quinta-feira, novembro 21, 2013

Madre Teresa 'Beatificada' com Ritos Idólatras

Por Cornelia R. Ferreira
Traduzido por Andrea Patrícia



Foi um dia triunfante para o paganismo. O Cardeal Simon Lourdusamy alcançou o zênite de sua carreira em Hinduizar a Igreja Católica, enquanto seu oponente, o antigo líder da Resistência Indiana, Victor Kulanday, foi vencido de maneira retumbante. Foi em 19 de outubro de 2003, e diante de uma audiência de milhões, Madre Teresa de Calcutá foi alegadamente beatificada numa Hinduizada Missa Papal na Praça de São Pedro. As sementes desse falso culto foram plantadas em 1969 pela Conferência de Bispos Católicos da Índia e pelo presidente da Comissão de Liturgia, Arcebispo Lourdusamy de Bangalore. A subversão da Fé na Índia, feita por eles, foi exposta no livro de Kulanday, The Paganization of the Church in India 1.

Resumidamente, em nome da inculturação, e com muitos subterfúgios, Lourdusamy incorporou doze gestos e rituais Hindus ao Sacrifício da Missa, efetivamente assim, Hinduizando-a. Ainda assim, desde que essa mixórdia panteísta foi nomeada de “Indianização” em vez de “Hinduização”, e como um modo de “adaptar aos próprios modos indianos de expressar reverência e adoração a Deus Pai e a Nosso Senhor Jesus Cristo”, isso recebeu aprovação do Vaticano em dez dias.

Em 1963, a Sacrosanctum Concilium (nos. 37-40) do Vaticano II, aprovou as liturgias inculturadas, mas a Missa Tridentina não pôde ser paganizada porque o Latim, como notado por Pio XII, era “uma salvaguarda efetiva contra a corrupção da verdadeira doutrina”2. A inculturação precisa envolver a linguagem de uma determinada cultura. Em 3 de abril de 1969, o Papa Paulo VI, desconsiderando prévias condenações magisteriais da Missa em vernáculo como “facilmente produtora de muitos males”3 promulgou a vernacular Missa Novus Ordo. Doze dias depois, em 15 de abril, o Arcebispo Lourdusamy em pessoa realizou a “Missa” Hinduizada, com seus mantras ocultos e rituais idólatras, para oficiais do Vaticano, incluindo o padre maçom (mais tarde Arcebispo) Aníbal Bugnini. Foi Bugnini, então Secretário do Concílio e principal arquiteto da Missa Novus Ordo, quem ilegalmente aprovou os “Doze Pontos” em 25 de abril4. A Índia tomou a liderança na sincretização da Igreja.

Uma Teologia da Inculturação

A Hinduização foi rapidamente expandida para todos os aspectos da Igreja na Índia – sua teologia, vida espiritual e ensinamentos morais – para produzir uma Igreja Católica Indiana. Kulanday descreve a intensa doutrinação dos sacerdotes, religiosos e leigos feita por Lourdusamy, seu irmão, Pe. D. S. Amalorpavadass, Diretor do Centro Bíblico, Catequético e Litúrgico Nacional dos bispos (fundado por Lourdusamy5), e seus discípulos. Eles ensinam que Cristo está presente, embora Escondido, no Hinduísmo. Sendo assim, Ele abençoou o Hinduísmo, então todas as suas superstições podem ser enxertadas no Catolicismo6.

Victor Kulanday e sua esposa Daisy fundaram um jornal e o Congresso Todo Laicato da Índia para expor a paganização e defender a Fé, o que eles tem feito por duas décadas. Uma petição contra a inculturação assinada por mais de 7.000 católicos foi ignorada pela Conferência dos Bispos, então uma delegação do Congresso foi a Roma em 1984 para pedir ao Papa João Paulo para parar a paganização. Eles haviam documentado a natureza Hindu dos Doze Pontos, a ilegalidade de sua aprovação, e o êxodo para o pentecostalismo de católicos enojados. Ainda assim Roma não fez nada, embora Kulanday fosse um proeminente católico que tinha representado oficialmente a Santa Sé em encontros internacionais7.

