quinta-feira, maio 15, 2014

Como os Católicos Caem no Liberalismo

Pe. Felix Sarda y Salvany
Traduzido por Andrea Patrícia



Pe. Felix Sarda y Salvany, 1844-1916


Várias são as maneiras pelas quais o fiel católico é arrastado ao erro do Liberalismo. 

Muito frequentemente a corrupção do coração é consequência de erros do intelecto, mas mais frequentemente ainda, os erros do intelecto seguem a corrupção do coração. A história das heresias mostra esse fato muito claramente. Os seus primórdios quase sempre apresentam o mesmo caráter, ou amor-próprio ferido ou um agravo a ser vingado; ou é uma mulher que faz o heresiarca perder a sua cabeça e sua alma, ou é um saco de ouro pelo qual ele vende sua consciência.

O erro quase sempre tem sua origem, não em estudos profundos e laboriosos, mas no monstro de três cabeças que São João descreve e chama de concupiscentia carnis, concupiscentia oculorum, superbia vitae - concupiscência da carne, concupiscência dos olhos, soberba da vida. 

Eis aqui as fontes de todo erro, eis os caminho para o Liberalismo. Detenhamo-nos neles por um momento. 

1. O homem torna-se liberal devido a um desejo natural por independência e por uma vida fácil.

O Liberalismo é necessariamente simpático à natureza depravada do homem, exatamente do jeito que a Catolicidade é essencialmente oposta a isso. O Liberalismo é emancipação da restrição; A Catolicidade refreia as paixões. Agora, o homem decaído, por uma tendência muito natural, ama um sistema que torna legítimo e santifica seu orgulho de intelecto e a permissão das paixões. 

Tertuliano diz: "A alma, em suas nobres aspirações, é naturalmente Cristã." Do mesmo modo pode-se dizer que o homem, com a sua mácula original, nasce naturalmente liberal. Logicamente então ele se declara um liberal na devida forma quando ele descobre que o Liberalismo oferece uma proteção para seus caprichos e uma desculpa para suas indulgências. 

2. Os homens tornam-se liberais pelo desejo de progredir na vida


Sociedades Secretas atraem homens jovens com promessa de sucesso


O Liberalismo é hoje a ideia dominante; ele reina em toda parte e especialmente na esfera da vida pública. É, por conseguinte, uma recomendação certa para a opinião pública. 

No início de sua vida, o jovem olha ao redor para os diferentes caminhos que conduzem à fortuna, fama e glória, e vê que uma condição quase indispensável para alcançar o objetivo almejado é, ao menos em nossa época, tornar-se liberal. Não ser liberal é colocar em seu caminho, o início, o que parece ser um obstáculo intransponível. Ele precisa ser heroico para resistir ao Tentador, que mostra a ele, assim como ele fez com Jesus Cristo no deserto, um futuro esplêndido, dizendo: Haec omnia tibi dabo si cadens adoraveris me – Tudo isso eu te darei, se, prostrado, me adorares.

Heróis são raros, e é natural que a maioria dos homens jovens começando sua carreira afilie-se ao Liberalismo. Isso promete a eles a assistência a uma imprensa poderosa, a recomendação a protetores poderosos, a potente influência das sociedades secretas, o patrocínio de homens eminentes. O pobre Ultramontano requer mil vezes mais mérito para tornar-se conhecido, adquirir um nome, e a juventude é ordinariamente pouco escrupulosa. 

O Liberalismo, ademais, é essencialmente favorável a esta vida pública que essa idade busca tão ardentemente. Ele mantém como iscas tentadoras escritórios públicos, comissões, ótimas posições, etc., que constituem o organismo da máquina oficial. Ele parece uma condição absoluta para preferência política. Encontrar um homem jovem e ambicioso que despreze e deteste o pérfido Corruptor é uma maravilha da graça Divina. 

3. Os homens tornam-se liberais devido à avareza, ou por amor ao dinheiro.

Ficar bem no mundo, ser bem sucedido nos negócios, é sempre uma tentação permanente do Liberalismo, esbarrando com o homem jovem a cada curva. À volta dele em mil maneiras ele sente a hostilidade secreta ou aberta dos inimigos de sua fé. Na vida mercantil ou nas profissões ele é esquecido, negligenciado, ignorado. 

Se ele relaxa um pouco na sua fé, junta-se a uma proibida sociedade secreta, pronto! Eis que os parafusos e barras são retirados; ele consegue o "abre-te sésamo" para o sucesso! Então a injusta discriminação contra ele se derrete num abraço fraternal do inimigo, que recompensa sua perfídia fazendo-o progredir de mil maneiras. Tal tentação é difícil para o ambicioso resistir. 

Ser liberal, é admitir que não há grande diferença entre os credos dos homens, de que no fundo é tudo a mesma coisa afinal de contas. Proclame sua mente aberta ao admitir que  outras religiões são tão boas para as outras pessoas como a sua fé é para você; elas estão, na medida do que elas conhecem, tão certas como você está. O que um homem acredita é principalmente uma questão de educação e temperamento. Então rapidamente você receberá tapinhas nas costas como um homem de “mente aberta” que escapou das limitações estreitas da sua crença. Você será tratado com condescendência extensivamente, pois o Liberalismo é muito generoso com um convertido. “Tudo isso eu te darei, se, prostrado, me adorares" diz Satã a Jesus Cristo no deserto. 

Tais são as causas ordinárias das perversões ao Liberalismo; todas as outras saem dessas. Qualquer um que tenha alguma experiência do mundo e do coração humano pode facilmente traçar as outras.


Felix Sarda y Salvany, Liberalism Is A Sin*, Capítulo 25
original espanhol de 1899, tradução para o inglês por TAN Books, 1993.



Original aqui.



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Nota da tradutora:

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“Grande clássico da literatura antiliberal. Este livro era muito recomendado por Dom Lefebvre que insistia tanto na necessidade de estudar o liberalismo para melhor combatê-lo.”
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