quinta-feira, abril 10, 2014

É mais fácil pecar por falsa prudência do que por zelo excessivo



Por Tradition in Action
Traduzido por Andrea Patrícia




É algo muito comum para nós católicos americanos confundir prudência com concessões liberais. “Sim, sejamos prudentes ao pregar sobre os dogmas Marianos para não enfurecer os protestantes.” Ou, “Vamos evitar atacar a homossexualidade para não sermos humilhados na sociedade." Ou ainda, “É melhor não dizermos nada sobre o judaísmo como religião, ou senão seremos rotulados de antissemitas.”

Talvez nosso pecado capital seja um excesso de prudência humana, que é outro nome para respeito humano. Para nos ajudar a vencer esse defeito, nós oferecemos um comentário do padre Cornélio a Lápide, o grande exegeta do século XVI, que nos ensina a como nos livrarmos desse vício.
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Pe. Cornélio a Lápide, SJ.

Ao anjo da igreja de Éfeso escreve:…
Mas eu tenho algo contra ti, porque deixaste teu primeiro amor (Apocalipse 2,4).

São Timóteo, Bispo de Éfeso por mais de 40 anos, mostrou-se ser um pouco relaxado na pregação da palavra de Deus aos Efésios na obra para a sua conversão. A razão para isso foi que ele teve de enfrentar a persistência tanto dos judeus quanto dos adoradores de Diana contra seu apostolado. Assim, movido parte pela pusilanimidade e moderação e parte por prudência humana, ele considerou mais conveniente tornar-se mais suave para não perturbar a vida da Religião por um zelo excessivo ou provocar a fúria dos gentios contra ele e seu rebanho, como aconteceu com São Paulo, que teve que enfrentar a multidão contra ele: ‘Salve a grande Diana de Éfeso’ (Atos 19, 34). Então, o primeiro ardor de São Timóteo em pregar o Evangelho enfraqueceu, e esse foi o seu pecado, não mortal, mas venial.

Isso também acontece com pessoas que possuem autoridade. Elas pecam mais frequentemente por tibieza disfarçada de prudência, do que por imprudência sob a aparência de zelo.

O conselho de Cristo dado através de São João a São Timóteo corrigiu sua falta, e ele retornou ao fervor que possuía no início. Na verdade ele reprovou os adoradores de Diana com tanto ardor que ele recebeu o martírio pelas mãos deles no ano 109 do Senhor, em 24 de janeiro, cuja memória está registrada nos sagradas anais da Igreja.



(Cornélio a Lápide, Commentarii in Sacram Scripturam,
Ludovico Vives: 1976, vol. 21, p. 41)

Original aqui.