O Papa João Paulo elevou Lourdusamy a Cardeal em 1985 e nomeou-o Prefeito da Congregação das Igrejas Orientais. Ainda assim Kulanday ainda acreditava que Lourdusamy e seus aliados não conseguiriam enganar Roma para sempre, e o Papa João Paulo “faria a coisa certa para salvar a Igreja na Índia”8.

Entretanto, a aprovação universal para a Hinduização e sincretização da Igreja estava aumentando, graças a Federação das Conferências dos Bispos da Ásia, fundada em 1970 e apoiada por Paulo VI e João Paulo II. O Cardeal Lourdusamy observa que as publicações da FCBA, o fruto de seus muitos seminários, “tiveram considerável influência no pensamento das conferências episcopais fora da Ásia”.

A meta da FCBA é a inculturação e a formação de igrejas nacionais independentes de Roma. Ela desenvolveu uma “teologia da inculturação” enraizada na heresia da salvação universal. Ela ensina que a inculturação significa que se deve adotar os ritos espirituais das religiões indígenas, ou seja, suas “expressões populares de fé e piedade”, porque as “sementes do Evangelho foram plantadas [neles]  antes da evangelização.” “Se a igreja deve ser verdadeiramente um ‘sinal [não o meio] de salvação,’ ela precisa ser local, pois só irá comunicar o amor salvador de Deus quando cessar de ser estruturada, governada e simbolizada de uma maneira estrangeira”9.

Lourdusamy mais tarde esteve apto a espalhar suas ideias ao servir como Prefeito das Igrejas Orientais e como Secretário da Congregação para a Evangelização dos Povos, e como membro de numerosos corpos da Cúria. No Sínodo dos Bispos Asiáticos em 1998, na presença do Papa, ele opinou: “Se o Cristianismo na Ásia deve se enraizar e gerar frutos, a inculturação é uma necessidade. Mas a inculturação precisa começar com as raízes, não com os galhos.” A Igreja na Ásia “precisa ouvir o que o Espírito tem a dizer a Ela através de outras [formas de] fé que não a Cristã, onde as ‘sementes do Verbo... repousam escondidas’”. A Igreja na Ásia deve “inculturar a fé para permitir que Cristo renasça e seja revelado em Sua face asiática....”10.

Os Homens deles no Vaticano

Mas para uma incorporação dos ritos pagãos na Missa ser aceita por toda a Igreja, será necessário um “imprimatur” papal. Para isso, os Hinduizadores precisam de um homem no Vaticano, e eles o encontraram: o Mestre de Cerimônias do papa desde 1987, Arcebispo Piero Marini. Suas credenciais por realmente Hinduizar a Missa papal resultariam de ele ter sido secretário pessoal do Arcebispo Bugnini,11 o prelado que deu permissão a Lourdusamy para Hinduizar a Missa na Índia.

Marini é um protegido de Bugnini. De acordo com Inside the Vatican,12 Bugnini pessoalmente recrutou-o num seminário em uma pequena cidade para continuar seus estudos no Instituo Litúrgico Santo Anselmo, em Roma. Imediatamente após a ordenação em 1965, Marini entrou na Cúria e foi “envolvido na implementação” da revolução litúrgica do Vaticano II.

Marini é pessoalmente responsável por Missas papais “criativas”. Ele não parece ver a Missa como Sacrifício do Calvário feito novamente pelo próprio Jesus — ou seja, Deus. Ele vê isso como uma “celebração” planejada “com uma visão voltada para o resultado que se deseja obter.” A celebração é “atuar num palco. A Liturgia é também um show.”13 Infelizmente, “[m]ais pessoas tem assistido Missas planejadas por Marini do que por qualquer outro liturgista no mundo,  o que dá a ele enorme poder para moldar a ideia pública do que é o culto católico”14. Sem dúvida, o Santo Padre gosta dos  enfeites de Marini porque ele o consagrou bispo em 1998 e arcebispo em outubro de 2003.

