quinta-feira, fevereiro 06, 2014

Maria de Ágreda na América - Parte II


Maria de Ágreda Descreve Suas Viagens

Por Margaret C. Galitzin
Traduzido por Andrea Patrícia 





 Uma estátua da Venerável Madre Maria de Ágreda com o hábito Concepcionista e sua capa azul 


Um dos episódios mais marcantes da história recente do Sudoeste [EUA] é a bilocação de Madre Maria de Ágreda para o Novo México e Texas. Suas visitas são confirmadas pelo Pe. Benavides, o Superior Franciscano da Colônia Novo México, em uma reportagem que descreve a miraculosa conversão dos Jumanos e de seus vizinhos que foram catequizados pela Senhora de Azul. Sob as ordens do Arcebispo da Nova Espanha, ele viajou para a Espanha em 1630 para entregar seu relatório ao Rei e ao Geral Franciscano.

Em 1º de agosto de 1630, Pe. Benevides chegou à Espanha e fez um relato ao Padre Geral Franciscano, Frei Bernardino de Sena, Bispo de Viseo. O Padre Geral já havia sido informado sobre as bilocações da Madre Maria de Ágreda pelo seu confessor. Ele havia feito uma visita pessoal ao Convento dela oito anos antes, e ela havia inocentemente falado com ele sobre essas maravilhas. Ele ficou favoravelmente impressionado com a Abadessa, cujo Convento era conhecido por sua piedade, devoção e fidelidade à regra.

A presença do Pe. Benevides na Espanha foi oportuna para determinar a veracidade das bilocações dela. Ele estaria apto a conversar com a Madre Maria de Jesus e fazer perguntas a ela sobre as missões, os índios, e o país, cujas respostas somente alguém que tivesse estado lá poderia saber. Como um inquisidor e administrador de excepcional capacidade, sua opinião teria grande peso ao determinar se a Madre Maria de Ágreda era realmente a “Senhora de Azul”.

Em abril de 1631, o Padre Geral enviou-o a Ágreda com a autoridade de obrigar a Abadessa, sob seu voto de obediência, a revelar a ele tudo relacionado às suas miraculosas visitas aos índios no Novo Mundo.

Quando o Pe. Benevides chegou a Ágreda, ele primeiramente entrou em contato com o Provincial, Pe. Sebastian Marcilla, e o confessor da freira, Pe. Andrés de la Torre. Os três foram ao Convento da Imaculada Concepção para questionar Madre Maria de Jesus. A visita deles foi documentada pelo Pe. Benevides, que descreveu a primeira impressão que teve da Abadessa:

“Antes de dizer qualquer coisa, eu constatei que madre Maria de Jesus, atualmente Abadessa do Convento da Concepção, tem quase 29 anos de idade, com um belo rosto, uma compleição muito clara e rosada e grandes olhos negros.

"O seu hábito... é simples como o nosso, ou seja, é claro, um pano de saco marrom usado próximo ao corpo sem qualquer outra túnica. Sobre o seu hábito marrom há um de pesado pano de saco  branco, com um escapulário do mesmo e a corda de nosso Pai São Francisco. Por cima do escapulário há um rosário. Elas não usam sapatos ou outro calçado, exceto tábuas presas aos seus pés ou alguma sandália de tiras. O manto é um pesado pano de saco azul e o véu é preto.” (Memorial, p. 479 – veja nota de rodapé 1, Parte 1)

Foi essa capa azul da Ordem Concepcionista que inspirou os índios a chamá-la “Senhora de Azul”.


O Relato de Maria de Ágreda

Maria de Ágreda contou obedientemente aos três padres tudo sobre as suas visitas aos índios da América. Desde que ela era criança, disse, vinha sendo inspirada para rezar pelos índios na Nova Espanha, cujas almas seriam perdidas a não ser que eles se convertessem à única Fé verdadeira.





Os índios Jumanos (acima) no sudoeste do Texas foram os primeiros a contar sobre a senhora de azul que os visitou.


Então Nosso Senhor começou a mostrá-la mais distintamente em visões aquelas províncias que Ele desejava que fossem convertidas. Ela observou a aparência das pessoas, suas condições bárbaras de vida e costumes, e sua necessidade de sacerdotes para instruí-los na Fé. Em uma dessas visões, Nosso Senhor destacou os índios do Novo México e disse a ela que Ele desejava convertê-los e também outros remotos “reinos” daquela área. Isso a inspirou a rezar e fazer sacrifícios mesmo com mais fervor por essas almas do outro lado do oceano. 

Em uma ocasião, enquanto orava por eles, Nosso Senhor a transportou inesperadamente em um tipo de êxtase. Sem perceber os meios, pareceu a ela que ela estava em uma região e num clima diferentes, entre aqueles mesmos índios que ela tinha visto antes apenas em visões. Pareceu a ela que ela os viu com os seus olhos e sentiu a temperatura mais quente da terra. Todos os seus sentidos foram afetados pela mudança de local.

Então Nosso Senhor ordenou que ela cumprisse seus desejos de caridade, e ela começou a pregar a Fé Católica àquelas pessoas. Ela pregava a eles em sua própria língua espanhola, e os índios a compreendiam como se ela estivesse falando a língua deles. Ela podia também entender o que eles diziam a ela.
Voltando do seu transe, ela se encontrou no mesmo lugar em que estava quando tudo começou.

Isso aconteceu com ela em 1620.

