiritualmente a todos eles, e, graças a Deus, tomando as palavras de Dom Tissier, afirmo: “feliz sou eu por não fazer mais parte dessa “Igreja conciliar”". Que canonizem quem eles quiserem, que reformem o que eles quiserem, que mudem o que eles quiserem, pois esse não é o catolicismo que estudo todos os dias nos livros de outrora, essa não é a Roma eterna!
Robson Carvalho