Lembre-se que a inculturação, como definida pelos Bispos Asiáticos, significa usar os meios populares de expressão das religiões indígenas. Marini agradece ao Vaticano II e as viagens do Papa por ajudar a causa da inculturação litúrgica. Ele faz a afirmação original de que as danças nativas expressam o caráter “universal” das liturgias papais. 15 Liturgias nacionalísticas, entretanto, não apenas fraturam a unidade e a verdadeira universalidade do culto de Igreja, como também introduzem elementos do paganismo.

Um passo importante na paganização foi colocar a dança “litúrgica” na Missa. Mas a Sagrada Congregação para o Culto Divino, com Bugnini como Prefeito, disse o seguinte em 1975:

“A dança nunca constituiu uma parte essencial na liturgia oficial da Igreja Latina. Se Igrejas locais introduziram a dança, mesmo nos templos, isso foi por ocasião das festas para mostrar sentimentos de júbilo e devoção. Mas a dança sempre teve lugar fora das ações litúrgicas 16. As decisões conciliares têm condenado com frequência a dança religiosa, como não adequada ao culto, e também porque isso poderia degenerar em desordens... portanto, não é possível introduzir algo assim na celebração litúrgica; seria trazer para a liturgia um dos mais dessacralizados e dessacralizadores elementos; e isso seria o mesmo que introduzir uma atmosfera de profanidade”....17.

Contudo, um imprimatur implícito para a profanidade tem sido dado pelas Missas papais onde acontecem danças. Para Marini, inculturação significa integrar música, linguagem e movimento físico de uma certa cultura ou religião18, então dança nativa tornou-se de rigueur [costume], não apenas “fora das ações litúrgicas,” mas também durante a Missa. Uma vez que a profanidade foi explicada sempre como uma expressão de júbilo de uma cultura em ocasiões especiais (como visitas papais), então a dança como um elemento dos ritos pagãos pode ser introduzida sem que ninguém suspeite de seu verdadeiro significado.

Um Ensaio Geral 

O ensaio para a beatificação de Madre Teresa foi a Missa do Papa em Nova Deli em novembro de 1999. Reportagens dos meios seculares declararam que o evento foi “amarrado com simbolismo Hindu [não indiano]” e envolveu “rituais tradicionais do templo.”19 De fato, com aprovação papal, pódio, altar, decorações, vestimentas, a Missa, e os discursos foram todos ligados ao Divali, o “Festival das Luzes” Hindu sendo celebrado naquele dia. De acordo com o Padre Ignatius, um organizador, o tema do serviço foi o Divali.
Paralelos foram traçados entre Cristo, a Luz do Mundo, e esta festa pagã20 cujo maior aspecto é o culto a Lakshmi, a deusa da riqueza. (Houve apostas pesadas neste momento).

Além de riqueza material, a deusa também traz a riqueza espiritual da ”iluminação interior” e da auto-iluminação” ocultas para as trevas da ignorância espiritual, e essa luz é simbolizada pelas lamparinas a óleo que dão nome a festa. Os Hindus cultuam a luz como um símbolo da consciência interior ou conhecimento, e eles cultuam esse conhecimento  como “o Senhor Supremo,” o deus interior, a maior forma de riqueza. Assim, “todas as cerimônias auspiciosas começam com o acendimento da lâmpada”21. Então a Missa papal começa com cinco pessoas acendendo uma lâmpada a óleo22.

Igualar Cristo a essa idolatria na qual livros de contas são cultuados e vacas recebem adoração especial como encarnação da deusa Lakshmi23 é blasfêmia e panteísmo, a heresia condenada pelo Beato Pio IX, que ensina que Deus é um com o universo, falsidade com verdade, maldade com bondade24. É insincero da parte do Arcebispo Marini alegar que o Divali Hindu é uma “festa das luzes não-sectária para celebrar a vida e agradecer a Deus {qual deles?] por todas as suas bênçãos e a retidão de seu tratos com os seres humanos”25.
Agora, durante o Cânon da Missa, na Doxologia, com o Santo Padre segurando no alto as Sagradas Espécies — ou seja, com Jesus presente no altar — um ritual de triplo arati foi realizado por jovens moças (Marini) ou sete freiras (The Tribune)26. Isso envolveu um pushpa arati, o balançar de uma bandeja de flores com uma luz queimando no centro, e uma chuva de pétalas de flores; dhupa arati, uma homenagem com incenso; e deepa arati, a homenagem à luz, balançando a cânfora de fogo, e o toque de sinos, acompanhado por um hino Tamil Hindu27.

