terça-feira, novembro 05, 2013

Uma nova defesa de Dom Williamson – e do bom senso


Pelo SPES, leia:

Uma nova defesa de Dom Williamson – e do bom senso;

 

Volta a sair o SPES em defesa de nosso Bispo, Dom Richard Williamson, por ocasião agora de um artigo* do blog Avec l’Immaculée no qual se critica o Comentário Eleison cccxxviii (328). Como nos é próprio, seremos o mais possível breve, sem gastar demasiada tinta com o supérfluo. Vamos pois por partes.

• Antes de tudo, obviamente não podemos criticar o referido blog (que se reputa da Resistência) pelo simples fato de criticar a Dom Williamson. Assiste-lhe todo este direito, e Dom Williamson, contrariamente ao que se passa hoje na FSSPX por parte de seus superiores, é perfeitamente aberto a críticas.

• Ademais, longe de nós afirmar a “inerrância” de nosso Bispo, o que uma vez mais não só seria contrário ao espírito que nos fez aderir a uma Resistência, mas seria contrário também à mesma verdade.
• Questão outra é se se devem fazer tais críticas antes publicamente que reservadamente, ao mesmo destinatário delas. Cremos que não. Ainda não será porém com respeito a isto que vamos responder aqui ao blog francês.
• Nem, muito menos, nos ocuparemos da infundada suspeita de Avec l’Immaculée quanto à carta mencionada por nosso Bispo no Comentário em pauta.
• Nosso alvo é a crítica do referido blog ao seguinte trecho do Comentário Eleison 328: “Contudo, eu concordo com a visão do escritor da carta no tocante a uma nova aliança ser formada, em algum momento do futuro, de verdadeiros católicos vindos de todos os cantos da Neoigreja e da Igreja, para levar adiante a Fé Católica (cf. Mt XIX, 30). Possa a FSSPX despojar-se de seus atuais problemas e passar a desempenhar um papel de liderança, ou melhor, um humilde papel nessa aliança”. E, como prometido, ainda com respeito a isto seremos breves:
a) Antes de tudo, a esperança de Dom Williamson de que a FSSPX possa vir “a desempenhar um papel de liderança, ou melhor, um humilde papel nessa aliança”. Que problema há em ter tal esperança? Nós, particularmente, não a temos. Mas nem por isso deixamos de rezar em cada Rosário “pela obra de Dom Lefebvre”, e mais: veríamos como um grande dom de Deus que os superiores da FSSPX se convertessem de seus descaminhos últimos, ou, mais realisticamente, que à maioria dela se lhe abrissem os olhos para esses mesmos descaminhos. Se tal se desse, então a Resistência teria cumprido seu papel. Sim, por que o que quer dizer Resistência? Será sinônimo de Substituição? Naturalmente, se de fato a FSSPX vier um dia a aderir à abominação da desolação instalada no Lugar Santo, tratar-se-á então da referida Substituição. Mas, como dizia o mesmo Dom Lefebvre, se devemos seguir a Providência, não devemos porém tentar antecipar-nos a ela.
Observação: O que se acaba de dizer nada tem que ver com ter a Resistência mais ou menos estrutura formal. A cada assunto seu espaço, e o de nossa organização não é o que nos ocupa aqui, neste escrito.
b) O que nos ocupa aqui é o seguinte dito do blog francês: “nullam partem” com os hereges. E é preciso entendê-lo antes de tudo como uma dificuldade que efetivamente nos lança Avec l’Immaculée, porque, como dizia o velho e bom Aristóteles, “não é possível desatar se não se conhece a atadura”.
» Antes de mais, é verdade inquestionável, pelo mesmo magistério infalível da Igreja, que “nullam partem” com os hereges.
» Mas, para que não se trate de uma pirueta lógica como a levada a efeito pelo blog francês, há que dizer que pelo menos a grandíssima maioria da FSSPX não é herege formal nem material – e isto simpliciter, em termos absolutos. O que até agora cometeu a FSSPX como um todo (e deixados de parte casos singulares, como as condenabilíssimas afirmações de Dom Fellay com respeito ao Vaticano II)** foram erros prudenciais. Para que se entenda, veja-se o caso do Papa Pio XI: foi ele quem redigiu e assinou a carta magna da Cristandade e da Realeza de Cristo, a Quas primas, e no entanto foi ele ainda que com erros prudenciais gravíssimos (a desmobilização dos Cristeros e a condenação da Action Française) acabou por impedir brotassem os devidos frutos da mesma encíclica – e não se pode negar que tais graves erros prudenciais foram até uma causa mais ou menos remota do mesmo Vaticano II.
» Como considerar então a Pio XI? Herege material? Basta-nos um simples não. Ou assim é, ou boa parte da história do papado se poria sub judice. Seria no entanto lícito resistir a tais erros pontifícios? Este é assunto complexíssimo; para efeitos dialéticos, contudo, digamos que, sim, seria lícito resistir a eles. Logo, com muito mais razão nos é lícito resistir aos graves erros prudenciais da FSSPX.
» Mas e os referidos setores da Neoigreja em que deposita alguma esperança Dom Williamson? São ou não são hereges ao menos materiais? Outra questão complexíssima, que não podemos, ao contrário do que pretende o blog francês, resolver em poucas linhas e espaço. Mas, ainda para fins dialéticos, suponhamos que sim, que o sejam, ainda que sejam conservadores e não comunguem ao menos em foro íntimo com a abominação da desolação. Pois bem, pergunte-se: propôs Dom Williamson em algum lugar que a Resistência aderisse a tais setores enquanto são tais, ou tão somente demonstrou sua esperança de que um dia eles se convertessem à verdade e se juntassem a nós e a uma FSSPX retornada de seus descaminhos? A resposta é, uma vez mais, patente.
• Cremos ter respondido, assim, ao essencial do artigo francês. Mas temos de dizer ainda umas últimas palavras, e também de esperança: confiamos em que Avec l’Immaculée não acabe por contar-se, ele também, entre o número dos “iluminados” que tanto mal e desagregação trazem à luta contra a abominação da desolação instalada no Lugar Santo.   



** Erros doutrinais nunca negados pelo próprio Bispo, diga-se.