Posteriormente, nos 11 anos seguintes, aquele milagre foi repetido mais de 500 vezes, às vezes com três ou quatro visitas em um dia. Nessas ocasiões, ela disse, pareceu-lhe "que, através de suas palavras e dos milagres que Deus operou em confirmação deles, um extenso reino e seu líder estavam sendo trazidos para a Santa Fé”. 

Nem sempre ela foi bem recebida. Várias vezes ela sofreu tortura e foi deixada para morrer por índios que haviam sido incitados à violência pelos xamãs, os índios doutores bruxos. Para o assombro dos índios, ela voltaria, e essa e outras maravilhas que ela obrou através da misericórdia de Nosso Senhor ajudaram a persuadi-los de que ela estava pregando a verdade.

Ao passar nesse voo sobrenatural através do Novo México, ela iria inclusive ver os Franciscanos que estavam trabalhando pela conversão deles. Foi assim que ela pôde aconselhar aos Jumanos, que viviam a 300 milhas da missão, onde eles deveriam ir para encontrar os Franciscanos. Eles foram sob o comando de Madre Maria de Jesus e seguindo suas direções específicas.

Uma inquirição cuidadosa


Convento da Imaculada Conceição em Ágreda.


Ouvindo as palavras de Madre Maria de Jesus, o padre missionário ficou emocionado. Para verificar a veracidade de seu relato, ele perguntou a ela questões especificas sobre a área, se ela poderia identificar certos pontos de referência e descrever os outros missionários, bem como índios específicos. “Ela contou-me muitas particularidades daquela terra que até mesmo eu havia esquecido, trazendo de volta à minha memória”, ele observou. Ela também descreveu as características e traços individuais dos missionários e de vários índios, com detalhes que apenas quem já esteve na Nova Espanha poderia saber.
Em uma carta de maio de 1631 ele escreveu ao Padre Geral:

“Ela contou-me tudo o que sabemos sobre os nossos irmãos e padres, Frei Juan de Salas e Frei Diego Lopez, em suas viagens aos Jumanos. ...Forneceu-me descrições completas, acrescentando que ela os ajudava. Ela conhece Capitão Tuerto (um chefe Jumano) muito bem, dando descrições detalhadas dele e dos outros”. Ele concluiu: “Ela tem pregado pessoalmente nossa Santa Fé Católica em cada nação, particularmente no nosso Novo México”.

Pe. Benavides teve outras conversas com Madre Maria de Jesus antes de ir embora. Ele ficou convencido de que ela era a “Senhora de Azul” que havia viajado para a América para ensinar aos índios. Não apenas as palavras dela, mas o seu jeito de ser o impressionou. Ele formou uma alta opinião sobre a santidade e a piedade daquela freira Concepcionista que foi favorecida com muitos dons místicos e iria escrever A Cidade Mística de Deus: A Vida da Santíssima Virgem Maria.


Bilocação para a América

Como esses misteriosos transportes para a América aconteceram? Quando Madre Maria de Jesus foi questionada sobre se ela era levada em corpo ou em espírito, ela disse que não sabia. O que ela sabia era que ela viu essas terras e tribos diferentes; ela sentiu a mudança no clima e na temperatura; ela sentiu dor quando os índios se voltaram contra ela e a perseguiram. Em uma ocasião pareceu-lhe que ela distribuiu rosários entre os índios. De fato, ela tinha uma quantidade de rosários com ela em sua cela, mas mais tarde, voltando do estado místico, ela não os encontrou. 

Ela estava certa de que seu trabalho no Novo México entre os índios não foi uma ilusão. Em sua humildade, ela afirmou repetidamente que ela estava inclinada a acreditar que um Anjo tomou sua forma para catequizar os índios, como um sinal de Nosso Senhor dos efeitos da oração.

Essa não era a opinião dos Prelados que a examinaram. Eles estavam convencidos de que ela foi transportada fisicamente por causa do que foi claramente manifestado a todos os sentidos dela nessas ocasiões. Satisfeito com a espiritualidade da Abadessa, Pe. Benevides confirmou a opinião do confessor dela, afirmando que ele acreditava que ela tinha sido levada fisicamente ao Novo México e ao Texas, onde ela catequizou índios.


A carta dela aos missionários americanos


A assinatura de Maria de Ágreda na carta endereçada aos missionários na América


Antes de deixar Ágreda, Pe. Benevides pediu a Madre Maria de Jesus que escrevesse uma carta aos missionários para encorajá-los em seu trabalho. 

Nela, ela descreveu outros reinos indígenas que ainda não haviam sido descobertos, e encorajou os frades a continuar seus abençoados trabalhos de conversão. Ela disse aos missionários como foram, para Deus, agradáveis e aceitáveis seus trabalhos e sacrifícios. Ela disse que mesmo que tenha sido privilegiada por trazer a Religião de Cristo aos Índios, ela não teve o grande mérito dos missionários, que foram submetidos a tantas e tremendas dificuldades e sofrimentos.

Nosso Senhor estava “altamente satisfeito com a conversão das almas”, ela escreveu. “Eu posso garantir a você que os Beatos a invejariam, se pudesse existir inveja entre eles, o que é impossível, mas eu estou afirmando isso de acordo com o nosso modo de expressão. Se eles pudessem abandonar a sua felicidade eterna para acompanhá-la nessas conversões, eles fariam isso”. Tal é o grande valor de salvar almas conquistadas pelo Precioso Sangue de Cristo, ela concluiu.

Essa carta, que você pode ler inteira aqui, foi destinada a inspirar muitos missionários Franciscanos em seu trabalho entre os índios no sudoeste e na Califórnia.

(Continua)

Original aqui.