A cânfora simboliza o ciclo purificador de reencarnações que é necessário até que a pessoa torne-se divina. Os hindus acreditam que o toque do sino produz o “som auspicioso” OM, “o nome universal do Senhor”28. OM é também o deus supremo hindu Krishna e possui significados sexuais e em magia negra. Em 1980, o Cardeal Wladislaw Rubin, predecessor de Lourdusamy como Prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais, proibiu o uso do OM no culto cristão porque isso é “uma parte essencial, integral do culto hindu”29. Então o OM deslizou para dentro da Missa papal, disfarçado como sinos!

O acendimento da lâmpada e o ritual do arati também foram realizados na Missa de beatificação de Madre Teresa. (O significado do arati será explicado brevemente.) O Cardeal Lourdusamy, arquiteto chefe da Hinduização da Igreja na Índia, foi co-celebrante como o Papa João Paulo na Missa HInduizada de Beatificação. Embora acontecendo em Roma, não na Índia, foi inculturada seguindo outra regra do Arc. Marini. Marini disse que Monsenhor Michael Wren, um comentarista dos Cavaleiros de Columbus - transmissão de cerimônias financiada pela EWTN - “explicou que há uma tentativa de incorporar expressões culturais de nações das quais os santos ou beatos vem.” O palavrório de fato do Monsenhor Wren e do co-apresentador Raimundo Arroyo adicionou um ar surreal à transmissão, pois eles pareciam anestesiados, incapazes mesmo de expressar surpresa quanto às óbvias novidades. A indiferença deles ajudou a tranquilizar os telespectadores na aceitação do paganismo como um belo toque cultural. A marca do modernista é o seu amor pela novidade. Em sua condenação do Modernismo, o Papa São Pio X exclamou, “Longe, longe do clero esteja o amor pela novidade! Deus odeia a mente orgulhosa e obstinada”30.

A Abominação da Desolação

Após o Kyrie da Missa e a beatificação, uma cerimônia hindu de puja (adoração) começou. O puja tem várias etapas, mas sempre inclui dar as boas vindas à deidade e oferecer flores, incenso e lâmpadas acesas a ela, acompanhado de movimentos de prostrações e profundas reverências para saudá-la. O culto com essas oferendas é exigido pelos deuses, para gratificação e prosperidade do ofertante, no clássico poema épico hindu Mahabharata31. As lâmpadas do templo são acesas pavio após pavio, seguindo a colocação das flores aos pés do ídolo. Como explicado acima o acendimento das lâmpadas denota o culto à luz e o início da cerimônia hindu; é também culto ao fogo, o fogo sendo deus. Os tipos, as cores e os perfumes das flores escolhidas são particulares a cada deidade. Para apaziguar deidades iradas, especialmente as femininas, as oferendas incluem carne e sangue de animais sacrificados. O puja é também parte do culto ao guru, santo ou convidado de honra, “como representante da deidade.” A cerimônia termina com um arati32.

O puja de beatificação seguiu esse padrão! Houve uma procissão de “oferendas” de flores, velas em lâmpadas de argila, lâmpadas de vidro acesas e um grande ícone com moldura de coração e uma ampola contendo o sangue de Madre Teresa. Esse relicário foi colocado numa pequena mesa perto do altar. (Monsenhor Wren “acredita” que o sangue “foi extraído na exumação do corpo.” Isso foi ou um relato desleixado ou desinformação deliberada, pois é bem conhecido que o corpo não foi exumado.) Com profundas reverências, mulheres vestidas de sári fizeram um deepa arati com lâmpadas de argila na área do altar e relicário, acompanhado por canto e tambores indianos. Jovens garotas colocaram flores azuis e brancas (significando as cores do hábito de Madre Teresa?) aos pés do ícone na mesa, e outras pessoas colocaram as lâmpadas de vidro, uma a uma, no lampadário em frente disso. Um hindu pode até ser desculpado por pensar que a Madre — ou o sangue dela — foi adorado, talvez em solidariedade com aqueles hindus que a consideram uma deusa, e até mesmo equivalente a deusa sedenta de sangue Kali, que também incorpora a compaixão 33.
Monsenhor Wren achou o que ele chama de “cerimônia das ofertas” “extremamente comovente”, e os cantos “um deleite muito, muito, especial para todos nós.” Ele não denominou o recipiente das oferendas nem explicou porque elas eram necessárias. A cerimônia das ofertas é o Ponto 10 nos Doze Pintos para Hinduização das Missas de Lourdusamy34.
 
Agora, na parte mais solene da Missa, o Cânon, o fiel contempla Jesus crucificado. Na Missa Tridentina, as orações são feitas silenciosamente pelo sacerdote em memória das horas horríveis durante as quais Jesus ficou pendurado na cruz, suportando em silêncio as zombarias e blasfêmias dos judeus35. Mas, como em Deli, logo antes do Pai Nosso na Missa de Beatificação, Jesus teve que suportar um blasfemo ritual hindu.

Enquanto dois clérigos seguravam no alto a Hóstia e o Vinho consagrados (ou seja, o próprio Jesus), após o Grande Amém, uma trupe de mulheres de meia idade quase anciãs, vestidas de sáris nas cores da bandeira indiana, desfilaram ao pé do altar ao som de uma melodia afetada. Elas seguravam bandejas de metal cobertas com flores. Algumas bandejas tinham chamas no meio, outras tinham palitos de incenso. Monsenhor Wren (ou Arroyo?) anunciou um “rito litúrgico especial, arati, de acordo com o costume cultural indiano.” (Zenit mais tarde reportou que o arati é um “rito indiano de adoração e reverência e intimidade com Deus, empregado em Missas solenes.”36)

Subitamente se é sacudido pelo lamento discordante de um canto Tamil e instrumentos indianos enquanto as mulheres procedem fazendo o serviço. As bandejas com chamas são mantidas no alto e circundadas no sentido horário, flores e pétalas são espalhadas (deepa e pushpa arati), e os palitos de incenso são oferecidos (dhupa arati). É dito aos espectadores que o canto era “Senhor, nós o adoramos com luz, nós o adoramos com incenso, nós o adoramos com flores.” Um entusiástico bater de palmas e animação de torcida saudou esse “entretenimento” que disfarçou um ritual hindu.

Como explicado acima, a adoração com flores, incenso e luz é exigida pelos deuses hindus. Arati é definido como um ritual do templo no qual um fogo num prato é balançado em frente a uma deidade na direção horária37 [a]. Nós já vimos que a luz é cultuada como do Senhor Supremo da consciência interior. Aquele que queima o arati torna-se divino e escapa do ciclo purificador de reencarnações.38 A direção horária simboliza a divindade da pessoa, cultuada num ídolo exterior39.

Agora, um missionário francês do início do século XIX, Abade Dubois, que passou trinta anos no sul da Índia, escreveu um livro altamente aclamado, Hindu Manners, Customs and Ceremonies [Modos, Costumes e Cerimônias Hindus]. Como os santos Tomé e Francisco Xavier, ele não descobriu nenhuma semente do Verbo (ou seja, Cristo) escondida no Hinduísmo; em vez disso, ele descobriu que os hindus “pareciam ter ultrapassado todas as outras nações ... na depravação ultrajante com a qual tantos dos seus ritos era impregnada.” Com relação a música hindu, ele disse, “cada nota da escala hindu tem uma marca característica de alguma divindade, e inclui muitos significados ocultos....”40.

Arati, ele reportou, é feito apenas por mulheres casadas (o que pode explicar a idade madura das mulheres durante o Cânon) e cortesãs (dançarinas e prostitutas do templo)41. Arati é o mais importante ritual hindu, realizado durante quase todas as cerimônias. Arati, significando infortúnio ou dor, é também cultuado como a deusa Arathi, para aplacar a sua cólera. As invocações são para ela42. O ritual é feito “para agradar a divindade com luzes e cores brilhantes e também para neutralizar o mau-olhado.” É também realizado em público ou privado para ídolos, pessoas importantes, crianças, propriedade nova, colheitas, animais e tudo o que seja de valor, para prevenir dano advindo do mau-olhado. O prato adquire o poder da deidade e por si torna-se um ídolo 43.

Fraternidade Universal 

Nosso Senhor Jesus Cristo, Deus Verdadeiro, precisa de proteção contra mau-olhado? Ou o arati simboliza que Jesus não é o verdadeiro Deus vivo, mas um ídolo mitológico fazendo par com deidades hindus? Ou a cerimônia foi feita para proteger o Papa e seus concelebrantes? Na Missa Hinduizada na Índia, o celebrante é saudado com um arati (Ponto 10)44. Mas no Hinduísmo em si, as mulheres nunca fazer o arati num sacerdote dentro do sanctum sanctorum. Isso é considerado uma abominação. Não é permitida a presença de mulheres perto da área sagrada do altar do templo 45.

O triplo arati é o Ponto 12 dos Doze Pontos 46. Portanto, é enganoso alegar que o arati é um modo indiano de adoração. Católicos indianos nunca fizeram arati ou puja. Estas cerimônias foram impostas a eles em 1969. Agora, 34 anos depois, o mundo é trapaceado para acreditar que o arati é um rito solene que eles sempre tiveram em ocasiões especiais.

O professor J. P. M. van der Ploeg, OP, Doutor de Teologia Sagrada e Sagradas Escrituras, disse que a Missa Hinduizada é uma “mistura litúrgica sincrética” que “irá quebrar a unidade da Igreja. Dessa forma, uma nova seita irá nascer: uma Hindu-Cristã, e ainda resta ser visto se esta será predominantemente Cristã ou Hindu”47. Catolicismo misturado com Hinduismo é panteísmo, não Catolicismo. Portanto, a cerimônia sincrética foi uma beatificação válida?

Nossos primeiros pais também adoraram a luz do proibido conhecimento “interior” para se tornarem divinos. Toda idolatria é culto a Satã. Jesus morreu na Cruz para redimir a humanidade da danação merecida por esse pecado tão abominável. Em Deli e em Roma, embora suspenso na Cruz, Ele foi mais uma vez submetido à adoração do homem pela luz do conhecimento, proclamando sua divindade. Será que o culto a Lúcifer misturado a Missa papal constitui a “abominação da desolação” dos últimos dias?48
 
O falecido Cardeal Valerian Gracias de Bombaim declarou que os pujas e mantras hindus são “alheios” as cerimônias católicas. “Ao adotar formas de expressão alheias a nossa Liturgia,” ele perguntou, “eles tem certeza da ideologia hindu específica sublinhada nessas formas?” Outro bispo indiano declarou francamente: “Pessoas que Indianizam... pretendem destruir a Igreja Católica.”49.

Em 1988 Kulanday avisou:

“A não ser que a atual mania louca de paganizar [sic] a Fé seja... abandonada, o século XXI irá ver apenas uma forma híbrida de Cristianismo, dificilmente vivo e sim sufocado e perecendo. Que Deus não permita que tal catástrofe aconteça. Mas acontecerá a não ser que a Santa Sé perceba [sic] o perigo e aja firme e rapidamente.”50.

Misericordiosamente, ele não viveu para ver uma Missa Papal Hinduizada de Beatificação, que deu um imprimatur papal a abominação que certamente irá se espalhar pelo mundo inteiro. Como o Arcebispo Marini observa: “A liturgia do papa sempre foi imitada... a liturgia papal sempre foi um ponto de referência para a igreja inteira.”51.

O objetivo do sincretismo é a fraternidade universal, é a Nova Ordem Mundial Luciferiana Maçônica. Uma das intenções das Orações dos Fiéis, no Ofertório da Missa de Beatificação, foi: “Senhor... [f]avoreça uma fraternidade universal, a promoção de ... culturas, diálogo entre religiões. Nós rezamos ao Senhor.”


Notas
:

1. Rev. 2d ed., São Tomé, Madras, 1988.
2. Mediator Dei Christian Worship, 1947, no. 62. O Papa condenou a “deliberada introdução de novos costumes litúrgicos” na mesma seção.
3. Pio VI, Auctorem Fidei, 1794, citado no Denziger: The Sources of Catholic Dogma (St. Louis, MO: B. Herder Book Co., 1957), no. 1566. Veja também n. 1533 (Pio VI) e 956 (Concílio de Trento); Mediator, ibid.
4. Kulanday, p. 16-21, 23, 37-38, 66. Os especialistas citados por Kulanday afirmaram que a permissão deve ser dada pela Congregação dos Ritos, não pelo Consilium, que era apenas um corpo consultor sem poder legislativo.
5. “Cardinals from India,” sathyadeepam.org, 24 novembro 2003.
6. Kulanday, passim.
7. Ibid., p. 156-73; contra-capa.
8. Ibid., p. 237.
9. Padre Stephen Bevans, SVD, “Twenty-Five Years of Inculturation in Asia: The Federation of Asian Bishops’ Conferences, 1970-1995,” FABC Paper No. 78, Parte II, ucanews.com, 22 de novembro de 2003. O Evangelho de Cristo foi espalhado através da evangelização; entao a alegação que sementes do Evangelho foram plantadas antes da evangelização é uma reformulação da heresia de que Cristo sempre esteve presente, mas Escondido, no paganismo.
10. “Speeches in the Synod Hall,” Third General Congregation, 21 de abril de 1998, zenit.org.
11. John L. Allen, Jr., “The Papal Liturgist,” nationalcatholicreporter.org, 20 de junho de 2003.
12. Crista Kramer von Reisswitz, “The Perfectionist,” Abril 1998, p. 54.
13. La Civiltà Cattolica entrevista, citado em Sandro Magister, “New Liturgies. Bishop Piero Marini Doesn’t Like TV,” www. chiesa.espressonline.it, 29 de novembro de 2003.
14. Allen, ibid.
15. Ibid.; “Pope’s Chief Liturgist Defends Use of Dance in Papal Masses,” catholicnews.com, 16 de outubro de 2003.
16. Quando houve dança nas igrejas? Parece que esas três primeiras sentenças foram inseridas para serem usadas no future por inculturadores.
17. Notitiae, junho-julho 1975, p. 202, trans. Clementine Lenta, Liturgical Directives (Duluth, MN: Nina Publications, 1984), p. 2.
18. Cf. Allen, ibid.
19. “Pope Defends Conversions in India,” (BBC), uga.edu/bahai/News, 7 de novembro de 1999; Pamela Constable, “Pope’s India Visit Ends on Note of Unity” (Washington Post), ibid., 8 de novembro de 1999.
20. Smeeta Mishra Pandey & Sunetra Choudhury, “Pope Prays for Peace as Piety Takes Centrestage,” indianexpress.com, 7 de novembro de 1999; “Indian Elements in Holy Mass,” tribuneindia.com, 2 de novembro de 1999; Constable, ibid.; Bispo Piero Marini, “Pastoral Visit of His Holiness Pope John Paul II to New Delhi,” search.vatican.va, 5 de novembro de 1999.
21. “All About Hindu Rituals,” saranam.com, 15 de novembro de 2003; “Deepavali,” hinduism.co.za, 22 de novembro de 2003.
22. “Pope Defends Conversions.” O número 5 possui significado no Hinduísmo.
23. Explicações sobre o Diwali foram obtidas em 22 de novembro 2003 de: “Deepavali,” ibid.; “About Diwali,” diwali.indiangiftsportal.com; “History of Diwali,” indiaexpress.com; Sakshi, “Diwali — A Festival of Lights,” issuesmag.com; “Diwali,” www.3kumc.edu.
24. Syllabus de Erros, 1864, no. 1.
25. Marini, ibid.
26. Ibid.; “Indian Elements in Holy Mass.”
27. Marini, ibid.; Pandey and Choudury, ibid.; “Indian Elements.”
28. “Hindu Symbols,” hindutrac.org.au, 14 de novembro de 2003; “All About Hindu Rituals.”
29. Abbé J. A. Dubois, Hindu Manners, Customs and Ceremonies, 3d ed., trans. Henry K. Beauchamp (Oxford: Oxford University Press, 1906), p. 533, 616-17; Kulanday, p. 68-72.
30. Pascendi Sobre as Doutrinas dos Modernistas, 1907, no. 49.
31. “Flowers — Incense — Lamps,” hinduism.co.za, 14 de novembro de 2003.
32. Ibid.; “All About Hindu Rituals”; Kulanday, p. 33, 36, 75, 163; Dubois, p. 147-48; Benjamin Walker, Hindu World: An Encyclopedic Survey of Hinduism, 2 vols., (London: George Allen e Unwin Ltd., 1968), 2:608- 9; “Puja” e “Flowers,” gurjari.net, 14 de novembro de 2003.
33. Paul McKenna, “Mother Teresa was an Ecumenical Catalyst,” The Catholic Register (Toronto), 8 December 1997, p. 5; “News of Women,” The Globe and Mail (Toronto), 18 de agosto de 1997, p. A26.
34. Kulanday, p. 22-23, 32-33, 86.
35. Padre Michael Müller, CSSR, The Blessed Eucharist, Our Greatest Treasure (Baltimore: Kelley & Piet, 1868; reprint ed., Rockford, IL: Tan Books and Publishers, Inc., 1973), p. 320.
36. “Pope Beatifies Mother Teresa in Front of 300,000,” 19 de outubro de 2003.
37. “Kamat’s Potpourri,” kamat.org, e “Arati,” anekant.org, 14 de novembro de 2003.
38. “Hindu Symbols.”
39. “All About Hindu Rituals.”
40. Dubois, p. 288, 589.
41. Ibid., p. 148-49, 584-86. É por isso que a dança não é feita por mulheres hindus respeitáveis (p. 586).
42. Ibid., p. 149; Kulanday, p. 32-33, 35-36, 164. Hindus cultuam tudo o que é útil nocivo, seja animado, inanimado ou abstrato: cf. Dubois, p. 548.
43. Dubois, p. 148-49, 584-88; Walker, p. 609; “Arati,” gurjari.net, 14 de novembro de 2003.
44. Kulanday, p. 22-23.
45. Ibid., p. 34-35, 168, 170.
46. Ibid., p. 23.
47. Ibid., p. 80, 89.
48. Cf. Dan. 12,11: “... o sacrifício continuo deve ser suprimido, e a abominação da desolação será estabelecida....”A interpretação na tradicional Haydock Commentary na Bíblia Douay-Rheims é: “... a supressão da Missa tanto quanto possível, e a prática da heresia e da abominação, até o fim da perseguição do anticristo....” O comentário sobre Dan. 11,31 aponta a idolatria no templo de Jerusalém como a abominação. Mat. 24,15 diz que o Anticristo e seus precursores irão tentar abolir o Sacrifício da Missa.
49. Kulanday, p. 179-80, 222.
50. Ibid., p. 143.
51. Allen, ibid.

Original aqui.

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Notas da tradutora:
[a] O Arati é exatamente isso. O artigo está corretíssimo, em minha opinião. Eu já fiz parte de um grupo de Bhakti Yoga, e já fiz o Arati num Puja. É adoração aos deuses, culto ao guru; algo totalmente hindu. Mas como quase tudo o que sai do Oriente para consumo ocidental, também foi adaptado por aqui, pois as mulheres escolhidas para esse ritual não precisavam ser casadas, nem eram “prostitutas do templo”. Na época, pensávamos, eu e meu então namorado e hoje meu esposo, que tudo era para Deus que se apresentava na forma do guru, e que os deuses eram manifestações (ou algo assim) de aspectos divinos. Graças a Deus saímos disso, nos convertemos à verdadeira religião de Deus: a Católica. É absurdo que as autoridades da Igreja Conciliar usem ritos idólatras dentro da Igreja.